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3 podcasts para você estudar política e atualidades

Amanda Previdelli | 07/03/2012

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Estudar atualidades para o vestibular é cada vez mais importante. A matéria, que já era utilizada nas redações, também vem sendo cobrada nas provas objetivas e discursivas. Mas,  muitas vezes é difícil se manter atualizado nas notícias do Brasil e do mundo. Não é fácil ler jornal no metrô, o  jornal televisivo é na hora dos estudos e os horários fixos da programação de rádio também não tornam a vida mais fácil.

E se você pudesse ouvir as últimas notícias e acompanhar análises de questões políticas direto no seu iPod, a hora que quisesse? Nem todo mundo sabe, mas a loja iTunes tem várias opções de podcasts (programas periódicos em áudio) que você pode baixar gratuitamente e ouvir no iPod, computador ou iPhone.

A maioria desses podcasts é em inglês, mas há alguns brasileiros e também gratuitos. Confira abaixo 3 programas jornalísticos que vão te ajudar a se manter em dia com as notícias:

- CBN – Podcast – Política

link: http://itunes.apple.com/br/podcast/cbn-podcast-politica/id203963267

- Rádio Bandeirantes Notícias – Outras Notícias

link: http://itunes.apple.com/br/podcast/radio-bandeirantes-noticias/id292097526

- Eldorado – Poder e Política

link: http://itunes.apple.com/us/podcast/poder-e-politica/id379542741

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Confira 3 seriados para estudar pro vestibular

Amanda Previdelli | 24/02/2012

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Seriados americanos fazem bastante sucesso entre os jovens por aqui. A maioria deles tem enredos que conta histórias de amor ou amizade. Mas, você já pensou que pode estudar para o vestibular enquanto assiste aos seus seriados favoritos? É isso mesmo, alguns desses programas conseguem colocar história, atualidades, física e até filosofia no meio do seu enredo.

Confira abaixo uma lista com 3 seriados que podem te ajudar nos estudos para o vestibular.

1. Saturday Night Live

O seriado é um dos mais tradicionais dos Estados Unidos e está na sua 37ª temporada. Ele não segue um formato padrão de roteiro. Em vez disso apresenta quadros humorísticos de curta duração. Toda semana, há um convidado especial que apresenta o programa e participa dos quadros ao vivo.

O SNL, como é conhecido, é bastante famoso e respeitado nos EUA. Os atores e comediantes que trabalham nele se tornam conhecidos por imitações de artistas e políticos. Tanto que não é raro haver participações especiais nele: na época das eleições, por exemplo, Barack Obama e John McCain visitaram o set do programa.

O programa faz piada com os mais diversos temas, mas ele também é extremamente politizado e uma boa fonte de notícias sobre atualidades e política internacional.

2. Os Tudors

Os Tudors foi uma série baseada na história de Henrique VIII da Inglaterra. Para quem não tem medo de cenas fortes – o seriado retrata tudo com muita violência e cenas pesadas de sexo – ele é ótimo para aprender mais sobre a história da época.

Desde as primeiras temporadas dá para acompanhar o rei Henrique VIII em seu casamento infeliz com Catarina de Aragão, depois sua paixão por Ana Bolena e o rompimento com a Igreja Católica. O seriado consegue retratar bem o surgimento da Igreja Anglicana na Inglaterra. Apesar de ele não ser 100% fiel a realidade, é possível imaginar melhor a época retratada.

3. Roma

Roma é um drama com apenas duas temporadas que mostra acontecimentos do século um antes de Cristo. Muito bem produzida e com um elenco incrível, é possível acompanhar a transição da Antiga Roma de República para Império.

A série começa logo com o famoso imperador Júlio César e termina a primeira temporada com o seu assassinato e a ascensão do imperador Augusto. Roma foca em dois soldados específicos para contar o contexto histórico. Por isso, o espectador acaba querendo seguir a vida dos dois protagonistas e compreender os seus arredores.

Sugestões extras:

Esses seriados podem até não dar aulas de história ou atualidades, mas quem gosta de filosofia e física vai reconhecer alguns dos conceitos e nomes vistos em aulas. Vale a pena conferir:

The Big Bang Theory

O seriado já é bem famoso no Brasil por retratar a vida de quatro amigos nerds e sua vizinha que trabalha como garçonete de maneira hilária. Os personagens são bastante estereotipados, mas acabam representando bem características extremas de quem é fã de Astronomia, Engenharia e, principalmente, Física.

The Big Bang Theory é uma excelente fonte de piadas nerds. Não é raro ouvir comentários sobre o gato de Schrödinger ou acompanhar Sheldon explicando a teoria dos jogos para Penny.

Nem sempre o conteúdo é tão pesado. O seriado também faz piadas com a cultura geek em geral: os personagens nerds são viciados em Guerra nas Estrelas e quadrinhos, por exemplo.

Lost

Lost foi um dos seriados que fez mais sucesso nos Estados Unidos e no mundo. Ele ficou famoso logo no começo, por ter o episódio-piloto (o primeiro episódio gravado antes mesmo de se haver a garantia de um contrato) mais caro já produzido.

Entretanto, o vício sci-fi também ficou conhecido pelas intermináveis referências literárias, religiosas, físicas e culturais. Uma das principais personagens, por exemplo, era a Danielle Rousseau, uma mulher que ficou sozinha na ilha de Lost por anos a fio e se tornou praticamente uma selvagem. A semelhança com o sobrenome não é coincidência. O filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau é conhecido por suas teorias sobre o estado de natureza do homem – aquele anterior à formação de uma sociedade.

As referências são mesmo muitas. Desde o físico chamado Faraday ao personagem Desmond Hume, escocês como seu xará David Hume, filósofo conhecido pro seu ceticismo. Lost oferece seis temporadas de mistérios e referências a serem desvendadas.

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Quatro livros para você estudar história e se divertir

Guilherme Dearo | 09/12/2011

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Para descansar enquanto as provas da segunda fase dos vestibulares não começam, um bom livro pode ser uma boa pedida: dá para levar naquela viagem à praia, ler no carro, no avião… Se o livro divertir, mas ajudar a estudar, então melhor ainda! Hora de repor as energias, mas sem deixar de lado a reta final do vestibular, certo?

Confira quatro dicas de livros ótimos que vão lhe ajudar a revisar conteúdos de história, geografia e atualidades.  Além disso, eles são bem variados: são dois livros-reportagem, um romance e uma história em quadrinhos!

Vejo a Terra Prometida – A Vida de Martin Luther King

Vejo a Terra Prometida é uma graphic novel que conta a história de vida de Martin Luther King, ativista americano que lutou pelos direitos civis dos negros e foi assassinado em 1968.

Editada no Brasil pela WMF Martins Fontes, a obra traz texto do americano Arthur Flowers e desenhos de Manu Chitrakar. Manu, aliás, nasceu na região de Bengala, Índia, e ilustra a obra com desenhos feitos ao estilo indiano das grandes fábulas.

O livro é uma ótima pedida para conhecer de um jeito divertido um momento essencial da história do século 20 e ainda conferir belas ilustrações. Você pode estudar a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA, a questão do racismo dos anos 60 e todo o contexto da contracultura e da Guerra Fria dos EUA.

Ulisses de Bagdá

O livro do escritor francês Eric-Emmanuel Schimitt (Editora Record) é uma história de ficção, mas poderia ser totalmente verídico. Ele conta a história do iraquiano Saad Saad, que, vivendo opressivamente no Iraque do ditador Saddam Hussein, vê seu país ser invadido pelos Estados Unidos, dando início à Guerra do Iraque no contexto da guerra ao terror promovida pelo presidente George Bush.

Quando familiares e sua namorada morrem durante o conflito, Saad decide se tornar um refugiado de guerra e começa uma viagem, sempre como clandestino, com destino a Londres. No caminho, só lhe restará refletir sobre a questão do que é pátria, fronteira e identidade.

Ótimo para refletir sobre o “século do terror”, a Guerra do Iraque e a questão da xenofobia e dos refugiados.

O Afeganistão Depois do Talibã

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o Afeganistão entrou em uma guerra com os Estados Unidos e os nomes “Talibã” e “Osama Bin Laden” se tornaram mundialmente famosos.

A jornalista d’O Estado de S. Paulo Adriana Carranca foi ao Afeganistão duas vezes após os ataques: em 2008 e em 2011, tempos antes da morte de Bin Laden. Dessas duas viagens, Carranca acumulou relatos sobre as pessoas imersas naquele cenário caótico: afegãos, estrangeiros, guerrilheiros.

O resultado dessas histórias – ao lado de belas fotografias – está no livro O Afeganistão depois do Talibã, da Editora Civilização Brasileira, que permite entender a realidade do Afeganistão não sob a ótima da imprensa internacional ou dos Estados Unidos, mas sim sob a ótica de seu povo.

Candongueiro – Viver e viajar pela África

O livro (Editora Record) é um relato de viagem pessoal do jornalista João Fellet. Quando foi trabalhar em Angola, Fellet viajou pela continente, da África do Sul ao Egito.

No livro, um diário de bordo, conta suas experiências, tanto apuros quanto momentos sublimes. O nome candongueiro se refere a pequenas vans que são o meio de transporte mais conhecidos e usados pela população.

O relato pode ser pessoal, mas as informações são precisas. Assim, é uma boa maneira de conhecer a realidade atual do continente africano.

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20 filmes para ajudar na hora de escrever a redação do vestibular

Guilherme Dearo | 22/11/2011

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Não dá para adivinhar qual será o tema da redação do vestibular, afinal, qualquer tema, sob diferentes abordagens, pode ser pedido. Mas sempre há aqueles assuntos importantes e atuais que valem a pena ficar de olho.

A seguir, listamos sete temas importantes e 20 filmes. Com eles, além de você se divertir, você aumenta seu repertório e treina a argumentação, essenciais na hora de mandar bem na redação. Confira!

Globalização e capitalismo

No mundo neocapitalista, surge uma comunidade interligada por relações comerciais e profissionais, provocando transformações no modo como pessoas se relacionam entre si e com o mundo ao seu redor.

- Babel, de Alejandro Iñarritu, se passa na África, América e Ásia e mostra a interdependência entre acontecimentos em diferentes continentes.

- Encontro com Milton Santos ou O Mundo Visto do Lado de Cá, de Silvio Tendler, aborda as reflexões feitas pelo geógrafo brasileiro sobre a globalização e seus efeitos negativos para os países mais pobres.

- Biutiful, também de Iñarritu, conta a história de Uxbal, que vive em um bairro pobre de Barcelona e explora imigrantes ilegais chineses e africanos, vendendo no mercado negro produtos feitos com mão de obra barata.

- Trabalho Interno, documentário vencedor do Oscar 2011, fala sobre a crise econômica atual, explicando de modo didático o sistema financeiro mundial e como a crise se desenvolveu da Islândia aos Estados Unidos.

Intolerância

Em um mundo marcado por violência, conflitos étnicos e desigualdades, surge a dificuldade em aceitar e respeitar as diferenças e conviver em uma sociedade cada vez mais dinâmica e plural.

- Crash – No Limite, de Paul Haggis, fala sobre conflitos entre pessoas de diversas etnias nos EUA, explorando a questão do ódio e da intolerância.

- A Onda, de Dennis Gansel, conta a história de um professor na Alemanha que simula um regime autoritário em sala de aula, para convencer seus alunos de que eles ainda não estão livres da ameaça do nazismo.

- Promessas de um Novo Mundo traz entrevistas feitas com crianças judias e palestinas, que trazem a sua visão do conflito entre Israel e Palestina e abordam a morte de amigos e parentes e seus sonhos.

Imigração

É cada vez mais comum a repressão à imigração ilegal, o choque cultural decorrente do aumento no fluxo de pessoas dos países mais pobres para os países mais ricos e os fluxos migratórios por causa de guerras e problemas ambientais.

- Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet, é uma ficção feita com personagens e situações reais, em uma escola francesa, e aborda as dificuldades de relacionamento e convivência entre jovens imigrantes e jovens franceses.

- Território Restrito, de Wayne Kramer, mostra a complicada situação dos estrangeiros que tentam ingressar ilegalmente nos EUA.

Meio-ambiente

A sociedade capitalista e consumista vive hoje as consequências de seus atos, vendo graves problemas ambientais e o aumento da discussão sobre desenvolvimento sustentável e proteção ao meio-ambiente.

- Uma Verdade Inconveniente, documentário do ex-presidente americano e Nobel da Paz Al Gore, apresenta os problemas ambientais de forma didática e clara e alerta para um futuro problemático para o planeta.

- Surplus, documentário sueco de Erik Gandini, se vale da linguagem de videoclipes para tratar dos paradoxos e desigualdades da sociedade de consumo e de seus efeitos devastadores no meio-ambiente e no modo como as pessoas se enxergam como cidadãos e indivíduos.

- Avatar, de James Cameron, apesar de ser uma animação de ficção científica, se vale de uma metáfora para tratar dos problemas ambientais e da exploração descontrolada de recursos naturais.

Violência urbana

Filmes que exploram com realismo a violência nas grandes cidades e a desigualdade social são cada vez mais comuns, principalmente no Brasil, onde a segurança pública é pauta principal nas grandes cidades.

- Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, retrata a transformação da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, em uma perigosa favela dominada pelo tráfico.

- O documentário Ônibus 174, de José Padilha, conta a história de Sandro do Nascimento, que em 2000 sequestrou um ônibus no Rio de Janeiro e manteve os passageiros como reféns.

- Do mesmo diretor há Tropa de Elite, um dos filmes mais vistos do cinema brasileiro, que narra a história de Capitão Nascimento e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), no Rio de Janeiro.

Mundo digital

As transformações causadas pelo mundo digital e redes sociais chegam até as relações humanas e mudam o modo como pessoas como a se comunicar e a interagir.

- A Rede Social conta a história de Mark Zuckerberg, estudante de Harvard que cria o Facebook, a rede social mais famosa do planeta. De personalidade difícil, o filme mostra algumas das ações controversas que levaram Mark a se tornar um jovem milionário.

- Matrix, dos irmãos Wachovski, fala de um mundo onde toda a realidade que conhecemos é uma ilusão, um programa de computador criado por máquinas para mascarar o mundo real, onde tudo foi destruído e a inteligência artificial domina os humanos.

Ciência e ética

Com grandes avanços científicos, é hora de pensar em questões éticas e no que é o ser humano. Como será uma sociedade cada vez mais avançada em termos científicos? Poderá mudar o modo como nos vemos como ser humano?

- Gattaca, de Andrews Niccol, é uma ficção científica que mostra um mundo onde as pessoas são selecionadas geneticamente antes mesmo de nascer, provocando a eugenia e uma série de conflitos tecnológicos e éticos na sociedade.

- Eu, Robô, fala de um mundo, em 2035, onde os robôs existem para servir os humanos e obedecem às Leis da Robótica de Isaac Asimov. Contudo, não demorará a máquinas e humanos entrem em conflito.

- Inteligência Artificial, de Steven Spielberg, fala de um mundo onde androides convivem com seres humanos normalmente. Um cientista, então, decide criar um modelo de robô com sentimentos, da aparência de uma criança, programada para amar seus pais.

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Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira

Guilherme Dearo | 12/07/2011

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Joe Sacco não é um jornalista tradicional. Enquanto seus colegas da faculdade de Jornalismo escolheram texto, fotografia ou vídeo para contar suas histórias, ele uniu a paixão pela profissão e pelo desenho e criou sua própria maneira de informar: o jornalismo em quadrinhos.

Nascido em Malta e vivendo nos EUA desde a adolescência, Sacco começou desenhando quadrinhos satíricos. Mas logo percebeu que aquela linguagem também era adequada para contar histórias de conflitos que o deixavam pensativo e preocupado, como o que acontecia entre palestinos e israelenses no Oriente Médio.

O começo não foi fácil. Não eram todos os editores que viam seriedade em grandes reportagens na linguagem das HQs. Mas logo as barreiras do preconceito foram quebradas e suas coberturas de grandes conflitos se tornaram mundialmente famosas.

- Quatro reportagens em quadrinhos de Joe Sacco para você ler

Sacco defende que a linguagem dos quadrinhos permite ao leitor entender todo o contexto dos acontecimentos. É como mergulhar naquela realidade, ver o rosto das pessoas e andar pelas ruas. Aliás, pessoas é o foco do jornalista, que investiga para dar voz àqueles afetados pela guerra.

Joe Sacco veio ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) 2011, no Rio de Janeiro, no último sábado (9). Em São Paulo, conversou com o GUIA DO ESTUDANTE sobre seu trabalho e carreira e as vantagens de se fazer jornalismo em HQs.

Crédito: Bárbara Vidal

GUIA DO ESTUDANTE – Por que você escolheu Jornalismo? Como foi essa escolha?

JOE SACCO – Foi no colégio que aprendi a amar Jornalismo. Lembro-me de trabalhar no jornal dos estudantes e, de repente, estava entrevistando alunos estrangeiros que vinham da Austrália, de Israel. Deu-me a noção de que, sendo jornalista, eu poderia conversar com qualquer um, conhecer muitas pessoas. Isso me fascinou.

Também gostava do fato de trabalhar sob pressão, gosto do sentimento de “ok, preciso entrevistar essa pessoa, escrever um artigo e entregar tudo no final do dia”. Há um suspense. E eu amo isso! Assim, naquele instante, meu futuro profissional ficou claro.

GE – E como o jornalismo começou a se envolver com sua paixão pelo desenho?

JOE – Fui para a universidade, me formei em Jornalismo e tive dificuldade para encontrar um emprego. Quando finalmente encontrei alguns, não eram interessantes. Então meu futuro já não estava mais tão claro. Penso que no Jornalismo você precisa se expressar, ter sua voz, e não era a realidade de muitas pessoas em seus empregos.

Nessa fase de não encontrar um emprego na área, comecei a fazer quadrinhos satíricos. Não ganhava muito dinheiro, só pagava minhas contas. Desenhar era uma paixão antiga, só nunca tinha imaginado que fosse viver de histórias em quadrinhos. Não sabia que isso era possível.

Mudei para Berlim no final dos anos 1980 e lá fazia desenhos para pôsteres de shows, capas de álbuns de bandas, como Mudhoney, Soundgarden, Yo La Tengo. Na época não eram conhecidas como hoje.

Ao mesmo tempo tinha muito interesse pelas questões do Oriente Médio. Queria desenvolver um projeto que unisse esse interesse e minha paixão pelos quadrinhos. Tinha estudado jornalismo para entrevistar e conhecer pessoas e não queria desistir disso, então não demorei em planejar minhas viagens e começar este projeto.

GE – Como é o processo de apuração em campo, tanto das histórias quanto das referências que darão base para os desenhos?

JOE – Eu ajo como qualquer outro jornalista: tomo notas, falo com as pessoas, faço entrevistas. A diferença é que, quando entrevisto as pessoas e quero apurar algo que já aconteceu, não pergunto “o que aconteceu com você?”,  faço perguntas que envolvam o visual, que me ajudem a desenhar depois. Se falam de um campo, pergunto o que há nesse campo, como era, do que se lembram.

Também tiro muitas fotografias como referência. Algumas vezes não dá para tirar fotos, em uma área militar ou perigosa, por exemplo. Então eu desenho rapidamente ali mesmo. Faço também pesquisa em livros. E agora uso a internet, claro. Você usa o Google e acha imagens facilmente. Se quero saber como é determinado veículo militar, por exemplo, digito o nome do veículo e logo tenho minhas referências.

Tudo tem que ser muito visual. Vou atrás de antigas fotos para reconstruir antigos cenários, passeio por lugares históricos. Depois, em casa, com calma, faço o script e só depois começo a desenhar. Esse processo leva anos, faço com calma.

GE – E como fica a questão da interpretação na reportagem em quadrinhos? Porque se no texto já há subjetividade, quando se desenha há uma carga ainda maior dela…

JOE – Desenho não pode ser nada além de interpretação. Pode ser uma interpretação com informação, mas o leitor só pode conhecer aquela história através dos olhos de quem desenha. Até fotografia é interpretação: você escolhe o que vai registrar ou não, faz um recorte, escolhe ângulo, tema. Mas desenho é ainda mais interpretação porque você está deliberadamente montando tudo da maneira que você quer. A linguagem dos quadrinhos não é literal, é interpretativa.

GE – Você não quer tratar dos conflitos de uma maneira distante, certo? Você quer colocar pessoas comuns nas histórias, mostrar que há seres humanos no meio do conflito…

JOE – Sim, os grandes acontecimentos sempre afetam as pessoas, sempre há seres humanos por trás dos fatos. Mostrar isso é muito importante. Você precisa ver o conflito e entender o que aquilo significa para as pessoas. Quando você lê um nome, por exemplo, é somente um nome. Você lê uma citação, pensa “ok”. Mas se você vê uma face, é diferente. Você se lembra dos seres humanos, tem um impacto diferente. Somos criaturas visuais. Basta ver como as revistas atuais, como os sites atuais são construídos: sempre de uma maneira visualmente atraente, é a grande preocupação.

GE – Os Estados Unidos tem uma posição clara sobre o conflito palestino, por exemplo, o governo escolheu o lado dos israelenses. Então você chega trazendo a visão dos palestinos, os que têm menos voz na grande mídia. Isso criou alguma dificuldade para seu trabalho, reações negativas vindas de seu próprio país?

JOE – Houve dificuldades, mas ao longo do tempo as pessoas ficaram mais abertas a essa nova visão. Nos EUA você pode fazer um livro sobre o que você quiser, qualquer coisa. Mas a grande imprensa pode ignorá-lo. Quando meu livro saiu, alguns veículos publicaram resenhas, até o [jornal] The New York Times fez uma resenha.

Contudo, alguns lugares que eu pensava que naturalmente falariam de meu livro, por se encaixar na proposta editorial deles, simplesmente ignoraram, porque traria problemas para eles. Não queriam reclamações de pessoas que diriam que eu estava contra os israelenses, contra o povo judeu. Não são acusações verdadeiras, mas existiam. É como se o meio fosse manipulado pelo público. O povo se mobiliza para impedir que algo com o qual não concordam ganhe espaço.

GE – Você tem ideia de que muitos estudantes usam seus livros para estudar, veem neles uma maneira mais fácil de aprender? No GUIA DO ESTUDANTE mesmo: sempre damos dicas de seus livros para entender a questão palestina, por exemplo.

JOE – Bem, faço meus livros para adultos. Mas sei que podem ser lidos por jovens que estão no colégio, na universidade. Sei que os jovens sabem o que é importante, mas que alguns desses temas podem ser difíceis. E quadrinhos são visuais, é uma maneira mais fácil de abordar um assunto e facilitam o entendimento. Os desenhos proporcionam mais intensidade. Pode ser mais fácil, mas não é superficial. Você lê e percebe que há profundidade.

Mas concordo que há um lado educacional nos quadrinhos. Sempre tento explicar bem as coisas e ajudar a desenvolver o interesse sobre aquele tema. Agora, entre um grande livro tradicional de história e meus livros, recomendo ler os dois, ter uma visão completa daquele tema. Quero que eles leiam outras coisas também.

GE – Você usa os quadrinhos para seu trabalho jornalístico porque obviamente vê vantagens nessa linguagem em comparação ao texto, acredita ser uma maneira poderosa de contar uma história. Qual a grande vantagem?

JOE  – Cada mídia tem suas forças e fraquezas. Claro que eu gosto de texto, leio muitos livros em prosa. O poder dos quadrinhos é que, quando você abre o livro, você imediatamente é transportado para um novo lugar. Pode andar pelas ruas de Gaza. Você vê as pessoas, seus rostos, toda a interação com o cenário. Isso é muito poderoso, cria-se uma atmosfera completa na mente do leitor. //

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