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Aventuras na História

A construção do Cristo Redentor

Estátua completa 75 anos em outubro

Fábio Varsano | 01/10/2006 00h00

Símbolo do Rio de Janeiro e mais famoso cartão-postal do Brasil, a estátua do Cristo Redentor completa 75 anos em outubro. A obra monumental, que mobilizou a então capital por uma década, começou a ser sonhada já em meados do século 19. Em 1859, um padre francês, Pierre-Marie Bos, sugeriu para a princesa Isabel a construção da imagem no alto do Corcovado, a 710 metros de altura, no Parque Nacional da Tijuca. A idéia ressurgiu em 1921 como parte das celebrações do centenário da Independência do país, no ano seguinte. Numa assembléia, o Corcovado derrotou montanhas como o Pão de Açúcar, na Urca, e o morro de Santo Antônio, no Centro. Em 1922, após receber um abaixo-assinado com 20 mil nomes solicitando a construção, o presidente Epitácio Pessoa autorizou a obra.

Para custear a empreitada, uma campanha de arrecadação que uniu desde os mais ricos até os índios bororós angariou o equivalente hoje a cerca de 9 milhões de reais. Então chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas comandou a inauguração na noite de 12 de outubro de 1931. A iluminação seria acionada da Itália, pelo cientista Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio. O mau tempo impediu a façanha e o sistema foi ligado no local.

 

Obras nas alturas

O projeto do monumento consumiu cinco anos e a construção, outros cinco

Braços abertos

No projeto original do engenheiro Heitor da Silva Costa, o Cristo estaria carregando um globo. O desenho dos braços abertos é de Carlos Oswald, que fazia parte da equipe de Heitor.

Mosaico voluntário

O Cristo é feito de concreto sobre uma tela de aço, que foi colocada sobre o molde original de gesso, pedaço por pedaço. Na argamassa, usaram areia, açúcar e óleo de baleia. Para revesti-lo, donas-de-casa voluntárias cortaram triângulos de três centímetros de tecido, sobre os quais foram colados pedaços de pedra-sabão – material resistente a intempéries.

Olhos bem abertos

Antes da execução do modelo final da estátua, o escultor francês Maxmilien Paul Landowski, a quem foi encomendado o trabalho, fez diversos moldes, todos na França. Já em tamanho definitivo, as peças feitas de gesso foram divididas em dezenas de partes numeradas e transportadas de Paris ao Rio – só a cabeça tinha 50 partes.

Estrada de ferro

As peças do Cristo foram reunidas na Igreja Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, e levadas aos pedaços para o alto do Corcovado, onde a camada de concreto foi aplicada. Elas, junto com cimento, areia e até água, foram transportadas pelos trens da Estrada de Ferro do Corcovado, a primeira eletrificada do país, construída em 1884.

Bate coração

O pedestal da imagem, com 8 metros de altura, abriga uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, com capacidade para 20 pessoas sentadas. O interior da estátua tem escadas em ziguezague. À medida que se sobe, a altura dos corredores diminui. Para se chegar aos braços, é preciso andar agachado. O Cristo tem um coração, instalado, claro, na altura do peito.

Esforço milagroso

Não há registro da quantidade de operários que trabalharam nas obras do Cristo Redentor durante os cinco anos que elas duraram. Apesar da altura e dos ventos fortes, não houve nenhum acidente grave durante a construção – quase um milagre, já que os empregados ficavam pendurados em andaimes sem qualquer segurança.

 

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