Guia do Estudante

Curso de Ciência da Computação da UFCG exige criatividade e gosto por ciências exatas. Conheça!

Malú Damázio | 21/10/2014



(Imagem: Thinkstock)

Se você tem afinidade com ciências exatas e procura uma profissão em que possa trabalhar de forma criativa, você provavelmente gostará do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba. “Queira você fazer jogos, desenvolver softwares para pequenos celulares ou para grandes sistemas distribuídos, trabalhar com inteligência artificial, ou mesmo abrir sua própria empresa, dá para aprender aqui”, conta o estudante do último ano, Rigel de Melo. O campo de atuação da Computação é voltado hoje para três grandes áreas: a engenharia de software, que inclui o desenvolvimento de sistemas de informação, a engenharia de hardware, direcionada a arquitetura de computadores e máquinas, e a pesquisa teórica.

>> Leia mais sobre Ciência da Computação da Guia de Profissões do GE

O curso da UFCG é um dos principais expoentes brasileiros em Ciência da Computação e foi avaliado com 5 estrelas pelo Guia do Estudante GE 2014. A graduação se estende por, no mínimo, quatro anos e recebe 90 novos alunos a cada semestre. Com enfoque no desenvolvimento de softwares, a grade curricular também oferece disciplinas de hardware e de teoria computacional. Além de engenheiros de software, outras profissões comuns são gerente de projetos, gerente de redes e administrador de banco de dados, além da carreira acadêmica.

Rigel explica que, além do gosto natural por cálculo no ensino médio, aprendeu a programar durante um curso técnico. Isso fez com que o aluno, que estava em dúvida também entre os cursos de Matemática e Engenharia Elétrica, optasse por Ciência da Computação e ele faz questão de dizer que a graduação excedeu todas as suas expectativas. O estudante do quarto semestre Mateus Dantas escolheu a carreira de Computação após fazer um minicurso de linguagens de programação oferecido pela UFCG para alunos do ensino médio.

Pré-requisitos 

Mateus acredita que a vontade de desenvolver e utilizar a criatividade é decisória para ser um quem quer ser um engenheiro de software ou pesquisador na área de computação. Ao contrário da ideia comum de rotina que se costuma a associar a profissões da área de exatas, Ciência da Computação “é um curso para quem não gosta de muito trabalho mecânico”, revela o estudante. O domínio da língua inglesa também é essencial para quem pretende ingressar na graduação e para qualquer profissional da área, porque a maioria dos livros e das referências de estudo disponíveis em Computação é escrita em Inglês. Além disso, segundo Rigel, grande parte dos professores usará materiais estrangeiros “sem peso na consciência”. Mas sem desespero, hein! Se você ainda não se sente seguro, estudante assegura que ao longo do curso há muitas oportunidades para por em prática o conhecimento da língua inglesa.

Oportunidades profissionais

O mercado de trabalho para o cientista da computação é bastante amplo. As grandes oportunidades ainda estão concentradas no exterior, em empresas como Google, Facebook e Microsoft, mas o campo brasileiro também vem crescendo bastante, explica Mateus. O estudante irá ingressar, em 2015, em um estágio no Facebook. Neste ano, Mateus participou, com mais dois alunos da UFCG, da final de um campeonato internacional de programação, na Rússia, o International Collegiate Programming Contest. “Tive contato com as mentes mais brilhantes do mundo dessa área e pude juntamente com a minha equipe aprender bastante com eles”, conta.

Já Rigel se forma neste semestre e acaba de ser contratado para trabalhar, no próximo ano, como engenheiro de software no Google, em Zurique, na Suíça. O estudante também estagiou por três meses na Microsoft, em Seattle, nos Estados Unidos, e participou do desenvolvimento do Xbox One. Ainda tem dúvidas sobre a escolha do curso? Rigel aproveita pra fazer uma leve invejinha e te cutucar: “Eu joguei no Xbox One antes de todo mundo! Além disso, eu posso acordar sabendo que milhões de pessoas estão usando o que eu fiz. A chance de trabalhar em um produto que será usado por milhões de pessoas todos os dias é algo único de Computação”. E agora, conseguiu se decidir? (=

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Estudantes da USP organizam fórum sobre o curso e o mercado em Editoração

Ana Lourenço | 20/10/2014

editoracao

Você já ouviu falar no curso de Editoração? Ele ainda é um pouco desconhecido, mas vem apresentando potencial atrativo para muitos estudantes indecisos. Para quem quer conhecer melhor a profissão, uma boa pedida é o X Fórum de Editoração, que vai rolar no próximo sábado (25), em São Paulo. As inscrições são gratuitas!

>> Faça aqui sua inscrição
>> Veja a programação e os palestrantes

O evento é organizado inteiramente por estudantes do curso da USP, e propõe discussões e debates sobre a profissão e os futuros do universo editorial. Realizado anualmente desde 2005, o tema deste ano é “Aberto para edição – como incorporar novas ideias”. Serão quatro mesas, a partir das 10h, discutindo os temas “Editoração existe: um panorama do curso”, “Além do papel: a dinâmica da publicação online”, “Questão de gosto? Influências na escolha do livro” e “Limites do mercado: o editorial politicamente correto”.

>> Conheça o curso de Editoração (Produção Editorial)
>> Saiba quais são os melhores cursos da área no Brasil

O Fórum de Editoração tem apoio da Cosac Naify e da Editora 34, que farão venda de livros com desconto no evento. Além disso, haverá dois coffe-breaks durante o dia e outros sorteios de livros entre as palestras.

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Curso de Direito da UFMG é voltado à área pública. Saiba mais!

Malú Damázio | 14/10/2014

 (Imagem: Thinkstock)

Já se imaginou julgando processos e expedindo mandatos de prisão? Consegue se ver também representando interesses de pessoas e organizações em um tribunal? O campo do Direito é bem amplo e envolve o estudo e a aplicação das leis que regem o país. Além das diversas áreas da advocacia, o profissional também pode optar pela carreira jurídica e atuar como advogado público, juiz, promotor de Justiça ou delegado de polícia.

O curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi avaliado com cinco estrelas no Guia do Estudante GE 2014 e possui duração mínima de cinco anos. Oferecido em Belo Horizonte (MG), recebe a cada semestre 200 novos alunos através do Enem, sendo 100 no período matutino e a outra metade na parte da noite.

Conheça melhor a carreira de Direito na Guia de Profissões do GE

O curso da UFMG tem formação direcionada ao Direito Público, que envolve as áreas de Direito Penal, Constitucional, Internacional e Processual, e também abrange o campo do Direito Empresarial e do Civil com profundidade. A grade curricular é composta por disciplinas básicas e reserva boa parte da carga horária para ser completada com matérias optativas, para que o aluno possa direcionar sua formação. Dentre estas matérias está, por exemplo, o estudo de Direito do Consumidor e Direito Eleitoral.

“Sair do ritmo de vestibulando para os períodos iniciais faz parecer que a faculdade é uma calmaria eterna, mas no decorrer do curso precisamos estagiar, assistir a palestras, fazer as matérias optativas, e participar de outras atividades extracurriculares que são exigidas para nos formarmos”, conta Sávio Andrade, aluno do quinto período. O estudante reforça, porém, que mesmo com tantas exigências acadêmicas, ainda há tempo para se divertir bastante nas festas realizadas pelo Centro Acadêmico da própria faculdade.

Sávio lembra que ingressou na graduação com o objetivo de se tornar um juiz ou desembargador. “Posso até virar ministro um dia, quem sabe?”, brinca. “O curso é simplesmente incrível. Inicialmente achei que iria parar na graduação, porém, já dentro da faculdade, decidi seguir até o doutorado”. Para ele, uma das características mais legais da profissão é que ela flerta com várias áreas do conhecimento, como Psicologia, Medicina e Sociologia. Já a aluna Aysla Teixeira, também do quinto semestre, explica que decidiu fazer Direito por influência familiar e pela facilidade com leitura e argumentação. Ela conta que, além das esperadas disciplinas com formação humanística, encontrou no curso um ótimo espaço de discussão de temas da atualidade, como políticas eleitorais e a estrutura jurídica da escolha de um novo presidente.

Estágios

Em Direito, há várias oportunidades de estágio, desde trabalho em escritórios até em instituições públicas, como a Defensoria, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Justiça Federal. Aysla conta que já esteve em contato com os dois tipos de processo. A estudante estagiou em um escritório que tratava de casos particulares, como pensão alimentícia e separação de bens, em que há contato direto com as pessoas envolvidas, e também trabalhou na Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG). A atuação no órgão envolve processos que incluem estados, municípios, e a União.

Na DPMG, Aysla estagia com atendimento ao público, na área da Infância. “É uma área muito pesada, por conta das questões graves com as quais se lida diariamente: crianças que precisam de remédios que o Estado ou o município de Belo Horizonte se recusam a fornecer, cirurgias que esses entes não querem pagar, pais desesperados com a destituição do poder familiar etc. É muito bom ver os casos em que os defensores conseguem fazer o melhor para a criança e obrigar o Estado a pagar o que deve para o tratamento”, explica.

Na Faculdade de Direito da UFMG, além dos grupos de estudo e dos trabalhos de iniciação científica, os alunos ainda têm a oportunidade de realizar trabalho voluntário em projetos de extensão universitária, que proporcionam aprendizado além da sala de aula. No Departamento de Assistência Jurídica (DAJ), os estudantes realizam consultoria jurídica e acompanhamento de ações de comunidades carentes da região metropolitana de Belo Horizonte. Eles também orientam a população sobre o Direito e a prevenção de litígios. “Além de aumentar o conhecimento do aluno ao prestar serviço ao povo, o DAJ permite vivenciar um trabalho com juízes, promotores e outros agentes da área”, reforça Sávio. A Assistência Jurídica Universitária Popular é outro órgão universitário da federal mineira que presta assistência jurídica para a população carente e “produz um Direito mais unido às demandas sociais”, como explica o estudante.

Mitos

Um dos principais medos do vestibulando de Direito é que o curso seja maçante, apenas com leitura e decoreba de leis. Segundo os estudantes da UFMG, você, caro leitor de coraçãozinho inquieto, pode ficar tranquilo! A graduação exige realmente que o aluno sente e leia, mas Aysla conta que, como qualquer curso, há matérias introdutórias mais chatinhas e engessadas, como as de estudo de textos de grandes juristas, mas também as mais específicas e divertidas, direcionadas para as áreas do Direito – Penal, Civil, Empresarial, Processual etc. Nessas disciplinas, os estudantes debatem casos relacionados ao tema da matéria.

Embora a leitura dos textos seja essencial, para Sávio, a principal função do estudante de Direito é debater ideias e contestar aquilo que está posto como regra. “Não é um curso de meros burocratas que apenas recorrem ao que está escrito, é um curso que leva ao questionamento sobre aquilo que está ocorrendo no nosso dia a dia. É muito interessante quando nos é apresentado uma decisão de um juiz sob uma ótica jamais pensada sobre um tema que já estava consolidado”, explica. O estudante garante que já passou o tempo de decorar artigos. “O Direito hoje é um canal de transformação e inovação”.

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Saiba mais sobre o curso de Medicina Veterinária da UFRGS

Malú Damázio | 07/10/2014

Gostar de animais é um dos pré-requisitos para estudar Medicina Veterinária, mas, se esse realmente não for um dos seus pontos fortes, não desanime! Ainda que uma das principais funções do veterinário seja a medicina e o cuidado com animais, a área envolve vários outros campos de atuação, como pesquisa, farmácia, testagem da qualidade de alimentos de origem animal, e até mesmo produção de ração.

Para quem se interessa pela profissão, o curso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pode ser uma boa escolha. A graduação é em período integral e tem duração mínima de 5 anos e meio. A Faculdade de Veterinária de Porto Alegre (RS), onde é ministrado o curso – avaliado pelo Guia do Estudante com cinco estrelas –, recebe semestralmente 50 alunos. O ingresso se dá pelo processo seletivo da própria universidade, em que é possível utilizar a nota do Enem.

Confira mais informações sobre a carreira de Medicina Veterinária na Guia de Profissões do GE

Assim como a maioria dos cursos superiores, a graduação Medicina Veterinária na UFRGS tem os primeiros anos voltados para a formação teórica. Em um primeiro momento, os estudantes fazem matérias como Anatomia, Bioquímica e Fisiologia e, a partir do quarto semestre, as disciplinas práticas começam a aparecer: estudo de patologias, diagnóstico, visitas ao Hospital Clínico Veterinário da capital gaúcha e atendimento a animais farão parte da rotina dos alunos.

 (Imagem: Thinkstock)

Para saber um pouquinho mais sobre o ensino da Medicina Veterinária na UFRGS, o GE conversou com Carolina Berlitz, aluna do quarto semestre. Carolina conta que o que mais a atrai no curso é a interdisciplinaridade das aulas e dos campos de trabalho do profissional. De acordo com o site da própria instituição de ensino, o veterinário pode atuar nos campos de saúde animal, clínica veterinária, saneamento ambiental, medicina veterinária preventiva, saúde pública, inspeção de produtos de origem animal, zootecnia, produção e reprodução animal, ecologia e proteção ao meio ambiente. Confira o depoimento da estudante:

“A veterinária surgiu para mim como uma surpresa: nunca havia pensado em seguir essa profissão e ainda digo para mim mesma que foi destino. Estava em dúvida entre Administração, Biologia, Oceanografia e Relações Públicas. Até que, pelo Sisu, surgiu Veterinária em uma cidade perto de onde eu morava e pensei: por que não?

Quando entrei na graduação da UFRGS, conheci a profissão e o tamanho de oportunidades que ela continha. Existem diversas áreas para serem estudadas: as medicinas, clínicas e cirurgias (mais voltadas para o ambiente hospitalar), a produção de todos os tipos de animais (desde peixes, coelhos e aves até cavalos e bovinos), a habituação de animais selvagens em cativeiro e no ambiente natural. Há também questões legais, como o licenciamento ambiental, a saúde pública (no controle de vetores e de zoonoses) e a inspeção sanitária de produtos derivados de animais. A área comercial abrange tanto produtos de pets quanto aparelhos de diagnóstico e indústrias, e a pesquisa acontece em todas as áreas tentando aprimorar os conhecimentos. A lista é grande. De acordo com o Conselho Federal de Veterinária, as atividades em que estiverem envolvidos animais e inter-relações e seus produtos somente serão realizadas com um profissional veterinário na equipe. O campo é vasto e sempre são requisitados trabalhadores para novas vagas.

É bom aproveitar oportunidades de estágio para conhecer e descobrir que área mais lhe agrada. Na UFRGS, por exemplo, há um hospital em que são aceitos alunos da graduação para acompanhar as rotinas e procedimentos conforme o decorrer do curso. Às vezes precisa-se de um tempo e experiência até acompanhar as cirurgias, por exemplo, mas é muito tranquilo de se realizar o estágio com as aulas. O atendimento é tanto na área de pequenos animais (cão, gato), silvestres (selvagens/exóticos como aves e répteis, bem como pinguins, macacos e diversos tipos de aves) e grandes animais (de campo). A minha universidade tem uma área de formação acadêmica bem forte, então existem vários laboratórios (interdisciplinares também) que oferecem bolsas para participação, tanto em projetos de pesquisa científica quanto projetos de extensão (auxílio e prestação de serviços à população).

Eu optei por realizar estágio noturno em um hospital particular em Porto Alegre. Estou há quase um ano lá e aprendo muito.  No início era bem complicado ficar acordada durante a noite inteira e ter aula no dia seguinte, mas a gente se acostuma e gosta. Não há sensação melhor do que ver um paciente que está acompanhando de pertinho, ver os exames, as cirurgias, fazer cada curativo e depois vê-lo voltar para casa bem. Alguns proprietários até mandam fotos dos seus bichinhos para mostrar como ficaram bem. É gratificante. Vale muito a pena aproveitar oportunidades como essas, pois acredito que apenas conhecendo a rotina e as dificuldades diárias irei me achar em alguma especialidade.

(Imagem: Thinkstock)

A UFRGS é uma baita universidade. O curso é muito amplo pela quantidade de áreas a serem estudadas e bem extenso, porque cinco anos e meio é bastante tempo. A carga horária é puxada, porque, como o curso é integral, basicamente a gente vive na faculdade de manhã cedo até a noitinha. No meu grupo de colegas aproveitamos ao máximo o ambiente universitário. As instalações são muito boas e cada um tem o seu estágio na faculdade. Trocamos muitas informações, estudamos juntos e o chimarrão rola solto durante as aulas. E, claro, as festinhas da faculdade no final das aulas sempre melhora o humor depois de uma semana de provas. Os primeiros semestres são um pouco complicados: as disciplinas básicas são tão difíceis que parecem tentar nos desviar do curso. Mas como ser um bom veterinário sem ter quase morrido para passar pelas cadeiras de Anatomia e Bioquímica? No fim tudo passa, as cadeiras específicas chegam, aprendemos a auscultar, a fazer um bom diagnóstico, a ver os rótulos de inspeção no supermercado e saber como esse processo é importante para a nossa saúde. E, com os estágios, também damos valor ao que vimos nas primeiras aulas do curso.

A recepção dos calouros na veterinária era algo que me deixava nervosa antes de entrar, pois eu ouvi barbaridades sobre o tal evento. A situação, como em várias outras recepções, tem mudado bastante. Temos vários trotes e todos são convidados a participar. O mais interessante é o trote solidário em que a nova turma se divide para buscar alimentos, medicamentos e outros auxílios para doar a um abrigo ou ONG. Na primeira semana de faculdade, somos apresentados aos nossos colegas do curso e da futura profissão, tendo várias festas para nos conhecermos. A universidade também tem um apoio muito forte e próximo dos alunos novos, dos momentos de matrícula ao acompanhamento das aulas.

Para quem está pensando em fazer veterinária, mas não está certo de que é a profissão certa, eu aconselho a se informar com os profissionais da área, assistir aos documentários que tratam do assunto, como os do Animal Planet, e visitar sites como o do Conselho Federal e de revistas veterinárias. Mas o que eu posso garantir é que, mesmo para quem estiver inseguro com a decisão, esse é um dos cursos mais abrangentes que eu conheço e há um mundo de opções e oportunidades ligados a ele. Eu ainda não sei qual será o meu rumo dentro da profissão – pode ser fazendo pesquisa no meio da Amazônia ou na parte de gestão de uma indústria, por exemplo. O que sei é que não me imagino mais fora da veterinária: ela virou o meu mundo!”.

 

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Cinco estrelas: conheça o curso de Psicologia da USP

Malú Damázio | 30/09/2014

Processos comportamentais e fenômenos da mente humana são os principais objetos de estudo do psicólogo. O curso de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) foi avaliado com 5 estrelas no Guia do Estudante GE 2014 e recebe anualmente 70 novos alunos. Com ingresso pela Fuvest – o processo seletivo da USP –, a graduação tem duração total de 5 anos. Após 8 semestres, o aluno recebe o diploma de bacharel em Psicologia e já pode ingressar na carreira acadêmica, mas, para se formar psicólogo, precisa continuar os estudos por mais um ano. A USP também oferece o curso de Psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, no campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

Leia mais sobre a carreira de Psicologia na Guia de Profissões do GE

O grande volume de matérias teóricas é uma das principais marcas da graduação nos primeiros anos. Neles, o estudante terá matérias como Análise Experimental do Comportamento, Introdução à Psicopatologia, Psicologia Social e várias disciplinas de Psicanálise (alô, Freud!). Por ser um campo que abrange diversas áreas do conhecimento, a formação em Psicologia é difusa, com disciplinas teóricas em outras unidades – uma boa oportunidade para quem é curioso e quer saber mais sobre ciências da saúde e humanidades! Genética e Evolução, no Instituto de Biologia, Neurociências, no Instituto de Ciências Biológicas, e Sociologia, Antropologia e Filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, são alguns temas que o aluno irá conhecer.

A prática aparece aos poucos: inicialmente, com visitas e estágios em escolas e hospitais, e principalmente no final do curso, quando os estudantes passam a atender no centro-escola do Instituto de Psicologia. Outra característica da graduação é que 30% de sua grade é composta por matérias optativas em que o aluno escolhe quais temas estudar e direciona sua formação para os campos de conhecimento com que tem mais afinidade. Psicanálise, psicologia comportamental, gestalterapia, abordagem centrada na pessoa e psicologia junguiana são algumas linhas terapêuticas que podem ser seguidas pelos estudantes ao longo de sua experiência profissional.

O Guia do Estudante conversou sobre o curso da USP com Guilherme Raggi, aluno do décimo período. Guilherme acabou de se formar bacharel e, em dezembro, receberá o diploma de psicólogo. Desde o início do ano, também é aluno do mestrado no Instituto de Psicologia e desenvolve estudos sobre hipnose e seus reflexos no comportamento humano. Ele conta que desde que entrou na Psico – apelido carinhoso dado à faculdade – já mudou muitas vezes de ideia e aprendeu a respeitar o tempo e o processo de assimilação e aprendizagem de cada pessoa.

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(Imagem: Getty Images)

GUIA DO ESTUDANTE: Como e por que você decidiu fazer Psicologia? O curso atendeu às suas expectativas?

Guilherme Raggi: Eu era muito curioso com tudo. Desde pequeno, queria ser cientista porque adorava saber como as coisas funcionavam. Eventualmente, me interessei por como o cérebro humano funcionava e isso me levou a pensar mais e prestar atenção às coisas que as pessoas faziam, e a tentar entender por que e como isso se dava. Na adolescência, descobri que sendo psicólogo eu poderia entender melhor essas coisas e também poderia pesquisá-las. Fui me informando e soube que o curso de Psicologia da USP era forte na pesquisa. Então, não tive dúvidas. Nem cheguei a prestar o vestibular em outros lugares. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes.

GUIA: Qual o enfoque do curso da USP? O que você gosta mais de estudar?

Guilherme: O curso, de certa forma, te direciona bastante para a carreira acadêmica. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes. Como o curso é bem diverso (e os alunos também), cada um acaba gostando mais de uma área. Eu gosto muito de psicologia experimental e neurociências. Tenho vários amigos que gostam muito da clínica e outros que gostam de temas mais sociais e políticos. A psicologia permite trabalhar em todos esses campos de algum jeito.

GUIA: Você já tem ideia de que campo de trabalho quer seguir quando se formar? Quais são as principais áreas de trabalho?

Guilherme: Eu entrei com a ideia de seguir carreira acadêmica e continuar fazendo pesquisa. Muita gente muda de ideia durante a faculdade, mas eu acabei continuando com esse plano e fascinado pelo trabalho como pesquisador. Muita gente acha que psicologia só leva as pessoas ou pra clínica em consultório ou pro RH de empresas. Essas são grandes áreas mesmo, mas tem muita variedade que você acaba conhecendo quando se aprofunda. Dá para trabalhar como psicólogo em escolas, em ONGs variadas, auxiliando juízes nos fóruns, ou mesmo no planejamento de políticas públicas.

GUIA: E você já fez estágio ou está estagiando?

Guilherme: Já sim, estou bem no final do curso. Os estágios são sempre feitos com a supervisão de psicólogos experientes e nós atendemos pessoas de várias formas, usualmente no nosso serviço-escola e às vezes em outras unidades de saúde. Nós passamos pela experiência de fazer atendimentos “de verdade”, com pessoas com as mais variadas dificuldades; temos de escrever relatórios, às vezes aplicar testes e pensar muito sobre os casos. Como as pessoas e os atendimentos variam muito, tem sempre muito a ser feito.

GUIA: Como é lidar com gente, sentimentos, conflitos internos, inseguranças? De vez em quando bate aquela deprê?

Guilherme: Uma das coisas fundamentais que nós treinamos como psicólogos é não julgar o outro. Tem pessoas que aparecem com um sofrimento profundo por coisas que pra nós (que também temos os nossos sentimentos) não fazem o menor sentido. Para que nós consigamos tratar todo mundo com respeito é necessário saber bem o que você acha sobre tudo aquilo, justamente para conseguir “deixar de lado” e ouvir de verdade quem está ali com você. Tem situações em que a pessoa está com você na sala, “com o coração na mão”, falando de um conflito gigantesco; se você está ali, preso no que você pensa sobre aquilo, em sua opinião, deixa um monte de coisas importantes passarem.

GUIA: O que você diria para o leitor que quer fazer Psicologia, mas não sabe ainda se essa é a profissão certa?

Guilherme: Como a psicologia é muito variada, não tem outro jeito de conhecer bem sem conversar com pessoas da área e olhar mais de perto a grade dos cursos nas faculdades. Mesmo entre universidades, os cursos variam muito. Outra coisa importante é sempre conversar com mais de uma pessoa, porque cada um vai contar uma coisa (às vezes quase complemente) diferente do curso. Ter a cabeça aberta também é bem legal, porque é fácil mudar de ideia sobre o que você quer fazer profissionalmente depois. No cinema e em outras mídias existem muitos estereótipos do que o psicólogo faz, e nem de longe isso representa as possibilidades de quem se forma nesse curso.

GUIA: Como assim? Quais estereótipos?

Guilherme: Ah, há algumas imagens difundidas que contribuem para uma certa “cara” da nossa profissão. Há a imagem do psicólogo como aquela pessoa que só ouve e faz “cara de paisagem”. Parte disso pode até ser verdade para uma parcela dos profissionais, mas não é tão simples assim. Uma coisa muito importante que nós aprendemos durante o curso é aprender a ouvir, a ter sensibilidade para o que a outra pessoa está falando. O curioso é que isso é diferente daquela história de “eu sou um bom ouvinte”. Ouvir, no nosso caso, é um trabalho ativo, que leva em conta todo o nosso preparo teórico pra escutar atentamente o que a pessoa diz e entender como isso se relaciona com a história dela, além de pensar o que fazer a partir disso. Outra coisa que muita gente pensa quando se fala em psicologia é que você estuda “para poder se entender”. Não é bem assim que a coisa funciona. Quando você estuda modelos para compreender como as pessoas são e porque elas fazem o que fazem, você pode perceber muitas coisas sobre você e sobre os seus amigos e familiares. Nem sempre isso é fácil. Mesmo na clínica tem horas que a pessoa conta uma coisa que “bate fundo” em você. Por isso é importante estar bem justamente pra conseguir colocar um pouco de lado o que é seu para que você possa ajudar as outras pessoas.

GUIA: Opa! Assunto importante: a recepção dos calouros na Psicologia é legal? Os veteranos são amigáveis? Dá tempo de se divertir? Hehe.

Guilherme: O trote na Psico é bem bacana. Os veteranos são muito amigos, e mesmo que eles peguem no pé, ninguém faz nada que não quer. O dia acaba sendo muito legal, porque você se entrosa muito com a sua turma e conhece o pessoal mais velho no curso. Além disso, depois rola uma semana inteira de atividades planejadas pelos veteranos para todo mundo se conhecer melhor e dar apoio. Geralmente, os alunos mais velhos doam para os calouros os materiais que não usam mais para as disciplinas, ajudam nas discussões e explicam conceitos. E dá tempo de se divertir sim! O curso de psicologia na USP é integral, mas não tem aula o dia todo. Aí nessas “janelas” é fácil conviver com pessoas de vários anos, organizar os estudos, ler textos ou fazer alguns estágios.

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