logo-ge

Clube do Livro GE: 3 pontos para ficar atento ao ler “O Cortiço”

Professor discute questões importantes sobre a obra de Aluísio Azevedo, livro do mês do Clube do Livro GE

(Reprodução/Wikimedia Commons)

O escolhido do mês para o nosso Clube do Livro é “O Cortiço”, obra publicada em 1890 de autoria de Aluísio Azevedo. A obra já é figurinha carimbada na lista de leitura obrigatória da Fuvest, além de ser o maior expoente da literatura naturalista brasileira — gênero inaugurado por aqui pelo próprio Aluísio, com a obra “O Mulato”, de 1881.

O Guia do Estudante conversou com o professor de Humanidades do Sistema de Ensino Poliedro, João Luís de Almeida Machado, sobre os três principais pontos para ficarmos atentos ao ler o livro. E para ajudar ainda mais, a gente ainda separou um resumo e uma análise do livro para você. Ah, e não esqueça: nesta semana faremos dois lives no Facebook pra discutir a obra, viu? A gente te espera! 

O contexto histórico do autor

“A princípio, é muito importante que o estudante fique atento ao autor da obra, Aluísio de Azevedo. Ele tem três obras referenciais na literatura: O Cortiço, O Mulato e Casa de Pensão. As obras são importantes porque ele é considerado o criador do naturalismo no Brasil. Essa é uma vertente do realismo, a qual navega no que estava vigendo na Europa a partir do fim do século XIX: uma literatura que busca descrever de uma forma bastante realista o cotidiano das pessoas. Literalmente, os romances do período vão apresentar a realidade da forma mais dura possível, com forte enfoque social”, explica João. “Uma referência para a obra de Aluísio é o trabalho do francês Émile Zola, que no livro Germinal discutiu as condições de vida e trabalho dos mineradores franceses do século XIX”.

Narrativa

O professor explica que O Cortiço se adequa à categoria de romance experimental. “Ele deixa de lado qualquer tipo de idealização e romantismo. Prevalece uma visão muito crua, muito ‘a vida como ela é’, e não como ela deveria ser”, resume. “O Cortiço apresenta um lado até então pouco explorado na literatura brasileira, principalmente no romantismo: o de uma sociedade pobre e excluída. Ao mesmo tempo, ele desnuda a sordidez humana e a vileza das pessoas. O personagem principal, João Romão, é um sujeito que se aproveita dos outros para crescer na vida ao longo de toda a narrativa. Ele não tem um filtro, nem muitos escrúpulos. Mas ele não é julgado por seus fatos e não existe uma condenação dele; o que existe são os fatos.”

A linguagem

O vocabulário de O Cortiço acompanhou o aprofundar do livro nas camadas mais pobres da sociedade brasileiro. Conforme explica João: “O linguajar da obra retrata que os personagens são de periferia e tem origem humilde. É um vocabulário em que falta polidez e instrução; o populacho se destaca”.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Randriely Barbosa

    Qual o próximo livro?

    Curtir