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Nelson Rodrigues solta o verbo

Ana Prado | 23/08/2012

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O escritor e dramaturgo, nascido no Recife e carioca de alma, solta a língua ferina que fez a sua fama de maldito nos anos 60 e 70. Nelson não fugiu de nenhuma pergunta. E o que eu mais gostei foi de ver como todas as suas respostas soavam igualzinho às frases que eu já tinha lido nos seus contos, romances, peças, memórias e crônicas.

Euclides da Cunha: É verdade mesmo que toda mulher gosta de apanhar?

Nelson – Todas, não – só as normais. O homem é que não gosta de bater.

Euclides da Cunha:  Bater resolve?

Nelson – O pior na bofetada é o som. Se fosse possível uma bofetada muda, não haveria ofensa nem abjeção, nada.

Euclides da Cunha: Por que você era obcecado pela fidelidade conjugal?

Nelson – Porque em todo casal há sempre um infiel. É preciso trair para não ser traído.

Euclides da Cunha:  Mas isso é batata?

Nelson – Não existe família sem adúltera.

Euclides da Cunha: Existe o amigo fiel?

Nelson – O amigo nunca é fiel. Só o inimigo não trai nunca. O inimigo vai cuspir na cova da gente.

Euclides da Cunha: O que é importante no casamento?

Nelson – O sexo é o de menos. O que vale é a humildade capaz de beijar os pés e o chão.

Euclides da Cunha:  Como você definiria o ato sexual?

Nelson – O ato sexual é uma mijada.

Euclides da Cunha:  Mesmo no casamento?

Nelson – O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos.

Euclides da Cunha:  Entre o desquite e a traição, o que é preferível?

Nelson – A traição, mil vezes a traição.

Euclides da Cunha:  Mas por que não acabar com um casamento que não tem nada a ver?

Nelson – Porque o casamento já é indissolúvel de véspera.

Euclides da Cunha:  O que é preciso para salvar um casamento?

Nelson – O cinismo. [Risos] É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.

Euclides da Cunha:  Quem pensa mais em sexo, o homem ou a mulher?

Nelson – A mulher é mais pornográfica que o homem.

Euclides da Cunha:  Como assim?

Nelson – Toda mulher que se ruboriza facilmente é sensual.

Euclides da Cunha: Mas isso é uma loucura!

Nelson – A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.

Euclides da Cunha:  Então o negócio é a fidelidade feroz?

Nelson – Não. Deus me livre da virtude ressentida, da fiel sem amor.

Euclides da Cunha: Você acha mesmo?

Nelson – Acho. Certas mulheres precisam trair para não apodrecer.

Euclides da Cunha:  Quer dizer que não há saída?

Nelson – Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Euclides da Cunha:  As mulheres reagem de acordo com a classe social a que pertencem?

Nelson – Não. Qualquer mulher é suburbana. A grã-fina mais besta é chorona como uma moradora do Encantado ou de Del Castilho.

Euclides da Cunha:  Existe a mulher fria?

Nelson – Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

Euclides da Cunha:  Há muitas diferenças entre o Brasil de hoje e o de vinte anos atrás?

Nelson – O desenvolvimento trouxe um medonho estímulo erótico. Nunca o brasileiro foi tão obsceno. Vivemos uma fase ginecológica.

Euclides da Cunha:  Por falar nisso, em todas as suas histórias havia um ginecologista. Por que essa fixação?

Nelson – Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar de batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, de luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

Euclides da Cunha:  Qual é a idade ideal da mulher?

Nelson – Todas as mulheres deviam ter quatorze anos.

Euclides da Cunha:  E a do homem?

Nelson – As paixões mais sérias do homem são dos seis aos dez anos.

Euclides da Cunha: Então essa é a idade ideal???

Nelson – Não, porque, antes dos trinta anos, o homem não sabe nem como se diz bom dia a uma mulher. E, depois dos cinqüenta, o sujeito só tem paixões de ópera, de Vicente Celestino, de primeira página de O Dia e de A Luta Democrática.

Euclides da Cunha:  Por que você era contra o biquíni?

Nelson – Porque o biquíni é uma nudez pior que a nudez.

Euclides da Cunha:  E o decote? Não era uma coisa meio fora de moda preocupar-se com isso?

Nelson – Um vago decote pode comprometer ao infinito. Só o ser amado tem o direito de olhar um simples decote.

Euclides da Cunha:  Mangas cavadas também?

Nelson – A exposição de axilas, fora do local e do momento próprios, é uma degradação.

Euclides da Cunha:  Bem, pelo visto, isso deixou de ser um problema, não? Está todo mundo nu por aí.

Nelson – [Suspirando] – A nudez feminina perdeu todo o suspense e todo o mistério. Vivemos a mais despida das épocas.

Euclides da Cunha:  O sexo impõe alguma objeção física?

Nelson – Aos magros, sim. Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro. Além disso, todo canalha é magro. Já os gordos são de uma mansidão bovina.

Euclides da Cunha:  E para as mulheres?

Nelson – A única nudez realmente comprometedora é a da mulher sem quadris.

Euclides da Cunha:  Existe o amor eterno?

Nelson – Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.

Euclides da Cunha: E isso tem valor para os dois?

Nelson – Sim. O amor não deixa sobreviventes.

Euclides da Cunha:  Então, o amor é uma impossibilidade?

Nelson – Absolutamente. É o amor que impede o homem de trotar pela avenida Presidente Vargas, montado por um Dragão da Independência. Um Dragão de penacho.

Euclides da Cunha:  O dinheiro compra o amor?

Nelson – O dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro.

Euclides da Cunha:  E o pecado?

Nelson – O pecado é anterior à memória. E já existia quarenta mil anos antes do Paraíso.

Euclides da Cunha:  E o ódio, existe?

Nelson – A pior forma de ódio é o ex-amor. Ninguém perdoa aquele ou aquela que deixou de ser amado.

Euclides da Cunha:  Para finalizar: como você explica a sua famosa frase “Toda unanimidade é burra?”

Nelson – Porque quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.

* Texto original de Ruy Castro, publicado na revista Aventuras na História de maio de 2005

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Categoria: Literatura

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Machado de Assis, criador do Realismo brasileiro, fala sobre sua vida e obra

euclidesdacunha | 15/06/2012

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Joaquim Maria Machado de Assis nasceu pobre e doente, tinha epilepsia. Neto de escravos alforriados, foi criado no morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Ajudava a família como podia, não tendo frequentado regularmente a escola. Sua instrução veio por conta própria, devido ao interesse que tinha em todos os tipos de leitura. Aos 16 anos empregou-se como aprendiz numa tipografia e publicou os primeiros versos no jornal “A Marmota”.

Na década de 1870, publicou os poemas “Falenas” e “Americanas”; além dos “Contos Fluminenses” e “Histórias da meia-noite”. O público e a crítica consagraram seus méritos de escritor. Em 1873, o escritor foi nomeado primeiro oficial da secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas. Anos depois foi nomeado diretor geral do Ministério da Viação, o que garantiu a sua estabilidade financeira.

Nos anos de 1980, o escritor inaugurando o Realismo na literatura brasileira. Os romances “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881); “Quincas Borba” (1891); “Dom Casmurro” (1899) e os contos “Papéis avulsos” (1882); “Histórias sem data” (1884), “Várias histórias” (1896) e “Páginas recolhidas” (1899), entre outros, revelam o autor em sua plenitude. O espírito crítico, a grande ironia, o pessimismo e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira são as suas marcas mais características. Em 1897, fundou a Academia Brasileira de Letras, da qual foi o primeiro presidente.

Após a morte de sua esposa Carolina, Machado de Assis fala, com exclusividade, com o GUIA DO ESTUDANTE. Confira.

Euclides da Cunha – Por que o senhor não teve filhos? Foi por não querer legar a eles nossa miséria, como está escrito nas Memórias Póstumas de Brás Cubas?

Machado de Assis - Eu bem que gostaria de ver esta casa movimentada. Desde que minha Carola se foi, nada mais aqui tem graça, nem mesmo as borboletas. Mas quero crer que o senhor não tenha vindo fazer-me perguntas de cunho íntimo.

Euclides da Cunha – Peço desculpas. É que parece haver tanta desesperança em suas histórias… O senhor não acha que a esperança é importante?

Machado de Assis – A esperança é importante, mas pode tornar-se um demônio, uma planta daninha que come o lugar de outras plantas melhores. A esperança é própria das espécies fracas, como o homem e o gafanhoto.

Euclides da Cunha – Vejo ali um belo espelho emoldurado em madeira e me lembrei do conto O Espelho, em que a imagem do alferes, de farda, se confunde com a imagem real. Por que há tantos espelhos em sua obra?

Machado de Assis – Porque a vaidade é um tema que me fascina. Ela tem mil formas, inclusive a mais comum, a da modéstia. E os espelhos são obras humanas; imperfeitos, como todas as obras humanas.

Euclides da Cunha – O senhor foi um poeta romântico e escreveu alguns livros românticos, em que o coração é guiado por paixões contraditórias. Por que o senhor abandonou o romantismo?

Machado de Assis – Será que o abandonei algum dia? Continuo achando, como escrevi em Ressurreição, que, para um coração desenganado, não há imediatamente compensações possíveis nem eficazes consolações. E que a descrição da vida não vale a sensação da vida. Desculpe-me pelas autocitações. Mas eu mesmo sou exemplo de como é insubstituível a sensação de amar e ser amado.

Euclides da Cunha – Mas o senhor é tido como o escritor que rompeu com o romantismo ao escrever Brás Cubas.

Machado de Assis – É verdade, meu jovem, mas nenhuma verdade é inteira. O romantismo foi meu leite de infância, meu doce licor de juventude. Nunca apreciei o rosbife naturalista, isto sim. O realismo a que aderi em meus anos de teatro não foi uma simples oposição ao romantismo. Entre um e outro tentei trabalhar, pois no homem há lugar para todas as contradições. Os extremos se tocam.

Euclides da Cunha – Daí vem o seu gosto pela ironia?

Machado de Assis – Precisamente. Contraí esse gosto dos gregos decadentes, de Luciano, de Swift e Voltaire, dos céticos e desabusados. Aqui no Brasil não prezam a ironia. Preferem a chalaça, a gozação, que têm plateia cativa. Em nosso país, a vulgaridade é um título, a mediocridade, um brasão. E assim continua no regime republicano.

Euclides da Cunha – Muitos, porém, o acham extremamente melancólico e pessimista.

Machado de Assis – É que eles prefeririam que eu lhes dissesse que está tudo bem. Os otimistas costumam ser bobos. Eu tenho minhas rabugens de pessimismo, mas também tenho momentos de expansão alegre, ao menos na presença dos amigos próximos. De resto, prefiro ser reservado. O estilo não é o homem.

Euclides da Cunha – O senhor foi crítico literário, defendeu a independência da literatura brasileira, fundou a Academia Brasileira de Letras para proteger os escritores da desagregação política. Vê bom futuro para a literatura nacional?

Machado de Assis – Nossa independência não se fará em uma ou duas gerações. Mas o senhor pode observar os livros que têm sido escritos nos últimos dez ou 15 anos, como Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Minha Formação, de Joaquim Nabuco, para encher-se de ânimo. Lá na Academia temos, além desses, nomes como José Veríssimo e Olavo Bilac. Exemplos não faltarão para o futuro.

Euclides da Cunha – Esses amigos e colegas acadêmicos chamam-no de mestre. É bom saber que se tem a reputação de um sábio?

Machado de Assis – Agora, meu rapaz, sou obrigado a concordar com Brás Cubas. É como ele diz: “Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas”. Eu trocaria minha reputação pela vida de Carolina, que era o meu par de botas, senão minha roupa inteira. E aqui sigo aquecendo os pés como posso, suportando os remédios amargos que atenuam meus pecados do corpo. Os da alma não têm cura. A alma é tão sutil e complicada que traz confusão à vista nas suas operações exteriores.

*Texto original de Daniel Piza, publicado na revista Aventuras na História de dezembrode 2005

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José de Alencar conta sobre sua vida e carreira

euclidesdacunha | 18/05/2012

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Filho de um senador do império, José Martiniano de Alencar cursou advocacia, mas logo tornou-se político, jornalista e escritor. Foi nessa última carreira que obteve maior destaque para a posteridade. Considerado o maior escritor do Romantismo brasileiro, Alencar criou uma literatura nacionalista, empregando um vocabulário e uma sintaxe típicos do Brasil e evitando o estilo lusitano, que prevalecia na nossa literatura. Na entrevista a seguir, o autor de O Guarani e Iracema fala sobre sua vida e profissão.

Euclides da Cunha – O senhor é filho de um padre. Mesmo depois de violar o voto de castidade, seu pai continuou exercendo o sacerdócio. Esse estigma contribuiu para que o senhor fosse uma criança tímida, que encontrou nos livros o refúgio contra os que zombavam dessa nódoa familiar?

José de Alencar – Advirto-lhe desde já que a vida privada carece da penumbra e do recato. Posso assegurar, apesar disso, que não receio de modo algum que a devassem. Não encontrarão nela nada que me desonre. Não admito, porém, que se lancem palavras vãs contra um dos mais nobres caráteres que este país já produziu: meu pai, o grande senador Alencar.

Euclides da Cunha – Apenas queria saber o quanto essa circunstância familiar contribuiu para a formação de sua personalidade…

José de Alencar – Realmente, há na existência dos escritores fatos comuns, do viver cotidiano, que todavia exercem uma influência notável em seu futuro e imprimem em suas obras o cunho individual. Mas não é esse o caso. Deixemos de bisbilhotices biográficas. Passemos logo à próxima pergunta.

Euclides da Cunha – O senhor nasceu em uma família de revolucionários. Não considera uma espécie de traição histórica sua militância no Partido Conservador?

José de Alencar – De fato, tive como berço o mais puro liberalismo brasileiro. Minha infância política, também é verdade, foi liberal. O sentimento não mudou, mas a razão se esclareceu. Outrora, liberdade para mim era a eletricidade da multidão. Hoje considero a verdadeira liberdade a felicidade calma e tranquila do povo. Pensando bem, considero-me bem mais liberal do que o senhor, que me recusa o direito de pertencer a um partido porque este não foi o partido de meus antepassados. Ao contrário do que deve ocorrer com o nobre repórter, não admito a herança de convicções.

Euclides da Cunha – Na tribuna da Câmara dos Deputados, o senhor sempre se distinguiu por condenar as propostas para a libertação dos escravos. Não acha que os negros merecem ser livres, iguais àqueles que nasceram com a pele branca?

José de Alencar – Não posso, de modo algum, apoiar uma política que tende a precipitar uma revolução social. É uma questão de princípios: sou a favor da evolução, nunca da revolução. Não basta dizer à criatura: “Tu és livre, vai, percorre os campos como uma besta fera!” Não, meu caro, é preciso esclarecer a inteligência embotada, elevar a consciência humilhada, para que um dia, no momento de conceder-lhe a liberdade, possamos dizer: “Vós sois homens, sois cidadãos!” As reformas são lentas, não são cogumelos, que nascem nas primeiras águas da chuva.

Euclides da Cunha – Muitos acham curioso que, apesar de político conservador, o senhor seja também um escritor inovador para os padrões da sua época. Como o deputado José de Alencar convive, no mesmo corpo, com o autor de folhetins e de comédias teatrais?

José de Alencar – Essa suposta contradição é outra bobagem que tem sido usada com frequência contra minha pessoa. Procuram pôr luz sobre o escritor para desqualificar o deputado. Na Câmara, alguns nobres colegas acusam-me de “conviva das musas”. Não acho que exista um Alencar à parte do outro. Minha literatura é essencialmente nacionalista, assim como meu desempenho parlamentar. Nos dois campos, defendo o Brasil. Aquela contradição que o senhor me atribui é apenas o resultado, não direi de sua ignorância, mas da precipitação com que me faz suas indagações.

Euclides da Cunha – O senhor tem fama de colecionar inimigos. Concorda com os que lhe atribuem a pecha de “encrenqueiro”?

José de Alencar – A inteligência é uma ave altaneira, que plana nas regiões elevadas do pensamento. Não se abate aos ataques pequeninos que sofro e que são, se o senhor me permite o que talvez considere uma frase de folhetim, bicadas de tico-tico. Já se referiram por aí, de forma pejorativa, a tudo o que me diz respeito: meu nascimento, meus hábitos higiênicos, minhas obras literárias e até meu físico pouco avantajado. Não sou encrenqueiro, como imagina o senhor. Apenas revido, com elegância e com estilo, às pedradas que me são atiradas sem elegância.

Euclides da Cunha – Mas…

José de Alencar – Sem mais, meu caro. No certame das idéias, onde combatem as inteligências, assim como nos duelos dos antigos cavalheiros, deve-se manter certa cortesia, certa moderação nas expressões que mutuamente empregam os contendores. Se eu tivesse uma organização robusta, seria um homem de ação. Mas minha organização débil fez-me um homem de idéias. O país precisa de ambos: os primeiros dirigem o presente, os segundos preparam o futuro. Passe bem, meu jovem. Tenho mais o que fazer.

*Texto original de Lira Neto, publicado em abril de 2006, na revista Aventuras da História

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