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Aventuras na História

Alguns palavrões têm origem inocente?

Mário Araujo | 01/01/2006 00h00

Alguns palavrões têm origem inocente?

Lúcia Regina,

Rio de Janeiro/RJ

Sim. Mas, antes de mais nada, um aviso para os leitores que pretendem saber a resposta: vocês vão encontrar nos próximos parágrafos palavras de baixo calão. Portanto, se forem se sentir ofendidos em ler palavrões, é melhor pararem a leitura aqui mesmo.

Para quem veio adiante, um exemplo de uma palavra que teve origem inofensiva, mas que perdeu o sentido original e virou palavrão, é “caralho”, usada hoje como sinônimo de pênis ou como interjeição para demonstrar espanto. O termo vem do latim characulu, diminutivo de kharax ou charax, palavra grega que significa “estaca” ou “pau” (pedaço de madeira). “Ele passou a ser usado para designar o membro do touro na Antiguidade”, diz o jornalista Luiz Costa Pereira Junior, autor de Com a Língua de Fora – A Obscenidade por Trás de Palavras Insuspeitas e a História Inocente de Termos Cabeludos. Daí para virar sinônimo de pênis em geral foi um pulo.

Já “boceta”, termo usado hoje como sinônimo de vagina, tem origem no latim buxis, “caixa de buxo” – buxo, por sua vez, é uma árvore. “As gregas e romanas tinham preferência por essa madeira para suas pequenas caixas em que guardavam objetos de valor”, afirma Luiz. Logo, com a evolução da língua, elas foram chamadas de bocetas. Há registros do termo associado ao órgão feminino em poemas portugueses do século 18.

A associação se deve ao fato de ele ser o lugar em que está o tesouro da mulher.

“Porra”, termo empregado hoje quando algo dá errado ou como sinônimo de esperma, designava uma arma de guerra medieval: era um bastão de madeira com ponta protuberante, cravejada de lanças de metal. O instrumento foi associado ao membro masculino e, com o passar do tempo, ao sêmen.

 

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