Guia do Estudante

Aventuras na História

Roberto Pessoa Ramos: um brasileiro na Segunda Guerra

As histórias de um herói que

Fernanda Nogueira de Souza | 01/11/2006 00h00

O imaginário brasileiro é povoado por heróis de guerra reais ou fictícios. A maioria é de origem estrangeira, principalmente americana, de onde vem boa parte dos filmes sobre o assunto. Mas o Brasil também pode orgulhar-se dos corajosos combatentes que produziu. Um deles é Roberto Pessoa Ramos, personagem real do Diário de um Herói de Guerra e integrante do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB), que lutou na Segunda Guerra Mundial.

O livro, escrito a partir de uma pequena caderneta de anotações conservada pela família, foi organizado pelo neto do aviador, o executivo Roberto Pessoa Ramos Neto, que nasceu no ano da morte do avô, 1967. Recheado com fotos da época, retrata as missões e os sentimentos de Ramos entre 2 de agosto de 1944, quando ele partiu de Natal para os Estados Unidos - de onde seguiria para a Europa -, até 21 de maio de 1945, quando seu grupo foi “recolhido” em Atenas para voltar ao Brasil. “O livro é uma tentativa de prestigiar não só meu avô, mas todos os brasileiros que estiveram na Segunda Guerra e agiram como verdadeiros heróis, participando de missões arriscadas e vendo a morte de perto”, afirma Ramos Neto.

Parte das imagens do livro foi garimpada no Museu Aerospacial (Musal), no Rio de Janeiro, e outras são de coleções particulares de outros veteranos da guerra. “Toda vez que pegamos um material biográfico para publicar, procuramos acrescentar o máximo de fotos possível. É uma forma de mostrar o rosto dos aviadores brasileiros às pessoas que não conhecem a história da aviação do País”, diz Sandro Dinarte, da editora Adler, especializada em aviação histórica e militar.

O diário original, medalhas e um álbum de recortes feito pela mulher do aviador foram doados por Ramos Neto e seus familiares ao Musal. O piloto de caça Ramos morreu aos 48 anos, logo após pousar de um vôo que realizou para mudar de patente. Era coronel aviador e passaria a ser brigadeiro. Há seis anos, seu neto o representa em dois encontros anuais de novos aviadores, veteranos e familiares. “É uma forma de homenageá-lo”, diz Ramos Neto.

Diário de um herói de guerra - Roberto Pessoa Ramos Neto

Editora Adler, R$ 30, 80 páginas

 

Em meio ao fogo cruzado

As descrições de Diário de um Herói de Guerra são mais que um mero relato. Elas também têm um grande valor histórico. Leia trechos:

“Quando já não esperávamos, ao atravessarmos as linhas, as granadas rebentavam tão perto que pensei na possibilidade de ser abatido.”

12/11/1944

“Não tive tempo para tirar o avião e entrei na explosão. Senti um violento choque e um barulho de lata. Pensei ter chegado a minha hora.”

4/3/1945

“Dornelles não regressou. Chocou-se ou foi abatido. É triste acontecer isso nos últimos dias da guerra...”

26/4/1945

 

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