Guia do Estudante

Aventuras na História

Os últimos dias de Hitler

Entocado num abrigo debaixo da terra, o homem que ordenou o pior genocídio da história não se deu por vencido. Seus momentos finais foram marcados por atos de delírio e nenhuma, nenhuma compaixão

Mariana Sgarioni | 01/05/2005 00h00

O führer tombou. Com a mais profunda tristeza e reverência, o povo alemão se curva ante o chefe morto.” Essas palavras soaram como uma bomba – talvez a pior delas – em toda a Alemanha na manhã do dia 1º de maio de 1945. Foram transmitidas por uma rádio de Hamburgo como um comunicado oficial escrito pelo almirante Karl Dönitz. Dois dias antes, Adolf Hitler o nomeara chefe de estado e do Exército alemão. O líder nazista se suicidou com um tiro na cabeça no bunker que ele mandou construir em Berlim.

A bala encerrava de uma vez por todas um dos mais macabros capítulos da história, em que foi promovido o pior genocídio do século 20. Mais de 12 milhões de pessoas morreram debaixo da égide do regime nazista, comandado por Adolf Hitler e que durou pouco mais de 12 anos na Alemanha.

O führer morto significava finalmente que o país havia perdido a guerra. Mas, antes de dar fim à própria vida, Hitler se preocupou em expedir uma última ordem a Dönitz, seu sucessor, que combatia no norte: “Aja imediatamente e sem piedade com os traidores.” Isso mostra que seu suicídio estava longe de ser uma rendição – ele não se deu por vencido nem quando tudo parecia perdido. “A maior derrota militar e a destruição das cidades alemãs por bombardeios aéreos não tiveram nenhum efeito sobre o funcionamento de sua mente”, afirma John Lukács, autor do livro O Hitler da História.

O que então se passou com o ditador nesses momentos finais, em que o mundo despencava sobre si? O que aconteceu com o megalomaníaco que se orgulhava de ter conquistado boa parte da Europa e, de repente, se viu acuado e humilhado diante de uma guerra perdida? Você vai ler uma contagem regressiva. São os últimos dez dias na vida do homem que mudou o curso da história do Ocidente.

A ÚLTIMA TRINCHEIRA

Apesar de levar consigo a certeza de ser um homem acima do bem e do mal, Adolf Hitler sabia que era preciso cuidar de sua segurança. Em 1943, contratou a construtora Hochtief para dar início às obras de seu bunker, um abrigo subterrâneo situado embaixo da Chancelaria do Reich, em Berlim.

Com as obras ainda inacabadas, ele teve de se mudar às pressas para lá, no fim de março de 1945, quando o exército soviético se encontrava às portas de Berlim e os ingleses e americanos iniciavam ofensivas sobre as linhas alemãs ao longo do rio Reno.

O bunker pessoal do führer ficava a 16 m de profundidade, protegido por paredes e um teto de 4 m de espessura. As três saídas da casamata levavam ao Ministério do Exterior, aos jardins do ministério e aos da Chancelaria do Reich. Era um tanto úmido, escuro e nada suntuoso se comparado às faraônicas obras de suas casas e de seus edifícios. Mas, ainda assim, muito mais seguro – e confortável – do que todos os abrigos que foram feitos para a população. As despensas eram fartamente providas de alimentos e bebidas de qualidade, com vinhos raros e estantes cheias de destilados.

A construção tinha 30 dependências e se dividia em duas partes. Hitler, sua amante, Eva Braun, seus dois médicos pessoais, a cadela Blondi (a predileta do ditador) e Josef Goebbels, o ministro da propaganda, tinham aposentos na parte que ficava 12 degraus abaixo da outra. Ali ainda estavam a central telefônica e dois salões de conferência. No outro setor, ficavam os empregados, o criado pessoal de Hitler, Heinz Linge, e a família de Goebbels. Secretárias, estenógrafas e soldados da SS foram instalados em dois bunkers separados, menos profundos. No total, eram 100 pessoas que ficavam com o ditador nas instalações. Os três abrigos ligavam-se por passagens subterrâneas. A obra custou 1,3 milhão de marcos aos cofres alemães na época.

ANIVERSÁRIO DO FÜHRER

Em 20 de abril de 1945, instalado no bunker, Adolf Hitler completou 56 anos. O mundo inteiro sabia da data, inclusive as tropas inimigas, que prepararam um bombardeio especialmente pesado. A situação do Reich nesse período era desesperadora. A Alemanha estava praticamente dividida em duas. Os soldados britânicos posicionavam-se perto de Hamburgo. Os americanos vinham pelo médio Elba, na fronteira da Tchecoslováquia, e se aproximavam da Baviera. O 1º Exército francês avançava em direção ao sul da Alemanha. A sudeste vinha o Exército Vermelho e, na Itália, os Aliados se moviam para o norte pelo vale do rio Pó. Mesmo diante desse cenário, Hitler agia como se tudo estivesse sob seu inteiro controle e fazia questão de deixar claro que, em breve, o jogo viraria.

Não foi bem assim. Todos os comandantes, sobretudo os posicionados à frente dos campos de batalha, tinham noção da derrota. Nesse mesmo dia, a cúpula nazista se reuniu no bunker para convencer o führer a sair de Berlim o mais rápido possível. A resposta veio cortante: ele anunciou que ficaria ali até o fim. E mais: em vez de uma rendição, como queriam os oficiais, Hitler, em um ataque de fúria, ordenou uma ofensiva ainda mais poderosa, sem levar em conta o quão capenga estava seu exército. Depois desse delírio, os líderes começaram a pensar em desculpas para partir – em missão oficial, claro. Afinal, se havia uma coisa que tirava Hitler do sério era saber que alguém tentava fugir. Para ele, um sinal de fraqueza ou, pior, traição – algo imperdoável. “Quando se enfurecia ao descobrir que seus generais se rendiam, jogava tinteiros na parede e quebrava os óculos. Em certo dia, chegou a quebrar seis deles, que viviam em suas mãos – Hitler nunca os colocava em público porque, segundo ele, um führer não poderia usar óculos”, escreveu Heinz Linge, seu camareiro particular.

BERLIM EM CHAMAS

Os soldados alemães morriam aos milhares e o cerco dos soviéticos a Berlim se fechava. Dois dias depois de seu aniversário, o führer acordou com o barulho de bombardeios – dessa vez ainda mais perto do travesseiro. Sem fazer a barba, apareceu no corredor do bunker perguntando de onde viriam os disparos. Foi informado que o Exército Vermelho estava na cidade. Nem assim se resignou. Considerou, inclusive, os ataques como uma ofensa pessoal. Mandou não somente seus soldados mas todos os alemães, já tão castigados pela guerra, atacar. Isso incluía velhos e crianças. Nada adiantavam os pedidos para que a população fosse poupada. “Se o povo alemão não conseguir destruir os soviéticos, então deve morrer. O mundo não tem lugar para fracos”, disse o ditador. Goebbels, seu braço direito, foi mais longe: “Os cidadãos da Alemanha deram poder aos nazistas. Portanto, devem morrer junto com seus comandantes”. “Conscientemente, Hitler queria que a civilização despencasse com ele. O efeito desejado seria cataclísmico: envolveria não só a sua morte mas também a aniquilação de todo um povo”, afirma Bernd Eichinger, produtor e roteirista do filme A Queda! – As Últimas Horas de Hitler.

O mais incrível é que a população, que poderia ter se rebelado, continuou obedecendo. Mesmo com a infra-estrutura básica de Berlim desmantelada – foram cortados sistemas de esgoto, energia elétrica, alimentos, água e medicamentos –, soldados individuais, entre crianças, adolescentes e velhos, se juntavam para combater.

SAÚDE DEBILITADA

Embora se mostrasse enérgico nas ordens de luta, Hitler já não vinha bem de saúde havia tempos. A partir de 1941, começou a se queixar de náuseas, calafrios e diarréias. Um exame constatou uma doença coronariana. Sentia perda de equilíbrio, causada por labirintite. Após 1944, tinha tremores no braço e na perna esquerdos e mal conseguia se manter em pé. Também sofria de um prurido em todo o corpo. Segundo o médico Ernst Guenther Schenk, que esteve com o ditador nove dias antes de sua morte, Hitler tinha mal de Parkinson, problemas cardíacos e gastroenterite, além de doenças psicossomáticas. No bunker, chegava a tomar 92 tipos de remédios diferentes.

Muitos imaginavam até que ele se entorpecia para suportar os acontecimentos. Numa noite de loucura, alucinado, olhando para o quadro de Frederico, o Grande, em sua sala, começou a falar do “destacamento do exército de Steiner” como sua grande aposta para virar a situação. Ordenou que o comandante em questão, praticamente derrotado no norte, atacasse. Se não o fizesse, seria executado. Steiner ficou perplexo, já que não havia nenhuma chance de sucesso. “Todos nós, que vivíamos no bunker, estávamos totalmente desligados do mundo exterior. Não existia nenhum contato. Por isso, acreditávamos que o destacamento era mesmo uma esperança, assim como tudo o que o führer dizia”, afirmou Trudl Junge, ex-secretária do ditador. “Esta era umas das coisas que Hitler dominava melhor: como passar a impressão de que tudo estava sob controle”, lembra o roteirista Bernd Eichinger.

COLAPSO FINAL

Durante quase toda a manhã de 22 de abril, Hitler exigia, histérico, notícias do ataque de Steiner. Ao meio-dia, foi informado que seu general não avançara. Pior: as forças soviéticas haviam entrado no norte de Berlim. Gritou, esbravejou e caiu sentado numa poltrona, exausto. Pela primeira vez, disse abertamente aos comandantes nazistas que a guerra estava perdida. Quem quisesse estaria liberado para partir, mas ele ficaria na cidade até o fim e acabaria com a própria vida. Na mesma hora, Goebbels entrou em sua sala e pediu para ficar a sós com o führer. Disse que decidira não sair dali. E mais: informou que ele e a mulher, Magda, resolveram matar os seis filhos e depois a si mesmos (leia quadro ao lado).

O pronunciamento de Hitler soou como um furacão no bunker. A partir daí, todos passaram a agir como se o apocalipse estivesse próximo. Soldados, largados nos corredores, só discutiam sobre quem ficaria ao lado do führer e quem partiria. Dezenas de oficiais e empregados, por ordem do próprio ditador, corriam de um lado a outro. Também destruíam documentos e se organizavam em comitivas para deixar Berlim em vôos fretados.

O clima ficava cada vez mais fora de controle. Quem resolvia ficar sabia que enfrentaria as horas finais. As granadas e os bombardeios fizeram com que as paredes rachassem e havia muita poeira no ar. As adegas do bunker começaram a ser arrombadas. Soldados bebiam freneticamente. Como a maioria dos que ali ficaram nada tinha para fazer, perambulava bêbada, discutindo a melhor forma de se matar.

Hitler mandou chamar suas secretárias, por quem nutria um profundo carinho, e a amante, Eva Braun. Orientou que elas deveriam partir com os outros. Eva se negou e disse que nunca o deixaria – nesse momento, pela primeira vez o führer a beijou em público. Traudl Junge e Gerda Christian, suas secretárias, também disseram que não o abandonariam. Enternecido, ele teria dito: “Ah, se meus generais fossem tão bravos quanto vocês”, entregando uma pílula de cianeto a cada uma.

MORTE PLANEJADA

Segundo Traudl Junge, Hitler estava assustado com a notícia da morte de Benito Mussolini e temia cair nas mãos dos soviéticos: “Não quero que depois de minha morte meu corpo seja exibido nas feiras russas”. Por isso, tinha duas preocupações em mente: a de se matar com precisão e a de dar um fim em seus restos mortais. Seus médicos de confiança disseram que o ideal seria tomar cianeto e depois atirar – caso tremesse na hora devido ao mal de Parkinson, o veneno faria efeito. Em seguida, mandou chamar Goebbels e sua guarda pessoal para dar uma ordem mórbida: seu corpo e o de Eva Braun deveriam ser incinerados imediatamente após sua morte.

A noite de 28 de abril de 1945 foi particularmente agitada no bunker. Depois de resolver como se mataria, Hitler fez o improvável: casou-se. Em uma sala particular, mandou chamar um juiz, Goebbels e Bormann, como testemunhas, e desposou Eva Braun, que fora sua amante por 14 anos. A atitude foi um reconhecimento pela lealdade. A cerimônia não durou mais que dois minutos. Em seguida, o ditador mandou chamar Trudl Junge e ordenou que todos saíssem. Era hora de ditar o testamento. O documento fazia nomeações e recriminava os judeus como os verdadeiros responsáveis pela guerra. “Apesar de todos os reveses, a guerra ficará na história como a manifestação mais gloriosa e heróica da vontade de viver de um povo”, disse.

Trudl Junge contou que essa madrugada no bunker foi especialmente desvairada. “Em toda parte, vi corpos entrelaçados. As mulheres tinham descartado a decência e expunham livremente suas partes privadas”, referindo-se às orgias promovidas pelos oficiais da SS, que, em buscas pelas ruas, levavam mulheres ao bunker para fazer sexo em troca de comida.

VENENO E TIRO

Na manhã do dia 30 de abril, Hitler resolveu testar o próprio veneno para ter certeza que tudo daria certo. Deu cápsulas de cianeto à sua adorada cadela pastora Blondi e aos filhotes, que minutos antes brincavam com os filhos de Goebbels. Antes do almoço, mandou chamar Otto Günsche, seu ajudante-de-ordens pessoal, e o instruiu detalhadamente sobre a incineração de seu corpo e o de Eva – mesmo que ela desejasse, ele não permitiria que a companheira continuasse viva para ser interrogada pelos soviéticos.

A última refeição do ditador foi silenciosa, acompanhada pelas secretárias e por seu nutricionista. Vegetariano fanático, ele exigiu que os pratos se compusessem de batatas, verduras e frutas – segundo Heinz Linge, o camareiro, sua aversão por carne chegava a ponto de negar aos hóspedes o direito de saborear um bife. Nesse dia, depois do almoço, encontrou-se com Eva Braun e ambos apareceram no corredor para as despedidas finais. Trudl Junge conta que Hitler apertou sua mão e disse algumas palavras a seu ouvido. Pouco depois das 15h15, enquanto brincava com Helmut, um dos filhos de Goebbels, ela teria ouvido o barulho do tiro com o qual o chefe se matara.

“Encontrei Hitler e sua mulher sentados em lados opostos de um sofá. Na têmpora esquerda do führer, havia um pequeno furo, do qual, no entanto, não escorria sangue”, contou Heinz Linge, uma das primeiras pesssoas a entrar nos aposentos em que o casal se suicidara. Os corpos foram carregados para uma vala fora do bunker e encharcados com 180 litros de combustível. Antes da queima, Goebbels e os soldados levantaram o braço em saudação hitlerista e atiraram a primeira tocha. Era o fim do Terceiro Reich.

De madrugada, o telefone tocou no quartel-general de Josef Stálin. O telefonema era urgente e o ditador foi acordado imediatamente por sua segurança. E afirmou: “Agora ele conseguiu. Só sinto por uma coisa: é uma pena não ter dado tempo de pegá-lo vivo”.

 

A amante que morreu esposa

Linda, encantadora, amável, submissa e com tendência à autodestruição. Essas eram as qualidades de Eva Braun que chamaram a atenção de Adolf Hitler. Com ela, ele viveu um tórrido romance de 14 anos – às escuras. Hitler nunca a reconheceu oficialmente como esposa e jamais a apresentou em público: só os amigos mais íntimos conheciam sua relação. “Quando estavam juntos e chegavam visitas oficiais, Eva era obrigada a ficar trancada num aposento até que se fossem”, escreveu o camareiro Heinz Linge em suas memórias. O motivo era simples. O führer dizia não poder se ligar a nenhuma mulher porque “milhões de alemãs que me escolheram ficariam desiludidas”.

Eva Braun era secretária do fotógrafo oficial de Hitler, Heinrich Hoffmann, na Baviera. De família burguesa, o pai da moça era um alto funcionário da administração escolar de Munique e nunca aprovou o romance com Hitler. Mas Eva era obcecada por ele. Tanto que, por duas vezes, tentou se matar por ciúmes. “Ela também sofria muito por não poder acompanhá-lo em eventos oficiais e ter de viver reclusa”, diz Linge.

Em 15 de abril de 1945, Eva se instalou no bunker de Hitler, de onde não saiu mais. Após assinar o livro de casamento, ela teria dito a um criado: “Agora, finalmente, és obrigado a me chamar de senhora Hitler”.

 

A secretária do Führer

Um dos nomes que mais ajudaram a reconstituir os últimos momentos do Reich foi Gertraud Humps, ou Trudl Junge, como ficou conhecida a secretária particular de Adolf Hitler. Aos 22 anos, em dezembro de 1942, Junge foi escolhida entre mais de 100 candidatas para o cargo. A prova era datilografar um ditado pronunciado pelo próprio führer. “Nós, as secretárias, nunca o vimos como um estadista, não podíamos assistir a nenhuma conferência. Só costumávamos ser chamadas para tomar nota de ditados”, dizia. “Ele era muito gentil comigo. Só fui saber da morte de milhões de pessoas em campos de concentração no fim da guerra. Por isso, sinto muita culpa por ter simpatizado com o maior criminoso da história.”

Algumas horas antes de Hitler se matar, Junge ficou a sós com o chefe para anotar seus últimos desejos. “Ele me disse: ‘Como você está, querida Trudl? Descansou um pouco? Pode tomar nota de um ditado?’ E só então começou, com a voz firme: ‘Meu Testamento...’”

Depois da morte do chefe, Trudl escapou do bunker, mas logo foi presa pelos soviéticos e deportada para a Sibéria. Conseguiu voltar para a casa de sua mãe, em Munique, em 1946, onde começou a trabalhar como secretária para empresas de grande porte e até como jornalista. Em seus últimos meses de vida, escreveu um livro e colaborou com o documentário Eu Fui a Secretária de Hitler, baseado em sua experiência. Morreu de câncer, em fevereiro de 2002. “Quanto mais vivo, mais profundo é meu sentimento de culpa”, disse.

 

Os colaboradores de Hitler

JoseF Goebbels (1897-1945)

Ministro da propaganda nazista, era o responsável por escrever os discursos mais persuasivos de que se tem notícia, capazes de inflamar toda a população com mensagens anti-semitas e ultranacionalistas. Ficou ao lado de Hitler até o fim. Com a ajuda da mulher, Magda, matou os seis filhos e se suicidou com veneno e um tiro.

Hermann Göring (1893-1946)

Um dos fundadores da Gestapo e braço direito do führer, também acusaram-no de traição no fim da guerra. Foi destituído de todas as suas funções estatais por ter negociado com o inimigo contra as ordens de Hitler. Preso, levado a Nuremberg e condenado à morte, se suicidou ingerindo veneno após a sentença.

Heinrich Himmler (1900-1945)

Oficial reconhecido por sua lealdade ao ditador alemão, foi uma decepção nos momentos finais. Nos últimos dias de guerra, Hitler descobriu que Himmler estava recuando e negociando a rendição alemã e acusou-o de traição. Preso pelas tropas aliadas, se suicidou, tomando veneno.

Martin Bormann (1900-1945)

Uma das principais cabeças do Partido Nazista e secretário pessoal de Adolf Hitler, tinha a confiança total do führer. Após a morte do ditador, fugiu do bunker e foi dado como morto ao tentar cruzar um comando soviético. Ainda há quem diga que ele tenha vivido como um milionário, escondido na América do Sul.

Albert Speer (1905-1981)

Arquiteto e ministro dos armamentos, foi um dos melhores amigos de Hitler e projetou as principais obras faraônicas do Reich, inclusive a Chancelaria. Esteve com o führer dias antes de sua morte para se despedir. Após a guerra, foi preso, julgado em Nuremberg e condenado a 20 anos de prisão.

 

Crianças envenenadas

Eles eram seis. Helga, Hilde, Helmut, Holde, Hedda e Heide. Não por acaso, todos começavam com a letra H, em uma aberta homenagem a Hitler, a quem chamavam de “tio Adolf”. A mais velha tinha 12 anos, e a mais nova, 5. Tratava-se dos filhos do ministro da propaganda do Reich, Josef Goebbels, que foram levados ao bunker para ser mortos pela mãe. “Não vale a pena que elas (as crianças) vivam num mundo sem o nacional-socialismo”, disse Magda Goebbels. Logo após a morte do ditador, Goebbels mandou chamar Kunz, um médico da SS, pedindo ajuda para matar as crianças. À noite, Kunz e Magda foram ao quarto das crianças com seringas de morfina. Ela as acalmou dizendo que a injeção era uma vacina que deveriam tomar.

Magda esperou cerca de dez minutos até que as crianças dormissem e voltou ao quarto – dessa vez levando cápsulas de veneno. Uma por uma, abriu-lhes a boca e colocou cianeto, fechando as mandíbulas. “A mais velha, Helga, foi encontrada com o rosto bem machucado. Isso indica que a morfina pode não ter funcionado muito bem e que ela tenha lutado com a mãe antes de morrer”, contou Kunz. Depois do assassinato, Magda e Josef Goebbels foram até as proximidades da vala onde Hitler e Eva Braun haviam sido incinerados. Morderam ampolas de vidro de cianeto e atiraram um no outro. Seus corpos também foram queimados pelos soldados.

 

Compartilhe

Busque em História

Edições Anteriores

Edição 130
Edição 130

Edição 129
Edição 129

Edição 128
Edição 128

Edição 127
Edição 127

Edição 126
Edição 126

Edição do mês

edição 134

edição 134,
setembro 2014
Como a Maçonaria, a Bucha e grupos mais obscuros determinaram a trajetória do país

Assine Aventuras na História