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Aventuras na História

Sobrados e Mucambos: o sertão na cidade

Celso Miranda | 01/04/2004 00h00

Depois de analisar, em Casa-grande & Senzala, a formação da família e da sociedade brasileira, de desbastar o “racismo crasso” e estabelecer a plataforma culturalista, como escreveu o antropólogo Roberto Da Mata na introdução da edição de Sobrados e Mucambos (Global), Gilberto Freyre parte para compreender as transformações do patriarcado rural, atingido pelo declínio da escravidão e pressionado pelas tendências externas de modernidade. A aristocracia rural troca as fazendas (as casas-grandes) pelos sobrados urbanos. E seus antigos escravos alojam-se em casebres nos bairros pobres das cidades.

Um processo que durou os séculos 18 e 19 e que exigiu a adaptação das hierarquias, diante de demandas mais individualizantes e igualitárias e que fizeram “as elites patriarcais relativizassem a família, os parentes, os compadres e amigos, para privilegiar as corporações e irmandades religiosas e, depois, partidos políticos e ideologias que formam a base da convivência moderna”.

Entre a “Casa-Grande” e a “Senzala” havia o intrigante “&” (assim mesmo, o “e” comercial). Entre os “Sobrados” e os “Mucambos” ele se foi. Sobrados e mocambos, pais e filhos, mulheres e homens, raça, classe e religião, brasileiros e europeus, o escravo, o animal e a máquina, o engenho e a praça, a casa e a rua, o Oriente e o Ocidente agora estão separados apenas por um amigável “e”. Uma conjunção aditiva, como a somar e integrar duas idéias que não mais serão opostas e conviverão no universo urbano, explicando-se mutuamente.

 

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