Guia do Estudante

Conheça o curso de Obstetrícia da USP (e saiba também sobre parto normal!)

Malú Damázio | 30/07/2015

Você já ouviu falar em Obstetrícia? Se ainda não, vamos mudar isso agora. :D Mas já vou avisando que não me refiro à especialização médica. Falo aqui sobre o curso de Obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP), que forma profissionais da saúde responsáveis por acompanhar e orientar a mulher que deseja ter filhos e sua família, desde antes da gravidez até o pós-parto. O objetivo é preservar e garantir a qualidade de vida da mãe e dos recém-nascidos, especialmente nos primeiros dois meses, e promover uma visão humanizada, fisiológica e positiva da gestação, da maternidade e da paternidade. O obstetriz também realiza partos normais e pequenas intervenções para facilitar o nascimento da criança – já as cirurgias como a cesariana, por exemplo, são responsabilidade exclusiva dos médicos obstetras. Essa é a única graduação do tipo no país e foi avaliada em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

(Imagem: Thinkstock)

O curso e o crescimento do mercado de trabalho para a profissão têm tudo a ver com a série de medidas lançadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que incentivam a realização de parto normal, tanto na rede pública quanto no sistema privado. A iniciativa, que entrou em vigor no início deste mês, se deu principalmente porque o Brasil é o país que mais realiza cesarianas no mundo inteiro, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). De todos os partos ocorridos aqui, 53,7% são feitos por meio da cirurgia. O número é ainda maior quando consideramos somente os partos feitos por planos de saúde: 84% das crianças brasileiras nascem dessa forma, como atesta o Ministério da Saúde. Na maioria dos casos, a operação é desnecessária por ser um procedimento invasivo e, muitas vezes, antecipar o nascimento do bebê. Assim, a cesária deve ser feita somente quando a gravidez apresenta risco para a mãe ou para o filho.

Com a política de promoção do parto normal e redução do número de cesárias – agora o médico precisa preencher um documento que justifique a realização de cirurgia –, os obstetrizes tornam-se peças importantes da equipe de saúde dos hospitais. “Acredito que todo profissional que se empenhe em respeitar os direitos das mulheres, o seu direito de escolha e que verdadeiramente acredite no parto normal como um evento fisiológico e que, portanto, faz parte da vida da mulher e da família, será mais procurado”, opina Fernanda Alves, aluna do décimo semestre do curso da USP. E Jessica Carvalho, do oitavo período, completa: “A medida tem uma grande importância no contexto atual obstétrico, porque nós trabalhamos para reduzir índices de óbito materno, mortalidade infantil, além de tentar assegurar o bem estar do recém-nascido”.

Estrutura do Curso

O modo humanizado e holístico de tratar o parto e a gravidez certamente está relacionado à grade curricular da graduação. O curso, que recebe 60 calouros anualmente e tem ingresso pela Fuvest – e a partir de 2016, também pelo Sisu – é oferecido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, no campus da zona leste de São Paulo. Nela, tanto os alunos de Obstetrícia quanto os estudantes das outras nove carreiras que lá são ministradas têm aulas juntos durante um ciclo básico de um ano. Imagine só: futuros obstetrizes e pessoas que cursam Têxtil e Moda, Sistemas de Informação, Lazer e Turismo, Gestão Ambiental e Educação Física estudam os mesmos conteúdos! Durante dois períodos, disciplinas como Tratamento e Análise de Dados, Sociedade, Multiculturalismos e Direitos, Ciência da Natureza e Resolução de Problemas fazem parte do dia-a-dia dos alunos.

Para Jessica, matérias interdisciplinares como Resolução de Problemas foram uma boa surpresa. “Nas aulas nós enfrentávamos alguns impasses que eram contextualizados com a nossa vida cotidiana e profissional. E aí, de forma coletiva, procuramos caminhos inovadores para solucioná-los. Gostei bastante!”, conta. Após o período inicial os alunos partem para disciplinas mais específicas da área de Obstetrícia. Assistência ao Recém-Nascido e Lactente, Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos, Assistência à Saúde da Mulher na Família e na Comunidade, Administração de Serviços de Atenção à Saúde e Bioética e Dilemas na Reprodução Humana são algumas delas. A grade completa pode ser vista aqui.

(Imagem: Thinkstock)

Estágios

Ao longo do curso, especialmente nos dois anos finais, os estudantes precisam realizar estágio obrigatório em diversas áreas da profissão. Além do trabalho ocasional no Hospital Universitário, os futuros obstetrizes passam por experiências profissionais em salas de parto, unidades básicas de saúde e também em setores de administração de serviços de saúde. Então, se você tem interesse em cursar Obstetrícia, saiba que vai ter que por bastante a mão na massa!

Fernanda, que pretende prestar concurso público para trabalhar na assistência ao parto normal e realizar uma pós-graduação na área, lembra que o estágio é uma boa forma de estar em contato com o dia-a-dia da profissão. “Já estagiei em diferentes hospitais públicos na área da assistência ao parto normal e em unidades básicas de saúde, realizando pré-natal e exames ginecológicos. A oportunidade é sempre muito proveitosa porque você pode aprofundar seus conhecimentos, assim como estar mais próximo da realidade do campo de trabalho e sua rotina”, observa.

Mercado de trabalho

Além do auxílio à mãe e à família, realizados de forma autônoma e em domicílios, os obstetrizes podem integrar equipes de saúde – que, geralmente, contam com profissionais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos – em maternidades, unidades de saúde, ambulatórios, casas de parto e consultórios, sejam eles públicos ou privados. A pesquisa acadêmica também é bastante incentivada pelo curso da USP, lembram as estudantes.

O aumento da procura pelo parto normal, como falei lá no início do texto, impulsionou bastante o crescimento das áreas de atuação dos obstetrizes. Pense comigo: hoje há em circulação um volume muito maior de informações sobre gravidez e partos do que há cinco anos. Provavelmente você mesmo conhece alguém que optou por um procedimento humanizado. Fernanda acredita que isso ocorre porque “certas condutas que habitualmente eram adotadas durante o parto são agora reconhecidas como violência obstétrica”. “Com isso há uma boa demanda para o profissional obstetriz, porque as mulheres e as famílias estão se atualizando, procurando, pesquisando por atendimento diferencial, o que amplia nosso mercado de trabalho”, resume Jessica.

 

Vida de Estudante

Jéssica Carvalho: “O trote de Obstetrícia é ‘mais amor’! Hahaha. Os veteranos são muito amigos, e ninguém faz nada que não quer. O dia acaba sendo super divertido, porque você se enturma logo e conhece o pessoal mais velho no curso. Além disso, depois acontece a semana de recepção: são cinco dias inteiros de atividades planejadas pelos veteranos para todo mundo se conhecer melhor, dar apoio, e tirar dúvidas sobre a faculdade e o campus.”

Fernanda Alves: “Agora que estou quase formada, posso dizer que aproveitei bastantes todas as atividades extracurriculares na faculdade e penso que foi uma das melhores escolhas. Participei do centro acadêmico de Obstetrícia, promovendo cursos e atividades conjuntas com outras graduações da Saúde, entrei na atlética logo no primeiro ano de universitária e ajudei a promover festas para arrecadar fundos para o curso. Ah! E também participei de projetos de iniciação científica por vários anos, aprofundei muito meus conhecimentos e tive oportunidade de apresentar meus resultados de pesquisa em outras cidades. “

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Quatro faculdades para fazer o curso de Produção Editorial

Tati de Assis | 27/07/2015

 

Os livros chegam as nossas mãos graças aos produtores editoriais (Créditos: Morgue File)

Os livros chegam as nossas mãos graças aos produtores editoriais (Créditos: Morgue File)

O curso de Produção Editorial habilita profissionais para coordenar a edição de livros, revistas, catálogos, folhetos e websites. Desta forma, este bacharel pode tanto selecionar temas e títulos para publicação como definir o formato da obra e o cronograma de trabalho de um autor. A graduação tem duração média de quatro anos.

Nos quatro primeiros semestres, os estudantes se deparam com disciplinas, como filosofia, sociologia e teoria da comunicação. As matérias práticas — redação, produção editorial impressa, eletrônica e digital — aparecem a partir do quinto semestre. O estágio supervisionado é obrigatório.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Produção Editorial

O mercado de trabalho é animador para este profissional. Com o surgimento de novas tecnologias — aparelhos audiovisuais e digitais –, novas oportunidades se abrem nas editoras, principais empregadores deste bacharel, mas há ainda oportunidades em empresas de comunicação. A região Sudeste concentra a maioria das vagas.

O que acontece com os postos de trabalho acontece também com as faculdades. As melhores escolas estão no eixo Rio-São Paulo. O Guia do Estudantes as avaliou e selecionou quatro opções. Veja abaixo a lista. Bons estudos.

 

Faculdade Estrelas
(SP) São Paulo – USP* Comun. Soc. (edit.) ★★★★★
(RJ) Rio de Janeiro – UFRJ*Comun. Soc. (prod. editorial) ★★★★
(SP) São Paulo -Facs. Int. Rio Branco*Comun. Soc. (edit.) ★★★★
(SP) Universidade Anhembi Morumbi -Prod. Editorial e Multimeios. ★★★★

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Curso de Biblioteconomia da UnB destaca uso da tecnologia para organizar informações

Malú Damázio | 22/07/2015

Seus pais estão chegando de uma viagem longa e você quer fazer um pudim de leite condensado bem gostoso para agradá-los – afinal, você precisa ser bonzinho: foram dias só e a casa está uma zona. Avental a postos e mãos à obra! …Só tem um probleminha: você não faz ideia de como se faz um pudim. Então, corre para a grande salvação das nossas almas, a pesquisa na internet. Em um clique centenas de receitas aparecem na sua tela. Todas elas de pudim de leite condensado. Simples, né?

Pois é. O responsável por tornar sua vida mais fácil e salvar a sobremesa dos seus pais é, geralmente, um bibliotecário. Sim, um bibliotecário. Esse profissional desenvolve mecanismos de busca e indexação para que você tenha acesso às informações em rede da melhor forma possível. O que te permitiu achar a receita de pudim, aliás, se chama Web 3.0 ou Web Semântica. “Nosso poder de atuação não fica apenas nas bibliotecas tradicionais e nem deve ficar. Não me canso de dizer que até a forma como sites ou sistemas digitais são construídos depende de bibliotecários”, conta Leandro Luis Bispo, aluno do sétimo semestre do curso de Biblioteconomia da Universidade de Brasília (UnB). Então, esqueça o cartaz pedindo silêncio na biblioteca da sua escola, e vem conhecer um pouco mais sobre a graduação da UnB, avaliada em cinco estrelas pelo Guia do Estudante 2015.

A carreira

O bibliotecário trata da organização da informação. Ele é responsável por catalogar, classificar e armazenar dados, além de estudar um modo eficaz de divulgá-los. A conservação e a organização dos suportes de mídia, como livros impressos e digitais, revistas, vídeos, documentos, gravações, cartazes e fotografias, também são funções desempenhadas por eles. Lityz Ravel, estudante do sétimo período, lembra ainda que o bibliotecário pode atuar na área de direitos autorais de livros, na criação de tags para vídeos ou em consultoria e padronização de monografias e espaços de informação. “Em uma vídeo-reportagem sobre o falecimento de uma personalidade, por exemplo, quem reúne os trechos de fala dos entrevistados, fotos e história são bibliotecários e arquivistas”, explica.

Por isso é comum encontrar profissionais da área que trabalhem em órgãos públicos, editoras de livros didáticos, bibliotecas, bancos de imagem, centros de documentação e empresas de sistemas de informação, que desenvolvem e aprimoram mecanismos de busca na internet. Existem até bibliotecas de vestidos e roupas sociais que as pessoas consultam para ir a festas e compromissos! Já pensou? “Há ainda outros lugares como museus, institutos, ONGs que necessitam de muito mais do que um bibliotecário usual”, completa Ana Barbosa, estudante do quinto semestre da UnB.

(Imagem: Thinkstock)

Estrutura do curso

O curso da UnB é voltado para o tratamento do usuário, “justamente por ele ser o objetivo fim do estudo da Biblioteconomia”, explica Leandro. Ao longo da graduação, que tem duração mínima de quatro anos, os estudantes verão formas eficazes de se transmitir a informação de maneira rápida e precisa. Disciplinas como Catalogação, Indexação, Classificação são os principais pilares da grade curricular. Outros conteúdos estudados são Estudo de Usuários, Análise da Informação, Biblioteconomia e Sociedade Brasileira, Base de Dados e Formação e Desenvolvimento de Acervos. Um diferencial da universidade é que, por ter seu campus principal em Brasília, próximo às sedes da maioria dos órgãos públicos do país, o curso também evidencia o estudo e o trabalho em bibliotecas especializadas jurídicas e legislativas. O que também tem seus problemas. “Com isso, muitas vezes as aulas deixam de lado os temas sociais e os trabalham apenas por retoques”, lamenta Lityz.

Apesar de conviverem diariamente com livros e documentos na Faculdade de Ciência da Informação, que fica ao lado da Biblioteca Central dos Estudantes, no campus Darcy Ribeiro, em Brasília, não é só de teoria que vivem os futuros bibliotecários. Pelo contrário! Ana lembra que a parte técnica é a que mais se destaca nas matérias cursadas. “É preciso praticar bastante para aprender, então, as disciplinas essenciais acabam sendo mais trabalhadas.” E para quem pretende se livrar das Exatas assim que deixar o ensino médio, os estudantes avisam: há aula de Estatística Aplicada logo no primeiro semestre. “Não é algo impossível de passar, mas requer um esforço daqueles que não se dão muito bem em fazer contas”, alerta a aluna. O curso é ofertado durante a manhã, recebe 40 calouros anualmente, e a UnB oferece três formas de ingresso: através do vestibular da instituição, por meio do Enem (via Sisu) e também pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS).

(Imagem: Thinkstock)

Mão na massa!

Por ser um curso na capital federal, muitas disciplinas promovem visitas técnicas a acervos de órgãos públicos e do Congresso Nacional. As bibliotecas do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e a Demonstrativa de Brasília são alguns dos destinos dos estudantes ao longo da graduação. Em determinadas matérias as visitas servem como ponto de partida para a entrega de uma análise operacional dos locais para o professor. A carreira pública também acolhe muitos alunos da UnB em período de estágio. É o caso de Camila Sousa, do sétimo período, que trabalha no setor de coleções de jornais da biblioteca do Senado. “A experiência enriqueceu muito minha vivência em relação ao curso, até pela oportunidade de conhecer novas plataformas e ferramentas de trabalho”, conta. A estudante lembra ainda que começou a se interessar por Biblioteconomia desde cedo, durante o trabalho como menor aprendiz na Câmara. “Tive a oportunidade de conhecer a biblioteca de lá e fiquei deslumbrada!”

Ana estagia na Biblioteca Central da UnB, com gerenciamento de informação digital. O local é um dos principais centros dentro da universidade em que os estudantes podem por em prática o que aprenderam em sala de aula. “Como é uma área nova dentro das bibliotecas e que poucas pessoas conhecem, lá se faz um pouco de tudo, como referências, indexação, atendimento ao usuário e direitos autorais”, explica a aluna, que pretende trabalhar com atendimento ao público e ao usuário depois de formada. Já Leandro tem interesse em aprofundar seus estudos em tecnologia da informação. Ele destaca que as oportunidades no setor, em sistemas online, sites e bibliotecas e livros digitais, são as que mais crescem no mercado. “O controle de informação é uma área importantíssima para a sociedade”, reforça. E Lityz finaliza: “ao mesmo tempo em que a produção da informação aumenta, cada vez mais as pessoas necessitam de alguém que realize pesquisas de forma precisa e, o mais importante, rápida.”

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Conheça as melhores faculdades de Filosofia do Brasil

Tati de Assis | 17/07/2015

 

A filosofia ocidental nasceu na Grécia (Créditos: Morgue File)

A filosofia ocidental nasceu na Grécia (Créditos: Morgue File)

 

De repente, você se questiona do porquê da existência da família? Ou, da importância da razão na tomada de decisões. Parece algo estranho frente a vida automática que levamos, mas não é. Tanto que existe um curso especializado nisto, é o curso de Filosofia. Os filósofos investigam e questionam a essência e a natureza do universo, do homem e de fatos. Nesta tarefa tão difícil, utilizam a análise, a reflexão e a crítica.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Filosofia

O curso de Filosofia não é fácil, como muitos pensam. É bastante teórico, então requer muita dedicação. Sim, você vai ficar muito tempo lendo. Durante quatro anos, você vai se deparar com muitas disciplinas das ciências humanas, como: lógica, teoria do conhecimento e filosofia política. Se decidir pela licenciatura, vai se deparar com matérias ligadas à Pedagogia.

O mercado de trabalho está mais receptivo a este profissional. Dentre as principais áreas de atuação, estão escolas de ensino médio e fundamental, universidades – o filósofo pode integrar grupos de pesquisa ou ser professor -, ONGs e instituições culturais, mantidas ou não pelo governo. As principais universidades, para quem se interessou pelo curso, estão nas regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil. Veja abaixo a lista.

 

Faculdade Estrelas
(DF) Brasília – UnB ★★★★★
(MG) Belo Horizonte – UFMG ★★★★★
(RS) Porto Alegre -PUCRS ★★★★★
(SC) Florianópolis -UFSC ★★★★★
(SP) Campinas – PUC-Campinas ★★★★★
(SP) São Paulo – PUC-SP ★★★★★

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Cinco estrelas: conheça a licenciatura em Geociências e Educação Ambiental da USP

Malú Damázio | 13/07/2015

(Imagem: Reprodução/Facebook LiGEA)

Quem aqui gosta das aulas de educação ambiental na escola? o/ Com a expansão da indústria e da capacidade produtiva humana, entender a dinâmica do planeta, seus limites e capacidades nunca foi tão importante. Para formar profissionais capazes de suprir essa nova demanda é que o curso de Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, da Universidade de São Paulo (USP), foi criado. Além de poder ministrar aulas no ensino regular, o formado também pode atuar em órgãos públicos, museus, institutos, centros e projetos de ciência e ONGs. A realização de análises ambientais e de assessoria e consultoria técnica também são campos que absorvem geocientistas. “Nós transmitimos o conhecimento científico da área das Geociências e, principalmente, ensinamos conceitos da dinâmica da Terra e da formação dos recursos naturais para o público em geral”, descreve Giancarlo Trivellato, estudante do quarto ano.

Estrutura do curso

A grade curricular inclui conteúdos que versam sobre o planeta como organismo vivo a partir das ciências da Terra e das ciências exatas. Portanto, ao longo da graduação, os estudantes verão tópicos de Geofísica, Astronomia, Geologia, Geografia Física, Mineralogia, Paleontologia, Química, Física e Biologia aplicados à educação ambiental. Além disso, o currículo ainda é composto por disciplinas das áreas de Psicologia e Educação, já que se trata de uma licenciatura. A graduação é ministrada somente no período noturno, no Instituto de Geociências da USP, e recebe anualmente 40 novos alunos por meio da Fuvest.

Anna Laura Figueredo, aluna do segundo semestre da USP ressalta que a intenção do curso é formar um profissional interdisciplinar e com atuação voltada à sustentabilidade. A estudante conta que começou a pesquisar sobre a licenciatura ao buscar uma graduação que estudasse a interação entre o homem e o ambiente. E é por meio dessa associação entre as relações dinâmicas internas e externas do planeta e as interações humanas e seus impactos na Terra que o licenciado em Geociências atua. A pesquisa acadêmica também é outra área em que os profissionais vêm ganhando espaço. Na própria universidade há boa infraestrutura para que os estudos dos geocientistas tomem corpo, como conta Marina Flores, estudante do quarto ano. “O Instituto de Geociências possui equipamentos que são únicos na América do Sul, como o Shirimp, que realiza datação de rocha por isótopos”, lembra.

>> Saiba mais sobre cursos de Ciências Naturais e Exatas

Viagens e projetos de extensão

Compreender as dinâmicas da Terra também no dia-a-dia é fundamental para se tornar um geocientista. Por isso, as saídas de campo são bastante frequentes no curso da USP. Reservas e parques naturais, ONGs e cooperativas são alguns dos destinos visitados pelos estudantes ainda no primeiro ano da faculdade. Em uma visita ao Parque Estadual Turístico Alto do Ribeira (SP), por exemplo, os alunos conseguem identificar e analisar em rochas e cavernas seus afloramentos, incidências, composição química e processos de mineralização.

“Somente durante o primeiro período da graduação nós já realizamos quatro campos!”, destaca Anna Laura. Um deles envolveu uma ida às cidades de Santana do Parnaíba, Itu e Pirapora do Bom Jesus, no interior paulista, para observar de perto intemperismos físico, químico e biológico em granitos e rochas magmáticas – assunto estudado em sala de aula. Já na última saída os estudantes visitaram o Parque Raposo Tavares, o primeiro da América do Sul construído sobre um aterro sanitário, e a Cooperativa Recicla Butantã. “Vimos como funciona uma cooperativa, como os catadores separam o lixo e a relação com o meio ambiente, e também observamos questões ligadas à política dentro da reciclagem”, conta.

Há ainda projetos de pesquisa e de extensão dentro do curso que buscam integrar a atuação dos futuros geocientistas à comunidade local. No projeto Armando o Barranco, por exemplo, os alunos da USP auxiliam moradores de rua da cidade de São Paulo que vivem em áreas de risco a lidar com riscos de acidentes como desabamentos e enchentes. As demais atividades vão desde oficinas de paleontologia para diversos públicos, grupos que trabalham com preservação patrimonial, ao projeto de difusão das Geociências, Decifrando a Terra, na Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP. “Lá, ensinávamos geociências a crianças de Ensino Fundamental I, de forma interativa, com jogos e brincadeiras. Isso é ótimo tanto para as crianças, que aprendem brincando sem nem perceber que estão em aula, quanto para os professores que participam, que trabalham no planejamento de aulas e desenvolvimento de atividades e materiais didáticos”, explica Gabriela Mesquita, voluntária do projeto e estudante do segundo ano.

(Imagem: Reprodução/Facebook LiGEA)

Mão na massa!

Por se tratar de uma licenciatura, o currículo de Geociências e Educação Ambiental prevê ainda estágio obrigatório para os estudantes: uma boa maneira de conhecer as possíveis áreas de atuação do profissional. Marina Cavalcante, do segundo ano, já trabalhou em uma empresa de análise de água e solo e lembra que a experiência foi essencial para que ela identificar e compreender diversos problemas ambientais do estado de São Paulo. Atualmente, a aluna é estagiária do Museu de Oceanografia da USP e atua na educação de crianças e jovens. “Quero ser professora, gosto de ensinar, amo educação ambiental e acredito que só podemos mudar o mundo se formarmos melhores cidadãos”, destaca. Já Giancarlo estagiou como monitor de atividades ambientais no Parque de Ciência e Tecnologia da USP, foi bolsista no programa Oficina de Réplicas, em que desenvolvia réplicas de dinossauros, e também realizou iniciação científica com a catalogação de fósseis da coleção do Laboratório de Paleontologia do Instituto de Geociências.

Para quem tem curiosidade em entender melhor os processos terrestres, gosta de educação ambiental e se interessou pelo curso, Gabriela dá a dica. “O graduado em Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental tem uma visão de mundo muito abrangente e capaz de relacionar os diversos sistemas terrestres e enxergar a Terra não somente como um planeta, mas como casa, viva.” E finaliza: “É um curso maravilhoso e apaixonante!”.

 

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