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Karl Marx dá a sua versão sobre o comunismo na URSS

euclidesdacunha | 04/05/2012

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Teórico do socialismo, Karl Marx sempre demonstrou interesse pela história e pela filosofia. Quando tinha 24 anos, começou a trabalhar como jornalista em Colônia, assinando artigos social-democratas que provocaram uma grande irritação nas autoridades do país. Anos depois, em 1848, junto com seu amigo e filósofo Engels publicou o “Manifesto do Partido Comunista”, o primeiro esboço da teoria revolucionária que, anos mais tarde, seria denominada marxista.


Em 1864, foi co-fundador da “Associação Internacional dos Operários”, que mais tarde receberia o nome de 1ª Internacional. Três anos mais tarde, publica o primeiro volume de sua obra-prima, “O Capital” – o segundo e o terceiro volumes do livro foram publicados por seu amigo Engels em 1885 e 1894. Marx morreu no dia 14 de março de 1883.

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Euclides da Cunha – O senhor ficou desapontado com o fim dos regimes comunistas?

Karl Marx – Comunistas?! Meu caro, até uma criança sabe que a experiência russa e de outros países no século 20 não foi comunismo.

Euclides da Cunha – Não? Foi o que, então?

Karl Marx – Capitalismo de Estado, stalinismo, nacional-estatismo… a escolha é sua. Não houve sequer ditadura do proletariado. Houve uma ditadura sobre o proletariado.

Euclides da Cunha – O senhor então admite que errou ao prever o iminente fim do capitalismo?

Karl Marx – Sou filósofo, não sou cartomante. Como já escrevi uma vez, os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem. No século 20, em vez de se rebelar contra o capitalismo, a classe trabalhadora optou por melhorar de vida negociando com os patrões. Veja só o caso do ex-presidente do seu país, o Lula.

Euclides da Cunha – O senhor acha que é o fim da luta de classes?

Karl Marx – Quando vivi aqui, no século 19, o mundo era dividido entre proprietários capitalistas, profissionais liberais – que vocês chamam de classe média – e os proletários, urbanos ou rurais. Mas hoje um proletário se comporta como se fizesse parte da classe média ou se veste como um capitalista. Assim fica difícil lutar.

Euclides da Cunha – Mas por que lutar? Não está bom assim?

Karl Marx – Em termos de renda, não há dúvidas de que há trabalhadores assalariados que estão muito bem. Mas, apesar disso, eles continuam sendo explorados por quem tem os meios físicos de produção. Isso não mudou.

Euclides da Cunha – O senhor se considera marxista?

Karl Marx – Confesso que, por vaidade, fiquei lisonjeado por ter dado nome a uma nova corrente filosófica. Foi agradável ver meu nome estampado em milhares de livros, como os da coleção Os Pensadores. Mas depois, quando me vi transformado em estátuas naqueles condomínios monótonos da ex-União Soviética, fiquei deprimido. Descobri que o marxismo, para muita gente, havia se transformado em religião.

Euclides da Cunha – Por falar em religião, o senhor continua acreditando que ela é o ópio do povo?

Karl Marx – Lembre-se de que, quando eu disse isso, o ópio não tinha a imagem negativa de hoje. Costumo conversar muito sobre esse tema das drogas com meu amigo Freud, que, por sinal, era usuário de cocaína. Aliás, já está na hora de voltar para o além.

* Texto original de Rodrigo Cavalcante, publicado na revista Aventuras na História em maio de 2007

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