Guia do Estudante

Posts com a tag ‘jornalismo’

Cinco filmes sobre a carreira de Jornalismo

Amanda Previdelli | 13/11/2012

0

Comentários

Já pensou em fazer Jornalismo, mas ainda quer entender um pouco melhor da história dessa carreira ou do dia a dia dos jornalistas? Uma boa pedida é assistir a filmes com personagens jornalistas ou que se passem nas redações jornalísticas.

Claro que muito dos roteiros dos filmes é bastante romantizado e a realidade é diferente do que se vê no cinema, mas as obras ajudam a dar uma visão das carreiras, além de retratar períodos históricos importantes.

Confira cinco filmes sobre a carreira de Jornalismo:

Cidadão Kane (1941): Esse não poderia faltar em uma lista sobre Jornalismo, mesmo porque ele com frequência figura no topo das listas dos melhores filmes de todos os tempos. Cidadão Kane conta a história de um grande magnata das mídias, Orson Welles, e um jovem repórter que quer descobrir tudo sobre a vida de Welles, pouco depois do rico e recluso homem ter morrido.

A Montanha dos Sete Abutres (1951): Mais um clássico da cinematografia, o filme traz Kirk Douglas interpretando um repórter frustrado que agora trabalho em um pequeno jornal em Albuquerque e quer refazer sua carreira a qualquer custo.

Capote (2005): O filme pode até não ser sobre jornalismo em si, mas conta a pesquisa de Truman Capote para o livro “A Sangue Frio”, sobre o assassinato de uma família no Kansas. A história da relação do jornalista com sua fonte, o assassino que está no corredor da morte, é uma verdadeira lição.

Boa Noite e Boa Sorte (2005): O filme em preto e branco dirigido por George Clooney vale pela lição de história e ética do jornalismo. Ele conta a história do repórter Edward R. Murrow e seus embates com o senador anticomunista Joseph McCarthy.  A obra discute a responsabilidade da mídia – uma lição que vale para a década de 1950 e para os dias de hoje.

Frost/Nixon (2008): O filme traz Michael Sheen e Frank Langella interpretando a famosa série de entrevistas entre o jornalista David Frost e o presidente Richard Nixon em 1977. O filme recebeu algumas críticas por conter erros históricos, mas é sensacional para se entender melhor o processo de entrevistas jornalísticas.

Comentários: nenhuma pessoa comentou

Categoria: Cinema

Tags: , ,

Compartilhe

Seis programas jornalísticos da TV para você se preparar para a redação do vestibular

Guilherme Dearo | 22/12/2011

0

Comentários

Para mandar bem na redação dos vestibulares, não basta treinar escrevendo textos atrás de textos. Estar bem informado, antenado e preocupado com as questões atuais é essencial.

Como explica Francisco Platão Savioli, professor de redação do cursinho Anglo de São Paulo, o aluno precisa ter uma boa bagagem para desenvolver um bom texto. A partir do tema e dos textos oferecidos, que podem ter um tema mais abstrato ou objetivo, o estudante deve saber argumentar e persuadir, ou seja, convencer a banca examinadora de seu ponto de vista.

“Vejam o jornal da TV Cultura, que passa de segunda a sábado. Além de dar a notícia de forma direta, sempre tem um comentarista, que faz uma boa análise do tema exposto. O estudante pode tentar, depois de ver uma reportagem, fazer o seu próprio comentário e depois confrontar com a análise do jornal”, aconselha o professor.

Confira a seguir seis programas jornalísticos da TV para você se preparar para a redação do vestibular:

Jornal da Cultura
Quando: de segunda a sábado, às 21h10, na TV Cultura
Há mais de 25 anos no ar, o programa traz temas importantes de diversas áreas, como economia, política, meio ambiente e saúde. Além das reportagens apresentadas por repórteres e pela âncora Maria Cristina Poli, sempre há um comentarista que explora mais a fundo as principais notícias do dia.

Profissão Repórter
Quando: terça-feira às 23h45, na TV Globo
Bem dinâmico, o programa investiga a fundo um tema por semana. Ao mesmo tempo em que você se informa sobre um fato relevante do momento (já houve programas, por exemplo, sobre a situação das prisões no país, a relação dos jovens com as bebidas alcoólicas e as histórias de vítimas de violência sexual), você acompanha os desafios cotidianos da equipe para fazer as reportagens e seus bastidores.

Arquivo N
Quando: quarta-feira às 23h, quinta-feira às 11h30 e 17h30, sábado às 16h0, no Globo News
Em formato de documentário, o programa apresenta reportagens de reconstrução histórica, que vão da seleção de imagens de arquivos a depoimentos que ajudam a compor panoramas sobre os assuntos em debate. As matérias tratam desde biografias de personagens marcantes da história até períodos e acontecimentos importantes da história nacional e internacional.

Dossiê Globo News
Quando: horário e dia variável de acordo com o mês, no Globo News
O programa traz sempre um tema atual ou histórico para ser debatido mais a fundo, geralmente com entrevistas exclusivas que trazem informações e visões inéditas sobre o fato. Muito bom para estudar história, geografia e atualidades. Já foram abordados, por exemplo, Che Guevara, homens-bomba, nazismo, ditadura militar no Brasil, entre outros.

A Liga
Quando: às terças-feiras, 22h15, na TV Bandeirantes
A Liga não é um programa jornalístico convencional: os repórteres mergulham na pauta e apresentam a notícia da perspectiva de quem a vive. Entre fatos, muita opinião, reflexão e indignação. Entre os temas já retratados, estão o hip hop, a questão dos deficientes, das mulheres no século 21 e da vida na prostituição.

Jornal Futura
Quando: Segunda a sexta-feira, às 17h e 23h45, na TV Futura
Jornal Futura traz reportagens sobre cultura, saúde, educação e meio ambiente, sempre com foco no Brasil e nas questões sociais. As notícias sempre trazem projetos e ações voltados para a resolução dos problemas sociais e que promovam a reflexão da sociedade brasileira.

*com reportagem de Mariana Nadai

Compartilhe

Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira

Guilherme Dearo | 12/07/2011

0

Comentários

Joe Sacco não é um jornalista tradicional. Enquanto seus colegas da faculdade de Jornalismo escolheram texto, fotografia ou vídeo para contar suas histórias, ele uniu a paixão pela profissão e pelo desenho e criou sua própria maneira de informar: o jornalismo em quadrinhos.

Nascido em Malta e vivendo nos EUA desde a adolescência, Sacco começou desenhando quadrinhos satíricos. Mas logo percebeu que aquela linguagem também era adequada para contar histórias de conflitos que o deixavam pensativo e preocupado, como o que acontecia entre palestinos e israelenses no Oriente Médio.

O começo não foi fácil. Não eram todos os editores que viam seriedade em grandes reportagens na linguagem das HQs. Mas logo as barreiras do preconceito foram quebradas e suas coberturas de grandes conflitos se tornaram mundialmente famosas.

- Quatro reportagens em quadrinhos de Joe Sacco para você ler

Sacco defende que a linguagem dos quadrinhos permite ao leitor entender todo o contexto dos acontecimentos. É como mergulhar naquela realidade, ver o rosto das pessoas e andar pelas ruas. Aliás, pessoas é o foco do jornalista, que investiga para dar voz àqueles afetados pela guerra.

Joe Sacco veio ao Brasil para participar da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) 2011, no Rio de Janeiro, no último sábado (9). Em São Paulo, conversou com o GUIA DO ESTUDANTE sobre seu trabalho e carreira e as vantagens de se fazer jornalismo em HQs.

Crédito: Bárbara Vidal

GUIA DO ESTUDANTE – Por que você escolheu Jornalismo? Como foi essa escolha?

JOE SACCO – Foi no colégio que aprendi a amar Jornalismo. Lembro-me de trabalhar no jornal dos estudantes e, de repente, estava entrevistando alunos estrangeiros que vinham da Austrália, de Israel. Deu-me a noção de que, sendo jornalista, eu poderia conversar com qualquer um, conhecer muitas pessoas. Isso me fascinou.

Também gostava do fato de trabalhar sob pressão, gosto do sentimento de “ok, preciso entrevistar essa pessoa, escrever um artigo e entregar tudo no final do dia”. Há um suspense. E eu amo isso! Assim, naquele instante, meu futuro profissional ficou claro.

GE – E como o jornalismo começou a se envolver com sua paixão pelo desenho?

JOE – Fui para a universidade, me formei em Jornalismo e tive dificuldade para encontrar um emprego. Quando finalmente encontrei alguns, não eram interessantes. Então meu futuro já não estava mais tão claro. Penso que no Jornalismo você precisa se expressar, ter sua voz, e não era a realidade de muitas pessoas em seus empregos.

Nessa fase de não encontrar um emprego na área, comecei a fazer quadrinhos satíricos. Não ganhava muito dinheiro, só pagava minhas contas. Desenhar era uma paixão antiga, só nunca tinha imaginado que fosse viver de histórias em quadrinhos. Não sabia que isso era possível.

Mudei para Berlim no final dos anos 1980 e lá fazia desenhos para pôsteres de shows, capas de álbuns de bandas, como Mudhoney, Soundgarden, Yo La Tengo. Na época não eram conhecidas como hoje.

Ao mesmo tempo tinha muito interesse pelas questões do Oriente Médio. Queria desenvolver um projeto que unisse esse interesse e minha paixão pelos quadrinhos. Tinha estudado jornalismo para entrevistar e conhecer pessoas e não queria desistir disso, então não demorei em planejar minhas viagens e começar este projeto.

GE – Como é o processo de apuração em campo, tanto das histórias quanto das referências que darão base para os desenhos?

JOE – Eu ajo como qualquer outro jornalista: tomo notas, falo com as pessoas, faço entrevistas. A diferença é que, quando entrevisto as pessoas e quero apurar algo que já aconteceu, não pergunto “o que aconteceu com você?”,  faço perguntas que envolvam o visual, que me ajudem a desenhar depois. Se falam de um campo, pergunto o que há nesse campo, como era, do que se lembram.

Também tiro muitas fotografias como referência. Algumas vezes não dá para tirar fotos, em uma área militar ou perigosa, por exemplo. Então eu desenho rapidamente ali mesmo. Faço também pesquisa em livros. E agora uso a internet, claro. Você usa o Google e acha imagens facilmente. Se quero saber como é determinado veículo militar, por exemplo, digito o nome do veículo e logo tenho minhas referências.

Tudo tem que ser muito visual. Vou atrás de antigas fotos para reconstruir antigos cenários, passeio por lugares históricos. Depois, em casa, com calma, faço o script e só depois começo a desenhar. Esse processo leva anos, faço com calma.

GE – E como fica a questão da interpretação na reportagem em quadrinhos? Porque se no texto já há subjetividade, quando se desenha há uma carga ainda maior dela…

JOE – Desenho não pode ser nada além de interpretação. Pode ser uma interpretação com informação, mas o leitor só pode conhecer aquela história através dos olhos de quem desenha. Até fotografia é interpretação: você escolhe o que vai registrar ou não, faz um recorte, escolhe ângulo, tema. Mas desenho é ainda mais interpretação porque você está deliberadamente montando tudo da maneira que você quer. A linguagem dos quadrinhos não é literal, é interpretativa.

GE – Você não quer tratar dos conflitos de uma maneira distante, certo? Você quer colocar pessoas comuns nas histórias, mostrar que há seres humanos no meio do conflito…

JOE – Sim, os grandes acontecimentos sempre afetam as pessoas, sempre há seres humanos por trás dos fatos. Mostrar isso é muito importante. Você precisa ver o conflito e entender o que aquilo significa para as pessoas. Quando você lê um nome, por exemplo, é somente um nome. Você lê uma citação, pensa “ok”. Mas se você vê uma face, é diferente. Você se lembra dos seres humanos, tem um impacto diferente. Somos criaturas visuais. Basta ver como as revistas atuais, como os sites atuais são construídos: sempre de uma maneira visualmente atraente, é a grande preocupação.

GE – Os Estados Unidos tem uma posição clara sobre o conflito palestino, por exemplo, o governo escolheu o lado dos israelenses. Então você chega trazendo a visão dos palestinos, os que têm menos voz na grande mídia. Isso criou alguma dificuldade para seu trabalho, reações negativas vindas de seu próprio país?

JOE – Houve dificuldades, mas ao longo do tempo as pessoas ficaram mais abertas a essa nova visão. Nos EUA você pode fazer um livro sobre o que você quiser, qualquer coisa. Mas a grande imprensa pode ignorá-lo. Quando meu livro saiu, alguns veículos publicaram resenhas, até o [jornal] The New York Times fez uma resenha.

Contudo, alguns lugares que eu pensava que naturalmente falariam de meu livro, por se encaixar na proposta editorial deles, simplesmente ignoraram, porque traria problemas para eles. Não queriam reclamações de pessoas que diriam que eu estava contra os israelenses, contra o povo judeu. Não são acusações verdadeiras, mas existiam. É como se o meio fosse manipulado pelo público. O povo se mobiliza para impedir que algo com o qual não concordam ganhe espaço.

GE – Você tem ideia de que muitos estudantes usam seus livros para estudar, veem neles uma maneira mais fácil de aprender? No GUIA DO ESTUDANTE mesmo: sempre damos dicas de seus livros para entender a questão palestina, por exemplo.

JOE – Bem, faço meus livros para adultos. Mas sei que podem ser lidos por jovens que estão no colégio, na universidade. Sei que os jovens sabem o que é importante, mas que alguns desses temas podem ser difíceis. E quadrinhos são visuais, é uma maneira mais fácil de abordar um assunto e facilitam o entendimento. Os desenhos proporcionam mais intensidade. Pode ser mais fácil, mas não é superficial. Você lê e percebe que há profundidade.

Mas concordo que há um lado educacional nos quadrinhos. Sempre tento explicar bem as coisas e ajudar a desenvolver o interesse sobre aquele tema. Agora, entre um grande livro tradicional de história e meus livros, recomendo ler os dois, ter uma visão completa daquele tema. Quero que eles leiam outras coisas também.

GE – Você usa os quadrinhos para seu trabalho jornalístico porque obviamente vê vantagens nessa linguagem em comparação ao texto, acredita ser uma maneira poderosa de contar uma história. Qual a grande vantagem?

JOE  – Cada mídia tem suas forças e fraquezas. Claro que eu gosto de texto, leio muitos livros em prosa. O poder dos quadrinhos é que, quando você abre o livro, você imediatamente é transportado para um novo lugar. Pode andar pelas ruas de Gaza. Você vê as pessoas, seus rostos, toda a interação com o cenário. Isso é muito poderoso, cria-se uma atmosfera completa na mente do leitor. //

Compartilhe

Quatro HQs de Joe Sacco para você conhecer

Guilherme Dearo | 11/07/2011

0

Comentários

Imagine poder estudar alguns assuntos importantes e complicados, como o conflito entre israelenses e palestinos, com um livro dinâmico e atraente, que usa uma linguagem contemporânea.

Imagine trocar relatos muitas vezes frios, cheios de números e datas, por relatos humanizados e que contam a história do ponto de vista das pessoas comuns. Para completar, imagine ser transportado para os cenários e imagens daquela época, sentir que se está diante de centenas de fotografias, de um grande filme.

Imaginou? Pois é assim que você estuda quando tem diante de si os livros de Joe Sacco, jornalista que criou o chamado “jornalismo em quadrinhos”.

Sacco, que nasceu em Malta, se formou em jornalismo nos EUA e, mantendo sua paixão pelo desenho, não demorou em cobrir zonas de conflito e contar suas histórias usando a linguagem das HQs, como a região da Bósnia e a região da Palestina.

- Leia a entrevista exclusiva que Joe Sacco deu ao GUIA DO ESTUDANTE

Veja cinco quadrinhos do jornalista que vão fazer você se divertir e ao mesmo tempo entender temas importantes de história, geografia e atualidades:

Notas Sobre Gaza

O mais recente livro de Sacco aborda o massacre de centenas de palestinos ocorrido em 1956, na Faixa de Gaza, pequeno território situado no sudoeste de Israel. Lá se refugiaram centenas de milhares de palestinos que foram expulsos de suas terras quando o estado de Israel foi criado, em 1948.

Sacco viajou à região em 2002 e compara o atual situação com a tragédia de décadas atrás. Ele não relata o conflito de maneira distante, sim ouve civis, pessoas comuns, e traz à tona suas histórias de dor e opressão.

Palestina: uma nação ocupada

Antes de “Notas Sobre Gaza”, Joe Sacco já havia abordado o conflito Israel-Palestina neste livro. Sacco viajou entre 1991 e 1992 ao Oriente Médio e coletou histórias nas ruas, hospitais, escolas e campos de refugiados. Tanto palestinos quanto judeus ganham voz em seus desenhos, não só contando histórias dos conflitos presentes como fazendo um resgate da memória que se ameaça apagar.

Uma história de Saravejo

Sacco viajou à Europa em 2001 para reconstituir fatos e relatar o sangrento conflito étnico ocorrido após o desmembramento da Iugoslávia em diversos outros países, no começo da década de 1990. Na capital da Bósnia, Saravejo, o jornalista encontra o esforço da população para se recuperar da destruição da guerra de anos atrás, que deixou 200 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados entre 1992 e 1995.

Área de segurança: Gorazde

Em sua primeira vez à Bósnia e em Saravejo, Sacco decidiu contar uma história que a imprensa mundial parecia ignorar: na parte oriental do país, onde a ONU criara “áreas de segurança” para impedir que tropas sérvias continuassem a massacrar civis, uma verdadeira limpeza étnica acontecia. A morte de milhares de muçulmanos na Europa parecia ser invisível aos olhos da comunidade internacional. Não para Sacco, que contou a história de Gorazde, uma dessas áreas de segurança onde 2600 pessoas foram mortas.

SAIBA MAIS

- Entenda a questão Israel-Palestina com três filmes e uma história em quadrinhos

Compartilhe