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Aventuras na História

A evolução dos tênis esportivos passo a passo

Dos pés descalços nas corridas até o tênis tecnológico

Juliana Parente | 01/02/2007 00h00

No começo, eles não passavam de tiras de couro. Antes de estrelarem campanhas milionárias, os calçados esportivos foram vistos até como sinal de fraqueza. “Acreditava-se que os verdadeiros atletas deveriam competir descalços”, diz Henrique Soares Carneiro, professor de História da Universidade de São Paulo. “O uso de calçados causou um choque.” Acompanhe aqui a evolução deles.

Século 8 a.C.

Nas Olimpíadas da Grécia antiga, os maratonistas eram obrigados a competir descalços. Até que atletas de regiões mais frias (comoa Macedônia, por exemplo) começaram a competir em Olímpia com as proteções para os pés que já estavam acostumados a usar. Eram sandálias com tiras e solado feitos de couro – e a moda se espalhou entre os gregos.

Século 2

No século 6 a.C., os etruscos aprimoraram os calçados, prendendo as solas às palmilhas com tachinhas. Os romanos, no século 2, usaram no lugar dos pregos faixas de couro, “abotoadas” com uma espécie de pinça que prendia o calçado aos pés – e garantiam mais conforto aos atletas. A tecnologia era voltada para melhorar o desempenho dos praticantes de atletismo.

1832

Durante a Idade Média, os calçados esportivos ficaram esquecidos. Só no fim do século 18 vieram novidades: calçados fechados, feitos de couro. Em 1832, uma reviravolta: surgiram as solas de borracha, que aumentavam a adesão da pisada ao solo e favoreciam o impulso, melhorando a performance. A patente foi de um americano de Nova York, Wait Webster.

1860

O próximo passo foi a invenção do cadarço. Os cordões otimizaram o ajuste dos calçados aos pés dos atletas, facilitando a realização dos movimentos. Mais suaves, as pisadas deram origem ao termo sneakers, empregado até hoje – em inglês, significa tanto “tênis” quanto “gatuno”, “sorrateiro”.

1870

Na segunda metade do século 19, são inventadas as sapatilhas para os ciclistas. Na prática, tratava-se de um tênis com o calcanhar na mesma altura de todo o solado, sem cadarços e muito mais leves. Para os velocistas, um modelo com seis travas na sola, que serviam para dar mais impulso.

1890

Os estilhaços da Revolução Industrial chegam aos esportes e, em 1890, é fundada a primeira empresa especializada em calçados esportivos – mais tarde rebatizada como Reebok (nome de uma gazela africana) por um dos netos de Joseph William Foster, o fundador da empresa.

1940

Os calçados de lona (impermeáveis) e com sola de borracha mais resistente surgem por volta de 1940 – reaplicação de materiais usados na Primeira Guerra Mundial. A substituição do couro pelo tecido foi um dos grandes saltos para os atletas: os tênis ficaram mais leves e machucavam menos (os ferimentos antes eram provocados pelo atrito do couro aliado ao suor).

1980

Na década de 80, a indústria se especializa ainda mais, com a criação da primeira linha de tênis femininos e a campanha da Nike protagonizada pelo jogador de basquete Michael Jordan. O atleta recebeu 2,5 milhões de dólares, marcando a era dos contratos milionários.

 

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