Guia do Estudante

Posts de julho 2011

Entenda os movimentos literários e artísticos com “Meia-Noite em Paris”

Guilherme Dearo | 26/07/2011

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No final do século 19 e começo do século 20, não houve cidade no mundo que reuniu mais artistas e intelectuais do que Paris, na França. Um simples passeio por bares, salões e cafés era suficiente para esbarrar com grandes nomes das artes. Nas ruas se respirava cultura e modernidade.

Com “Meia-Noite em Paris”, mais recente filme do diretor americano Woody Allen, dá para viajar um pouco no tempo e conhecer essas grandes personalidades históricas que viveram por lá.

O protagonista é Gil, um roteirista de cinema desiludido com o trabalho que visita a cidade com sua noiva. Apesar de estar no século 21, Gil sonha em viver nos anos 1920, época em que esses grandes artistas circulavam pelos cafés da cidade.

Eis que, passeando pela cidade, ao relógio anunciar meia-noite, o rapaz misteriosamente realiza este sonho. Nesse “delírio”, encontra escritores, poetas e pintores e conhece uma Paris que via a popularização do cinema e o surgimento do automóvel, do telefone, do avião e da fotografia.

O GUIA listou alguns movimentos literários e artísticos que fervilhavam pela Paris daqueles anos e seus personagens mais marcantes que ganham vida no filme. Confira:

Literatura modernista

Gil encontra-se com grandes nomes da literatura modernista norte-americana, marcada por mais liberdade de estilo e que já retratava o homem diante das novas condições impostas por um mundo mais urbano, industrializado e “acelerado”.

Um deles é o poeta e dramaturgo T.S. Eliot, considerado o maior poeta de língua inglesa do século XX. Outro personagem é o norte-americano Ernest Hemingway, que antes de se mudar para Cuba, onde viveria até morrer, passou alguns anos em Paris. Ambos ganharam o Prêmio Nobel da Literatura.

F. Scott Fitzgerald, sempre acompanhado de sua mulher, Zelda, é outro grande escritor dos EUA a dar as caras.

Ernest Hemingway

Impressionismo

Quando Gil conhece a Paris do final do século 19, no período conhecido como “belle époque”, ele se depara com grandes nomes do impressionismo, vanguarda artística que renegou os preceitos clássicos do realismo e da academia de belas-artes francesa.

Preocupados com o movimento da cena e com a relação luz-cor, os impressionistas retratavam o cotidiano da vida urbana, coisa impensável na arte clássica. No filme aparecem Edgar Degas, grande pintor e escultor impressionista, famoso por retratar bailarinas. Gil também conhece pintores considerados “pós-impressionistas”, como Paul Gauguin e Henri de Toulouse-Lautrec.

Degas: "Three Dancers in Yellow Skirts"

Cubismo

Outra vanguarda foi o cubismo, que buscava a representação com ângulos e dimensões múltiplos, o predomínio da linha reta e o desenho tridimensional em um ambiente bidimensional. O grande nome do movimento foi o pintor espanhol Pablo Picasso.

Picasso marcou o mundo das artes com “Les Deimoselles D’Avigon”, quadro que mostra cinco prostitutas nuas sob traços cubistas, e com “Guernica”, imenso mural retratando o terror da Guerra Civil Espanhola. Picasso chegou jovem à França e logo conheceu diversos outros pintores, como Henri Matisse, que também aparece no filme.

Picasso: "Guernica"

Picasso: "Guernica"

Surrealismo

O movimento explora o inconsciente e tem grande influência dos estudos de Sigmund Freud sobre a mente humana.

No filme, Gil se encontra com o pintor catalão e principal nome do surrealismo, Salvador Dalí. Você já deve ter visto um de seus quadros. O mais famoso é “A Persistência da Memória”, que mostra relógios derretendo e escorrendo pelo cenário.

Outro surrealista é o cineasta Luis Buñuel, amigo de Dalí e que colocaria as teorias da vanguarda em filmes como “Um Cão Andaluz” e “A Idade do Ouro”. Outro que não poderia faltar no time dos surrealistas é o fotógrafo americano Man Ray.

Salvador Dalí

Salvador Dalí

Curiosidade: a seguir, um registro da Paris dos anos 1920. Dá para ver como era, de verdade, as ruas nas quais passeavam artistas e escritores.

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Cinco músicas para estudar preposições e crase

Guilherme Dearo | 20/07/2011

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Pense em seu livro predileto. A história pode ser marcante, mas você conseguiria se lembrar de frases e parágrafos inteiros dele? Não, né…

Agora pense na sua música predileta. Você não só consegue “cantarolar” a música de cabeça, porque se lembra de seu ritmo e melodia, como consegue cantar toda a letra, não é mesmo?

Pois é, melodias ficam gravadas com muito mais facilidade em nossa mente. Por isso que muita gente gosta de usar a música para estudar.

Pesquisando por aí encontramos vídeos de alunos e professores para estudar preposições e o uso da crase. Você se lembra de alguma “fórmula secreta” para ajudar no português?

Confira nossa lista:

Preposições no ritmo de “Terezinha de Jesus”.

A, ante, até, após,

com, contra, de, desde,

Em, entre, para, per, perante

Por, sem, sob, sobre, trás.

Os alunos da preposição

“Rock educativo” da preposição

Alunos de Recife ensinam uso da crase

Uso da crase no ritmo de Jingle Bells

“Se vou ‘a’, volto ‘da’, crase haverá,
Se vou ‘a’, volto ‘de’, crase para quê?”

Mas é bom lembrar que as músicas não substituem os livros e ninguém espera que você aprenda tudo só ouvindo ou decorando a música.

Primeiro é preciso entender o conteúdo com os bons e velhos livros. Depois, para ajudar na memorização e fixação, as músicas podem ser uma boa pedida. Principalmente na hora da prova, se der um branco…

Mas e aí, na sua escola o professor ensinou alguma música nas aulas de português? E você acha que elas realmente ajudam? Comenta aí embaixo!

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Sete programas legais para assistir nessas férias

Guilherme Dearo | 14/07/2011

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As férias de julho já estão na metade e você não está viajando? Até já se cansou de ficar em casa vendo tevê e jogando videogame?

Então aí vão algumas dicas de como ficar jogado no sofá ao mesmo tempo em que se aprende alguma coisa… Sim, dá para se divertir com coisas inteligentes e que até ajudam no vestibular.

Confira abaixo sete sugestões de bons programas para ver na tevê e manter a mente afiada mesmo durante as férias.

Tevê aberta

TV Cultura

Entrelinhas
Quando: domingo, 21h30
O programa tira aquela ideia de que a literatura é algo difícil ou distante do cotidiano. Ele incentiva a leitura e divulga a literatura trazendo entrevistas com escritores, reportagens sobre as tendências do mundo literário e dos clássicos brasileiros e estrangeiros, enquetes com leitores, além de notícias sobre os últimos lançamentos.



Escola 2.0
Quando: quinta-feira às 17h30 e sábado às 15h
A série mostra o cotidiano dos jovens Cadu, Mano e Bia em seu colégio. Ao mesmo tempo em que é seriado com histórias de ficção, traz dicas de estudo e questões reais do cotidiano. Os atores, por exemplo, interagem na vida real com os espectadores, postando dicas bacanas e notícias de educação em sites e blogs que podem ser acessados de verdade. Questões como política, economia, comportamento, ecologia, cinema, artes plásticas, literatura e história estão sempre presentes no programa.

TV Globo

Profissão Repórter
Quando: terça-feira às 23h45
Bem dinâmico, o programa jornalístico investiga a fundo um tema por semana. Ao mesmo tempo em que você se informa sobre um fato relevante do momento (já houve programas, por exemplo, sobre a situação das prisões no país, a relação dos jovens com as bebidas alcoólicas e as histórias de vítimas de violência sexual), você acompanha os desafios cotidianos da equipe para fazer as reportagens e seus bastidores.

Tevê por assinatura

Globo News

Arquivo N
Quando: quarta-feira às 23h, quinta-feira às 11h30 e 17h30, sábado às 16h05
Em formato de documentário, o programa apresenta reportagens de reconstrução histórica, que vão da seleção de imagens de arquivos a depoimentos que ajudam a compor panoramas sobre os assuntos em debate. As matérias tratam desde biografias de personagens marcantes da história até períodos e acontecimentos importantes da história nacional e internacional.

Dossiê Globo News
Quando: horário e dia variável de acordo com o mês.
O programa traz sempre um tema atual ou histórico para ser debatido mais a fundo, geralmente com entrevistas exclusivas que trazem informações e visões inéditas sobre o fato. Muito bom para estudar história, geografia e atualidades. Já foram abordados, por exemplo, Che Guevara, homens-bomba, nazismo, ditadura militar no Brasil, entre outros.

National Geographic

Verdade ou Mito?
Quando: segunda-feira às 20h
Sempre há alguns temas envoltos em mistérios e crenças, deixando um pouco de lado a razão e o bom senso. Fantasmas? Discos voadores? Triângulo das Bermudas? Pois este programa traz reportagens sempre curiosas para derrubar mitos da história e da ciência.

Mistérios da Ciência
Quando: sexta-feira às 12h e 20h
A séria investiga a fundo as questões mais intrigantes e misteriosas do mundo da ciência. Você ficará por dentro das teorias e tecnologias mais atuais e das dúvidas que ainda afligem até mesmo os grandes cientistas. Drogas, universos paralelos e Bíblia já foram alguns dos temas tratados no programa.

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Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira

Guilherme Dearo | 12/07/2011

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Joe Sacco não é um jornalista tradicional. Enquanto seus colegas da faculdade de Jornalismo escolheram texto, fotografia ou vídeo para contar suas histórias, ele uniu a paixão pela profissão e pelo desenho e criou sua própria maneira de informar: o jornalismo em quadrinhos.

Nascido em Malta e vivendo nos EUA desde a adolescência, Sacco começou desenhando quadrinhos satíricos. Mas logo percebeu que aquela linguagem também era adequada para contar histórias de conflitos que o deixavam pensativo e preocupado, como o que acontecia entre palestinos e israelenses no Oriente Médio.

O começo não foi fácil. Não eram todos os editores que viam seriedade em grandes reportagens na linguagem das HQs. Mas logo as barreiras do preconceito foram quebradas e suas coberturas de grandes conflitos se tornaram mundialmente famosas.

- Quatro reportagens em quadrinhos de Joe Sacco para você ler

Sacco defende que a linguagem dos quadrinhos permite ao leitor entender todo o contexto dos acontecimentos. É como mergulhar naquela realidade, ver o rosto das pessoas e andar pelas ruas. Aliás, pessoas é o foco do jornalista, que investiga para dar voz àqueles afetados pela guerra.

Joe Sacco veio ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) 2011, no Rio de Janeiro, no último sábado (9). Em São Paulo, conversou com o GUIA DO ESTUDANTE sobre seu trabalho e carreira e as vantagens de se fazer jornalismo em HQs.

Crédito: Bárbara Vidal

GUIA DO ESTUDANTE – Por que você escolheu Jornalismo? Como foi essa escolha?

JOE SACCO – Foi no colégio que aprendi a amar Jornalismo. Lembro-me de trabalhar no jornal dos estudantes e, de repente, estava entrevistando alunos estrangeiros que vinham da Austrália, de Israel. Deu-me a noção de que, sendo jornalista, eu poderia conversar com qualquer um, conhecer muitas pessoas. Isso me fascinou.

Também gostava do fato de trabalhar sob pressão, gosto do sentimento de “ok, preciso entrevistar essa pessoa, escrever um artigo e entregar tudo no final do dia”. Há um suspense. E eu amo isso! Assim, naquele instante, meu futuro profissional ficou claro.

GE – E como o jornalismo começou a se envolver com sua paixão pelo desenho?

JOE – Fui para a universidade, me formei em Jornalismo e tive dificuldade para encontrar um emprego. Quando finalmente encontrei alguns, não eram interessantes. Então meu futuro já não estava mais tão claro. Penso que no Jornalismo você precisa se expressar, ter sua voz, e não era a realidade de muitas pessoas em seus empregos.

Nessa fase de não encontrar um emprego na área, comecei a fazer quadrinhos satíricos. Não ganhava muito dinheiro, só pagava minhas contas. Desenhar era uma paixão antiga, só nunca tinha imaginado que fosse viver de histórias em quadrinhos. Não sabia que isso era possível.

Mudei para Berlim no final dos anos 1980 e lá fazia desenhos para pôsteres de shows, capas de álbuns de bandas, como Mudhoney, Soundgarden, Yo La Tengo. Na época não eram conhecidas como hoje.

Ao mesmo tempo tinha muito interesse pelas questões do Oriente Médio. Queria desenvolver um projeto que unisse esse interesse e minha paixão pelos quadrinhos. Tinha estudado jornalismo para entrevistar e conhecer pessoas e não queria desistir disso, então não demorei em planejar minhas viagens e começar este projeto.

GE – Como é o processo de apuração em campo, tanto das histórias quanto das referências que darão base para os desenhos?

JOE – Eu ajo como qualquer outro jornalista: tomo notas, falo com as pessoas, faço entrevistas. A diferença é que, quando entrevisto as pessoas e quero apurar algo que já aconteceu, não pergunto “o que aconteceu com você?”,  faço perguntas que envolvam o visual, que me ajudem a desenhar depois. Se falam de um campo, pergunto o que há nesse campo, como era, do que se lembram.

Também tiro muitas fotografias como referência. Algumas vezes não dá para tirar fotos, em uma área militar ou perigosa, por exemplo. Então eu desenho rapidamente ali mesmo. Faço também pesquisa em livros. E agora uso a internet, claro. Você usa o Google e acha imagens facilmente. Se quero saber como é determinado veículo militar, por exemplo, digito o nome do veículo e logo tenho minhas referências.

Tudo tem que ser muito visual. Vou atrás de antigas fotos para reconstruir antigos cenários, passeio por lugares históricos. Depois, em casa, com calma, faço o script e só depois começo a desenhar. Esse processo leva anos, faço com calma.

GE – E como fica a questão da interpretação na reportagem em quadrinhos? Porque se no texto já há subjetividade, quando se desenha há uma carga ainda maior dela…

JOE – Desenho não pode ser nada além de interpretação. Pode ser uma interpretação com informação, mas o leitor só pode conhecer aquela história através dos olhos de quem desenha. Até fotografia é interpretação: você escolhe o que vai registrar ou não, faz um recorte, escolhe ângulo, tema. Mas desenho é ainda mais interpretação porque você está deliberadamente montando tudo da maneira que você quer. A linguagem dos quadrinhos não é literal, é interpretativa.

GE – Você não quer tratar dos conflitos de uma maneira distante, certo? Você quer colocar pessoas comuns nas histórias, mostrar que há seres humanos no meio do conflito…

JOE – Sim, os grandes acontecimentos sempre afetam as pessoas, sempre há seres humanos por trás dos fatos. Mostrar isso é muito importante. Você precisa ver o conflito e entender o que aquilo significa para as pessoas. Quando você lê um nome, por exemplo, é somente um nome. Você lê uma citação, pensa “ok”. Mas se você vê uma face, é diferente. Você se lembra dos seres humanos, tem um impacto diferente. Somos criaturas visuais. Basta ver como as revistas atuais, como os sites atuais são construídos: sempre de uma maneira visualmente atraente, é a grande preocupação.

GE – Os Estados Unidos tem uma posição clara sobre o conflito palestino, por exemplo, o governo escolheu o lado dos israelenses. Então você chega trazendo a visão dos palestinos, os que têm menos voz na grande mídia. Isso criou alguma dificuldade para seu trabalho, reações negativas vindas de seu próprio país?

JOE – Houve dificuldades, mas ao longo do tempo as pessoas ficaram mais abertas a essa nova visão. Nos EUA você pode fazer um livro sobre o que você quiser, qualquer coisa. Mas a grande imprensa pode ignorá-lo. Quando meu livro saiu, alguns veículos publicaram resenhas, até o [jornal] The New York Times fez uma resenha.

Contudo, alguns lugares que eu pensava que naturalmente falariam de meu livro, por se encaixar na proposta editorial deles, simplesmente ignoraram, porque traria problemas para eles. Não queriam reclamações de pessoas que diriam que eu estava contra os israelenses, contra o povo judeu. Não são acusações verdadeiras, mas existiam. É como se o meio fosse manipulado pelo público. O povo se mobiliza para impedir que algo com o qual não concordam ganhe espaço.

GE – Você tem ideia de que muitos estudantes usam seus livros para estudar, veem neles uma maneira mais fácil de aprender? No GUIA DO ESTUDANTE mesmo: sempre damos dicas de seus livros para entender a questão palestina, por exemplo.

JOE – Bem, faço meus livros para adultos. Mas sei que podem ser lidos por jovens que estão no colégio, na universidade. Sei que os jovens sabem o que é importante, mas que alguns desses temas podem ser difíceis. E quadrinhos são visuais, é uma maneira mais fácil de abordar um assunto e facilitam o entendimento. Os desenhos proporcionam mais intensidade. Pode ser mais fácil, mas não é superficial. Você lê e percebe que há profundidade.

Mas concordo que há um lado educacional nos quadrinhos. Sempre tento explicar bem as coisas e ajudar a desenvolver o interesse sobre aquele tema. Agora, entre um grande livro tradicional de história e meus livros, recomendo ler os dois, ter uma visão completa daquele tema. Quero que eles leiam outras coisas também.

GE – Você usa os quadrinhos para seu trabalho jornalístico porque obviamente vê vantagens nessa linguagem em comparação ao texto, acredita ser uma maneira poderosa de contar uma história. Qual a grande vantagem?

JOE  – Cada mídia tem suas forças e fraquezas. Claro que eu gosto de texto, leio muitos livros em prosa. O poder dos quadrinhos é que, quando você abre o livro, você imediatamente é transportado para um novo lugar. Pode andar pelas ruas de Gaza. Você vê as pessoas, seus rostos, toda a interação com o cenário. Isso é muito poderoso, cria-se uma atmosfera completa na mente do leitor. //

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Quatro HQs de Joe Sacco para você conhecer

Guilherme Dearo | 11/07/2011

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Imagine poder estudar alguns assuntos importantes e complicados, como o conflito entre israelenses e palestinos, com um livro dinâmico e atraente, que usa uma linguagem contemporânea.

Imagine trocar relatos muitas vezes frios, cheios de números e datas, por relatos humanizados e que contam a história do ponto de vista das pessoas comuns. Para completar, imagine ser transportado para os cenários e imagens daquela época, sentir que se está diante de centenas de fotografias, de um grande filme.

Imaginou? Pois é assim que você estuda quando tem diante de si os livros de Joe Sacco, jornalista que criou o chamado “jornalismo em quadrinhos”.

Sacco, que nasceu em Malta, se formou em jornalismo nos EUA e, mantendo sua paixão pelo desenho, não demorou em cobrir zonas de conflito e contar suas histórias usando a linguagem das HQs, como a região da Bósnia e a região da Palestina.

- Leia a entrevista exclusiva que Joe Sacco deu ao GUIA DO ESTUDANTE

Veja cinco quadrinhos do jornalista que vão fazer você se divertir e ao mesmo tempo entender temas importantes de história, geografia e atualidades:

Notas Sobre Gaza

O mais recente livro de Sacco aborda o massacre de centenas de palestinos ocorrido em 1956, na Faixa de Gaza, pequeno território situado no sudoeste de Israel. Lá se refugiaram centenas de milhares de palestinos que foram expulsos de suas terras quando o estado de Israel foi criado, em 1948.

Sacco viajou à região em 2002 e compara o atual situação com a tragédia de décadas atrás. Ele não relata o conflito de maneira distante, sim ouve civis, pessoas comuns, e traz à tona suas histórias de dor e opressão.

Palestina: uma nação ocupada

Antes de “Notas Sobre Gaza”, Joe Sacco já havia abordado o conflito Israel-Palestina neste livro. Sacco viajou entre 1991 e 1992 ao Oriente Médio e coletou histórias nas ruas, hospitais, escolas e campos de refugiados. Tanto palestinos quanto judeus ganham voz em seus desenhos, não só contando histórias dos conflitos presentes como fazendo um resgate da memória que se ameaça apagar.

Uma história de Saravejo

Sacco viajou à Europa em 2001 para reconstituir fatos e relatar o sangrento conflito étnico ocorrido após o desmembramento da Iugoslávia em diversos outros países, no começo da década de 1990. Na capital da Bósnia, Saravejo, o jornalista encontra o esforço da população para se recuperar da destruição da guerra de anos atrás, que deixou 200 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados entre 1992 e 1995.

Área de segurança: Gorazde

Em sua primeira vez à Bósnia e em Saravejo, Sacco decidiu contar uma história que a imprensa mundial parecia ignorar: na parte oriental do país, onde a ONU criara “áreas de segurança” para impedir que tropas sérvias continuassem a massacrar civis, uma verdadeira limpeza étnica acontecia. A morte de milhares de muçulmanos na Europa parecia ser invisível aos olhos da comunidade internacional. Não para Sacco, que contou a história de Gorazde, uma dessas áreas de segurança onde 2600 pessoas foram mortas.

SAIBA MAIS

- Entenda a questão Israel-Palestina com três filmes e uma história em quadrinhos

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