Guia do Estudante

Cinco estrelas: conheça o curso de Psicologia da USP

Malú Damázio | 30/09/2014

Processos comportamentais e fenômenos da mente humana são os principais objetos de estudo do psicólogo. O curso de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) foi avaliado com 5 estrelas no Guia do Estudante GE 2014 e recebe anualmente 70 novos alunos. Com ingresso pela Fuvest – o processo seletivo da USP –, a graduação tem duração total de 5 anos. Após 8 semestres, o aluno recebe o diploma de bacharel em Psicologia e já pode ingressar na carreira acadêmica, mas, para se formar psicólogo, precisa continuar os estudos por mais um ano. A USP também oferece o curso de Psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, no campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

Leia mais sobre a carreira de Psicologia na Guia de Profissões do GE

O grande volume de matérias teóricas é uma das principais marcas da graduação nos primeiros anos. Neles, o estudante terá matérias como Análise Experimental do Comportamento, Introdução à Psicopatologia, Psicologia Social e várias disciplinas de Psicanálise (alô, Freud!). Por ser um campo que abrange diversas áreas do conhecimento, a formação em Psicologia é difusa, com disciplinas teóricas em outras unidades – uma boa oportunidade para quem é curioso e quer saber mais sobre ciências da saúde e humanidades! Genética e Evolução, no Instituto de Biologia, Neurociências, no Instituto de Ciências Biológicas, e Sociologia, Antropologia e Filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, são alguns temas que o aluno irá conhecer.

A prática aparece aos poucos: inicialmente, com visitas e estágios em escolas e hospitais, e principalmente no final do curso, quando os estudantes passam a atender no centro-escola do Instituto de Psicologia. Outra característica da graduação é que 30% de sua grade é composta por matérias optativas em que o aluno escolhe quais temas estudar e direciona sua formação para os campos de conhecimento com que tem mais afinidade. Psicanálise, psicologia comportamental, gestalterapia, abordagem centrada na pessoa e psicologia junguiana são algumas linhas terapêuticas que podem ser seguidas pelos estudantes ao longo de sua experiência profissional.

O Guia do Estudante conversou sobre o curso da USP com Guilherme Raggi, aluno do décimo período. Guilherme acabou de se formar bacharel e, em dezembro, receberá o diploma de psicólogo. Desde o início do ano, também é aluno do mestrado no Instituto de Psicologia e desenvolve estudos sobre hipnose e seus reflexos no comportamento humano. Ele conta que desde que entrou na Psico – apelido carinhoso dado à faculdade – já mudou muitas vezes de ideia e aprendeu a respeitar o tempo e o processo de assimilação e aprendizagem de cada pessoa.

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(Imagem: Getty Images)

GUIA DO ESTUDANTE: Como e por que você decidiu fazer Psicologia? O curso atendeu às suas expectativas?

Guilherme Raggi: Eu era muito curioso com tudo. Desde pequeno, queria ser cientista porque adorava saber como as coisas funcionavam. Eventualmente, me interessei por como o cérebro humano funcionava e isso me levou a pensar mais e prestar atenção às coisas que as pessoas faziam, e a tentar entender por que e como isso se dava. Na adolescência, descobri que sendo psicólogo eu poderia entender melhor essas coisas e também poderia pesquisá-las. Fui me informando e soube que o curso de Psicologia da USP era forte na pesquisa. Então, não tive dúvidas. Nem cheguei a prestar o vestibular em outros lugares. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes.

GUIA: Qual o enfoque do curso da USP? O que você gosta mais de estudar?

Guilherme: O curso, de certa forma, te direciona bastante para a carreira acadêmica. A grande diferença das aulas na USP é que o aluno tem a possibilidade de ficar muito próximo dos laboratórios, professores e alunos de pós-graduação, o que te possibilita estudar tópicos do seu interesse. Como a psicologia não é um campo de conhecimento unificado, aprendemos vários jeitos de pensar o mundo, de acordo com muitos autores e pesquisas diferentes. Como o curso é bem diverso (e os alunos também), cada um acaba gostando mais de uma área. Eu gosto muito de psicologia experimental e neurociências. Tenho vários amigos que gostam muito da clínica e outros que gostam de temas mais sociais e políticos. A psicologia permite trabalhar em todos esses campos de algum jeito.

GUIA: Você já tem ideia de que campo de trabalho quer seguir quando se formar? Quais são as principais áreas de trabalho?

Guilherme: Eu entrei com a ideia de seguir carreira acadêmica e continuar fazendo pesquisa. Muita gente muda de ideia durante a faculdade, mas eu acabei continuando com esse plano e fascinado pelo trabalho como pesquisador. Muita gente acha que psicologia só leva as pessoas ou pra clínica em consultório ou pro RH de empresas. Essas são grandes áreas mesmo, mas tem muita variedade que você acaba conhecendo quando se aprofunda. Dá para trabalhar como psicólogo em escolas, em ONGs variadas, auxiliando juízes nos fóruns, ou mesmo no planejamento de políticas públicas.

GUIA: E você já fez estágio ou está estagiando?

Guilherme: Já sim, estou bem no final do curso. Os estágios são sempre feitos com a supervisão de psicólogos experientes e nós atendemos pessoas de várias formas, usualmente no nosso serviço-escola e às vezes em outras unidades de saúde. Nós passamos pela experiência de fazer atendimentos “de verdade”, com pessoas com as mais variadas dificuldades; temos de escrever relatórios, às vezes aplicar testes e pensar muito sobre os casos. Como as pessoas e os atendimentos variam muito, tem sempre muito a ser feito.

GUIA: Como é lidar com gente, sentimentos, conflitos internos, inseguranças? De vez em quando bate aquela deprê?

Guilherme: Uma das coisas fundamentais que nós treinamos como psicólogos é não julgar o outro. Tem pessoas que aparecem com um sofrimento profundo por coisas que pra nós (que também temos os nossos sentimentos) não fazem o menor sentido. Para que nós consigamos tratar todo mundo com respeito é necessário saber bem o que você acha sobre tudo aquilo, justamente para conseguir “deixar de lado” e ouvir de verdade quem está ali com você. Tem situações em que a pessoa está com você na sala, “com o coração na mão”, falando de um conflito gigantesco; se você está ali, preso no que você pensa sobre aquilo, em sua opinião, deixa um monte de coisas importantes passarem.

GUIA: O que você diria para o leitor que quer fazer Psicologia, mas não sabe ainda se essa é a profissão certa?

Guilherme: Como a psicologia é muito variada, não tem outro jeito de conhecer bem sem conversar com pessoas da área e olhar mais de perto a grade dos cursos nas faculdades. Mesmo entre universidades, os cursos variam muito. Outra coisa importante é sempre conversar com mais de uma pessoa, porque cada um vai contar uma coisa (às vezes quase complemente) diferente do curso. Ter a cabeça aberta também é bem legal, porque é fácil mudar de ideia sobre o que você quer fazer profissionalmente depois. No cinema e em outras mídias existem muitos estereótipos do que o psicólogo faz, e nem de longe isso representa as possibilidades de quem se forma nesse curso.

GUIA: Como assim? Quais estereótipos?

Guilherme: Ah, há algumas imagens difundidas que contribuem para uma certa “cara” da nossa profissão. Há a imagem do psicólogo como aquela pessoa que só ouve e faz “cara de paisagem”. Parte disso pode até ser verdade para uma parcela dos profissionais, mas não é tão simples assim. Uma coisa muito importante que nós aprendemos durante o curso é aprender a ouvir, a ter sensibilidade para o que a outra pessoa está falando. O curioso é que isso é diferente daquela história de “eu sou um bom ouvinte”. Ouvir, no nosso caso, é um trabalho ativo, que leva em conta todo o nosso preparo teórico pra escutar atentamente o que a pessoa diz e entender como isso se relaciona com a história dela, além de pensar o que fazer a partir disso. Outra coisa que muita gente pensa quando se fala em psicologia é que você estuda “para poder se entender”. Não é bem assim que a coisa funciona. Quando você estuda modelos para compreender como as pessoas são e porque elas fazem o que fazem, você pode perceber muitas coisas sobre você e sobre os seus amigos e familiares. Nem sempre isso é fácil. Mesmo na clínica tem horas que a pessoa conta uma coisa que “bate fundo” em você. Por isso é importante estar bem justamente pra conseguir colocar um pouco de lado o que é seu para que você possa ajudar as outras pessoas.

GUIA: Opa! Assunto importante: a recepção dos calouros na Psicologia é legal? Os veteranos são amigáveis? Dá tempo de se divertir? Hehe.

Guilherme: O trote na Psico é bem bacana. Os veteranos são muito amigos, e mesmo que eles peguem no pé, ninguém faz nada que não quer. O dia acaba sendo muito legal, porque você se entrosa muito com a sua turma e conhece o pessoal mais velho no curso. Além disso, depois rola uma semana inteira de atividades planejadas pelos veteranos para todo mundo se conhecer melhor e dar apoio. Geralmente, os alunos mais velhos doam para os calouros os materiais que não usam mais para as disciplinas, ajudam nas discussões e explicam conceitos. E dá tempo de se divertir sim! O curso de psicologia na USP é integral, mas não tem aula o dia todo. Aí nessas “janelas” é fácil conviver com pessoas de vários anos, organizar os estudos, ler textos ou fazer alguns estágios.

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Curso de Odontologia da UFAM tem formação social e humanística. Saiba mais!

Malú Damázio | 26/09/2014

86487962 (Imagem: Thinkstock)

As profissões da área da saúde têm atuação voltada, na maioria das vezes, ao atendimento da população local. No curso de Odontologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por exemplo, além dos estágios na própria clínica da faculdade e em unidades básicas de saúde do SUS, os alunos também desenvolvem programas de extensão universitária e passam um período em cidades no interior do estado, onde oferecem tratamento odontológico a comunidades carentes. A Faculdade de Odontologia da UFAM existe desde 1966 no campus de Manaus e oferece 42 vagas anualmente. O curso, avaliado com 5 estrelas no Guia do Estudante GE 2014, tem duração de cinco anos. O ingresso na graduação é feito por meio do Enem e também pelo Processo Seletivo Contínuo, avaliação seriada da própria universidade. Para cada uma das modalidades são distribuídas 50% das vagas.

Leia mais sobre a carreira de Odontologia na Guia de Profissões do GE

O mercado de trabalho em Odontologia é bastante amplo. O profissional pode atuar tanto no campo de promoção e prevenção da saúde bucal, quanto na área de tratamento e reabilitação do paciente. Aluna do oitavo semestre da UFAM, Jacqueline Costa explica que o trabalho do dentista vai muito além da estética. “Antes de entrar no curso, eu imaginava que nós cuidaríamos apenas do sorriso e dos dentes em si, mas nós também diagnosticamos, tratamos e prevenimos as patologias bucais e, com isso, devolvemos ao paciente autoestima e dignidade. Vivenciar a transformação das pessoas, não somente no rosto, mas no ego, é indescritível”, conta.

A vontade de ajudar as pessoas foi o que motivou Brendo Loureiro, estudante do quarto período, a fazer Odontologia. Na hora de escolher a profissão, Brendo ficou dividido, porque pensava em ser médico. Mas o estudante garante que fez a escolha certa. “Estou feliz com a carreira porque é um curso apaixonante, muito humanístico e agradável. Tenho também a oportunidade de atender à população carente, que é o grupo mais comum de pacientes na nossa clínica odontológica”.

Estrutura do curso

Durante os três primeiros períodos, os alunos estudam disciplinas teóricas, como Biologia Celular, Genética e Bioquímica. As matérias que se debruçam sobre áreas específicas da Odontologia começam a aparecer já no segundo ano da graduação, quando os estudantes começam a atender pacientes na clínica odontológica. A partir daí, diagnóstico de doenças, extrações, biópsias e tratamento dentário passam a fazer parte da vida universitária, mas a maior parte dos procedimentos cirúrgicos, principalmente os mais complexos, só será realizada a partir do oitavo período.

Jacqueline relata que a clínica e os laboratórios da faculdade têm ótima estrutura física, mas enfrentam algumas dificuldades comuns às universidades públicas: os materiais de estudo, como peças anatômicas, cadáveres e lâminas histológicas nem sempre estão em bom estado de conservação. Porém, a estudante faz questão de ressaltar que o aprendizado não é comprometido, já que os atendimentos são feitos com supervisão de bons professores e os alunos são bastante determinados.

Gerson Neto, estudante do oitavo período, conta que o curso da UFAM tem um viés mais humanista e social, além de não se enfocar em alguma área específica da Odontologia. “O atendimento a pessoas carentes faz parte do nosso dia-a-dia. As pessoas que procuram a clínica universitária o fazem por não ter condições de arcar com os custos de um tratamento particular. A UFAM também tem atividades extracurriculares em que nós atendemos em clínicas de reabilitação, comunidades interioranas, participamos de tratamentos oncológicos e outros serviços desse tipo para populações mais pobres”.

Lado artístico

Ao contrário de Brendo e Jacqueline, Gerson se interessou pela Odontologia por um motivo um tanto inusitado: a capacidade da profissão de desenvolver o lado artístico (!). Isso mesmo, além de ter atuação direta no campo da saúde, a profissão também permite que a pessoa imponha um senso estético no desenvolvimento de próteses dentárias, como explica o estudante. “Nós trabalhamos diretamente com escultura, escalas de cores e outros elementos puramente artísticos na confecção das próteses”, afirma.

Animado, Gerson conta que, desde criança, flerta com música, pintura e outras formas de arte. “A Odontologia veio pra ser mais a mais importante!”. Ele garante que, para ser dentista, não é necessário ter habilidade manual prévia. Na própria faculdade os alunos passam por uma disciplina em que aprendem a esculpir dentes em blocos de cera. “Se pegarem o primeiro e o último dente que esculpi irão pensar que o primeiro foi feito com os pés!”, brinca.

Custeio

Para estudar e ser um profissional da saúde bucal é preciso também comprar materiais individuais de atendimento, como brocas e espelhos. Muitas vezes, os equipamentos são caros e nem todas as pessoas têm condições financeiras de bancá-los. Mas não se desanime! O governo do Amazonas oferece um programa de custeio dos instrumentos de Odontologia para alunos que não conseguem financiar a infraestrutura de estudo. São R$15 mil reais por estudante para serem gastos ao longo da graduação. Após formado, o profissional retorna o dinheiro ao estado em parcelas pequenas.

Brendo se inscreveu na iniciativa e diz que vai custear boa parte de seus instrumentais ao longo da graduação por meio dessa ajuda. “Talvez o aluno indeciso fique desanimado quando souber que o curso é tão caro mesmo sendo em uma universidade pública. No início fiquei triste, pois gastaria em torno de R$10 mil só com instrumentais durante a graduação, sem a certeza de que serei bem sucedido profissionalmente. Mas agora sou feliz com a Odontologia e sei que conseguirei alcançar meus objetivos pessoais e profissionais!”

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Curso de Geologia da UFRJ acabou de receber fósseis de 55 milhões de anos. Saiba mais sobre ele

Malú Damázio | 24/09/2014

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Imagem: Thinkstock

Você curte a ideia de trabalhar como paleontólogo, mas não sabe direito que caminho deve fazer para chegar lá? O curso de Geologia da UFRJ pode ser uma boa opção. A faculdade recebeu, neste mês, fósseis de animais pré-históricos que viveram há 55 milhões de anos em Itaboraí, no interior do Rio de Janeiro. A paleontologia é uma das áreas estudadas no curso, que é voltado, principalmente, para a formação de profissionais que atuem na indústria do petróleo. A graduação é oferecida no Instituto de Geociências, que fica no campus Ilha do Fundão, na capital fluminense, e recebe 30 novos estudantes a cada ano.

Os dois primeiros anos da graduação são parte do ciclo básico, em que as aulas são ministradas junto com outros cursos do Instituto de Geociências: Meteorologia, Astronomia e Bacharelado em Ciências Matemáticas da Terra. Disciplinas como cálculo, química e física e matérias base da Geologia, como geologia geral, mineralogia e geomorfologia, são parte dos anos iniciais. Paleontologia, geoestatística, exploração mineral e avaliação de jazidas são algumas disciplinas mais específicas estudadas no fim do curso. A grade completa pode ser acessada no site da faculdade.

Hoje, o campo de trabalho do geólogo gira em torno, principalmente, do petróleo e das reservas de pré-sal. Mas áreas como mineração, mapeamento geológico, geotecnia, geologia de engenharia – que estuda solos, impactos e precauções para a construção de estradas, túneis e barragens, além de prevenção contra desastres naturais – também têm demanda crescente. A aluna do quarto semestre Beatriz Caetano explica que a graduação na UFRJ é bastante diversificada, “com pesquisas nas principais áreas geológicas e laboratórios em todos os temas”.

Beatriz começou a se interessar por Geologia ainda no ensino fundamental, quando um professor comentou sobre perfuração de poços para prospecção de petróleo. “A partir disso fui pesquisar na internet e conversar com um amigo que cursava Geologia na UFRJ. Aí, senti que aquela profissão era o que eu deveria fazer e desde então sou apaixonada pelo curso”. Já a estudante do sexto semestre Lorena Martins percebeu que gostava mesmo de Geologia ao fazer as matérias do ciclo básico do curso. Lorena era aluna de Bacharelado em Ciências Matemáticas da Terra e logo pediu transferência quando percebeu quais os campos de estudo da Geologia. Animada, a estudante diz que não tem o que reclamar da atual graduação. “O curso é muito bom e foi além do que eu esperava. Era o que eu realmente queria fazer!”

Estágios de campo

Com tantas matérias teóricas, não pense que a prática só vem nos anos finais do curso! Os estudantes já realizam seu primeiro estágio de campo logo no período inicial, quando passam 15 dias na cidade mineira de São João del Rei para mapeamento geológico da região. Para Beatriz, uma das principais vantagens da graduação da UFRJ é que ela oferece a maior carga horária de estudos de campo de todas as universidades do país.  Além da experiência em Minas Gerais, a estudante também já participou de um estágio de campo em Ponta Grossa, no Paraná, para estudar a bacia sedimentar do estado.

“No Paraná a gente verifica que o Brasil era colado na África. Descobrimos isso através de fósseis, de rochas formadas em períodos glaciais, outras que registraram o maior deserto do planeta, e aquelas que representam o maior vulcanismo basáltico da história da Terra, do período quando o Brasil começou a se separar do continente africano”, conta. Nos campos, os alunos começam a estudar o passado geológico das áreas de manhã bem cedinho e só voltam no fim da tarde, quando já está escurecendo.

Mas Lorena faz questão de ressaltar que, por mais que sejam trabalhosos, esses passeios também são bastante animados. “À noite o pessoal sai junto pra jantar e acaba sendo muito legal!”. “Os campos são muito divertidos, todo mundo fica bem próximo e sempre temos boas histórias”, lembra Beatriz. “Nesse campo do Paraná, encontramos uma turma de Geologia da UERJ e marcamos de sair à noite. Virou uma festa e uniu ainda mais os estudantes das duas universidades”, revela.

Estudo de fósseis

Os já mencionados fragmentos de ossos encontrados em Itaboraí já estão nos laboratórios do departamento de Geologia da UFRJ para serem estudados por alunos e docentes. Segundo a paleontóloga Lílian Bergqvist, professora da universidade, a próxima etapa é a preparação dos macrofósseis, que analisa como eles podem ser melhor expostos nas rochas encontradas – ou se serão removidos delas. “Assim, eles serão identificados, medidos, fotografados e comparados com o material anteriormente coletado na Bacia de Itaboraí”, explica.

“No estudo de fósseis, vemos como eles estão na rocha e onde são encontrados. Em uma análise mais aprofundada, podemos saber como foi o processo de fossilização”, completa Lorena. Além da disciplina de paleontologia, o departamento também oferece um curso de férias para estudar as bacias do Araripe e do Parnaíba, no nordeste brasileiro. Lorena escolheu fazer as aulas nas férias e conta que a viagem de estudos foi uma das melhores experiências na Geologia. “A bacia do Araripe é uma das bacias mais ricas no conteúdo fossilífero do mundo e lá nós visitamos a Serra da Capivara, o Museu do Homem e procuramos fósseis em vários pontos da bacia”. Através do registro fossilífero e do ambiente é possível associar a rocha a uma idade ou época. Esse estudo paleontológico, lembra a estudante, é extremamente necessário para a indústria do petróleo.

Vida de universitário

A recepção dos calouros de Geologia da UFRJ costuma ser bem tranquila, como comenta Beatriz. “É bem ‘light’ e o trote é proibido, mas a gente compensa com atividades como palestras sobre as principais áreas de mercado e uma trilha leve na pista Claudio Coutinho, na Urca”. Os novos estudantes ainda visitam o Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e o Serviço Geológico do Brasil, com sede na Urca. A aluna reforça que os veteranos foram bastante receptivos e alguns se tornaram amigos porque são monitores nos estágios de campo e estão sempre em contato com os calouros.

Tanto Beatriz quanto Lorena fazem parte da empresa júnior de Geologia da UFRJ, a Xisto Jr. Beatriz, que é Diretora de Projetos, conta que, além de aprender a realizar trabalhos na área e estar em contato com as demandas do mercado, a experiência de estar em uma empresa gerida por estudantes é essencial para saber mais sobre o campo administrativo. “Desde que entrei aprendi bastante sobre empreendedorismo, administração de empresas e de projetos. A Xisto Jr. aumentou bastante nossa rede de contatos com empresas do ramo de Geologia”, comenta. A empresa também oferece palestras e visitas ao Museu da Geodiversidade, no Rio de Janeiro, voltadas a estudantes do ensino médio interessados em fazer Geologia.

Sobre os planos para o mercado de trabalho, Beatriz revela que se voluntariou recentemente para uma iniciação científica na área de mineralogia, parte de um projeto internacional do Ocean Drilling Program (programa de perfuração oceânica), na região do mar das Filipinas, no Japão. A estudante afirma que tem planos de se aprofundar na pesquisa mineral e viajar até o local do programa. “Se eu conseguir bolsa e ficar no projeto até o final do curso quem sabe?”, brinca. Sem arrependimentos, Lorena diz que se encontrou como geóloga. “Eu considero Geologia o curso mais fora da rotina que existe na UFRJ! Nós aprendemos teoria e pratica ao mesmo tempo e viajamos conhecendo o Brasil inteiro!”.

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Plataforma de cursos online firma parceria com USP e Unicamp para oferecer aulas em português

Carolina Vellei | 17/09/2014

Boa notícia para quem quer fazer cursos online de qualidade, mas não está com o inglês tão afiado assim: duas das melhores universidades do Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), viraram parceiras da plataforma educacional Coursera para oferecer cursos em português. O Coursera foi criado por universidades norte-americanas de ponta e hoje reúne mais de 80 instituições de grande relevância mundial. Há cursos gratuitos em diversas áreas do conhecimento, todos online.

- LEIA TAMBÉM: Cursos online de graça nas melhores universidades do Brasil

O Brasil é o 5º maior público do Coursera. (Imagem: Divulgação)

O Brasil é o 5º maior público do Coursera. (Imagem: Divulgação)

É a primeira vez que a plataforma firma parceria com universidades da América Latina. O objetivo é oferecer, a partir de 2015, cursos com professores da USP e da Unicamp em áreas de alta demanda do público brasileiro, com temas que variam de empreendedorismo a finanças. Segundo o Coursera, o Brasil já representa a quinta maior base de usuários da plataforma (atrás apenas dos Estados Unidos, Índia, China e Reino Unido).

Legendas em português

Além da parceria com as duas instituições, a Fundação Lemann também irá aumentar os esforços para traduzir e legendar cursos estrangeiros e torná-los disponíveis em português. Por meio da colaboração de voluntários da Comunidade Global de Tradutores do Coursera, a Fundação pretende triplicar o número de aulas disponíveis com legendas em português, até o final do ano.

No site da plataforma de cursos já é possível encontrar algumas aulas traduzidas. E olha só que legal: a maioria terá turmas disponíveis para início nos próximos meses (a partir do final de setembro até o início de 2015).

Confira alguns deles:

- Introdução à Lógica – Universidade de Stanford

- Introdução ao Pensamento Matemático – Universidade de Stanford

- Introdução às Finanças – Universidade de Michigan

- Veja a lista completa no site do Coursera.

Treinar o inglês

Para quem já conhece o idioma inglês, a variedade de cursos é muito maior (temas como biologia, ciências sociais, educação, design, artes, saúde, humanidades…). Se você está começando a estudar, vale a pena escolher um curso que é do seu interesse e usar as aulas como treino, pois é possível colocar legendas em inglês. Fica aí a dica para quem quer aperfeiçoar a língua!

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Os melhores cursos de Gastronomia do Brasil

Amanda Previdelli | 12/09/2014

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Gastronomia são as técnicas empregadas na preparação de alimentos e bebidas na gestão de restaurantes.

O profissional domina temas como segurança alimentar, planejamento e produção de cardápios. Atua em restaurantes, hotéis, lanchonetes, bufês, hospitais ou companhias aáreas. Pode se especializar em confeitaria, panificação ou em uma culinária específica, como japonesa, francesa ou italiana. Supervisiona o funcionamento da cozinha, treina o pessoal, cuida da tabela de preços, negocia com fornecedores e desenvolve estratégias de marketing.

Existem poucos cursos de bacharelado nessa área no Brasil. Desde o primeiro ano, eles mesclam matérias práticas com teóricas. Na parte teórica, os destaques ficam para história da gastronomia, bioquímica, microbiologia e segurança dos alimentos, funcionamento de restaurantes, desenvolvimento de pessoal e higiene, além de sociologia, matemática, estatística, psicologia, direito, legislação aplicada e gestão financeira.

A prática é recheada de disciplinas como coquetéis e drinques, panificação, sobremeses, confeitaria, cozinhas brasileira e internacional, arte em frutas e legumes, enologia, café da manhã e serviço de quarto e cozinha alternativa. Em alguns cursos fazem parte do currículo aulas de inglês, espanhol e francês instrumentais.

Gostou de gastronomia? Confira os melhores cursos bacharelado:

 

Faculdade Estrelas
(SC) Balneário Camboriú – Univali ★★★★
(PE) Recife – UFRPE ★★★
(SC) Florianópolis – Facs. Assesc. ★★★

* Dados do Guia do Estudante Profissões Vestibular 2014

* Confira como fazemos a avaliação

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