Guia do Estudante

Engenharia de Aquicultura na UFSC tem como enfoque a produção de espécies aquáticas

Malú Damázio | 16/12/2014

(Imagem: Thinkstock)

O curso de Engenharia de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é um dos mais antigos do país nessa área e tem como enfoque formar profissionais capazes de administrar produções de espécies aquáticas, como peixes, crustáceos, moluscos e plantas aquáticas. A cada semestre a graduação, avaliada com 5 estrelas no Guia do Estudante 2014, recebe 40 novos alunos. O curso diurno, ministrado no campus de Florianópolis, tem ingresso pelo processo seletivo da própria universidade e duração mínima de cinco anos.

Ao longo da graduação, os estudantes estarão em contato com disciplinas que vão desde os tópicos mais teóricos, como Fundamentos em Solos, Hidrologia e Climatologia, Matemática e Ecologia de Sistemas Marinhos, até temas mais próximos da vida de um engenheiro de aquicultura. Cultivo de Moluscos, Tecnologia Pós-Despesca, Patologia de Organismos Aquáticos, entre outras matérias mais específicas, passam a fazer parte da grade curricular nos anos seguintes. Além das disciplinas laboratoriais, a graduação da UFSC tem enfoque prático, como conta Diogo Bagatin, aluno do oitavo semestre. “Além de sairmos da sala de aula para conhecer as estruturas de fazendas de cultivo parceiras, a maioria das disciplinas tem projetos e aulas práticas”.

Diogo explica que o curso não está voltado para um só tipo de nicho produtivo de organismos aquáticos. “Temos vários laboratórios, como de estudos de camarões, peixes de água doce, peixes marinhos, microalgas, moluscos…. até polvos já estamos conseguindo reproduzir em laboratório!”, revela. Mathias Pchara, estudante do nono semestre, também considera as aulas práticas como um dos pontos mais “empolgantes” da graduação. “Nós fazemos algumas saídas de campo em que visitamos produtores ou empresas da área para vermos como funciona cada etapa do que aprendemos na graduação. Há também práticas bem divertidas como fazer a despesca em tanques de peixes de água doce”, conta.

>> Saiba mais sobre a carreira do engenheiro de aquicultura

Mercado de trabalho

O aluno, que estagia na seção de macroalgas do laboratório de camarões marinhos da universidade, afirma que pretende ingressar no mestrado para seguir com os estudos sobre algas. Além desse campo de trabalho, um engenheiro de aquicultura também pode atuar em outras áreas de destaque, como em produção de organismos aquáticos, nutrição, melhoramento genético, gestão de negócios, processamento e beneficiamento, tratamento de efluentes, construção civil, hidráulica, patologias, qualidade de água etc. Entretanto, ao contrário do fluxo normal de trabalho que agrega as principais oportunidades em grandes centros, Diogo lembra que o mercado para o profissional está, em sua maior parte, concentrado em fazendas aquícolas no interior do país.

>> Conheça também a graduação tecnológica em Aquicultura

Mathias lembra que decidiu por Engenharia de Aquicultura ao acompanhar a experiência positiva de seu irmão mais velho, também aluno do curso da UFSC. “Depois de entrar, me encantei pela graduação. Para cultivarmos animais aquáticos precisamos aprender os diversos aspectos do funcionamento de seu organismo e isso é impressionante”. A proximidade de um amigo que cursava Aquicultura também foi o que levou Diogo a pesquisar mais sobre a carreira. Saber que se tratava de uma área de trabalho em crescimento e que traria contato direto com o meio ambiente foi decisivo para que o estudante optasse por essa graduação.

Vida de universitário

Para quem se interessa pelo campo de aquicultura, os estudantes fazem questão de ressaltar que vale a pena estudar na UFSC. “Nós temos excelentes professores que estão sempre buscando novos métodos de estudo e aprendizado”, diz Mathias. Além disso, Diogo conta que os calouros da graduação passam por dois trotes bastante divertidos: o trote ecológico e o trote sujo. “No trote ecológico, os alunos vão a algum ponto de Florianópolis, como em ilhas nas proximidades, praias, mangues, para coletar lixo. Já no trote sujo, que é voluntário, os alunos participam de uma gincana junto com calouros de outros cursos da universidade”, explica.

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Profissional de Relações Públicas desenvolve estratégias de comunicação para instituições. Conheça o curso da USP!

Malú Damázio | 08/12/2014

(Imagem: Thinkstock)

Você sabe o que um profissional de Relações Públicas faz? Ele desenvolve planos de comunicação para empresas, órgãos públicos e instituições do terceiro setor (ONG) tanto internamente, estabelecendo, por exemplo, um canal de diálogo entre funcionários e a corporação, quanto externamente, ao cuidar da imagem da instituição perante seus clientes. Além disso, o relações públicas (ou RP, como é chamado) também está presente em assessorias de imprensa e agências de comunicação que realizam esse tipo de serviço.

Achou interessante? Então, você vai gostar de conhecer o curso da Universidade de São Paulo (USP). Avaliada com 5 estrelas pelo Guia do Estudante 2014, a graduação é uma habilitação da área de Comunicação Social e recebe, por ano, 50 novos alunos – 20 para o período da manhã e 30 à noite. O ingresso no curso se dá por meio do vestibular da USP, a Fuvest, e as aulas são ministradas na Escola de Comunicações e Artes (ECA), na Cidade Universitária.

A graduação é uma das mais abrangentes em Comunicação Social. Ao longo dos semestres, os estudantes têm matérias tanto do campo teórico, como semiótica, quanto de ordem técnica. Assessoria de imprensa, produção audiovisual, design de artes publicitárias e organização de eventos serão algumas disciplinas que abordarão práticas comuns do profissional no mercado de trabalho. Para Pedro Giannetti, estudante do terceiro ano de Relações Públicas, o maior diferencial do curso da USP é, no entanto, o enfoque teórico. “Essas matérias te fazem refletir, te ajudam a formular um senso crítico e também a desenvolver o seu próprio ponto de vista sobre as coisas”, conta.

>> Saiba mais sobre a carreira de Relações Públicas

Outro ponto levantado pelo aluno é o fato de que a USP fornece várias oportunidades de intercâmbios acadêmicos em universidades de comunicação pelo mundo todo. O curso da instituição também é uma boa pedida para quem se interessa por pesquisa acadêmica e oferece bolsas de iniciação científica e em estágios internos.

A estudante Isadora Meirelles teve muitas dúvidas antes de ingressar na graduação de Relações Públicas. Ela conta que chegou a prestar vestibular para diversas carreiras na área de humanas, mas não conseguia se decidir até ler mais sobre o curso de RP. “Tinha prestado Moda, Direito, Relações Internacionais, Economia, Administração, mas nada me agradava. Foi então que, durante uma busca pelos cursos da USP, deparei-me com o curso de Relações Públicas e me encontrei. Ele unia tudo que eu mais gostava e que eu me considerava boa: comunicação e humanidades”, lembra a aluna.

Apesar do enfoque teórico do curso, Isadora destaca que já teve diferentes oportunidades de prática em Relações Públicas por meio de estágios ao longo da graduação. Ela teve experiência na área de marketing institucional, na qual aprendeu sobre branding (formação de imagem) e estratégias institucionais de comunicação. “Agora, trabalho em uma instituição do terceiro setor com enfoque em pesquisa e me visualizo trilhando a vida acadêmica”, diz. A aluna ainda enfatiza que, apesar de vasto, o campo de RP se concentra principalmente nas grandes capitais brasileiras.

“Não temos nenhum tipo de laboratório, o que pra mim é um grave defeito no curso. Porém, você pode contornar isso se envolvendo nas entidades estudantis, como a Agência Junior dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Turismo, ou até em atividades outas áreas da comunicação e das artes”, explica Pedro. Entretanto, o estudante conta que a vivência prática aparece com maior força nos últimos três semestres da graduação. Neles, os alunos se envolvem em um grande projeto em que criam a própria agência do zero e desenvolvem um plano de comunicação aplicado a uma empresa, agência ou ONG já existente.

 

Palavra de Estudante

Isadora Meirelles: “Sabe se relacionar e tem ideias criativas para executar uma ideia e fazer com que outros a entendam? Você está na profissão certa. Tem que ter muito jogo de cintura para lidar com situações de crise e apresentar soluções práticas para problemas aparentemente complexos. Isso é ser RP.”

Pedro Giannetti: “A recepção do calouro de Relações Públicas é incrível. Tenho certeza que todo mundo que já fez ECA lembra como se fosse ontem da sua entrada na universidade. Os veteranos são animados, brincam, fazem piadas mas também te ajudam e dão dicas, se for o caso. Mas o mais importante, te tratam com muito respeito e carinho. Me senti “parte da família” desde quando os veteranos vieram me caçar no Facebook para me adicionar no grupo da sala. Para os calouros da ECA, temos a Semana dos Bixos, uma semana de recepção com várias atividades, gincanas, churrasco e festa organizadas pelo veteranos. Entre os RPs, temos o famoso “Churrasco de RP’, organizado pelos veteranos e totalmente sem custo para os bixos. É tradição que os veteranos tenham que pagar.”

 

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Amazônia é um dos principais enfoques do curso de História na UFPA

Malú Damázio | 02/12/2014

(Imagem: Thinkstock)

Já parou para pensar que a História que você aprendeu até agora no colégio é, na verdade, muito mais interessante, extensa e cheia de desdobramentos? Pois é isso que os alunos da graduação em História da Universidade Federal do Pará (UFPA) nos contam. “O curso é totalmente diferente do que aprendemos na escola, mas é uma boa surpresa. Nossa visão de mundo fica completamente modificada”, revela Rayme Tiago, estudante do oitavo semestre. Segundo o aluno, a grande diferença entre os ensinos médio e superior é que o primeiro estuda principalmente fatos históricos, enquanto, na faculdade, os estudantes aprendem o processo de construção e a metodologia dos acontecimentos.

Para Felipe Monteiro, que encerra a habilitação em licenciatura neste semestre, o principal desafio da carreira de professor é descobrir novas dinâmicas e novas formas de atrair o aluno do ensino médio. “O ensino de História nas escolas ainda segue tendências educacionais mais enxutas, que simplificam bastante um conteúdo extenso. É muito importante que nós, recém-formados, tentemos alterar essa realidade”. Entretanto, o estudante do oitavo período Marcus Ténorio reforça que, apesar das diferenças entre o aprendizado no colégio e na faculdade, nada impede que um aluno egresso da educação básica se interesse pelo modelo de estudo universitário. “No ensino superior estudamos Historiografia, ou seja, o entendimento de um autor sobre determinado assunto”, explica.

Aliás, o desejo de estudar História foi despertado justamente pelas aulas do colégio, conta Marcus. E agora, perto da conclusão do curso, o aluno lembra que a prática em sala de aula é uma das melhores experiências que a graduação o proporcionou. “Todos os momentos em que eu me encontrei com uma turma de alunos para dar aula foram especiais. Um misto de ansiedade, nervosismo e empolgação”. Já Felipe começou a se interessar por História através das histórias que seu avô contava. “Sempre fui muito nostálgico, gostava de colecionar pequenas antiguidades como gibis e figurinhas”, completa.

>> Saiba mais sobre a carreira em História

Além da licenciatura, o curso da UFPA – avaliado com 5 estrelas pelo Guia do Estudante 2014 – também oferece como habilitação o bacharelado em História. Dessa forma, os estudantes podem escolher entre a carreira de professor – seja ele acadêmico ou dos ensinos fundamental e médio – ou a de historiador. Isso quer dizer que o profissional também pode atuar como pesquisador, na área de arquivologia (organizando e coordenando arquivos), no campo de preservação do patrimônio histórico e em museus e centros culturais.

Estrutura do curso

O curso de História da UFPA é oferecido no campus de Belém e também nos campi de Soure, Bragança e Cametá, no interior do estado, e tem duração mínima de 9 períodos (4 anos e meio). Em Belém, são abertas, a cada ano, 15 novas vagas para o bacharelado e outras 30 para a licenciatura. O ingresso na graduação se dá por meio da nota do Enem. Por pertencer a uma universidade paraense, o ensino de História na graduação é voltado, principalmente, aos estudos e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Entretanto, disciplinas que abordam temas de acordo com a temporalidade, como, por exemplo, antiguidade grega e romana, feudalismo, idade moderna e contemporânea também fazem parte da grade curricular.

“O curso é bastante teórico. A leitura é muito exigida para um acadêmico de história, porém também temos matérias de campo, como antropologia e os estágios supervisionados”, conta Marcus. Os estágios se desdobram em quatro disciplinas: na primeira, com viés antropológico, o estudante participa de aulas de história no ensino básico como observador e faz um relatório sobre suas experiências de ouvinte. Já nas outras três disciplinas ele já deve ministrar aulas para o ensino fundamental e médio. “O historiador só se completa quando se engaja nas questões sociais”, lembra Felipe.

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Saiba mais sobre o curso de Agronomia da UFV

Malú Damázio | 27/11/2014

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(Imagem: Thinkstock)

O curso de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa (UFV) é um dos mais tradicionais da instituição mineira – inicialmente criada para abrigar graduações no campo das ciências agrárias. Se uma vida fora da correria das grandes cidades e o contato com a natureza estão entre seus planos para o futuro, caro leitor, você pode se interessar por Agronomia. O agrônomo é responsável por desenvolver atividades e tecnologias que aprimorem desde o cultivo de solos e a criação de rebanhos, até a comercialização de alimentos de origem vegetal ou animal.

Na UFV, a graduação é oferecida em dois campi no interior de Minas Gerais: o de Viçosa, que recebe anualmente 210 novos alunos, e o de Rio Paranaíba, com entrada de 40 estudantes por ano. A principal diferença entre os dois está no enfoque dos estudos, já que o campus de Viçosa está situado na zona da mata mineira, área de pequenas e médias propriedades agrícolas, e o de Rio Paranaíba se localiza no triângulo mineiro, local de grande potencial produtivo. “Nós temos mais contato com os pequenos produtores, mas estudamos também as novas tecnologias presentes no mercado. Já em Rio Paranaíba, os alunos têm mais facilidade para entrar em contato com técnicas, porque podem estagiar nas grandes propriedades da região. Mas em ambos os campi os estudantes têm o panorama do agronegócio, tanto para o pequeno, médio e grande produtor rural”, explica Matheus Caetano, aluno do sexto período em Viçosa.

Durante o curso oferecido em período integral, os alunos passam por disciplinas iniciais de áreas como Biologia, Cálculo, Química e Física e depois se aprofundam em estudos sobre o solo, mecanização de lavouras, presença de insetos, plantas daninhas, controle de doenças, irrigação, manejo de culturas, construções rurais, entre outros temas. Matheus conta que a maioria dos profissionais formados pela UFV ingressa na carreira acadêmica como pesquisador ou passa a trabalhar em empresas que atuam nas grandes áreas produtoras do Brasil, principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

“O Brasil é uma grande potência agrícola e faltam profissionais qualificados para explorar ainda mais este potencial. O curso é uma ótima opção se a pessoa gosta de lidar com situações diferentes ou inusitadas diariamente, já que nós, agrônomos, lidamos com seres vivos que nos impõem desafios diários e temos que descobrir meios de produzir cada vez mais provocando o menor impacto possível”, reforça Matheus.

A formação em um curso técnico em Meio Ambiente foi decisiva para que Geilson Junior, aluno do segundo semestre em Viçosa, decidisse por Agronomia. O estudante conta que sempre esteve em contato com o campo e com o meio rural porque seu pai é agricultor e pecuarista. “Gosto muito de coisas práticas, colocar a mão na massa, sentir a terra, visitar fazendas e no final da tarde chegar em casa com a botina toda suja de barro. Prefiro sair a campo, do que ficar dentro de uma sala”, conta.

Você deve estar se perguntando se a área de atuação do agrônomo está restrita só ao meio rural, não é mesmo? Ainda que a maioria de suas funções esteja relacionada a atividades no campo, o agrônomo também pode trabalhar em grandes cidades. O profissional pode realizar, por exemplo, o controle de qualidade em indústrias de fertilizantes e o processamento de produtos agrícolas na sede de empresas do agronegócio. Além disso, como o Brasil é um dos maiores produtores de commodities do mundo, o agrônomo também é responsável por negociar o preço desses produtos – milho, algodão e soja são alguns exemplos – no mercado de capitais.

Apesar de se interessar bastante pelas atividades de campo, Geilson afirma que não quer trabalhar somente no meio rural. “O ambiente empresarial também é algo que me instiga muito, poder gerir e liderar pessoas é algo que me atrai. Assim, creio e espero que meu futuro seja em algo que eu possa conciliar esses dois aspectos. Quero ter uma empresa ou trabalhar em algo em que eu possa empreender e também ter contato com o campo”.

Vida de estudante

Os estudantes lembram que a graduação da UFV é bastante interdisciplinar, com enfoque em pesquisa científica, mas também com atividades práticas de extensão rural. Nelas, os alunos entram em contato com produtores rurais para transmitir técnicas de cultivo aprendidas em sala de aula. Já a empresa júnior do curso, AgroPlan-UFV, pode ser uma boa maneira de se aprender técnicas de gerenciamento e empreendedorismo rural. “Além desenvolver a parte prática e prestar consultorias nesse ramo, que é fazer de fato o que um agrônomo faz, a atividade na empresa nos dá oportunidade de vivenciar algo que a graduação não nos permite: o aprendizado por gestão e a cultura empreendedora. Lidamos com pessoas, gerindo-as, e com clientes, ao desenvolvermos serviços na área agrária”, diz Geilson.

A recepção dos calouros também é bastante animada no curso de Agronomia. Por Viçosa ser uma cidade universitária, veteranos e calouros estarão em contato a todo momento, como explica Matheus. “Aqui nós temos um espirito muito colaborativo em que os mais velhos auxiliam os mais novos no curso. A empresa júnior e o centro acadêmico desenvolvem uma série de atividades de boas-vindas e de integração com os calouros. Não recomendo ficar de fora, já que nesses eventos fazemos os amigos que iremos levar para o resto da graduação”. Geilson completa: “Não é difícil se entrosar com os veteranos, visto que há na cidade, principalmente no inicio do período, muitas festas realizadas justamente para esse intuito, como as calouradas e integrações em republicas tradicionais de Viçosa”.

SAIBA MAIS

- VÍDEO: O que faz o agrônomo? Um profissional conta para você

- Tudo sobre a carreira em Agronomia

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Curso de Engenharia Química da Unicamp é direcionado a processos industriais

Malú Damázio | 18/11/2014

(Imagem: Thinkstock)

Você sabe o que faz um engenheiro químico? Esses profissionais geralmente atuam com a otimização de processos industriais que ocorrem a partir de transformações físicas ou químicas. Ou seja, eles são responsáveis por simplificar e facilitar os procedimentos industriais, de modo que a empresa produza mais e gaste menos. A atuação desse engenheiro é ampla e versátil: ele pode trabalhar tanto em áreas como a indústria do petróleo quanto no campo do meio ambiente e das energias sustentáveis. Se você se interessa por essa carreira, vai querer saber um pouco mais sobre a graduação de Engenharia Química da Unicamp. Ministrado em Campinas, no interior de São Paulo, o curso existe há 35 anos e foi avaliado com 5 estrelas pelo Guia do Estudante 2014.

A cada ano, 100 novos alunos ingressam em Engenharia Química por meio do processo seletivo da universidade. O curso possui duas turmas, uma em período integral, que recebe anualmente 60 estudantes e tem duração mínima de cinco anos, e outra no período noturno, com 40 alunos e seis anos de duração. O curso da Unicamp aborda disciplinas gerais nos primeiros anos, como cálculo, química, física e programação, que fazem parte do Ciclo Básico, e depois se aprofunda em matérias mais específicas da Engenharia Química, como reatores químicos, termodinâmica e separações.

Saber ler em inglês é um dos pré-requisitos para os estudantes, já que boa parte dos livros didáticos e dos artigos acadêmicos está escrita nessa língua. Além disso, quem tem vontade de ser engenheiro químico também precisa estar disposto a encarar umas (muitas) continhas matemáticas ao longo do curso. “Temos que fazer muito muito muito cálculo! Ter o domínio de HP (calculadora utilizada por engenheiros), Excel, e outras ferramentas é essencial”, lembra a aluna do décimo semestre Mariana Zanetti.

>> Saiba mais sobre o curso de Engenharia Química na Guia de Profissões do GE 

Ao contrário do que a maioria dos estudantes de ensino médio pensa, o campo de atuação do engenheiro químico pouco tem a ver com a química propriamente dita. “Na verdade, o curso devia se chamar engenharia de processos e tem muito mais física do que química! Mas mesmo assim ele é muito interessante”, explica o estudante do décimo período, Guilherme Gomes. Ele conta que, além da área de processos industriais, o engenheiro químico também pode atuar em pesquisa e desenvolvimento de produtos, na área ambiental e com projetos de equipamentos e plantas.

A vontade de exercer uma função que pudesse impactar positivamente a sociedade foi o que motivou o aluno do quarto ano Bruno Leite a optar por Engenharia Química. O estudante conta que pretende trabalhar, quando formado, nas áreas ligadas ao meio ambiente ou que tenham enfoque em desenvolvimento de produtos. “Quero atuar em algo no qual meu trabalho influencie diretamente no dia a dia do consumidor”, afirma. Além da afinidade com matemática e química, o impulso social também foi o que motivou Mariana a ingressar no curso da Unicamp. A aluna ressalta, porém, que a falta de matérias de humanas ao longo da graduação a decepcionou. “Claro que é um curso de exatas, mas ainda assim gostaria que houvesse mais interface com a sociedade, principalmente por se tratar de uma universidade pública.”

Tanto Mariana quanto Bruno não têm dúvidas de que o curso de Engenharia Químico é bastante acadêmico. O modelo da graduação não difere muito de outras áreas da Unicamp, que é uma universidade direcionada à formação de pesquisadores. Apesar de ter disciplinas laboratoriais durante oito semestres, Bruno questiona como se dá a aplicação dos conceitos aprendidos em sala de aula. “Muitas vezes os laboratórios consistem em coleta de dados amostrais que vão gerar apenas uma discussão num relatório sobre algum tema de alguma disciplina”, explica.  “O curso se volta mais para fundamentos, teoria e projetos do que para a aplicação prática e para a interface com a indústria”, completa Mariana. A estudante conta que as disciplinas de operações unitárias, em que os alunos aprendem a projetar equipamentos, são suas preferidas. “É quando nós sentimos realmente engenheiros!”

Engenharia Química X Química

Por se tratar de uma profissão muito versátil, muitas pessoas confundem a atuação e o campo de estudos do engenheiro químico com o de um profissional da Química. A diferença entre essas duas profissões está, basicamente, na escala: enquanto o químico trabalha em escala laboratorial, o engenheiro químico atua em escala industrial. “Enquanto o químico faz o bolo, o engenheiro químico foca em produzir toneladas de bolo!”, brinca Bruno. Além disso, segundo Guilherme, o curso de Engenharia é voltado a questões mais práticas, como design de equipamentos, otimização de processos industriais e análise econômica, ao passo que o curso de Química, embora tenha matérias práticas, é majoritariamente teórico. O estudante ainda explica que a Engenharia Química se difere das outras engenharias por ser “o único curso no qual há um estudo de reações químicas e processos de separação, como filtração, destilação, extração etc”.

 

Palavra de Estudante

Bruno Leite: “O que mais me fascina na Unicamp é que, por ser uma universidade no interior, você tem contato com pessoas de todo o Brasil e vivencia diariamente o ambiente universitário, já que muita gente não é de Campinas e vem morar aqui só para estudar. A universidade oferece várias oportunidades de atividades extracurriculares e eu recomendo a todos que aproveitem isso ao máximo. Fui parte da Empresa Júnior de Engenharia Química (Propeq) durante três anos, sendo minha ultima posição a de Diretor de Projetos Sociais. Coordenava uma equipe de nove voluntários membros da empresa com o objetivo de desenvolver, aplicar e gerenciar projetos sociais em Campinas e seus arredores.”

Mariana Zanetti: “As áreas de trabalho em Engenharia Química são as mais diversas possíveis! Desde engenharia de processo, projeto ou produção dentro dos mais diversos tipos de indústria, até áreas comerciais como marketing e vendas, e até mesmo consultorias estratégicas e mercado financeiro. O engenheiro é muito reconhecido e valorizado pelo mercado. Então existe uma gama vasta de oportunidades. Com a preparação adequada e boa vontade todos conseguem seu estágio. O que não significa, necessariamente, que o emprego é garantido. Muitas vezes se pede uma experiência que recém-formados não têm, e as vagas são poucas para muita gente tentando.”

Guilherme Gomes: “A recepção dos calouros na Unicamp é bem tranquila e sossegada. Há o trote com tinta, pedágio e tudo mais, mas os veteranos respeitam quem não quer participar. Além disso, na Unicamp há o Trote da Cidadania, no qual os calouros se envolvem em atividades beneficentes em creches, casas de repouso e em outras instituições ou ONGs de Barão Geraldo (bairro de Campinas onde está localizada a universidade).”

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