Como a polêmica da usina de Belo Monte pode cair no vestibular
Ana Prado | 11/04/2012
*Atualizado em 6/9/12
A usina de Belo Monte, que está sendo construída na Bacia do Rio Xingu, no Pará, gera polêmica há algum tempo por causa da questão ambiental. No fim de 2009, especialistas questionaram o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) feito pelo governo e a viabilidade do empreendimento.

O índio Olavo Wapichana, de Roraima, durante protesto contra a construção da Usina de Belo Monte (Antônio Cruz/ABr)
Movimentos sociais, indígenas e ambientais, do Brasil e do exterior, também chamaram a atenção para os impactos que a instalação da usina teria na região. Quando o Ministério do Meio Ambiente concedeu a licença ambiental prévia para sua construção, em 2010, os debates ficaram ainda mais intensos. Para os movimentos sociais e as lideranças indígenas da região, os impactos socioambientais foram ignorados pelo governo.
Este ano, no final de março, a usina ganhou mais destaque após um acidente de trabalho matar um homem que trabalhava na sua construção. Isso fortaleceu as reinvindicações de outros trabalhadores por melhores condições e maiores salários, resultando em greves que afetaram os principais canteiros de obras.
A hidrelétrica é considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal , e será a terceira maior do mundo quando estiver concluída – o que deve ocorrer em 2019. Ela ficará atrás apenas da Usina de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/Paraguai).
As usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, em construção no Rio Madeira (em Rondônia), também foram alvo de polêmicas. Além dos impactos sociais e ambientais, seus operários enfrentam péssimas condições de trabalho e têm feito greves reivindicando redução de horas e melhores condições. Ambas também fazem parte do PAC e devem ficar prontas em 2013.
Paralisação das obras
No fim de agosto deste ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou que a empresa Norte Energia, responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, suspendesse a execução das obras por descumprimento à determinação constitucional que obriga a realização de audiências públicas com as comunidades afetadas. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a retomada das obras da hidrelétrica de Belo Monte poucos dias depois.
No começo de setembro, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, disse que “os problemas que vêm ocorrendo nas obras dessas usinas, em sua maioria, já estavam previstos e não vão comprometer o cronograma de entrada em operação dessas unidades”.
(Dica: acompanhe as últimas notícias sobre Belo Monte no site Exame.com)
Por que isso é importante para o vestibular?
Segundo o professor de Geopolítica do Cursinho da Poli Fabio Kazama, se a questão ambiental já estava em alta nos anos anteriores, quem vai prestar vestibular agora precisa estar ainda mais inteirado do tema. E isso se deve a três fatores, além da já referida polêmica que fez o tema ganhar destaque nos noticiários:
1. Em 2012 acaba a vigência do Protocolo de Kyoto, tratado internacional assinado em 1997 no Japão para a redução dos gases de efeito estufa. Em dezembro de 2011, os países reunidos na 17ª Conferência das Partes realizada em Durban, África do Sul, estabeleceram novas metas até 2015, mas não se chegou a um acordo real. Um substituto deve ser definido ainda este ano, durante a conferência Rio+20 (ou Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), a ser realizada em junho no Rio de Janeiro.
2. A questão da divisão territorial do Pará, com o plebiscito que ocorreu em 2011, também pode colocar o tema do meio ambiente em pauta. A usina de Belo Monte deve ficar no território que pertenceria ao Estado de Tapajós e seria uma importante fonte de renda para ele.
3. O geógrafo Aziz Nacib Ab’Saber, um dos maiores especialistas brasileiros em geografia física que faleceu em março deste ano, era conhecido por ser contra a construção da usina de Belo Monte e defini-la como “um grande desastre ambiental”.
“Este ano, assim como no ano passado, a tendência é que questões ambientais caiam fortemente na maior parte dos vestibulares, especialmente nos mais tradicionais, como USP, Unesp, Unicamp – e também no Enem”, disse o professor Fabio.
O que mais é preciso saber sobre o tema?
É importante que o estudante tenha conhecimento dos biomas brasileiros, especialmente da Floresta Amazônica (área atingida pela construção), e esteja por dentro dos impactos que a usina poderá ter ali – tanto os ambientais quanto os sociais e econômicos.
- Impactos ambientais
As críticas em relação ao projeto apontam para o fato de que ele provavelmente significará que a maior floresta tropical do planeta (a Amazônia) teria uma significativa perda da cobertura vegetal e muitas espécies de peixes deixariam de existir. Eles teriam dificuldade de subir o Rio Xingu para se reproduzir e acabariam morrendo. “A ideia do governo é construir uma ’escada‘ para permitir a subida e tentar diminuir o impacto. Mas, mesmo assim, nem todos os peixes fariam o mesmo caminho e conseguiriam chegar lá”, explicou o professor Fabio.

Manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) protestam em frente ao Ministério de Minas e Energia, na Esplanada dos Ministérios (Antônio Cruz/ABr)
- Baixa eficiência energética
A construção da usina visa suprir o aumento da demanda de energia elétrica no Brasil, que hoje é a sexta potência mundial. Porém, os críticos do projeto apontam que ela terá uma baixa eficiência energética no período de estiagem. Nessa época, que dura de quatro a cinco meses, a hidrelétrica produziria apenas 40% de sua capacidade total.
- Impactos sociais
A construção da usina vai exigir que tribos indígenas localizadas próximo à cidade de Altamira, no Pará, sejam removidas para uma nova cidade a ser estabelecida em uma região próxima. Mas, além dos problemas sociais que isso pode acarretar, essa medida ignora questões culturais. Por exemplo, os índios se recusam a deixar para trás os mortos que enterraram no solo de sua tribo, fator importante em sua cultura e religião.
- Questões políticas
A construção das usinas do PAC favorece o governo ao usar uma fonte renovável para suprir energia ao país por um custo menor e evitar apagões como o que ocorreram no passado. “O Brasil precisa investir em infraestrutura energética pra não ter um colapso. Além disso, essa seria uma forma de o governo gerar milhares de empregos na região, o que é uma importante bandeira política”, explicou o professor Fabio. “O problema é avaliar a que custo isso poderá ser feito”, completa.
LEIA MAIS
- Problemas Ambientais – resumo, dicas e questões de vestibular
- Resumo de geografia: Fontes energéticas e suas relações econômicas
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Simuladinho – Aquecimento Global
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Comentários: 14 pessoas comentaram
Categoria: Atualidades, Brasil, Energia, Movimentos Sociais
Tags: Belo Monte, energia, hidrelétrica, protesto, usina



Natália Silva
Muito obrigado me ajudou muito a entender,e tenho certeza de q ira me ajudar no vestibular,beijos.
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Vedson
Muito interessante este texto, que toca muito sobre a questão a Usina de Belo Monte, muito bem abordado, mostrando os impactos sociais, ambientais, e políticos. Texto bem interessante, e sem dúvida irei anotar e pesquisar para estudar para o Enem desse ano.
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Mariana Prado Ribeiro
Como pode? Desmatar ainda mais a amazonia? E o genocideo dos indios? Ninguém mais toma decisoes? sobre o nossas florestas e culturas?!
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Bianca
muito bom, adorei essa informação. e esse site principalmente.
Lamentável o governo fazer isso, no meu conceito só seria prejudicial. Poderia mudar com um apoio social bem grande mesmo, acontece que no Brasil as pessoas não ligam…
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Bianca
muito bom, adorei essa informação. e esse site principalmente. Lamentável
o governo fazer isso, no meu conceito só seria prejudicial. Poderia mudar com um apoio social bem grande, acontece que no Brasil, as pessoas não ligam…
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Lays
A questão da Usina de Belo mostra cada vez mais como o governo brasileiro possuí ideias e leis conflitantes em relação ao progresso sustentável. E também, que as questões socioeconômicas de uma minoria são ainda ignoradas!
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rafael
ótimo texto,vai servir muito na hora de estudar.
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Davi
Essa ordem de prioridades (1.Economia, 2. O Social, 3.Meio Ambiente), precisa mudar urgentemente.A economia no pais não é mais um problema tão grave como ja há um tempo atrás,enquanto a prioridade for $$$ esse tipo de coisa com os indios continuara acontecendo.
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Rhayanne C.
É um debate delicado, no ponto em que chegamos não dá mais para passar por cima de questões sociais e ambientais assim
Eu prezo muito isso.
A questão cultural é importantíssima.
Curti o informativo, muito esclarecedor e direto.
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Bianca S.
A construção da usina hidrelétrica visa gerar empregos e aumentar a produção de energia no país, mas as consequências dessas ações se contrapõe a seus possíveis benefícios. Os impactos socioculturais e ambientais serão superiores aos “lucros”. Pensem nisso!
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walisson
O que os políticos tem na mente? quem sabe lá qual é o real objetivo deles ao iniciarem projetos como estes se é o real desenvolvimento ou se há alguma intenção de se autobenefício.
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Darcília Lopes Queiroz Esteves
Texto perfeito para estudar para o ENEM !
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Nayane
Muito bom o texto, me ajudou a entender com clareza . Mas tem algo que me incomoda, o fato de quererem construir essa usina ,será que essas pessoas não estão pensando nos impactos que isso vai causar. Quer construir, tudo bem ,construa. Mas pense no que vai causar,as vezes é vergonhoso ver as decisões que o nosso governo toma, passam por cima de tudo sem pensar nos impactos, sem pensar na natureza e nas tribos.Pense nisso.
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Flávia
Essa visão de senso comum imposta pela midia manipuladora e massante. Por que não vemos movimentos que lutam pelos indios da região central do Brasil? Porque não existem interesses econômicos na região. A não construção da usina gera a descentralização e falta de controle do Brasil na região Xingu. Onde tem a constante presença de ongs estrangeiras dominando a cultura e o território. Isso a midia não mostra. Por favor, não repitam o que a maioria esta dizendo, procurem se informar antes de gerarem um opinião. Parte importante do Brasil vai se perder para domínio estrangeiro, por interesse econômico dos que dominam a mídia manipuladora! abram os olhos e a mente antes das bocas
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