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Como os 50 anos do Golpe Militar podem cair no vestibular

Ana Prado | 10/04/2014

Com os 50 anos do Golpe Militar de 1964, aumentam as chances de o período da ditadura ser cobrado no vestibular. O professor Célio Tasinafo, diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante e especialista em história social, indicou alguns pontos importantes sobre o período que merecem sua atenção.

Jango
João Goulart, o Jango, presidente do Brasil entre 1961 e 1964, quando foi deposto por um golpe militar.

>> É golpe, revolução ou contragolpe? 

Apesar de a maioria das pessoas chamarem o que aconteceu entre os dias 31 de março e 1º de abril de 1964 de golpe, há quem o chame de “revolução”, forma usada pelos generais na época. “Há também o termo ‘contrarrevolução’ ou ‘contragolpe’, pois havia quem temesse que a esquerda estivesse preparando um golpe também – e, além da denúncia da oposição de que o presidente João Goulart preparava um suposto golpe comunista, coisa nunca comprovada, há correntes esquerdistas independentes que afirmavam estarem prontas para tomar o poder por considerar o governo burguês e liberal”, diz o professor Célio. “É difícil saber o que é retórica e o que é fato em todos os planos e discursos políticos, até porque os fatos são muito marcados por memórias de quem viveu no período”, completa. Segundo ele, saber que a diferença de termo usado pode refletir um posicionamento político é importante, especialmente para quem vai prestar vestibular para Humanas.

>> Situação econômica

Entre 1968 e 1973 ocorre o milagre econômico, quando o Brasil passa por um enorme crescimento econômico. Também nessa época, são construídos projetos faraônicos como a rodovia Transamazônica, a ponte Rio-Niterói, a usina hidrelétrica de Itaipu e o programa nuclear de Angra dos Reis. Por outro lado, isso tudo ocorreu à custa de empréstimos no exterior, o que elevou a dívida externa e a tornou impossível de pagar. “Mas esse crescimento não foi caracterizado por distribuição de renda. O Ministro da Fazenda na época, Delfim Netto, dizia que era preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividir e de fato poucos podiam comer esse bolo. A situação foi ruim em termos mais amplos, com arrocho salarial (ou seja, os reajustes do salário não acompanhavam a inflação) e consequente perda do poder aquisitivo da população que vivia com salário mínimo”, explica Célio, lembrando uma frase do presidente João Baptista Figueiredo (1979 a 1985), que disse, quando lhe perguntaram o que faria se vivesse com um salário mínimo: “Eu daria um tiro no ouvido”.

>> Participação civil

“Hoje, há quem fale de golpe ‘civil militar’ e isso faz sentido. Além das manifestações da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, editoriais de muitos jornais apoiaram o golpe e defenderam o fim do governo de João Goulart”, diz o professor Célio. “Muita gente em 1964 flertava com um golpe, tanto da esquerda quanto da direita”, acrescenta. Os candidatos viáveis à presidência em 1964 eram impopulares entre os setores da elite econômica e cultural do país, e elas não olhavam com bons olhos a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural e a discussão da reforma agrária pelo presidente. Mas, apesar da desconfiança da direita, a esquerda o considerava moderado demais (leia a entrevista com o líder estudantil que, em 1968, liderou a Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação contra a ditadura). “Eles o consideravam um pelego getulista que dava migalhas para o proletariado e ele se isolou ainda mais com seu plano de reformas de base [que envolvia mudanças nos setores agrário, bancário, tributário, eleitoral e urbano]. Jango não especificou o que ia fazer e, quando foi derrubado, não tinha nenhum projeto pronto. O governo dele era uma bagunça, ele não se preparou pra ser presidente até que Jânio Quadros renunciou ao cargo em 1961 [João Goulart era seu vice]”, diz Célio.

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Manifestantes na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 19 de março de 1964 na Praça da Sé, em São Paulo. Fonte: Arquivo Nacional/Correio da Manhã.

>> Marchas

O professor não acredita que os vestibulares façam comparações entre os protestos da época e os de hoje, mas pode ser que usem notícias de “marchas pela família” deste ano para perguntar sobre o que foram as marchas em 64. Assim, o estudante precisa ter conhecimento sobre o período anterior ao golpe.

Entre 19 de março e 8 de junho de 1964 ocorreu uma série de manifestações públicas denominadas “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Elas aconteceram em resposta à “ameaça comunista” representada pelo discurso de João Goulart no Comício da Central, em 13 de março daquele ano, quando mais de 300 mil pessoas se reúnem na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, para ouvir e apoiar as reformas propostas por ele. A primeira Marcha da Família reuniu 200 mil pessoas de vários setores da sociedade contra o comunismo. “Não podemos esquecer que é Guerra Fria. Depois da Revolução Cubana, não havia meio-termo: ou se estava do lado dos EUA ou da URSS, daí o sucesso das marchas que levaram milhares de pessoas às ruas”, diz Célio.

Saiba mais:

AIs
Fonte: Guia do Estudante História para vestibular e ENEM

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Leia também:

- Linha do tempo e teste especial da SUPERINTERESSANTE

- Golpe de 1964: três anos de conspiração

- Ditadura: a cara e a coroa

- Golpe Militar: primeiro de abril?

- Resumo: Ditadura Militar no Brasil (1964-1985)

- Quiz – Ditadura militar

- Filmes sobre os anos da ditadura

- AI-5: licença para matar

- 10 mitos sobre a ditadura no Brasil (ou: Por que você não vai querer que ela volte)

- Documentário “Verdade 12.528″ traz histórias de vítimas da ditadura e mostra a importância de discutir o tema no país

- 10 fatos sobre a Ditadura Militar no Brasil

 

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Categoria: Brasil, Ditadura Militar

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Documentário “Verdade 12.528″ traz histórias de vítimas da ditadura e mostra a importância de discutir o tema no país

Ana Prado | 01/04/2014

verdade

Neste ano em que o golpe militar de 1964 completa 50 anos, há boas chances de a ditadura aparecer nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mas, independentemente de ser cobrado em alguma prova, é fundamental conhecer o tema como cidadão.

Aproveitando a criação da Comissão da Verdade em 2011, a jornalista Paula Saccheta, neta de um jornalista preso na ditadura Vargas, e o fotógrafo Peu Robles entraram em um site de financiamento coletivo e pediram ajuda para realizar um documentário sobre o assunto. Eles conseguiram o valor necessário e o resultado foi o “Verdade 12.528″ (o nome faz referência à lei que criou a Comissão), lançado em outubro de 2013 e que tem sido exibido em vários festivais de cinema pelo mundo e em várias cidades pelo Brasil. O filme, voltado especialmente para o público jovem, traz depoimentos dos parentes de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar e explica como funciona e qual a importância da Comissão para apurar as violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

>> Veja também: Como a Comissão da Verdade e a ditadura militar podem ser cobradas no vestibular?

O GUIA DO ESTUDANTE conversou com Paula sobre a repercussão do filme, que tem os jovens como público-alvo, e sobre a importância de se discutir o tema hoje.

Vocês fizeram o documentário pensando em um público mais jovem. Por que decidiram focar neles e como tem sido a recepção?

Tem sido muito boa. Sempre tentamos participar das exibições do filme em escolas e universidades para promover discussões e essa tem sido a melhor parte. Rola um sentimento de indignação que aproxima a galera mais jovem desse tema. Nosso objetivo foi o tempo todo humanizar e trazer a discussão para hoje, mostrando que ela também diz respeito aos jovens que não haviam nascido na época da ditadura. Precisamos conhecer para que não se repita. O tipo de crime cometido pelos militares durante a ditadura ainda é cometido hoje. Por exemplo, no dia 21 de janeiro de 1971, o deputado federal cassado Rubens Paiva foi convocado no Rio de Janeiro para prestar um depoimento na polícia e nunca mais voltou. No dia 14 de julho de 2013, o ajudante de pedreiro Amarildo entrou no carro da polícia na Rocinha em direção à sede da Unidade de Polícia Pacificadora do bairro e nunca mais foi visto.

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Dona Adalgisa, camponesa que colaborou com a Guerrilha do Araguaia (Foto: Peu Robles)

Como foi a gravação do documentário? Quem vocês entrevistaram?

Entrevistamos parentes de desaparecidos e mortos pelo regime e pessoas que militaram e foram presas e torturadas, além de outras fontes para trazer a discussão para o presente. Também fomos para o Araguaia e conversamos com camponeses que colaboraram com a guerrilha contra a ditadura. Foram, ao todo, 40 entrevistados e os depoimentos de 27 deles entraram no documentário.

Vocês chegaram a sofrer algum tipo de intimidação?

Não diretamente, mas no fim do ano passado fomos convidados para um festival de cinema no Acre, do qual participavam Brasil, Bolívia e Peru, e depois da exibição do filme houve uma discussão bem acalorada. No dia seguinte, vimos uma faixa na cidade pedindo a volta da ditadura militar. Ela dizia “O povo brasileiro pede a volta do regime militar pra moralizar, porque o Brasil ‘estar’ sem comando”.

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A faixa colocada em Rio Branco, Acre, após a exibição do documentário. (Foto: Arquivo pessoal)

E o que acha do pessoal que defende a volta da ditadura?

As pessoas não têm ideia do que estão falando, não sabem o que foi feito neste país e eu acho que essa ignorância é, inclusive, fruto da ditadura. O ensino público nos anos 50 e 60 era bom, mas muito restrito. A ditadura aumentou o número de escolas e universalizou o ensino, mas destruiu a sua qualidade, transformando-o em uma coisa muito mais tecnicista. Eles acabaram com as matérias de humanas, essenciais para desenvolver o pensamento critico, e focaram só nas exatas e científicas. Isso, somado ao fato de que os abusos eram abafados o tempo todo, mergulhou o país numa anestesia social em que o povo até hoje não conhece a sua história.

Qual a importância da Comissão Nacional da Verdade?

É muito importante porque colocou o tema em debate e inspirou a criação de várias outras comissões, como a dos médicos e das universidades, para investigar o seu papel na ditadura. Ela vem tímida e tarde, mas antes tarde do que nunca. E não deve ser vista como um ponto final. Em dezembro será publicado o seu relatório final e, como a Comissão não tem o poder de condenar ninguém por causa da Lei da Anistia [promulgada pelo presidente Figueiredo em 1979, ainda durante a ditadura militar, que perdoou crimes políticos cometidos por agentes do Estado e pela oposição entre 1961 e 1979], a grande pergunta é o que será feito depois. Eu defendo a revisão do entendimento dessa lei – um país não pode viver sabendo que tem assassinos, estupradores, ocultadores de cadáveres a solta, rindo da nossa cara.

Veja o trailer do documentário Verdade 12.528:

Próximas exibições em São Paulo:

- Dia 3/4 (quinta), às 18h, Tenda Cultural Ortega Y Gasset (na Praça do Relógio da USP, Cidade Universitária).

- Dia 11/4 (sexta), às 19h, Centro Universitário da Maria Antônia, Rua Maria Antônia, 294, 1º Andar.

Para ver outras datas de exibição, veja a fan page da produtora do filme no Facebook.

Mais informações no site oficial

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Relembre manifestações populares que marcaram a história do Brasil

Ana Prado | 17/06/2013

Em uma semana, ocorreram quatro grandes protestos na cidade de São Paulo contra o aumento da passagem do transporte público. O primeiro foi no dia 6 de junho; os seguintes aconteceram nos dia 7, 11 e 13. Todos eles resultaram em confrontos com a polícia militar. A cada edição, o número de manifestantes era maior – assim como a violência usada para contê-los. No dia 13, mais de 200 pessoas foram presas, incluindo jornalistas, e foram publicados na internet inúmeros vídeos e relatos de pessoas que presenciaram extrema violência policial contra manifestantes e transeuntes pacíficos. Os protestos se espalharam por dezenas de cidades do país (e de fora dele) e, em algumas delas, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, o aumento da tarifa foi revogado. Mesmo nesses lugares, enormes manifestações continuam sendo feitas – porém, seus participantes têm agora reivindicações variadas, pouco objetivas e, muitas vezes, contraditórias entre si. Muitos manifestantes que iam às ruas no início criticam o rumo que o movimento está tomando. Há os otimistas porque “o povo acordou” e também os que temem um golpe de Estado. Ninguém sabe o que irá acontecer.

Este é um bom momento para relembrar outros movimentos populares que fizeram história no país – há boas chances de algo do tipo ser abordado nos vestibulares deste ano.

Apesar de ter sido um movimento de caráter político-militar (e, por isso, não entrará na lista), a Intentona Comunista de novembro de 1935 merece atenção especial, segundo o professor de história do cursinho do XI, Samuel Loureiro. Trata-se de uma tentativa fracassada de golpe contra o governo de Getúlio Vargas feita pelo PCB (na época, Partido Comunista do Brasil) em nome da Aliança Nacional Libertadora. É que o movimento tem uma característica importante que remete aos protestos desta semana: a tarifa zero do transporte público. Foi estabelecido um governo revolucionário em Natal, no Rio Grande do Norte, que determinou que os bondes seriam gratuitos para a população. Mas esse governo durou apenas três dias. Leia mais neste link. Mas vamos à lista de movimentos liderados pelo povo:

1. Revolta da vacina, de 10 a 16 de novembro de 1904 (República Velha)

O que foi: Uma revolta dupla – dos militares e do povo. “O povo da cidade do Rio de Janeiro rebelou-se contra a lei que tornava a vacinação obrigatória, criada pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Juntaram-se a eles os alunos da Escola Militar da Praia Vermelha. Os militares tentaram afastar o presidente Rodrigues Alves do governo para tentar voltar ao poder, mas acabaram sendo presos e a escola militar foi fechada”, explica o professor de história do cursinho do XI, Samuel Loureiro. A cidade virou um campo de guerra; a população depredou lojas, incendiou bondes, fez barricadas, atacou as forças da polícia com pedras, paus e pedaços de ferro. Foram registrados 30 mortos e 110 feridos. Mas o que levou as pessoas a se irritarem tanto? A matéria ”Rio: cidade doente”, da revista Aventuras na História (leia na íntegra aqui) responde:

“Não é difícil entender por que o povo ficou contra a vacina. Pela lei, os agentes de saúde tinham o direito de invadir as casas, levantar os braços ou pernas das pessoas, fosse homem ou mulher, e, com uma espécie de estilete (não era uma seringa como as de hoje), aplicar a substância. Para alguns, isso era uma invasão de privacidade – e, na sociedade de 100 anos atrás, um atentado ao pudor. Os homens não queriam sair de casa para trabalhar, sabendo que suas esposas e filhas seriam visitadas por desconhecidos. E tem mais: pouca gente acreditava que a vacina funcionava. A maioria achava, ao contrário, que ela podia infectar quem a tomasse. O pior é que isso acontecia. A vacina não era tão eficaz como hoje”.

2. Greves operárias do início do século 20

O que foi: Até o início do século 20, não havia direitos trabalhistas: os salários eram baixos, a jornada de trabalho era enorme, havia o emprego maciço de mão de obra infantil. Muitos trabalhadores eram imigrantes europeus fortemente influenciados pelos princípios anarquistas e comunistas. Essa influência foi importantíssima para a eclosão das greves operárias da época. Em 1905, foi criada a Federação Operária de São Paulo, que reunia as associações de trabalhadores da cidade. Em abril do ano seguinte, o Rio de Janeiro recebeu o 1º Congresso Operário Brasileiro, evento considerado a origem do sindicalismo no Brasil. No dia 1º de maio de 1907, eclodiu a primeira greve geral da história do Brasil. A greve, que durou até o meio de junho, foi reprimida com violência, mas conseguiu fazer com que muitas empresas adotassem a jornada de oito horas de trabalho.

A segunda greve geral veio em 1917 e começou em São Paulo. Com a crise no comércio exterior causada pela Primeira Guerra, os preços aumentavam, os alimentos sumiam das prateleiras e os salários diminuíam. Enquanto isso, os patrões voltaram a esticar as jornadas de trabalho. Em 9 de julho, os trabalhadores organizaram uma passeata. A polícia avançou sobre a multidão com seus cavalos e atirou. Antonio Martinez, um sapateiro, foi morto. O assassinato revoltou ainda mais os trabalhadores: dias depois, o movimento se tornou uma greve geral com 45 mil pessoas paradas – praticamente todos os operários da capital paulista. A imprensa da época tratava as agitações como anarquistas e os patrões, como caso de polícia. Havia revistas nos passageiros dos bondes e em todos os operários e populares que transitavam pelas ruas. Mas, a partir de então, o movimento operário passou a ser reconhecido como algo representativo e os patrões passaram a negociar com eles.

“O primeiro presidente a negociar com o movimento operário e a admitir sua existência foi o General Hermes da Fonseca (1910-14)”, explica o professor Samuel. Mas a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unificou toda a legislação trabalhista então existente no Brasil, foi criada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas durante o período do Estado Novo, entre 1937 e 1945. “Mas é importante notar que essa legislação veio para conter o movimento operário e aliviar a pressão social; não foi por bondade do presidente. Vargas era considerado o pai dos pobres, mas também a mãe dos ricos”.

3. Passeata dos 100 mil, 16 de junho de 1968, no Rio de Janeiro

O que foi: Uma manifestação uma popular de protesto contra a ditadura militar, organizada pelo movimento estudantil e com a participação de artistas, intelectuais, setores da Igreja e outros da sociedade brasileira. Embora dois estudantes já tivessem sido mortos em confrontos com a polícia durante aquele ano, o clima da passeata esteve mais para o festivo. Uma chuva de papel picado caiu sobre os participantes do protesto e cinco estudantes acabaram presos. Em outubro, confrontos envolvendo facções da direita e da esquerda resultaram uma verdadeira batalha entre alunos da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. A matéria “O ano que sacudiu o mundo“, da revista Aventuras na História, descreve:

“A coisa começou com meras agressões verbais entre esquerdistas da USP e anticomunistas do Mackenzie, mas a escalada da briga passou a contar com rojões, paus, pedras, coquetéis molotov, vidros com ácido sulfúrico e até tiros – um estudante do lado da USP acabou morrendo. No mesmo mês, o congresso (clandestino) da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, São Paulo, foi invadido pela polícia, que levou para a cadeia cerca de 900 estudantes. Os pais dos jovens presos, alguns dos quais funcionários públicos, também foram perseguidos pela repressão.”

Depois disso, o deputado Márcio Moreira Alves, membro de um Congresso que ainda acreditava ser independente, criticou duramente a repressão aos movimentos de oposição e chegou a sugerir que as jovens brasileiras não namorassem mais oficiais do Exército. Veja o discurso no vídeo abaixo:

A resposta do governo militar ao discurso e à polarização do país veio em 13 de dezembro com o Ato Institucional número 5, que concedeu poderes praticamente ilimitados ao presidente da República para dissolver o Congresso, retirar direitos políticos e civis de dissidentes e até confiscar seus bens. O presidente se justificou dizendo que havia feito isso para “salvar a democracia”. A repressão só deixou os ânimos ainda mais exaltados. Guerrilhas urbanas e rurais tentaram, sem sucesso, contra-atacar os militares no fim dos anos 60 e começo dos anos 70. Apesar de terem sido derrotadas, a mística que surgiu em torno da resistência brasileira em 1968 acabaria virando o modelo da luta pela redemocratização do país.

>> Veja entrevista com o líder estudantil que liderou a Passeata dos Cem Mil

4. Comícios das Diretas Já (1984)

O que foi: Entre janeiro e abril de 1984, grandes comícios foram realizados no país pedindo a volta das eleições diretas para presidente, abolidas desde 1964. Os dois maiores foram em abril: na Candelária, no Rio, cerca de 1 milhão de pessoas se reuniram no dia 10; no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, o número estimado chegou a 1,5 milhão, no dia 16.

Antes disso, um comício na praça da Sé, em São Paulo, reuniu entre 300 e 400 mil pessoas que cantavam “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil.” Esse comício foi decisivo porque engrossou a mobilização que depois levaria milhões de pessoas às ruas de outras capitais. A campanha tinha nascido no ano anterior, assim como a Proposta de Emenda Constitucional número 5, do deputado federal Dante de Oliveira. Pela emenda, o presidente da República seria eleito por voto direto, e não pelo Colégio Eleitoral – que reunia os congressistas e mais seis membros da bancada majoritária em cada Assembléia Legislativa. A iniciativa ganhou o apoio do grupo oposicionista que incluía o senador Teotônio Vilela e o deputado Ulysses Guimarães. Leia mais neste link.

5. Impeachment de Collor (1992)

O que foi: Denúncias de corrupção envolvendo o presidente Fernando Collor começaram a aparecer aos montes na imprensa em 1992. Pedro Collor, seu irmão mais novo, entregou um dossiê para a imprensa com denúncias de corrupção envolvendo o presidente e PC Farias, tesoureiro de sua campanha eleitoral. Todo mundo já andava extremamente descontente com seu mandato: as medidas de seu governo levaram à recessão do país e desagradaram a boa parte dos partidos políticos e da população. A inflação acumulada no primeiro ano de seu governo foi de 4.853% e o confisco das cadernetas de poupança atingiu em cheio a elite brasileira, que logo ficou contra o presidente. Com as denúncias, o povo, revoltado, realizou passeatas em vários estados para exigir o impeachment. Uma das principais foi em São Paulo, no dia 18 de setembro, reunindo cerca de 750 mil pessoas. Veja como foi todo esse processo aqui e aqui.

 

Veja o vídeo em que o professor Célio Tasinafo, do cursinho Oficina do Estudante, fala sobre o tema e diz como ele pode ser cobrado no vestibular:

 

Leia também: O que foi o Movimento de Maio de 68 na França?

 

 

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Categoria: Brasil, Ditadura Militar

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Fique por dentro das principais notícias de 26 a 29 de maio

atualidades-vestibular | 29/05/2013

Coreia do Sul rejeita oferta de diálogo da Coreia do Norte sobre questão nuclear

A Coreia do Sul negou, na última segunda-feira (27) uma aparente oferta de diálogo feita por um enviado do presidente norte coreano, Kim Jong-un. A oferta foi transmitida por intermédio do governo chinês, país aliado da Coreia do Norte.

De acordo com a imprensa estatal chinesa, Kim afirma que deseja retomar as negociações com seis participantes (as duas Coreias, EUA, Rússia, Japão e China) sobre o programa nuclear norte-coreano. No entanto, o porta-voz do ministério da Unificação Sul-Coreana, Kim Hyung-seok, afirmou que o crescimento de uma força nuclear da região não é negociável.

Recentemente, houve um aumento da tensão entre as duas Coreias, que chegaram a ameaçar o início de um conflito armado. Esta é uma boa oportunidade para entender melhor as questões geopolíticas da região.

Entenda o conflito e a história das Coreias

Coréia: Guerra inacabada

Coreia do Norte suspende cessar-fogo contra Sul

60 anos da conquista do Everest

Em 1963, dois alpinistas conseguiram chegar ao topo da montanha mais alta do mundo. A conquista aconteceu após décadas de tentativas e quinze mortes. A façanha foi realizada pela inglesa comandada por John Hunt e se tornou um importante marco para a autoestima da Inglaterra. Saiba mais sobre essa conquista aqui.

E descubra a superação de limites, fronteiras  e desafios que marcaram a história.

Comissão da Verdade discute cronograma para exumação do corpo de Jango

A CNV (Comissão Nacional da Verdade) discute nesta quarta-feira (29) um cronograma para a exumação dos restos mortais do presidente João Goulart (1961-1964), que morreu em 1976. A exumação será feita a pedido da família de Jango, que acredita que a morte tenha sido provocada por envenenamento.  A suspeita é de que ele tenha sido assassinado por agentes da Operação Condor –acordo entre governos militares da América Latina, nas décadas de 70 e 80, para perseguir e prender militantes de esquerda.

A versão ganhou força com as declarações do ex-agente secreto uruguaio Mario Neira Barreiro, de que a morte foi ordenada pelo delegado Sérgio Fleury, do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), um dos nomes mais associados à tortura à época, a mando da cúpula do regime.

A versão oficial é de que o presidente foi vítima de um ataque cardíaco, mas não foi feita uma necropsia na época.

Saiba mais:

A morte sem fim de Jango

Saiba quais são os segredos históricos do Brasil

Antecipações ao Golpe de 64 e a presidência de João Goulart

Entrevista com a mulher de Jango

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Fique por dentro das notícias da semana de 12 a 17 de maio

Ana Prado | 17/05/2013

Veja o resumo do GUIA para você não perder o que rolou de importante nesta semana.

Jorge Videla, ex-ditador argentino, morre aos 87 anos

Jorge Videla, o ex-comandante que governou a Argentina durante os anos mais sangrentos da ditadura militar que vigorou entre 1976 e 1983, morreu nesta sexta-feira. Ele cumpria pena por crimes de violação dos direitos humanos.

Leia mais sobre ele neste link e aproveite para estudar a ditadura argentina nos links abaixo:

– Regime militar na Argentina – resumo
- Marinha argentina admite assassinatos na ditadura militar
- Mafalda, a pequena notável – Criada na Argentina, a menina Mafalda enfrentou a ditadura militar de seu país para falar de censura, feminismo, crises econômicas e política internacional.
- Ditaturas da América Latina
- Por dentro da Escola de Horrores – Veja as plantas do porão onde ocorriam as torturas e do alojamento dos sequestrados.

 

Brasileiro é o novo chefe da missão da ONU no Congo

Nesta sexta (17), a Organização das Nações Unidas anunciou que o tenente-general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz será o novo chefe da Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (Monusco). Ele vai substituir o indiano indiano Chander Prakash Wadhwa nesta que é a maior missão de paz da ONU, com 17.000 homens atualmente.

Saiba mais sobre a história e entenda a condição atual do país:
– Congo: diamantes de sangue
Em nenhum lugar se matou tanto nos últimos 50 anos quanto no país. O principal desafio desse país africano rico em minérios é conciliar os interesses de mais de 250 grupos étnicos
– A partilha da África
No fim do século 19, países europeus repartiram o continente africano entre si e o exploraram durante quase 100 anos. Os invasores se foram, mas deixaram os efeitos nefastos de sua presença
– O Congo já foi a maior propriedade particular do mundo
- Filmes e livro para entender a colonização da África

 

O apoio da Rússia à Síria

Segundo a imprensa americana, a Rússia enviou armas sofisticadas, como mísseis antinavios, à Síria. Existe uma pressão internacional para não ajudar o regime de Bashar Assad, acusado de crimes contra a humanidade. Segundo a ONU, os últimos quatro meses de conflito na Síria registraram a maior taxa de refugiados: em apenas dez semanas, o número de refugiados passou de um para de 1,5 milhão.

Entenda:
– Como a crise na Síria pode ser cobrada nas provas deste ano?
- Síria (história, política e economia) – resumo

 

Casamento gay no Brasil e na França

Nesta terça-feira (14), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que proíbe os cartórios de se recusarem a realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil e os obriga a aceitar os pedidos de conversão de uniões estáveis em casamentos. Até então, a decisão ficava a critério de cada cartório e muito casais precisavam levar seus pedidos à Justiça. A decisão ainda pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Neste sábado, o presidente da França, François Hollande promulgará a lei que permite o matrimônio e a adoção por casais gays no país. A França é o 14º país a legalizar a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Recentemente, Nova Zelândia e Uruguai aprovaram em meio a muito menos controvérsia. Holanda, Bélgica, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina, Dinamarca e Espanha também já fizeram isso.

Os Estados Unidos e o Brasil aceitam o status de casados para parceiros do mesmo sexo apenas em alguns Estados (no Brasil, é aceito no Alagoas, Minas Gerais, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia).

Leia mais a respeito aqui e aqui (Veja.com).

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Saiba como as eleições podem cair no vestibular

Ana Prado | 21/09/2012

No dia 7 de outubro ocorre o primeiro turno das eleições que servirão para a escolha de prefeitos e vereadores de mais de 5,5 mil cidades brasileiras. Ocorrem eleições no país a cada dois anos. Em 2010, foi para os cargos de presidente, governador, deputado e senador.

É bom ficar atento a esse tema. “As eleições no Brasil são um tema recorrente em vestibulares, sobretudo em anos eleitorais no país”, afirma o professor de História do Curso Anglo, Jucenir Rocha. “As primeiras eleições ainda no período colonial, mudanças no formato do voto (censitário ou universal, direto ou indireto, aberto ou secreto), extensão do direito de voto (a mulheres, analfabetos, maioridade eleitoral) etc. aparecem nos testes de múltipla escolha ou questões dissertativas, não raras vezes solicitando exemplos”, completa.


Foto: Agência Brasil

Para o professor de Atualidade do Cursinho do XI, Samuel Loureiro, é importante prestar atenção à questão do voto feminino e buscar charges antigas, como as da década de 30, em que apareciam temas como o voto de cabresto. “Também é bom estudar a Revolução Constitucionalista de 32, que pedia o ordenamento dos direitos políticos do cidadão”, completa. (Fique ligado, porque em breve o blog Atualidades vai publicar um post só sobre esse assunto.)

Ele também diz que há chances de as eleições serem cobradas na prova de redação: “Pode aparecer algo como a responsabilidade do cidadão com o voto ou os direitos políticos, cruzando as eleições com a Primavera Árabe, por exemplo”.

Questões da atualidade como a corrupção ou a Lei da Ficha Limpa podem ser lembradas, porém superficialmente. “Vestibulares costumam evitar o aprofundamento de questões polêmicas. Assim, cabe ao candidato saber simplesmente que corre um processo no STF sobre um certo caso do Mensalão no governo Lula e que vigora desde 2009 uma lei que, em tese, impede condenados pela justiça de participar de eleições”, diz o professor Jucenir.

Para ajudar você a se situar neste tema, preparamos os tópicos a seguir e indicamos alguns links com mais informações:

Como é hoje

Os senadores são eleitos para representar os estados e somam 81 ao todo – três para cada unidade da federação. Diferentemente dos outros cargos, que valem por quatro anos, eles são eleitos para um mandato de oito. Já os deputados são escolhidos pelo sistema proporcional e somam 513 parlamentares na Câmara Federal.

Governadores, presidente, prefeitos e senadores são eleitos por eleições majoritárias. Os três primeiros precisam atingir a metade mais um dos votos (descontados os brancos e nulos). Caso isso não ocorra, é realizado o segundo turno entre os dois candidatos que obtiveram maior número de votos. Os senadores eleitos são os que conquistaram o maior número de votos em seus estados.

LEIA TAMBÉM:

- É verdade que o Brasil é o único país onde vereador ganha salário?

- Adianta votar nulo?

No caso dos deputados e vereadores, o sistema eleitoral usado é o proporcional. Nesse caso, o que vale é o número de votos que cada partido (ou coligação) recebeu. Então, são somados os votos de todos os candidatos que disputam por um partido (ou coligação) e os votos de legenda. Para um partido se eleger, precisará atingir o chamado quociente eleitoral, que é resultado da divisão do número de votos válidos pelo  número de vagas a serem preenchidas. Os partidos ou coligações que não alcançarem esse quociente eleitoral, mesmo que tenham um candidato muito bem votado, não poderão eleger ninguém.

1532 – As primeiras eleições

Embora seja importante entender como funciona o processo eleitoral atual, o professor Samuel avisa: “É importante que o aluno foque na evolução histórica das eleições. Os vestibulares não vão ficar cobrando questões muito atuais”.


Imagem: Revista Aventuras na História

As eleições são muito mais antigas do que o sistema republicano de governo e existiram mesmo durante a ditadura militar. A primeira delas ocorreu em 1532 em São Vicente (SP) para escolher o Conselho Administrativo da vila. Desde então, o voto tornou-se regular nas capitanias durante todo o período em que o Brasil foi colônia de Portugal. Mas, até quase o fim do Império, só podiam votar (e ser votados) nobres, burocratas, militares, comerciantes ricos, senhores de engenho e homens de posses. Mulheres estavam fora.

As primeiras eleições gerais no país foram convocadas por D. João VI em 1821 após clero, nobreza e exército se revoltarem exigindo a monarquia constitucional em Portugal. O rei abriu  72 vagas para deputados brasileiros que representariam o país na Corte Portuguesa em Lisboa.

1891 – Voto de Cabresto

Após a Proclamação da República, a Constituição de 1891 ratificou as votações diretas. Analfabetos e mulheres, porém, não podiam votar.

Em 1904, a Lei Rosa e Silva estabeleceu que, além da cédula que ia para a urna, outra seria preenchida, datada e rubricada por fiscal eleitoral. Ou seja, o voto não era secreto e os eleitores eram induzidos a votar em candidatos indicados pelos coronéis (grandes proprietários de terras) que organizavam as eleições. Por isso, essa ficou conhecida como a época do Voto de Cabresto.

“Essa situação de controle dos votos acabou gerando uma república oligárquica, com a chamada Politica dos Governadores”, explica o professor Samuel. Essa política foi um pacto existente durante os primeiros anos da República Velha, em que o Governo Federal apoiava os governos estaduais sem restrições e estes, fazendo uso de seus coronéis (coronelismo), elegiam bancadas pró-Governo Federal para a Assembléia Legislativa. Como consequência, surgiu a política do café-com-leite, em que revezavam-se no poder representantes do Partido Republicano Paulista (PRP) e do Partido Republicano Mineiro (PRM).

1932 – Voto feminino

Só foi estabelecido o voto secreto e obrigatório para “cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo” em 1932. Foi aí que as mulheres passaram a ter o direito de votar e a médica paulista Carlota de Queiroz até foi eleita deputada. Em 1934, a idade mínima para votar passou a ser de 18 anos.

O Brasil foi o segundo país da América Latina a instituir o voto feminino, seguindo o Equador.  Mesmo assim, o eleitorado não atingia 3% da população. Nessa época, também foi criada a Justiça Eleitoral, que passou a cuidar do alistamento, da apuração dos votos e do anúncio do resultado.

1937 – Golpe de Estado

O Golpe de Estado de 1937 interrompeu o exercício democrático no país durante os 9 anos da ditadura de Getúlio Vargas. O Congresso foi fechado, os partidos políticos foram proibidos e as eleições suspensas pela primeira vez na história do país. O retorno do voto, em 1945, trouxe o maior contingente de eleitores (pela primeira vez, acima dos 10% da população).

1950 – Presidentes eleitos sem maioria

Em 1945, Getúlio Vargas foi deposto após o Estado Novo e o militar Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente. Em 1946, a Constituição não exigia a maioria absoluta dos votos para representantes do Executivo, o que permitiu que menos da metade dos eleitores levassem três presidentes ao poder: Getúlio (1950), Juscelino Kubtischek (1955) e Jânio Quadros (1960).

1963 – Referendo

Em janeiro de 1963, os brasileiros participaram do seu primeiro referendo, que teve como resultado a rejeição do novo sistema. Seria também a última votação popular antes da ditadura que se instalou com o golpe de 1964.

1964 – Golpe Militar

Com o Golpe Militar de 1964, ocorre a suspensão de direitos civis e liberdades individuais. Porém, foram mantidas as eleições para alguns cargos, como deputados (estaduais e federais) e vereadores, pelo sistema proporcional.

Já as eleições majoritárias para prefeito, governador, senador e presidente foram restritas ou suspensas. As diretas só foram retomadas nos anos 1980, e os brasileiros só puderam votar novamente para presidente em 1989, quando Fernando Collor de Mello foi eleito.

1988 – A Constituição Cidadã


Imagem: Revista Aventuras na História

A reabertura democrática trouxe a nova Constituição de 1988, que continua em vigor até hoje e instituiu o voto obrigatório para todo brasileiro com mais de 18 anos e facultativo aos analfabetos e para quem tem 16 e 17 anos ou mais de 70 anos. “Ela é chamada de ‘Cidadã’ por aspectos eleitorais como o restabelecimento das eleições livres pelo voto direto em todos os níveis (de vereadores a senadores, de prefeituras à Presidência da República). Convém não esquecer a possibilidade de questões relativas a temas correlatos como, principalmente, os partidos políticos e a extensão do direito optativo do voto aos jovens com 16 anos completos”, afirma o professor Jucenir Rocha.

Com essa Constituição, o eleitorado aumentou consideravelmente e ultrapassou a casa dos 100 milhões. Hoje, o país possui o terceiro maior número de eleitores do mundo, atrás apenas da Índia e dos Estados Unidos.

1996 – Urna eletrônica

Experiências já haviam sido feitas desde 1989, mas foi em 1996 que 57 cidades com mais de 200 mil habitantes puderam usar a urna eletrônica na eleição municipal. Em 2000, na primeira eleição totalmente informatizada do mundo, 110 milhões de pessoas escolheram prefeitos e vereadores de 5559 municípios. Essa tecnologia permite que os resultados sejam divulgados poucas horas após o término do pleito.

 

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Egito realiza segundo turno das eleições neste fim de semana; veja como isso pode ser cobrado no vestibular

Ana Prado | 17/06/2012

Neste fim de semana, o Egito realizou o segundo turno de suas eleições presidenciais. O páreo está entre o islamita Mohammed Mursi e o ex-dirigente do antigo regime Ahmed Shafiq. As eleições são as primeiras diretas da história do mundo árabe e parte da transição para a democracia após a queda do presidente Mubarak no começo de 2011, após 30 anos no poder. Os resultados só serão conhecidos na próxima quinta-feira.


Muhammad Hosni Said Mubarak, o quarto presidente do Egito, que renunciou ao poder em fevereiro de 2011

Antes disso, o Egito realizou, no fim de 2011 e início de 2012, a eleição mais aberta de sua história para a câmara baixa do Parlamento, responsável por nomear a comissão encarregada de elaborar a nova Constituição. A Irmandade Muçulmana venceu. Porém, nesta quinta, o Tribunal Constitucional do país anulou a composição do Parlamento dominado pelos islamitas, o que acrescentou ainda mais dúvidas e receio em relação a esse processo de transição democrática. Uma nova eleição terá de ser convocada pelo Poder Executivo.

A preocupação é que a anulação da Assembleia permita que os militares assumam o Legislativo, como foi o caso no período entre a queda de Mubarak, em fevereiro de 2011, e a primeira sessão do novo Parlamento, um ano depois. Jornais independentes classificaram a decisão como um “Golpe de Estado jurídico”.

O que é preciso saber

Segundo o professor e supervisor de geografia e geopolítica do curso Anglo, Augusto Silva, é importante ter em mente a divisão politica que o pais enfrenta. “Mubarak criou um vácuo de poder que pode ser assumido por religiosos conservadores representados pela Irmandade Muçulmana, que foram reprimidos até então, ou por militares ligados ao regime de Mubarak. As pessoas que participaram das manifestações da Primavera Árabe veem com ceticismo a situação. É algo como ‘se correr bicho pega, se ficar bicho come’”, explica. A eleição parlamentar deste ano colocou os islâmicos em uma posição de comando no Poder Legislativo – e a Irmandade Muçulmana espera repetir o feito com o seu candidato na eleição presidencial.

A juventude árabe, maior agitadora das revoltas da Primavera Árabe, não conseguiu se organizar para ter um candidato. “Há uma espécie de sociedade reprimida no Egito, que queria e provocou uma mudança rápida. A primeira coisa que eles queriam era a queda do ditador, o que já era um passo importante. Depois se discutiria quem deveria assumir o poder, mas essa não é uma questão tão simples”, explica o professor Augusto. Chegar ao poder sem ser pelo processo democrático, porém, poderia gerar uma guerra no país, uma vez que os militares ligados ao antigo regime poderiam revidar.

Ainda não é possível prever o futuro egípcio. “Foi uma mudança política histórica, mas muita coisa ainda pode acontecer – incluindo conflitos maiores entre as duas facções que disputam o poder, como uma guerra civil ou, por outro lado, o surgimento de uma liderança bem aceita”, afirma o professor. O país mantém uma linha próxima aos EUA, além de ser uma voz de negociação com Israel. Se a Irmandade Muçulmana assumir o poder no lugar dos militares, isso pode mudar.

Como pode ser cobrado?

“Temos a tendência de achar que o vestibular vai cobrar os assuntos de uma forma profunda, mas isso não necessariamente acontece. Na Fuvest em 2012, a pergunta foi bem geral, pedindo localização geográfica, e muitas vezes o aluno erra isso”, diz Augusto. Para ele, é importante que o estudante seja capaz de identificar os países que participaram da Primavera Árabe, localizá-los em um mapa e entender as mudanças politicas pelas quais o Egito passou, bem como a sua importância econômica e política.

O Egito, colonizado pelos britânicos, foi um dos primeiro africanos a conseguirem sua independência, logo no começo do século 20. Hoje, é a segunda maior economia da África, atrás da África do Sul, com boa produção de petróleo e certa industrialização em setores básicos, como siderurgia e metalurgia. O turismo, ao lado do petróleo, é o carro-chefe da economia.

O presidente Muhammad Hosni Said Mubarak assumiu o poder em 1981 e manteve uma postura neutra no conflito árabe-israelita, o que fez com que fosse frequentemente chamado para negociações entre os dois lados. Nos últimos dias de seu governo, estava sendo alvo de críticas e protestos pela maioria da população egípcia e acabou renunciando. Em 2 de Junho de 2012, foi condenado à prisão perpétua pela morte de 850 manifestantes nos protestos que o derrubaram em 2011.

A Primavera Árabe

A Primavera Árabe é o nome dado à onda de protestos e revoluções contra governos do mundo árabe, Oriente Médio e norte da África, que eclodiu em janeiro de 2011, pedindo democracia. A onde de manifestações já foi destaque nos vestibulares, aparecendo nas provas do Enem 2011, da Fuvest 2012 e da Unesp 2012.

Além de atentar para os conflitos em toda a região, o estudante precisa saber localizar os países que estão envolvidos nele: Barein, Iêmen, Tunísia, Líbia, Egito e Síria.

Fonte: GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2012

 

Com informações da AFP, EFE e Guia do Estudante Atualidades.

 

 

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Como a Comissão da Verdade e a ditadura militar podem ser cobradas no vestibular?

Ana Prado | 18/05/2012


A presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, no Palácio do Planalto. Estavam lá também os ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor (Foto:Antônio Cruz/ABr)

Nesta quarta-feira (16), a presidente Dilma Rousseff instalou a Comissão da Verdade em uma cerimônia que reuniu, entre outras autoridades, os ex-presidentes brasileiros eleitos após a ditadura.

A Comissão é formada por sete pessoas que vão apurar, nos próximos dois anos, as  violações aos direitos humanos que podem ter ocorrido entre 1946 e 1988. O foco inicial serão os desaparecimentos políticos e eventos da ditadura militar (1964 a1985).

No fim, será apresentado um relatório oficial com dados como locais, instituições e circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos, detalhando, se possível, as circunstâncias e apontando os responsáveis. Para isso, a Comissão terá acesso a documentos oficiais, poderá convocar pessoas para depoimentos, pedir perícias e promover audiências públicas, entre outras coisas.

Mas ela não terá o poder de condenar ninguém: a Lei da Anistia, promulgada pelo presidente Figueiredo em 1979 (ainda durante a ditadura militar), perdoou crimes políticos cometidos por agentes do Estado e pela oposição entre 1961 e 1979. A presidente Dilma Rousseff deu a entender que não irá revogar a lei ao declarar que valoriza “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Ela disse, ainda, que “a comissão não abriga ressentimento, ódio nem perdão. Ela só é o contrário do esquecimento”.

Pode cair no vestibular?

Para o professor Elias Feitosa, que dá aula de História no Cursinho da Poli, esse é um tema com boas chances de cair não só no vestibular, mas também no Exame Nacional do Ensino Médio. “O Enem tem focado bastante na questão da cidadania e organização da sociedade. Esse é um tema que pode muito bem ser explorado, pois tem a ver com o direito do cidadão de conhecer sua história, ter noção do que aconteceu no passado recente do seu país”, explica.

Por isso, é bom dar uma estudada no regime militar – especialmente no seu período final, com o governo de Ernesto Geisel (1974-79). O governo do seu antecessor, Garrastazu Médici (1969-74), ficou conhecido como os “anos de chumbo”, marcado pela tortura e desaparecimento de opositores. Nesse período, entre 1969 e 73, também aconteceu o chamado “milagre econômico”, em que o Brasil cresceu 11% ao ano. Mas a dívida externa passou de 3,5 bilhões para 17 bilhões de dólares, o que virou um problema para o presidente que veio depois.


O presidente João Figueiredo (1979-85). Leia mais sobre todos os presidentes que o Brasil já teve

Enfrentando dificuldades econômicas e políticas (o milagre econômico tinha acabado, havia a pressão do governo americano e a oposição ficava mais forte), Geisel começou o processo da abertura política, que seria ‘lenta, gradual e segura’. Em 1978, por exemplo, ele acabou com o AI-5 (leia mais sobre isso aqui) e tomou medidas que visavam reduzir a repressão sobre inimigos do regime.

Em meio ao movimento das Diretas Já, seu sucessor João Figueiredo continua o processo, restaura o pluripartidarismo e sanciona a lei da Anistia. “Essa lei dava a anistia ampla e irrestrita para os dois lados. Quem torturou não seria punido, os crimes dos subversivos também seriam perdoados e os exilados políticos poderiam voltar para o país”, explica Elias.

Foram realizadas eleições indiretas e Tancredo Neves foi eleito, mas teve que ser internado na véspera da posse com problemas no aparelho digestivo. Com a sua morte, José Sarney se tornou o primeiro presidente civil após 21 anos de regime militar e revogou a legislação autoritária, restabelecendo a eleição direta para a Presidência. Uma nova Constituição foi promulgada em 1988.

“A Lei da Anistia pretendia virar a página do período da ditadura, mas também ficava uma sensação de injustiça para quem teve familiares perseguidos e desaparecidos. Muitos ficaram sem nunca saber o que houve com seus parentes e pessoas desapareceram sem nunca ter uma certidão de óbito. Ainda há questões burocráticas que precisam ser resolvidas”, lembra o professor.

Pouco a pouco, outros países da América Latina se redemocratizaram também e começaram uma movimentação para investigar os crimes que os governos cometeram. “Nossos vizinhos foram mais ativos; o Brasil foi deixando de lado”, diz Elias. “Mas a Comissão da Verdade desagrada a alguns – em especial àqueles que tiveram participação ativa no governo militar e que tentam, hoje, mudar sua imagem na vida pública”, completa.

Segundo ele, é possível que o vestibular ou o Enem peçam para o aluno fazer uma análise entre a relação presente-passado. Talvez focando na questão dos direitos humanos, como o  tratamento dado pelo governo hoje e antes a essa questão no regime.

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Entenda como a denúncia contra o coronel Sebastião Curió sobre o sequestro de guerrilheiros no Araguaia, durante a ditadura militar, pode cair no vestibular

Mariana Nadai | 21/03/2012

Em 14 de março, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Justiça Federal do Pará uma denúncia contra o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, acusado do sequestro qualificado de cinco militantes políticos capturados durante a repressão à guerrilha do Araguaia – um movimento armado contra a ditadura militar organizado pelo PC do B e reprimido pelo Exército, entre 1972 e 1975, no sul do Pará.

O militar foi acusado de comandar a chamada Operação Marajoara, que aconteceu em 1973, quando os cinco guerrilheiros foram levados às bases militares e submetidos a sofrimento físico e moral e nunca mais foram encontrados.

Para o MPF, o crime cometido pelo coronel delito tem um caráter permanente, pois os militantes ainda estão desaparecidos. Por isso, o delito não estaria coberto pela Lei de Anistia, de 1979, que permitiu o retorno dos exilados políticos e perdoou agentes do Estado que cometeram crimes durante a ditadura.

A medida foi elogiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e poderia ter sido primeira ação penal por crimes cometidos durante a guerrilha do Araguaia. Mas, em 16 de março, a Justiça Federal rejeitou a denúncia, com base na lei de anistia, afirmando que em 1995, o Estado já havia reconhecido as mortes dos guerrilheiros.

A denúncia ao coronel Curió pode mesmo cair nas provas?

A denúncia em si talvez não seja abordada, mas o contexto em que ela está inserida, a ditadura militar no Brasil, sim. O tema é recorrente nos processos seletivos. Nas provas de 2012, por exemplo, o assunto esteve presente em pelo menos uma questão dos vestibulares da Fuvest, da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Federal do Paraná. O Enem também cobra esse tipo de questão, como fez na prova de 2009.

Para o professor de atualidades e história, Samuel Loureiro, do Cursinho do XI, de São Paulo, ao ver uma notícia como essa, o estudante precisa entender como foi o golpe militar de 1964 e o regime militar brasileiro, que durou de 1964 a 1985. O que foi a guerrilha do Araguaia e, principalmente, a lei de anistia também merece atenção.

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O fim do regime também precisa ser estudado. “É importante que os estudantes entendam que uma crise econômica, que assolava o Brasil e o mundo, foi a grande responsável pelo fim da ditadura militar, e não apenas os protestos contra o governo. Na década de 1970, o mundo vivenciou duas crises do petróleo (1973 e 1979), o que desestabilizou a economia e o governo de diversos países, inclusive do Brasil”, explica o professor.

Outra dica é conhecer as manifestações artísticas da época, bem representadas pelas músicas. “O estudante precisa saber reconhecer, por exemplo, os diferentes tipos de músicas que faziam naquela época. É importante, pois marcou a nossa cultura, muitos artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram exilados pelas suas manifestações políticas”, diz Samuel loureiro.

O professor lista três tipos de músicas produzias, que merecem atenção: as de protesto, como “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, de Geraldo Vandré; as músicas de alienação política, representada pela jovem guarda, como a música “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”; e as músicas ufanistas, que exaltavam o Brasil em um tempo de repressão, como a “Eu te amo meu Brasil”.

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Como a crise na Síria pode ser cobrada nas provas deste ano?

Mariana Nadai | 13/03/2012

Há cerca de um ano, a Síria ocupa quase que diariamente as notícias internacionais. Desde março de 2011, a população síria sai às ruas em protestos a favor da democracia no país, que há mais de quatro décadas vive em uma ditadura militar.

O levante popular, que exige a saída do ditador Bashar al-Assad do poder, começou no sul do país, mas logo alcançou todo o território. Em junho, mais de 100 mil pessoas manifestavam em cerca de 150 cidades e vilarejos, sempre às sextas-feiras, após as orações. O movimento avançou apesar das respostas, sempre violentas, do ditador.

As manifestações na Síria fazem parte da Primavera Árabe, tema que pode cair nas provas de vestibular

A crise na Síria começou a se encaminhar para um confronto militar, com a criação do Exército Livre da Síria (ELS), uma organização rebelde que ganhou adesão de muitos soldados desertores e da adesão voluntária de manifestantes. De lá para cá, os confrontos entre os opositores do governo e os militares se intensificou. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), pelo menos 7,5 mil pessoas morreram neste um ano de conflito.

Além das mortes, a repressão do regime de al-Assad levou ao isolamento da Síria, que hoje vive sanções econômicas dos Estados Unidos e da União Europeia – o país vende a maior parte do seu petróleo aos europeus.

Na última semana, a Síria mais uma vez ficou em evidência, por conta da visita, no último dia 10, do ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe. O objetivo de Annan era tentar iniciar um diálogo entre o regime e a oposição, evitando uma possível futura intervenção militar estrangeira no país.

Antes mesmo de chegar ao local, a proposta de Annan foi rejeitada pelos opositores de al-Assad, que alegaram que o diálogo é “sem sentido”, uma vez que as tropas do governo continuam massacrando a população. Do outro lado, durante a reunião do enviado da ONU com o ditador, al-Assad disse que qualquer diálogo ou processo político não poderá ter sucesso enquanto houver grupos terroristas armados trabalhando para espalhar o caos e desestabilizar o país, uma referência direta aos opositores do governo, principalmente o ELS.

Mas afinal de contas, a crise da Síria pode cair no vestibular?
Para o supervisor de geografia e professor de geopolítica do cursinho Anglo, Augusto Silva, sim. “O primeiro fato que o estudante deve prestar atenção é que a crise na Síria faz parte de uma questão social bem maior, que é a Primavera Árabe”, diz o professor.

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A Primavera Árabe é o nome dado à onda de protestos e revoluções contra governos do mundo árabe, Oriente Médio e norte da África, que eclodiu em janeiro de 2011, pedindo democracia. A onde de manifestações já foi destaque nos vestibulares, aparecendo nas provas do Enem 2011, da Fuvest 2012 e da Unesp 2012.

Além de atentar para os conflitos em toda a região, o estudante precisa saber localizar os países que estão envolvidos nele: Barein, Iêmen, Tunísia, Líbia, Egito e Síria. “Pode parecer simples, mas a maioria dos estudantes não sabe onde estão esses países,” comenta.

Fonte: GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2012

Outro ponto importante para ser estudado, é sobre a geopolítica da Síria. “O país tem uma proximidade política com o Irã, que está sendo investigado por ter armas nucleares e ter diversos problemas internacionais. Além disso, a Síria tem grandes distúrbios históricos com Israel. Dependendo do resultado dessa crise, se o ditador (que é próximo ao Irã) sair ou não, saberemos como ficará a posição política da Síria no Oriente Médio”, explica Augusto.

Segundo o professor, é justamente por conta das relações políticas da Síria que a comunidade internacional teme por uma intervenção militar internacional na região. “Muitos países repudiam o que acontece no país, existem manifestações internacionais, mas não há intervenção direta, militar mesmo, como aconteceu em outros países da primavera”, enfatiza.

Conhecer o regime político na Síria também é fundamental. “É importante o estudante saber sobre a política na Síria, um país que vive há muito tempo em uma ditadura com histórico de repressão contra a população”, diz o professor.

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