Guia do Estudante

Filmes da mostra de Alfred Hitchcock são ótima oportunidade de aprender história

Guilherme Dearo | 04/07/2011

Que tal esfriar um pouco a cabeça e dar uma pausa nas leituras, indo ao cinema? Acha que sua mãe vai ficar brava se descobrir que você trocou os estudos por uma saída com os amigos?

Então confira a mostra, em São Paulo, que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Cinesesc estão promovendo do cineasta americano Alfred Hitchcock (1899-1980), o mestre do suspense (você com certeza já viu aquela famosa cena do assassinato no chuveiro, certo?).

Com muitos dos filmes de Hitchcock é possível se divertir e ainda repassar conteúdos de história e geografia. É a desculpa perfeita para relaxar e curtir um cineminha, mas sem se esquecer do vestibular.

Até 24 de julho há programação de quarta a domingo com as obras do diretor inglês. Serão apresentados ao todo 54 longas e 127 episódios de sua séria para televisão, além de três curtas.

É a sua chance de ver clássicos como “Janela Indiscreta”, “Psicose” (o filme com a tal cena do chuveiro) e “Os Pássaros”. Ainda terá cursos, palestras e debates sobre a obra de Hitchcock.

A programação completa está no site da Mostra. Os ingressos custam R$4 (R$2 a meia-entrada).

Veja a seguir algumas sugestões de filmes que você pode ver na mostra:

(E claro: se você não for de São Paulo ou, mesmo morando aqui, não conseguir dar uma passada por lá, ainda dá para alugar os filmes numa locadora, viu! História e geografia caem muito bem com uma pipoquinha!)

Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)

Ótimo para conhecer mais sobre o período da Guerra Fria, que polarizou o mundo em dois grupos, cada um sob a influência das duas grandes potências econômicas, políticas e militares da época: Estados Unidos e União Soviética.

No filme, o publicitário americano Rogher Thornhill é confundido com um espião russo. A partir daí, envolve-se em uma grande fuga e passa a ser perseguido tanto pelo governo dos Estados Unidos quanto por espiões.

É legal pelas ótimas cenas de ação. E você também entende o clima de paranoia dos EUA daquela época: espiões, investigação do governo e o verdadeiro “caça às bruxas” promovido, sendo que as “bruxas”, naquele contexto, eram os “comunistas”.

Topázio (Topaz, 1969)

Mais um suspense cheio de ação para entender a Guerra Fria. Neste, André é contratado para checar boatos de mísseis russos em Cuba e descobrir o espião na Otan de codinome Topázio. Olha aí temas importantes que, volta e meia, caem no vestibular! Primeiro, o filme faz uma referência ao episódio histórico conhecido como “crise dos mísseis”, quando a União Soviética, em represália aos mísseis americanos instalados na Turquia, colocaram os seus próprios mísseis em Cuba, um aliado comunista. É claro que os EUA interpretaram aquilo como uma grande ameaça, já que Cuba fica muito próxima à costa americana.

Topázio também cita a Otan, importante órgão internacional que costuma aparecer nas provas de história e geografia: a Organização do Tratado do Atlântico Norte foi criada como aliança militar em 1949 e tem papel-chave nos conflitos da segunda metade do século 20.

Interlúdio (Notorius, 1946)

Um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, Hitchcock acabou tratando, claro, do nazismo em seu filme. Na história, um agente do governo dos EUA chantageia a filha de um nazista para forçá-la a espionar um agente alemão que mora, vejam só, no Rio de Janeiro! Só a referência ao Brasil já desperta curiosidade suficiente para ver o filme, mas vale para relembrar algumas coisas do nazismo e da participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Além disso, o filme ilustra uma situação comum nos anos seguintes: membros do governo nazista que, após a derrota na guerra, acabaram se escondendo no Brasil e em outros países da América do Sul. E olha que muitos ficaram de boa por aqui por décadas, viu…

Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940)

Mais um filme que se passa na Segunda Guerra Mundial. Na história, um jornalista americano viaja para a Europa às vésperas da guerra para atuar como correspondente de seu jornal. Após testemunhar o assassinato de um diplomata, ele se vê envolvido na trama e logo descobre que a vítima na verdade não está morta. Começa então o conflito de relatar o episódio ao jornal ao mesmo tempo em que se está envolvido nele. Mais uma vez, muitos espiões e tramas secretas de governo… Hitchcock já previa o que viria a partir da década de 1950, não é mesmo?

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