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Estude as obras literárias da Fuvest – O Cortiço

Guilherme Dearo | 25/10/2011

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No sétimo post sobre os livros obrigatórios da Fuvest e Unicamp 2012, vamos falar de O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

Romance publicado em 1890, O Cortiço é o principal livro do naturalismo brasileiro, corrente literária próxima do realismo, mas que tem suas bases no determinismo (o meio, o lugar e o momento influenciam decisivamente o ser humano) e na teoria da evolução de Charles Darwin.

O enredo conta a história de diversos moradores de um cortiço no Rio de Janeiro, em um ambiente de extrema humildade e pobreza. Ali, ele descreve a sociedade brasileira, formada por portugueses, negros e mulatos, pobres e ricos. Entre as personagens, estão João Romão, Miranda e Jerônimo.

- Confira o resumo e análise de O Cortiço, obra de Aluísio de Azevedo

A seguir uma dica de filmes e quadrinhos para você se divertir e aprender um pouco mais sobre a obra:

Filmes

O filme de 1978 dirigido por Francisco Ramalho Jr. traz no elenco, entre outros atores, a atriz Betty Faria. Fiel ao livro de Aluísio Azevedo, o filme retrata o cortiço carioca e foca a trama em João Romão, o português dono das casas, e Rita Baiana, mulher expansiva e muito desejada.

Esse filme de 1978 é encontrado facilmente em locadoras. Já outra versão do livro que foi para o cinema, de 1945, é peça rara e deve ser difícil de encontrar. Mesmo assim, a película de 1945 de Luiz de Barros vale a pena, por trazer muita comédia e ter, entre seus atores, Colé Santana.

Histórias em quadrinhos

Uma boa opção de HQ de O Cortiço é a adaptação de Rodrigo Rosa e Ivan Jaf, lançada pela Editora Ática. Rosa e Jaf fizeram intensa pesquisa para reconstituir a paisagem do morro carioca com seus cortiços no século XIX.

Outra versão em quadrinhos faz parte da coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos e foi adaptada Rodrigo Vilachã. A obra traz o texto de Azevedo na íntegra. Acompanhado das ilustrações.

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Estude as obras literárias da Fuvest – Capitães da Areia

Guilherme Dearo | 27/09/2011

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No quinto post sobre os livros obrigatórios da Fuvest e Unicamp 2012, vamos falar de Capitães da Areia, romance do escritor baiano Jorge Amado.

O livro foi escrito em 1937, quando Jorge Amado tinha apenas 24 anos. Naquela época, ele já era um defensor ferrenho do comunismo e conta com teor político a história de menores abandonados que praticam alguns delitos em Salvador.

Nos anos 30, os meninos de rua eram chamados de “capitães da areia” nas ruas da cidade. O protagonista é Pedro Bala, líder do grupo de garotos.

- Capitães da Areia retrata a infância difícil dos meninos de rua

- Conheça os personagens do livro de Jorge Amado

Veja dicas de dois filmes e duas histórias em quadrinhos para aprender mais sobre a obra:

Filmes

Estreia em sete de outubro deste ano o filme Capitães da Areia, dirigida pela neta do autor, Cecília Amado. O legal do projeto é que os jovens atores são todos desconhecidos do público. Cecília foi buscar novos atores em oficinas culturais de ONGs da periferia de Salvador. Veja a seguir o trailer oficial:

O curioso é que esta adaptação nacional do livro não é a primeira. Em 1971, um filme do diretor americano Hall Bartlett contou a história dos meninos de Salvador e chamou o filme de “The Sandpit Generals”. A trilha-sonora era de Dorival Caymmi.

Como o filme tem teor político e sabiam que Jorge Amado era comunista, a película não foi nem um pouco bem recebida nos EUA, que vivia em plena Guerra Fria. Resultado: o filme se tornou extremamente popular e querido na União Soviética. Abaixo há um trecho do filme, em russo. Vale a pena fuçar em algumas locadoras atrás de uma cópia legendada.

Quadrinhos

A editora Egba adaptou o livro de Jorge Amado para a linguagem das histórias em quadrinhos. A edição contou com ilustrações do artista Ruy Trindade e traz o texto na íntegra. A obra, de 180 páginas, fez parte do projeto do autor “Transcrever romances inteiros para quadrinhos”.

Além desta HQ lançada em livro, um trecho foi adaptado em 2007 por Rodrigo Rosa, ilustrador, a pedido da Editora Globo. As quatro páginas da história, com ilustrações bem bacanas, estão logo abaixo. Clique nas páginas para ampliá-las.

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Estude as obras literárias da Fuvest – Vidas Secas

Guilherme Dearo | 16/08/2011

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No segundo post sobre as obras obrigatórias da Fuvest e da Unicamp nos vestibulares 2012, vamos falar sobre Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

- Aprenda mais sobre “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente

Romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos que viajam para fugir da seca. A família é composta por Fabiano, sua esposa Vitória e seus filhos (cujos nomes não aparecem e são chamados de “Menino mais Velho” e “Menino mais Novo”). Também tem a cachorra Baleia, considerada parte da família.

O livro é considerado o melhor exemplo na “segunda fase modernista” da literatura brasileira, considerada “regionalista” por tratar de maneira realista e crítica determinada terra e gente, tentando entender seus costumes e situação atual.

Capa da primeira edição de Vidas Secas

- Breve biografia do autor Graciliano Ramos

- Leia a análise de Vidas Secas

Veja dicas de um filme, um livro e um site para você se divertir e aprender um pouco mais sobre o livro:

Filme
O filme Vidas Secas, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, estreou no Rio de Janeiro há exatos 48 anos atrás, em 1963. Tão “seco” e objetivo quanto o livro, o filme narra com poucas falas e em preto & branco a vida de Fabiano e sua família.

Sucesso no Brasil e no exterior, o filme ganhou o prêmio do Festival de Cannes (França) de 1964, foi indicado à Palma de Ouro e foi considerado pelo British Film Institute uma das 360 obras cinematográficas fundamentais da história para se ter em uma cinemateca.

Edição comemorativa
Uma edição do livro lançada em 2008 pela editora Record, quando a obra completou 70 anos, faz o leitor mergulhar no universo de Fabiano e sua família e visualizar com clareza extra a luta pela sobrevivência.

Isso porque a edição, além de ter o texto original, traz centenas de fotografias de Evandro Teixeira, fotógrafo baiano famoso por seu trabalho com fotojornalismo.

Evandro percorreu o sertão nordestino e fotografou a realidade retratada por Graciliano Ramos décadas atrás: a paisagem árida e hostil, a seca, a fome, a morte, a vida de resistência dos sertanejos.


Site
O site oficial de Graciliano Ramos traz muitas informações extras sobre a vida do autor e ajuda a entender melhor o contexto em que escreveu seus livros e como suas próprias experiências influenciaram sua literatura. Fotos atuais mostram sua cidade, Quebrangulo (Alagoas), e o museu que construíram em sua homenagem.

Na parte “Obra”, dá para descobrir mais detalhes de Vidas Secas e algumas curiosidades. Exemplos: o livro está em sua 112ª edição no Brasil! Ele também recebeu, em 1962, o Prêmio da Fundação William Faulkner (EUA) como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea.

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Quatro maneiras curiosas de estudar sobre as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

Guilherme Dearo | 10/08/2011

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66 anos atrás, precisamente em 6 e 9 de agosto de 1945, os EUA atacaram o Japão com duas bombas atômicas, colocando o ponto final na Segunda Guerra Mundial.

Naquele ano, a guerra já estava quase terminada. Do Eixo (os países que lutavam contra EUA, Inglaterra e França), Alemanha e Itália já estavam derrotadas. Contudo, o Japão continuava resistindo em vários territórios do Pacífico.

Querendo pôr fim ao conflito – e também numa demonstração de força bélica que mandava um recado para a União Soviética e o restante do mundo -, os EUA lançaram a primeira bomba atômica na cidade de Hiroshima, no dia 6, matando instantaneamente 100 mil pessoas. Três dias depois foi a vez de Nagasaki: mais 70 mil mortos. Era o fim da guerra e o começo da era atômica.

Dá para estudar esse importante momento da história que sempre cai nos vestibulares com quadrinhos, filme e até mesmo música! Confira:

Livro
Não precisa ser um livro de história grosso cheio de datas para se estudar a história das bombas. Com “Hiroshima”, livro-reportagem do jornalista americano John Hersey, dá para entender o fato sob o ponto de vista de seis sobreviventes.

Hersey viajou ao Japão após a guerra para recontar a história e publicou a reportagem original na revista New Yorker, em 1946. O relato teve grande impacto na sociedade americana, pois muitos ainda não tinham noção do horror que tinha sido aquele agosto de 1945.

Edição brasileira de "Hiroshima", da Companhia das Letras

Quadrinhos
O quadrinho mais famoso que fala da Segunda Guerra Mundial e das bombas atômicas é “Gen, Pés Descalços”. Gen, aliás, é um mangá, um quadrinho japonês do artista Keiji Nakazawa lançado em 1970.

Gen é um garoto de seis anos que mora em Hiroshima quando a bomba cai. Ele perde quase toda a família e tem que viver em um Japão de pobreza e destruição ao lado de sua mãe e da irmã recém-nascida. O livro tem traços autobiográficos, pois Nakazawa também perdeu a família no ataque atômico. No Brasil o mangá siu pela editora Conrad.


Filme
“A Última Bomba Atômica”, documentário de 2006 produzido nos EUA, mais do que mostrar o que aconteceu em 1945, relata a história dos chamados “hibakusha”, que significa “sobreviventes da bomba”. Por serem os únicos nos dias de hoje que viveram aquele momento histórico, o filme questiona: quem contará a história quando estes últimos “personagens” se forem?

O filme, assim, mostra a luta dos hibakusha e de jovens estudantes para conscientizar a todos de que bombas atômicas são desnecessárias. O filme, ao reconstruir os fatos e decisões que levaram ao lançamento das bombas, também questiona ao final: foi necessário?

Música
Vinícius de Moraes escreveu o poema “Rosa de Hiroshima”, que logo foi musicado por Gerson Conrad. A banda Secos & Molhados interpreta a canção em seu disco de estreia, de 1973.

A música, um hino anti-guerra, foi lançado em plena Ditadura Militar no Brasil e fala da explosão da primeira bomba, comparando o formato da explosão a uma rosa. Mas, como diz a música, “Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada”. Veja a letra completa e o vídeo:

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

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Entenda os movimentos literários e artísticos com “Meia-Noite em Paris”

Guilherme Dearo | 26/07/2011

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No final do século 19 e começo do século 20, não houve cidade no mundo que reuniu mais artistas e intelectuais do que Paris, na França. Um simples passeio por bares, salões e cafés era suficiente para esbarrar com grandes nomes das artes. Nas ruas se respirava cultura e modernidade.

Com “Meia-Noite em Paris”, mais recente filme do diretor americano Woody Allen, dá para viajar um pouco no tempo e conhecer essas grandes personalidades históricas que viveram por lá.

O protagonista é Gil, um roteirista de cinema desiludido com o trabalho que visita a cidade com sua noiva. Apesar de estar no século 21, Gil sonha em viver nos anos 1920, época em que esses grandes artistas circulavam pelos cafés da cidade.

Eis que, passeando pela cidade, ao relógio anunciar meia-noite, o rapaz misteriosamente realiza este sonho. Nesse “delírio”, encontra escritores, poetas e pintores e conhece uma Paris que via a popularização do cinema e o surgimento do automóvel, do telefone, do avião e da fotografia.

O GUIA listou alguns movimentos literários e artísticos que fervilhavam pela Paris daqueles anos e seus personagens mais marcantes que ganham vida no filme. Confira:

Literatura modernista

Gil encontra-se com grandes nomes da literatura modernista norte-americana, marcada por mais liberdade de estilo e que já retratava o homem diante das novas condições impostas por um mundo mais urbano, industrializado e “acelerado”.

Um deles é o poeta e dramaturgo T.S. Eliot, considerado o maior poeta de língua inglesa do século XX. Outro personagem é o norte-americano Ernest Hemingway, que antes de se mudar para Cuba, onde viveria até morrer, passou alguns anos em Paris. Ambos ganharam o Prêmio Nobel da Literatura.

F. Scott Fitzgerald, sempre acompanhado de sua mulher, Zelda, é outro grande escritor dos EUA a dar as caras.

Ernest Hemingway

Impressionismo

Quando Gil conhece a Paris do final do século 19, no período conhecido como “belle époque”, ele se depara com grandes nomes do impressionismo, vanguarda artística que renegou os preceitos clássicos do realismo e da academia de belas-artes francesa.

Preocupados com o movimento da cena e com a relação luz-cor, os impressionistas retratavam o cotidiano da vida urbana, coisa impensável na arte clássica. No filme aparecem Edgar Degas, grande pintor e escultor impressionista, famoso por retratar bailarinas. Gil também conhece pintores considerados “pós-impressionistas”, como Paul Gauguin e Henri de Toulouse-Lautrec.

Degas: "Three Dancers in Yellow Skirts"

Cubismo

Outra vanguarda foi o cubismo, que buscava a representação com ângulos e dimensões múltiplos, o predomínio da linha reta e o desenho tridimensional em um ambiente bidimensional. O grande nome do movimento foi o pintor espanhol Pablo Picasso.

Picasso marcou o mundo das artes com “Les Deimoselles D’Avigon”, quadro que mostra cinco prostitutas nuas sob traços cubistas, e com “Guernica”, imenso mural retratando o terror da Guerra Civil Espanhola. Picasso chegou jovem à França e logo conheceu diversos outros pintores, como Henri Matisse, que também aparece no filme.

Picasso: "Guernica"

Picasso: "Guernica"

Surrealismo

O movimento explora o inconsciente e tem grande influência dos estudos de Sigmund Freud sobre a mente humana.

No filme, Gil se encontra com o pintor catalão e principal nome do surrealismo, Salvador Dalí. Você já deve ter visto um de seus quadros. O mais famoso é “A Persistência da Memória”, que mostra relógios derretendo e escorrendo pelo cenário.

Outro surrealista é o cineasta Luis Buñuel, amigo de Dalí e que colocaria as teorias da vanguarda em filmes como “Um Cão Andaluz” e “A Idade do Ouro”. Outro que não poderia faltar no time dos surrealistas é o fotógrafo americano Man Ray.

Salvador Dalí

Salvador Dalí

Curiosidade: a seguir, um registro da Paris dos anos 1920. Dá para ver como era, de verdade, as ruas nas quais passeavam artistas e escritores.

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