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Carlota Joaquina fala sobre a conspiração contra dom João

euclidesdacunha | 20/04/2012

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Nascida infanta da Espanha em 25 de abril de 1775 e morta rainha de Portugal em 7 de janeiro de 1830, Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Borbón y Borbón, ou apenas Carlota Joaquina, tinha um apetite sexual insaciável e um gênio irascível. Conspirou contra o marido dom João e o traiu a torto e a direito. Acompanhando a corte portuguesa em fuga, viveu no Brasil entre 1808 e 1821, mas nunca escondeu seu desgosto por abandonar a Europa. Figura controversa, Carlota tinha suas razões para ser assim – e expôs algumas delas nesta entrevista exclusiva.

- Confira a entrevista com Alexandre, O Grande

Euclides da Cunha – Dona Carlota, a senhora foi acusada de ter sido infiel e uma grande conspiradora. É verdade?

Carlota Joaquina – Olha, digamos que eu levava uma vida meio tediosa, e sempre precisei de fortes emoções. Não tinha novela para a gente acompanhar na época, então eu criava meus próprios romances e intrigas, sabe?

EC – Entendo. Mas sigamos: a senhora pode explicar a mordida que deu em seu marido na noite de núpcias?

C - Claro que posso. Eu me casei aos 10 anos. Já o João tinha 18. Quando ele começou a me agarrar, não tive dúvidas: acertei-lhe uma bela mordida na orelha. Depois disso, o fiz assinar um contrato dizendo que eu poderia consumar o casamento só aos 14. Tenham dó, né?

EC – Mas, mais tarde a senhora se libertou deste trauma, correto? Até dizem que nem todos os seus filhos eram de seu marido…

C - E podem dizer mesmo! Eu tinha muitos amigos… Ok, amantes. E não é possível precisar a origem de todos os guris. Mas não me envergonho e nem me arrependo. Eu tinha opinião própria – só dei azar de ela nem sempre bater com a do senhor meu marido, aquele asno.

EC – A senhora participou de um grupo de conspiradores que tentaram dar o golpe em dom João em 1805. Por que fez isso?

C - Em primeiro lugar, deixe-me esclarecer uma coisa: todo mundo acha que o João era um coitado, que vivia atormentado pela esposa pinel… Não é bem assim. Ele era bem esperto e suas decisões eram bastante políticas. Só que eu achava que ele não tinha pulso firme o suficiente para defender nossa estirpe, a nobreza. A Revolução Francesa já tinha chacoalhado todas as monarquias da Europa e, tempos depois, aquele pulha preferiu fugir do Napoleão no fim de 1807 em vez de lutar.

EC – Mas a senhora acha que os portugueses teriam alguma chance contra Napoleão?

C - Ah, sei lá! E eu entendo de estratégia, agora? Mas preferia morrer lutando. Sou desse tipo. Tanto que, até o fim da vida, jamais deixei de tentar tomar o poder ou controlar as coisas.

EC – E do Brasil, a senhora gostou?

C – É claro que não. Pois você não sabe que, ao sair desse país miserável, bati as solas dos sapatos no porto e declarei que desta terra não queria levar nem o pó?

EC – Eu ouvi falar desta história, mas achei que como outras tantas, fosse lenda.

C - É, talvez seja… Já inventaram tanta história a meu respeito que, para ser sincera, nem eu mesma lembro direito o que é fato e o que é fofoca! Não gostei do calor, dos mosquitos, do mato e de ficar meses sem ter notícias da Europa.

*Texto original de Clarissa Passos, publicado na revista Aventuras na História de 01 de fevereiro de 2008

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Categoria: Brasil, História

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