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6 episódios dos Simpsons para estudar História

Ana Prado | 21/02/2012

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Criada em 1987 e completando 500 episódios este mês, Os Simpsons é a série mais longa a ocupar o horário nobre da TV americana. Quem curte o desenho sabe que ele é cheio de referências de todo tipo – inclusive históricas. Para comemorar o recorde, listamos alguns episódios que podem ajudar quem está se preparando para o vestibular. Como os fatos históricos não são contados com exatidão pela família amarela, fica a ideia de um desafio para você: comparar a versão deles com os fatos reais e tentar encontrar as diferenças e referências. É um jeito bem mais divertido de estudar – e facilita a memorização!

Lemon of Troy (O Limoeiro de Troia)
Temporada 6, episódio 24

Para estudar: Guerra de Troia

Como indica o próprio nome do episódio, a história é uma referência à lenda da Guerra de Troia, contada pelo poeta grego Homero. Os gregos teriam declarado guerra contra seus vizinhos troianos após o rapto de sua mais famosa e bonita cidadã do sexo feminino, a princesa Helena. No desenho, depois de uma discussão com Bart e seus amigos, os meninos de Shelbyville (a cidade vizinha) roubam o limoeiro histórico de Springfield. Ao descobrir isso, Bart, Milhouse, Nelson, Martin e Todd usam um plano semelhante ao do Cavalo de Tróia para recuperar a árvore na cidade inimiga.

Margical History Tour (Marge Viaja na História )
Temporada 15, episódio 11

Para estudar: Henrique VIII da Inglaterra e a criação da Igreja Anglicana, no século 16

Marge leva Lisa, Bart e Milhouse para fazer um trabalho na biblioteca de Springfield, mas descobrem que todos os livros importantes foram levados embora. Marge decide então dar uma aula do que os meninos precisavam estudar. Uma delas é a história do rei Henrique VII (Homer), que decide se divorciar de sua primeira esposa (Marge) porque ela não consegue lhe dar um herdeiro do sexo masculino. Como a Igreja Católica não lhe permitiu o divórcio, ele decide criar sua própria igreja e casa-se com Ana Bolena. O problema é que ela também não lhe dá filhos homens e o rei passa por vários casamentos, sem nunca conseguir o que deseja.

Homer vs. the Eighteenth Amendment (Homer contra a Lei Seca)
Temporada
8, episódio 18
Para estudar: a Lei Seca nos Estados Unidos nos anos 1920

O episódio faz referência à Lei Seca colocada em vigor com a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que proibiu a venda, fabricação e transporte de bebidas alcoólicas entre 1920 e 1933. A população apoiou a medida inicialmente, mas depois o comércio e consumo ilegal de bebidas se tornaram comuns, com traficantes e mafiosos como Al Capone ganhando um imenso poder e fortuna. Nos Simpsons, a questão aparece após uma comemoração cheia de excessos do dia de São Patrício. Bart fica bêbado na frente de uma câmera de TV e, chocadas, as esposas de Springfield exigem uma lei que impeça o consumo exagerado de bebida na cidade. Então é reativada a Lei Seca, que havia sido criada 200 anos antes e estabelecia a “pena da catapulta” para quem a desrespeitasse. A partir daí, Homer se torna o “Barão da Cerveja”, vendendo a bebida ilegalmente.

The way we was (Nós somos jovens, jovens)
Episódio
25, temporada 2

Mother Simpson (Vovó Simpson)
Episódio
8, temporada 7
Para estudar: anos 60 e 70 e o feminismo

Em “The way we was”, a TV da família quebra e Marge decide contar para Bart e Lisa a história de como ela e Homer se conheceram. Voltamos então para 1974, com muitas referências culturais da época, como o feminismo – Marge até chega a queimar seu sutiã.

Em “Mother Simpson”, Homer inventa um plano para fingir que morreu só para não ter que trabalhar num sábado. O problema é que todo mundo acreditou – inclusive a sua mãe, Mona Simpson, sumida há quase 30 anos e que volta para o suposto enterro do filho. Lisa e Bart perguntam porque ela sumiu por tanto tempo e ela conta a sua história, que se passa no ano de 1969. Na época, ela se junta ao movimento hippie e se envolve em confusões com a polícia por se envolver em protestos, tendo de fugir. O nome da vovó Simpson foi uma homenagem à verdadeira Mona Simpson, uma escritora americana feminista nascida em 1957 que foi casada com Richard Appel, um dos escritores da série. Mona é também a irmã biológica mais nova de Steve Jobs.

Lisa’s First Word (A primeira palavra de Lisa)
Episódio
10, temporada 4
Para estudar: a Guerra Fria e os anos 80

Enquanto tentam fazer Maggie falar “papai”, Homer conta a história da primeira palavra de Lisa. Para isso, voltam aos anos 80 em um episódio cheio de referências da época, incluindo a Guerra Fria e o boicote da União Soviética às Olimpíadas de 1984 em Los Angeles, Estados Unidos, em retaliação ao boicote aos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 encabeçado pelos EUA. Com isso, os americanos dominam o evento e Krusty, que havia prometido um hambúrguer para cada medalha de ouro que o país ganhasse, se dá mal e perde milhões de dólares com a promoção.

Imagens: Reprodução

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Categoria: Televisão

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Quatro maneiras curiosas de estudar sobre as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

Guilherme Dearo | 10/08/2011

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66 anos atrás, precisamente em 6 e 9 de agosto de 1945, os EUA atacaram o Japão com duas bombas atômicas, colocando o ponto final na Segunda Guerra Mundial.

Naquele ano, a guerra já estava quase terminada. Do Eixo (os países que lutavam contra EUA, Inglaterra e França), Alemanha e Itália já estavam derrotadas. Contudo, o Japão continuava resistindo em vários territórios do Pacífico.

Querendo pôr fim ao conflito – e também numa demonstração de força bélica que mandava um recado para a União Soviética e o restante do mundo -, os EUA lançaram a primeira bomba atômica na cidade de Hiroshima, no dia 6, matando instantaneamente 100 mil pessoas. Três dias depois foi a vez de Nagasaki: mais 70 mil mortos. Era o fim da guerra e o começo da era atômica.

Dá para estudar esse importante momento da história que sempre cai nos vestibulares com quadrinhos, filme e até mesmo música! Confira:

Livro
Não precisa ser um livro de história grosso cheio de datas para se estudar a história das bombas. Com “Hiroshima”, livro-reportagem do jornalista americano John Hersey, dá para entender o fato sob o ponto de vista de seis sobreviventes.

Hersey viajou ao Japão após a guerra para recontar a história e publicou a reportagem original na revista New Yorker, em 1946. O relato teve grande impacto na sociedade americana, pois muitos ainda não tinham noção do horror que tinha sido aquele agosto de 1945.

Edição brasileira de "Hiroshima", da Companhia das Letras

Quadrinhos
O quadrinho mais famoso que fala da Segunda Guerra Mundial e das bombas atômicas é “Gen, Pés Descalços”. Gen, aliás, é um mangá, um quadrinho japonês do artista Keiji Nakazawa lançado em 1970.

Gen é um garoto de seis anos que mora em Hiroshima quando a bomba cai. Ele perde quase toda a família e tem que viver em um Japão de pobreza e destruição ao lado de sua mãe e da irmã recém-nascida. O livro tem traços autobiográficos, pois Nakazawa também perdeu a família no ataque atômico. No Brasil o mangá siu pela editora Conrad.


Filme
“A Última Bomba Atômica”, documentário de 2006 produzido nos EUA, mais do que mostrar o que aconteceu em 1945, relata a história dos chamados “hibakusha”, que significa “sobreviventes da bomba”. Por serem os únicos nos dias de hoje que viveram aquele momento histórico, o filme questiona: quem contará a história quando estes últimos “personagens” se forem?

O filme, assim, mostra a luta dos hibakusha e de jovens estudantes para conscientizar a todos de que bombas atômicas são desnecessárias. O filme, ao reconstruir os fatos e decisões que levaram ao lançamento das bombas, também questiona ao final: foi necessário?

Música
Vinícius de Moraes escreveu o poema “Rosa de Hiroshima”, que logo foi musicado por Gerson Conrad. A banda Secos & Molhados interpreta a canção em seu disco de estreia, de 1973.

A música, um hino anti-guerra, foi lançado em plena Ditadura Militar no Brasil e fala da explosão da primeira bomba, comparando o formato da explosão a uma rosa. Mas, como diz a música, “Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada”. Veja a letra completa e o vídeo:

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

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Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira

Guilherme Dearo | 12/07/2011

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Joe Sacco não é um jornalista tradicional. Enquanto seus colegas da faculdade de Jornalismo escolheram texto, fotografia ou vídeo para contar suas histórias, ele uniu a paixão pela profissão e pelo desenho e criou sua própria maneira de informar: o jornalismo em quadrinhos.

Nascido em Malta e vivendo nos EUA desde a adolescência, Sacco começou desenhando quadrinhos satíricos. Mas logo percebeu que aquela linguagem também era adequada para contar histórias de conflitos que o deixavam pensativo e preocupado, como o que acontecia entre palestinos e israelenses no Oriente Médio.

O começo não foi fácil. Não eram todos os editores que viam seriedade em grandes reportagens na linguagem das HQs. Mas logo as barreiras do preconceito foram quebradas e suas coberturas de grandes conflitos se tornaram mundialmente famosas.

- Quatro reportagens em quadrinhos de Joe Sacco para você ler

Sacco defende que a linguagem dos quadrinhos permite ao leitor entender todo o contexto dos acontecimentos. É como mergulhar naquela realidade, ver o rosto das pessoas e andar pelas ruas. Aliás, pessoas é o foco do jornalista, que investiga para dar voz àqueles afetados pela guerra.

Joe Sacco veio ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) 2011, no Rio de Janeiro, no último sábado (9). Em São Paulo, conversou com o GUIA DO ESTUDANTE sobre seu trabalho e carreira e as vantagens de se fazer jornalismo em HQs.

Crédito: Bárbara Vidal

GUIA DO ESTUDANTE – Por que você escolheu Jornalismo? Como foi essa escolha?

JOE SACCO – Foi no colégio que aprendi a amar Jornalismo. Lembro-me de trabalhar no jornal dos estudantes e, de repente, estava entrevistando alunos estrangeiros que vinham da Austrália, de Israel. Deu-me a noção de que, sendo jornalista, eu poderia conversar com qualquer um, conhecer muitas pessoas. Isso me fascinou.

Também gostava do fato de trabalhar sob pressão, gosto do sentimento de “ok, preciso entrevistar essa pessoa, escrever um artigo e entregar tudo no final do dia”. Há um suspense. E eu amo isso! Assim, naquele instante, meu futuro profissional ficou claro.

GE – E como o jornalismo começou a se envolver com sua paixão pelo desenho?

JOE – Fui para a universidade, me formei em Jornalismo e tive dificuldade para encontrar um emprego. Quando finalmente encontrei alguns, não eram interessantes. Então meu futuro já não estava mais tão claro. Penso que no Jornalismo você precisa se expressar, ter sua voz, e não era a realidade de muitas pessoas em seus empregos.

Nessa fase de não encontrar um emprego na área, comecei a fazer quadrinhos satíricos. Não ganhava muito dinheiro, só pagava minhas contas. Desenhar era uma paixão antiga, só nunca tinha imaginado que fosse viver de histórias em quadrinhos. Não sabia que isso era possível.

Mudei para Berlim no final dos anos 1980 e lá fazia desenhos para pôsteres de shows, capas de álbuns de bandas, como Mudhoney, Soundgarden, Yo La Tengo. Na época não eram conhecidas como hoje.

Ao mesmo tempo tinha muito interesse pelas questões do Oriente Médio. Queria desenvolver um projeto que unisse esse interesse e minha paixão pelos quadrinhos. Tinha estudado jornalismo para entrevistar e conhecer pessoas e não queria desistir disso, então não demorei em planejar minhas viagens e começar este projeto.

GE – Como é o processo de apuração em campo, tanto das histórias quanto das referências que darão base para os desenhos?

JOE – Eu ajo como qualquer outro jornalista: tomo notas, falo com as pessoas, faço entrevistas. A diferença é que, quando entrevisto as pessoas e quero apurar algo que já aconteceu, não pergunto “o que aconteceu com você?”,  faço perguntas que envolvam o visual, que me ajudem a desenhar depois. Se falam de um campo, pergunto o que há nesse campo, como era, do que se lembram.

Também tiro muitas fotografias como referência. Algumas vezes não dá para tirar fotos, em uma área militar ou perigosa, por exemplo. Então eu desenho rapidamente ali mesmo. Faço também pesquisa em livros. E agora uso a internet, claro. Você usa o Google e acha imagens facilmente. Se quero saber como é determinado veículo militar, por exemplo, digito o nome do veículo e logo tenho minhas referências.

Tudo tem que ser muito visual. Vou atrás de antigas fotos para reconstruir antigos cenários, passeio por lugares históricos. Depois, em casa, com calma, faço o script e só depois começo a desenhar. Esse processo leva anos, faço com calma.

GE – E como fica a questão da interpretação na reportagem em quadrinhos? Porque se no texto já há subjetividade, quando se desenha há uma carga ainda maior dela…

JOE – Desenho não pode ser nada além de interpretação. Pode ser uma interpretação com informação, mas o leitor só pode conhecer aquela história através dos olhos de quem desenha. Até fotografia é interpretação: você escolhe o que vai registrar ou não, faz um recorte, escolhe ângulo, tema. Mas desenho é ainda mais interpretação porque você está deliberadamente montando tudo da maneira que você quer. A linguagem dos quadrinhos não é literal, é interpretativa.

GE – Você não quer tratar dos conflitos de uma maneira distante, certo? Você quer colocar pessoas comuns nas histórias, mostrar que há seres humanos no meio do conflito…

JOE – Sim, os grandes acontecimentos sempre afetam as pessoas, sempre há seres humanos por trás dos fatos. Mostrar isso é muito importante. Você precisa ver o conflito e entender o que aquilo significa para as pessoas. Quando você lê um nome, por exemplo, é somente um nome. Você lê uma citação, pensa “ok”. Mas se você vê uma face, é diferente. Você se lembra dos seres humanos, tem um impacto diferente. Somos criaturas visuais. Basta ver como as revistas atuais, como os sites atuais são construídos: sempre de uma maneira visualmente atraente, é a grande preocupação.

GE – Os Estados Unidos tem uma posição clara sobre o conflito palestino, por exemplo, o governo escolheu o lado dos israelenses. Então você chega trazendo a visão dos palestinos, os que têm menos voz na grande mídia. Isso criou alguma dificuldade para seu trabalho, reações negativas vindas de seu próprio país?

JOE – Houve dificuldades, mas ao longo do tempo as pessoas ficaram mais abertas a essa nova visão. Nos EUA você pode fazer um livro sobre o que você quiser, qualquer coisa. Mas a grande imprensa pode ignorá-lo. Quando meu livro saiu, alguns veículos publicaram resenhas, até o [jornal] The New York Times fez uma resenha.

Contudo, alguns lugares que eu pensava que naturalmente falariam de meu livro, por se encaixar na proposta editorial deles, simplesmente ignoraram, porque traria problemas para eles. Não queriam reclamações de pessoas que diriam que eu estava contra os israelenses, contra o povo judeu. Não são acusações verdadeiras, mas existiam. É como se o meio fosse manipulado pelo público. O povo se mobiliza para impedir que algo com o qual não concordam ganhe espaço.

GE – Você tem ideia de que muitos estudantes usam seus livros para estudar, veem neles uma maneira mais fácil de aprender? No GUIA DO ESTUDANTE mesmo: sempre damos dicas de seus livros para entender a questão palestina, por exemplo.

JOE – Bem, faço meus livros para adultos. Mas sei que podem ser lidos por jovens que estão no colégio, na universidade. Sei que os jovens sabem o que é importante, mas que alguns desses temas podem ser difíceis. E quadrinhos são visuais, é uma maneira mais fácil de abordar um assunto e facilitam o entendimento. Os desenhos proporcionam mais intensidade. Pode ser mais fácil, mas não é superficial. Você lê e percebe que há profundidade.

Mas concordo que há um lado educacional nos quadrinhos. Sempre tento explicar bem as coisas e ajudar a desenvolver o interesse sobre aquele tema. Agora, entre um grande livro tradicional de história e meus livros, recomendo ler os dois, ter uma visão completa daquele tema. Quero que eles leiam outras coisas também.

GE – Você usa os quadrinhos para seu trabalho jornalístico porque obviamente vê vantagens nessa linguagem em comparação ao texto, acredita ser uma maneira poderosa de contar uma história. Qual a grande vantagem?

JOE  – Cada mídia tem suas forças e fraquezas. Claro que eu gosto de texto, leio muitos livros em prosa. O poder dos quadrinhos é que, quando você abre o livro, você imediatamente é transportado para um novo lugar. Pode andar pelas ruas de Gaza. Você vê as pessoas, seus rostos, toda a interação com o cenário. Isso é muito poderoso, cria-se uma atmosfera completa na mente do leitor. //

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