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Aventuras na História

Confira a evolução dos jogos e brincadeiras ao longo da história

Fundamentais para a formação das crianças, os brinquedos acompanham a humanidade desde a Pré-História. De lá para cá, mudaram muito pouco. Os materiais são outros, mas a função é a mesma: divertir e ensinar

Texto Jeanne Callegari / Ilustrações Vanessa Reyes | 01/09/2009 18h45

Em 1888, o inglês William Flinders Petrie começou a escavar as ruínas de Kahun, ao sul do Cairo, o primeiro sítio arqueológico a mostrar a rotina dos antigos egípcios. Entre as descobertas estava um bastão de 28 centímetros decorado com talhos vermelhos e pontinhos pretos. O objeto em forma de curva, um ancestral do nosso bumerangue, datava de cerca de 1 800 anos antes da era cristã. Era, provavelmente, um brinquedo de criança.

Outros achados mostram que a humanidade brincava muito antes de aprender a escrever, e que jogos como cinco-marias já eram conhecidos na Pré-História. "Desde que existem crianças, existem brinquedos", diz Cristina Von, autora de A História dos Brinquedos (Ed. Alegro). "Brincar é parte essencial da formação do ser humano." Na atividade lúdica, a criança descobre o corpo, aprende a se socializar, a resolver problemas, a imaginar. As brincadeiras de antigamente não são muito diferentes das atuais. "Fiquei surpresa ao perceber que as coisas mudaram tão pouco", afirma a escritora e pesquisadora Deborah Jaffé, integrante do comitê do museu da infância Victoria & Albert, de Londres. Se o conceito é o mesmo, a tecnologia de fabricação e os materiais evoluíram e se diversificaram, acompanhando as inovações de cada período. A produção em massa veio depois da Revolução Industrial. E os brinquedos ficaram mais baratos.

Eles traduzem a capacidade do homem de criar e reciclar. Não faltam exemplos de objetos que trocaram de função. Como o bumerangue, que nasceu como arma e virou brinquedo. Melhor se divertir do que guerrear.

Assoprar, pular e jogar

Cinco-marias, nécara, jogo-do-osso. Três nomes diferentes para a mesma brincadeira pré-histórica: lançar uma peça para o alto e, antes que ela atinja o chão, pegar outra. Na Antiguidade, os nobres usavam pepitas de ouro, pedras preciosas, marfim ou âmbar. Já a amarelinha evoluiu do jogo-dos-odres, praticado em Roma. Os participantes saltavam com um pé só sobre sacos feitos com pele de bode, untados com azeite. Nessa época, canudos de palha eram usados para assoprar bolinhas-de-sabão. A prática foi popular na França no século 17, onde recebeu o nome de bouteilles, por causa da garrafa que guardava uma mistura de água, sabão e açúcar.

Querida dona redonda

Um dos brinquedos preferidos de todos os tempos, a bola era feita de bambu, no Japão, e de crinas de animais, na China, 6 500 anos atrás. Romanos e gregos faziam as suas de bexiga de boi, couro ou penas. A bola de futebol chegou ao Brasil com o jogo, em 1894. O brasileiro Joaquim Simão fez a primeira na cor branca.

Pequenas moças

Estatuetas de barro são fabricadas desde a Pré-História. Mas foi no Egito, há 5 mil anos, que as bonecas deixaram de ser ídolos religiosos para se tornarem brinquedos. Na Grécia e em Roma, algumas tinham cabelo de verdade. Esta, de madeira, é europeia (1680). As casinhas de boneca foram criadas em 1558, na Alemanha.

O ursinho do presidente

Os bichos de pelúcia existem desde o século 19. O mais famoso é o teddy-bear, o ursinho. Durante uma caçada, em 1902, o presidente americano Theodore Roosevelt se recusou a abater um urso ferido por outro participante. Disse que seria uma atitude antiesportiva. A história virou cartum num jornal popular e inspirou Morris Michtom a criar um brinquedo novo: "o urso de Teddy", o apelido de Roosevelt.

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