Guia do Estudante

Aventuras na História

Piratas: o terror nos mares

Bárbara Soalheiro | 01/03/2004 00h00

Brutamontes sanguinários ou nobres elegantes? Bandidos violentos ou homens que lutavam por sua liberdade? Bêbados inconseqüentes ou estrategistas brilhantes? Quem eram e como viviam os homens que dominaram os mares nos séculos de ouro da navegação européia?

Bêbado, o velho capitão acordou de repente. Os pêlos compridos da barba se agarravam às três argolas de ouro que lhe ornamentavam a orelha. Exalava um cheiro horrível, resultado do esvaziamento de algumas garrafas de rum na noite anterior. Passou pelo convés e viu o prisioneiro esticado no mastro. Quase morto. Havia uma faca pregada à perna do homem e o capitão se irritou. “Quem foi o imbecil que abandonou sua arma?”, gritou. Ninguém respondeu. O capitão foi até o coitado e retirou-lhe a faca. Viu, pela cor das fitas amarradas no cabo, que ela pertencia ao rapaz novato. “Idiota!”, gritou novamente. E, chamando o mestre quarteleiro, avisou: “Vamos parar na próxima ilha. Prepare uma pistola com uma só bala”.

O personagem dessa história pode ter sido qualquer um dos milhares de piratas que infestaram os mares durante os séculos 16, 17 e 18, a época de ouro da navegação européia. Ao tentar imaginá-lo, é provável que você o veja de tamanco holandês, calças largas marroquinas, turbante inglês e o peito nu ressaltando as várias correntes de ouro, moda das colônias americanas. A imagem que fazemos dos piratas é uma mistura de nacionalidades. Mas foram os piratas ingleses que eternizaram seus nomes e se tornaram famosos até os dias de hoje. Afinal, a maior parte dos registros que temos da vida desses homens se deve aos relatos dos julgamentos ocorridos na Inglaterra no século 18. “As histórias viravam livros, a internet daquele tempo. Só no ano em que foi publicado, 1724, Uma História Geral de Roubos e Crimes de Piratas Famosos vendeu 1 milhão de cópias”, diz o jornalista Eduardo San Martin, tradutor da obra no Brasil e pesquisador do assunto.

O livro, assinado por um certo capitão Charles Johnson, tem autor desconhecido e, como quase toda obra da época, mistura episódios reais com detalhes imaginários. Ainda assim, ele influencia quase tudo o que foi escrito sobre o assunto. “Isso faz com que seja difícil definir o que é real e o que é ficção. A maior parte do que sabemos da vida dos piratas é o que se conta”, afirma San Martin. E o que se conta é o seguinte.

No século 16, o mundo foi dividido ao meio pelo Tratado de Tordesilhas. “Portugal e Espanha se tornaram os donos da Terra, literalmente”, diz a historiadora Sheila Maria Doula, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, autora da tese Piratas: Discursos e Silêncios. Mas o mar não tinha dono e, para pilhar as riquezas portuguesas e espanholas, os reis da França, Inglaterra e Holanda armavam poderosos navios e colocavam-nos nas mãos de capitães experientes. Eles recebiam uma Carta de Corso autorizando os ataques.

“Nos últimos anos, os corsários são tão numerosos e assíduos que chega a parecer que esses são os portos de seus próprios países”, escreveu Diego de Ybarra, governador da ilha espanhola de Santo Domingo, em 1595. Ele tinha razão em reclamar. Em nenhum outro lugar a presença dos piratas reais foi tão efetiva quanto no Caribe. “Locais como a Jamaica se tornaram dependentes dos corsários, tanto para o comércio quanto para sua segurança”, diz Edward Lucie-Smith em Outcasts of the Sea (“Banidos do Mar”, inédito em português).

Suas conquistas eram de causar inveja a qualquer marinha oficial. Em 1671, 37 navios liderados pelo capitão galês Henry Morgan tomaram e destruíram a antiga cidade do Panamá, considerada o local mais rico do Novo Mundo, com 30 mil habitantes.

Com tamanho poder acumulado, os piratas passaram a ser uma força naval tão importante que para atacar a cidade espanhola de Cartagena, em 1697, o capitão francês Baron du Pointis pediu ajuda a Jean Ducasse, um famoso corsário que vivia no Caribe. O assalto foi um sucesso e Du Pointis voltou para a França com 7 milhões de francos em ouro, prata e esmeraldas.

Mas nem toda riqueza confiscada acabava na mão dos financiadores das expedições. Uma vez no mar, os corsários começaram a não ver sentido em arriscar suas vidas para financiar os luxos de reis e rainhas. Assim, passaram a atacar qualquer navio cuja carga lhes parecesse rentável.

Em 1713, o Tratado de Utrecht colocou fim às guerras entre as potências européias e a história da pirataria tomou novo rumo. “O século 18 é a época dos piratas bandoleiros. Como a Europa não estava mais em guerra, acaba a pirataria oficial”, diz San Martin. Acostumados à vida no mar e às fortunas fáceis e sem emprego no continente, os marinheiros – antes corsários – continuam roubando e se convertem, definitivamente, em piratas.

Sem o apoio bélico real, a vida dos piratas dessa fase é bem menos glamourosa do que imaginamos. A estratégia de combate dos piratas não era nada genial. Tratava-se de enganar o navio inimigo hasteando uma bandeira falsa ou fingindo estar à deriva. Quando o barco desavisado se aproximava, os homens pulavam para lá e partiam para o combate corpo a corpo. A possibilidade de ser morto ou acabar mutilado pelas espadas alheias era grande. O navio inimigo era tomado e muitas vezes somado à frota pirata. Um capitão de sucesso poderia ter até 15 barcos sob seu comando. Apesar do risco, esses momentos eram saudados aos berros pelos bandidos. Eles adoravam lutar. Até porque, entre uma ação e outra, a vida a bordo era um tédio. Depois do butim dividido em partes iguais (a máxima pirata dizia que, para riscos iguais, recompensas iguais), o que restava era a expectativa de chegar ao porto mais próximo para gastar sua parte. “Eles jogavam dados, bebiam e acabavam brigando entre si”, escreveu Eduardo San Martin, no livro Terra à Vista – Histórias de Náufragos na Era do Descobrimento.

A falta de suprimentos também fazia a vida no mar bastante difícil. Segundo o relato atribuído ao ex-pirata Charles Johnson, “cada homem tinha direito a apenas uma boca cheia de água por dia. Muitos acabavam bebendo a própria urina”.

Por tudo isso, quando chegavam em terra firme, as tripulações faziam a festa: esbanjavam o dinheiro que ganhavam nos mares com bebidas, jogos e mulheres. Algumas ilhas do Caribe e das Índias Ocidentais se transformaram em redutos quase exclusivos de piratas. Bares, estalagens, prostíbulos, casas de ofícios (que consertavam relógios, bússolas ou armas) e uma série de estabelecimentos eram atraídos para lá. No entanto, as paradas costumavam durar pouco, apenas o tempo de se abastecer de água fresca, fazer pequenos consertos, comprar alguma pólvora, madeira e alimentos.

Esse estilo de vida errante e violento permitiu que os navios piratas continuassem nos mares apesar de todo o esforço das nações européias para acabar com eles. É verdade que a pirataria começou a declinar a partir da segunda metade do século 18 – o historiador Marcus Rediker estima que, dos aproximadamente 5 mil homens que viviam da vida criminosa em alto-mar nos séculos 16 e 17, restaram apenas 300 deles a partir de 1726. Mas foi só em 1856 que a Declaração de Paris estabeleceu regras definitivas para as relações marítimas, colocando um fim oficial na atividade corsária e transformando em crime qualquer roubo ou saque em alto-mar.

Saiba mais

Livros

Piratas – Uma História Geral dos Roubos e Crimes de Piratas Famosos, Charles Johnson, Artes e Ofícios, 2003, O livro mais completo sobre pirataria conta a vida de 19 célebres criminosos do século 18

Outcasts of The Sea, Edward Lucie-Smith, Paddington Press, 1978, Piratas de todos tempos. Vale pelas ilustrações

Between, the Devil and the Deep Blue Sea, Marcus Rediker, Cambridge University Press, 1993, Analisa o papel social dos homens do mar

 

Brasil, terra de piratas

Desde os primeiros tempos da colonização, a costa brasileira foi infestada por piratas: aventureiros que vinham saquear as cidades em busca de pau-brasil, pimenta, algodão, raízes e escravos indígenas. Mas foram dois corsários – marinheiros patrocinados pela Coroa de seus países – que fizeram história por aqui: o inglês Thomas Cavendish e o francês René Duguay-Trouin. Cavendish chegou a Santos com três navios e despejou na praia bandos de homens armados e com um objetivo: destruir tudo e matar a todos que encontrassem pelo caminho. O ataque tão ofensivo não seria necessário se Cavendish soubesse que, no Brasil, o calendário da reforma gregoriana já havia sido adotado. Por aqui, era noite de Natal e quase toda a população se encontrava na igreja, rezando. Para os ingleses, ainda era dia 15 de dezembro. O descompasso nas datas facilitou a ação dos invasores. Thomas Cavendish ficou por aqui durante dois meses, roubando, saqueando e destruindo tudo o que via pela frente, de Santos a São Vicente. No dia 12 de setembro de 1711, foi a vez do Rio de Janeiro. Dezoito navios da esquadra de René Duguay foram encobertos por uma neblina espessa e fizeram uma entrada triunfal no porto da cidade. Duguay não precisou tomar medidas agressivas. Moradores e autoridades preferiram colaborar com as exigências do capitão a perder suas vidas. Duguay permaneceu no Rio de Janeiro por 61 dias, até que o resgate – em ouro, açúcar e gado – fosse pago.

Galeria

Aventuras e piratas queficaram na história

Edward Teach, o Barbanegra

A imensa porção de pêlos que ocupava a face do inglês Edward Teach não é o único motivo pelo qual ele ficou conhecido como Barbanegra. A fama se espalhou porque, durante os assaltos a navios inimigos, Teach acendia fósforos e pavios na ponta dos cabelos. Seu rosto, iluminado pelas chamas, aparecia como uma imagem demoníaca que ficava para sempre cravada na memória dos inimigos. Barbanegra espalhou o terror pelos mares no início do século I8. Atirava em homens de sua própria tripulação apenas “para que se lembrassem dele”. Sabia que um pirata não é reconhecido apenas pelos seus feitos, mas também pela crueldade que emprega neles. Astuto, tratava de ficar amigo não de marinheiros ou piratas, mas das autoridades dos lugares por onde passava. Dava-lhes presentes ou comissões pelos produtos saqueados, envolvendo-os num sedutor esquema de corrupção. Foi assim, por exemplo, que o governador da Carolina do Norte, Charles Eden, lhe presenteou com um navio quando Teach estava prestes a perder a autorização para navegar. Eden ainda deu-lhe provisões e o casou com uma garota de 16 anos – sua 14a esposa. Enviado em busca de Teach, o tenente da marinha britânica Robert Maynard alcançou-o em alto-mar em 1718. No combate, acertou Barbanegra com um tiro no peito. Ordenou que a cabeça do famoso pirata fosse cortada e colocada na ponta da proa do navio, para servir como exemplo aos navios que encontrasse no trajeto de volta à Inglaterra.

Capitao Kidd

Se pudéssemos escolher um só homem para representar todos os piratas, esse seria William Kidd. Os relatos da vida do ex-comandante da Marinha inglesa que se tornou pirata em alto-mar, que podia ser cruel ou gentil, bárbaro ou nobre, justo ou traiçoeiro, deram origem à maior parte dos mitos sobre a pirataria. Kidd saiu ao mar em 1696, autorizado a atacar navios franceses e embarcações piratas. Esses, no entanto, conhecedores da fama de Kidd, se retiraram das rotas do capitão. Durante semanas, a frota navegou sem encontrar um só alvo. Em compensação, cruzavam navios de nações aliadas que vinham das Índias carregados de riquezas. Cansado do tédio de buscar em vão, interessado nas cargas que via passar e com medo de voltar à Inglaterra de mãos abanando (e ficar tachado como capitão de má sorte), William Kidd decidiu se converter à pirataria. Não teve problemas em saquear navios e encher seus porões com ouro, prata, bebidas e pólvora. Bem educado, usava a bandeira francesa para se aproximar dos navios de nações amigas e ser convidado a subir à embarcação. Fingindo-se de amigos, os homens de sua tripulação iam ao convés e, quando o anfitrião menos esperava, sacavam pistolas tomando todos como reféns. Excelente estrategista, conseguia escapar de batalhas que duravam até seis horas, mesmo quando o navio inimigo era mais equipado. Capturado em 1699 e julgado em 1701, Kidd foi enforcado e seu corpo ficou pendurado no porto de Londres durante meses, até ser completamente devorado pelos pássaros. As histórias que contavam dele levavam a uma conclusão: o capitão Kidd tinha que ser o homem mais rico de toda a Inglaterra. No entanto, nenhum dinheiro foi encontrado em suas embarcações e os ingleses passaram a acreditar que toda a fortuna devia estar enterrada nas ilhas do Caribe. Nascia aí a lenda dos tesouros escondidos.

 

Mulheres apaixonadas

O mar era um lugar para homens. Nem Mary Read nem Anne Bonn duvidavam disso. Elas sabiam que revelar seu verdadeiro sexo, além de perigoso, seria inaceitável para os outros marinheiros. Assim, viviam disfarçadas de homem e, por serem exímias combatentes, não levantavam suspeitas. Anne Bonn entrou para a pirataria porque se apaixonou por um pirata, Johnny Rackham. Já Mary chegou a servir ao exército e só decidiu virar pirata porque se apaixonou por um pintor que tinha sido integrado à força num navio. Acabou grávida dele. Anne também estava grávida quando foi capturada e, por isso, as duas tiveram a execução adiada. Mary acabou morrendo na prisão e o destino de Anne é ainda hoje desconhecido. O que se sabe é que ela não chegou a ser enforcada

1. Bartholomew Roberts

Era um honesto marinheiro inglês que se converteu à pirataria quando seu navio foi capturado. Ficou famoso por seu contrato de direitos e deveres, que deveria ser assinado por todos os homens da tripulação

2. Edward Low

Cresceu como trombadinha no porto de Westminster, na Inglaterra. Mais tarde, trocou as ruas pelos mares do novo mundo. Ficou conhecido pela maneira sanguinária e pelas torturas que impunha a prisioneiros

3. Francis Drake

O corsário inglês foi o autor de um dos maiores atos de pirataria de todos os tempos: em 1575, cruzou o estreito de Magalhães assaltando todos os portos até o Panamá. Foi condecorado como Sir Francis Drake

4. Henry Morgan

Durante o século 17, atacou cidades espanholas, onde torturava prisioneiros e membros do clero. Tornou-se governador da Jamaica

5. Richard Hawkins

A ambição de Richard, filho do também pirata John Hawkins, era dar a volta ao mundo numa expedição que incluísse pirataria e saques. Em 1603, após dez anos no mar, tornou-se oficial da Marinha inglesa

6. JeanFrancois du Clerc

O corsário francês que em 1710 atacou Santos e fracassou na tentativa de tomar o Rio de Janeiro, foi assassinado pelas autoridades no Brasil e enterrado na igreja da Candelária

7. Rock o brasileiro

O pirata holandês ganhou o apelido por ter vivido no Brasil, durante a ocupação holandesa. Violento, chegou a assar vivas uma dezena de pessoas só por não saberem lhe dizer onde roubar porcos

8. Henry Avery

Virou rei depois de se casar com a filha do soberano mongol, capturada por seu bando num navio indiano. Patrocinava navios piratas que deviam lhe pagar parte da carga roubada

 

Arte de roubar

O século 18 foi a época deouro da pirataria. Mas os ataquespiratas muito mais antigos

1400 a.C.

O mar Mediterrâneo já era palco de ataques a navios fenícios

500 a.C

Os gregos se juntam aos bárbaros que moravam ao longo da costa para saquear navios e cidades

Século 2

Na Ásia, com o fim da dinastia Han, a pirataria se intensifica. Só no século 15 a dinastia Ming consegue controlá-la

Século 9

Navios mouros ocupam a costa da Espanha e África, saqueando portos e navios

Século 13

Como o comércio, a pirataria se intensifica

Século 16

Os navios espanhóis, carregados de riquezas do Novo Mundo, tornam-se alvo de corsários – marinheiros contratados por outras potências européias. O comércio entre Europa e Ásia também estimula a pirataria

Século 17

Os piratas bárbaros do Mediterrâneo começam a declinar. Ilhas pouco povoadas, como Port Royal, na Jamaica, Madagascar, na costa leste da África, e New Providence, nas Bahamas, viram um paraíso para piratas

Século 18

O governo inglês decide perdoar os piratas, mas suas atividades não diminuem. Afinal, aqueles homens acostumados às guerras não encontram trabalho no continente e acabam voltando ao mar

Século 19

No começo do século, com as guerras de Napoleão, a pirataria vive uma nova época de ouro. Mas, a partir da segunda metade do século, as perseguições a piratas se intensificam e a atividade começa a declinar. Da vida no mar, esses homens passam para as páginas da literatura

 

Vida no mar

Muito do que se imagina sobre eles é pura invenção

1. Prancha

Que fim seria mais cruel do que caminhar para a própria morte? A idéia de que piratas faziam seus prisioneiros caminharem sobre a prancha, a fim de se afogarem em alto-mar, foi eternizada por uma ilustração do americano Howard Pyle. Mas a prancha era, na verdade, utilizada para jogar os corpos dos mortos no mar

2. Olho de vidro e perna de pau

Sem médicos ou remédios, era comum ferimentos infeccionados acabarem em amputações. Pernas de pau eram comuns porque sempre havia um carpinteiro a bordo. De ganchos e olhos de vidro, no entanto, não se tem notícias. O tapa-olho também era comum

3. Ouro escondido

O mito nasceu com o capitão Kidd e se espalhou. Como os relatos dos ataques piratas envolviam sempre muito dinheiro – que nunca era recuperado –, dizia-se que eles eram enterrados. “É improvável que eles poupassem alguma coisa. Em geral, gastavam tudo no primeiro porto”, diz San Martin

4. Tatoos e brincos

Eram comuns entre os marinheiros. Os desenhos pelo corpo serviam para marcar grandes feitos ou nomes de namoradas. Os brincos eram colocados na orelha cada vez que se atravessava o cabo da Boa Esperança ou o estreito de Magalhães. Também serviam como amuleto

5. Papagaiada

Foi por causa do pirata Long John Silver, personagem de Stevenson na obra Ilha do Tesouro, que a lenda do papagaio sobre os ombros se espalhou. É pouco provável que qualquer animal de estimação escapasse da fome dos marinheiros, quando nada que pudesse ser comido escaparia da panela

 

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