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O julgamento do atirador norueguês e a xenofobia: como isso pode aparecer no vestibular

Ana Prado | 27/04/2012

*Atualizado em 6/9/12


Homenagem a vítimas do atirador norueguês Anders Breivik

O julgamento de Anders Behring Breivik, radical norueguês de ultradireita que admitiu ter assassinado 77 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya em julho de 2011, começou em abril de 2012 e terminou no fim de agosto. O atirador, que se declarou um “militante nacionalista” tentando “defender” seu povo, sua cultura e seu país do multiculturalismo, foi condenado à pena máxima da Noruega: 21 anos de prisão. Durante os primeiros 10 anos, ele não poderá solicitar a liberdade condicional. Cumpridos os 21 anos, a justiça ainda pode prolongar a pena indefinidamente caso o considere um perigo para a sociedade.

Breivik explicou que os atentados visavam mudar a política de imigração do governo do Partido Trabalhista e evitar “uma guerra civil no futuro”. O caso é extremo, mas ilustra uma questão importante e com boas chances de cair no vestibular: a xenofobia em países desenvolvidos.

As raízes da xenofobia

Segundo Paulo Cesar Neves, professor de Geografia do Cursinho do XI, a xenofobia ou aversão ao estrangeiro é resultado de um processo iniciado há décadas. “Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma melhora das condições de vida em países europeus e nos Estados Unidos. O crescimento econômico capitalista, casado com a queda da taxa de natalidade e a diminuição da população, trouxe a necessidade de um incentivo do governo à migração de trabalhadores de outros países”, explica.


Pessoas protestam em frente a agência de imigração na Alemanha contra o endurecimento das políticas de migração na Europa. Foto: Carsten Koall/Getty Images

Esses imigrantes, vindos principalmente dos países pobres da Europa oriental, Oriente Médio e do norte da África, chegaram para ocupar posições de baixa qualificação, especialmente em fábricas, e trabalhavam sob condições muitas vezes insalubres. Sua vinda era incentivada pelo governo e sua presença era tolerada mesmo quando chegavam de forma ilegal.

Mas isso mudou com a crise econômica global que explodiu em 2008 e provocou grande instabilidade nos mercados, piora das condições de vida da população e muito desemprego, especialmente nos Estados Unidos e Europa.

Os governos dos países desenvolvidos reagiram com cortes nos gastos públicos e passaram não só a tentar impedir a entrada de novos imigrantes, mas também a se livrar dos que já estavam lá. Com isso, a população nativa dos países receptores começou também a culpar a presença de estrangeiros que usufruem dos benefícios de saúde, educação e lazer (o “Welfare State” ou “Estado de Bem-Estar Social”) que os países haviam conquistado nos anos 50.

Com a escassez de empregos, a mão-de-obra barata estrangeira deixou de ser solução para o crescimento da produção capitalista para virar praga e eles passaram a ser acusados de “roubar” trabalho da população nativa.

“Os governantes, por sua vez, se aproveitam disso – é muito fácil culpar imigrantes, principalmente quando se usa também o argumento do terrorismo”, explica o professor Paulo. Agora, a União Europeia quer não apenas conter a entrada de ilegais, mas também se livrar dos milhões de imigrantes que ainda circulam no continente. Tudo isso promove o preconceito e o estigma dos estrangeiros e dos seus filhos, levando à xenofobia e alimentando movimentos nacionalistas de extrema direita.

O que é preciso saber

Segundo o professor, é preciso que o aluno entenda a xenofobia no contexto da crise econômica, relacionando isso com a lógica de produção capitalista. “O modelo capitalista baseado no rebaixamento dos salários e nas novas tecnologias para aumentar a produção e os lucros e diminuir os custos tem tido problemas para se sustentar”, explica o professor Paulo.

Um dos mais graves sintomas da crise do capitalismo é o desemprego, que tem atingido principalmente a camada mais jovem da população: o mercado não tem conseguido absorver quem está se formando agora e, sem experiência profissional, eles sofrem ainda mais para conseguir um trabalho. Isso tem contribuído para revoltas como as que ocorreram na França em 2005 ou em Londres, no ano passado.

É interessante notar, também, que as consequências da crise não afetam apenas os países desenvolvidos. “Preconceitos contra migrantes também podem ser vistos em relação aos bolivianos que vivem no Brasil, por exemplo. Ou aos nordestinos que vêm trabalhar na região Sudeste”, aponta o professor.

A edição GUIA DO ESTUDANTE ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2012 traz um dossiê bem completo sobre a crise econômica na Europa e já está nas bancas e no site da Loja Abril. Fica a dica!

 

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Entenda como a reintegração de posse de Pinheirinho pode cair no vestibular

Mariana Nadai | 30/01/2012

No último domingo (22), a Polícia Militar de São Paulo entrou no Pinheirinho, bairro de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, para cumprir o mandado de reintegração de posse da área, que pertence à massa falida da empresa Selecta, do grupo do empresário Naji Nahas. Ocupado desde 2004, o terreno abrigava cerca de 6000 pessoas.

A ação, que se estendeu até quarta-feira (25), surpreendeu a todos. De moradores, que ainda dormiam quando a PM começou a retirá-los à força de suas casas, ao governo federal. Em uma tentativa de fazer uma ação de despejo pacífica, a Justiça Federal já havia pedido a cassação do mandado de reintegração de posse, que foi concedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região na sexta-feira (20).

Foto Repórter Daniel Mello/ABr

Mesmo com a suspensão do TRF, a Justiça Estadual ignorou a liminar e deu um mandado de despejo para a Polícia Militar, que cumpriu a ordem. Apenas na noite de domingo o Superior Tribunal de Justiça emitiu uma decisão liminar que dava a competência sobre a permissão de reintegração de posse para a Justiça Estadual.

Durante os três dias da ação, informações oficiais dão conta de que ao menos uma pessoa ficou ferida com gravidade e pelo menos 30 pessoas foram detidas. Todos os moradores desalojados foram identificados com uma pulseira e encaminhados para abrigos na cidade, como quadras e igrejas.

Após o fim da desocupação, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou que o Estado proverá um aluguel social de até R$ 500 às famílias. Segundo o governador, o valor será repassado à prefeitura, e os beneficiados receberão o auxílio até que fiquem prontas suas unidades habitacionais em programas de governo.

O caso de Pinheirinho e o vestibular

Mas afinal, o que reintegração de posse do Pinheirinho tem a ver com você, vestibulando? Segundo o professor de atualidades e história, Samuel Loureiro, do Cursinho do XI, de São Paulo, há duas questões importantes que envolvem a ação da polícia em Pinheirinho que os vestibulandos devem ficar de olho.

A primeira envolve os movimentos sociais. A reintegração de posse de Pinheirinho está atrelada, entre outros movimentos sociais, ao Movimento do Trabalhador Sem-Teto. “Quando um vestibular cobra uma questão social, ele a trata de uma forma mais ampla. O estudante pode ficar atento à formação dos movimentos sociais, que no Brasil foi entre 1970 e 1980, especialmente após a ditadura militar”, explica o professor. Segundo Loureiro, todos esses movimentos acabam se articulando, pois “são a representação de uma sociedade civil organizada”, diz.

- Leia o resumo sobre movimentos sociais no Brasil

A segunda grande questão que envolve diretamente a reintegração de posse é o processo de urbanização do Brasil. “Nas últimas décadas, ficou mais vantajoso morar e trabalhar nas cidades, o que gerou um grande problema de habitação. Para se ter uma ideia, até 2020 cerca de 95% da população brasileira será urbana, mas onde esse povo todo vai morar? As cidades não têm estruturas e as pessoas acabam ocupando as áreas livres que encontram”, comenta Samuel Loureiro.

- Confira o resumo sobre a Urbanização no Brasil

A questão da urbanização é bem evidente em São José dos Campos. A cidade vem crescendo nos últimos anos e se firmando como polo de tecnologia da região do Vale do Paraíba, no trecho Rio-São Paulo. “A cidade é hoje uma megalópole e se tornou um grande atrativo para os migrantes”, diz.

Além dos temas citados, o professor pede atenção dos candidatos para outros três temas. “O estudante pode ficar ligado também ao processo do crescimento econômico do Brasil, com foco especial para a economia do Vale do Paraíba; à questão da migração no país e a distribuição de terra, da colônia aos tempos de hoje”, comenta.

Para saber mais

- Simulado sobre a questão agrária no Brasil

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