Guia do Estudante

Aventuras na História

Dádiva do Nilo

Os antigos já diziam: se não fosse o rio que corta e dá vida ao deserto, a história do Egito teria virado pó. Ao longo de seus 6,4 quilômetros de terras férteis, floresceu uma civilização poderosa e fascinante

01/06/2007 00h00

O historiador grego Heródoto (que viveu no século 5 a.C.) já dizia que o Egito é uma dádiva do rio Nilo, um longo e estreito oásis no deserto. Em tempos ancestrais, a região onde se formou o delta do Nilo, no nordeste da África, ficava debaixo do mar. Com o tempo, o mar foi baixando e deixando um solo fértil em seu lugar. Ali, no chamado Baixo Nilo (que logo seria conhecido também como Baixo Egito), começou a ocupação humana na região, há mais de 5 mil anos.

As cheias ao longo de seus 6,4 quilômetros (as maiores do planeta) enriquecem o solo com minerais e sedimentos. Graças a esse fenômeno, cidades floresceram nas margens do rio em direção ao sul, dando origem ao Alto Egito (faixa com 900 quilômetros de extensão a partir de Mênfis). Os povos que lá se estabeleceram cultivavam cereais, como trigo e cevada. Além da produção do linho, a agricultura tornou-se a base econômica da nação que se formava. Plantavam também cebola, alho-porró, alho, alface, melancia, pepino, melão, grão-de-bico, lentilha, maçã, romã, azeitona, abacate e tâmara. No Baixo Egito, mais fértil e rico, também se praticava a caça e a pesca.

Esses povos eram pacíficos e muito religiosos. Criaram uma infinidade de deuses – eram tantos que alguns tinham “jurisdição” em apenas uma cidade, povoado ou vilarejo. Mantinham uma relação muito tranqüila, sem cobranças, com as divindades. Adoravam também muitos animais, como o chacal (por sua esperteza noturna), o carneiro (símbolo da reprodução), o jacaré (pela agilidade na água), a serpente (poder de ataque), a águia (capacidade de voar) e o escaravelho (ligado à ressurreição). Mas o mais sagrado de todos era o gato, talvez por proteger os estoques de alimentos dos ratos e as pessoas das cobras venenosas, pragas que infestavam a região. Desde 2000 a.C., quando foram domesticados, toda família tinha um gato de estimação. Desde muito cedo desenvolveram sofisticadas técnicas de mumificação, acreditando que os corpos dos mortos teriam alguma utilidade na outra vida.

O PRIMEIRO FARAÓ

Em 3100 a.C., Menes unificou o Egito e tornou-se o primeiro faraó. Os estudiosos chegaram a essa conclusão graças a uma placa de xisto que registra esse evento. De um lado, ela mostra o faraó usando a coroa branca típica do Alto Egito; do outro, a coroa vermelha do Baixo Egito. A maior dúvida parece ser o nome do soberano – Menes ou Menés para uns, Narmer (em grego) ou Hórus Aka para outros. Seja qual for o nome pelo qual gostava de ser chamado, ele fundou Mênfis para ser a capital do reino.

Nessa época, os camponeses trabalhavam em terras que pertenciam ao Estado, às altas camadas da sociedade e aos templos, entregando a eles o excedente da produção como imposto. Surgiram as primeiras escritas hieroglíficas, usadas para controlar o pagamento de impostos pelas províncias. Preceitos religiosos intercalados com artigos de natureza civil e penal foram codificados no Livro dos Mortos, considerado o primeiro sistema jurídico do mundo.

A partir de Menes, dezenas de famílias – as dinastias – governaram o Egito até a morte de Cleópatra, em 30 a.C., quando o Egito passou a fazer parte do Império Romano. Foram ao todo 30 dinastias. Durante a terceira e a quarta dinastias, foram erguidas as pirâmides de Saqqara e Gizé. A pirâmide de Quéops foi a construção mais alta do mundo por cerca de 4 mil anos. Durante essas 30 dinastias, que mandaram no país por cerca de 3 mil anos, o Egito viveu três momentos de esplendor e três graves crises. Mais ou menos no meio dessa história, 13 séculos antes da derrota para Roma, o Egito conheceu a glória de ser o maior império sobre a Terra.

PAÍS TEVE MUITOS NOMES

Os antigos egípcios usaram vários nomes para se referir a seu país. O mais comum era Kemet (“Terra Negra”), que se aplicava ao território nas margens do Nilo em referência à cor do solo. Já Decheret (“Terra Vermelha”) era o nome que designava a região desértica, onde eles enterravam seus mortos. Também usavam as palavras Taui (“Duas Terras”), em alusão ao Alto e ao Baixo Egito, Ta-meri (“Terra Amada”) e Ta-netjeru (“Terra dos Deuses”). Na Bíblia, o Egito é chamado de Misraim. Nós usamos uma variação do grego Aigyptos (pronuncia-se “Aiguptos”), que, acredita-se, significa “a mansão da alma de Ptah”. Os egípcios atuais usam a palavra de origem árabe Misr.

 

Compartilhe

Busque em História

Edições Anteriores

Edição 130
Edição 130

Edição 129
Edição 129

Edição 128
Edição 128

Edição 127
Edição 127

Edição 126
Edição 126

Edição do mês

edição 135

edição 135,
outubro 2014
Especialistas elegem os homens que mudaram os rumos da humanidade

Assine Aventuras na História