Guia do Estudante

Cinco estrelas: conheça o curso de Audiovisual da USP

Malú Damázio | 19/03/2015

(Imagem: Thinkstock)

Assistir a filmes é uma das principais formas de entretenimento de grande parte das pessoas. Além de proporcionarem momentos de diversão, os filmes também podem contar ótimas histórias – reais ou fictícias – e nos ajudar na compreensão de um fato passado. Vamos lá, quem nunca comemorou quando o professor resolveu passar um filme que tratasse de um assunto discutido em sala de aula?  E quando aquela trama que você esperou o ano inteiro finalmente foi lançada nas telonas? A sétima arte também não está restrita ao mercado dos blockbusters hollywoodianos e dos filmes que concorrem ao Oscar. Muitas pessoas acompanham também a cena independente, que se afasta do eixo norte-americano e tem produções de diversos países, inclusive brasileiras. Então, caro leitor, vamos falar de cinema? Ou melhor: vamos falar de quem é responsável por tornar um filme possível?

Se você já teve a oportunidade de ir a um set de filmagens, assistiu algo sobre ou já se imaginou em algum, deve saber que há muita gente por trás das câmeras envolvida na produção de uma trama. Desde a concepção da história, passando pelas gravações e pela montagem, roteiristas, diretores gerais, diretores de arte, produtores, diretores de som, editores, diretores de fotografia, figurinistas, cenógrafos e mais um montão de outros profissionais – incluindo os atores! – trabalham para levar um filme até você. Uma das formas de ingressar na indústria cinematográfica é através de um curso superior. Por isso, hoje vamos conhecer melhor a graduação em Audiovisual da Universidade de São Paulo (USP), avaliada em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

Nós conversamos com dois estudantes de Audiovisual que nos contaram um pouquinho como funciona o curso da USP, que tem enfoque na produção de cinema, mas também oferece matérias de som, fotografia e televisão para quem se interessa por Rádio e Televisão, por exemplo. “Eu sempre soube que queria trabalhar com algum tipo de produção audiovisual e tinha muita vontade de seguir carreira em design de jogos”, lembra Diego Lombo Machado, aluno do sétimo período. No entanto, ao longo da graduação, o plano de ser um designer de games foi colocado em espera, já que, a USP é, de fato, voltada para a produção de cinema, e Diego começou a gostar das áreas de Roteiro e Montagem. “Elas nos ajudam a enxergar ‘por trás dos panos’, por isso são legais”, explica. Ele ainda ressalta que o estudo e a produção de games e mídias alternativas estão começando a fazer parte da grade curricular a partir de iniciativa de alguns professores do departamento.

Já Arão da Silva, que ingressou em Audiovisual no início de 2014, conta que escolheu a graduação após cursar dois anos de Arquitetura e Urbanismo, também na USP. “Vi que queria fazer algo que extravasasse uma necessidade minha de lidar com criatividade, sensibilidade e emoção”, explica. Satisfeito com a nova opção, o estudante diz que as disciplinas que envolvem Direção de Atores e Roteiro são as que mais chamaram sua atenção. Além disso, Arão também destaca que o estudante de cinema passa a se atentar para algumas questões essenciais da produção de peças audiovisuais que grande parte das pessoas não nota ao ver um filme. “Eu não esperava estudar o som como recurso narrativo do cinema e o curso trata disso e espera sensibilizar o aluno para esses pontos”, acrescenta.

(Imagem: Thinkstock)

Integral, o curso da USP é ministrado na capital paulista e recebe anualmente 35 novos alunos. A entrada na graduação se dá por meio do processo seletivo da própria universidade, a Fuvest, e os candidatos a essa carreira também passam por uma avaliação de habilidades específicas que envolve a interpretação de narrativas audiovisuais e analisa a capacidade de cada estudante de trabalhar com imagens e sons através de composições. Para auxiliar quem pretende prestar Audiovisual, um grupo de veteranos oferece um curso gratuito – o Prepara – sobre as provas específicas da segunda etapa do vestibular. “O objetivo de ações como essas é, entre outras coisas, tornar o acesso à graduação da USP mais democrático”, esclarece Arão.

Prática

Ainda que o diploma em Audiovisual seja o mesmo para todos os alunos do curso, os estudantes se especializam em áreas diversas da produção cinematográfica a partir da escolha de disciplinas que mais os interessem. Roteiro, Direção, Montagem, Som, Produção, Teoria e Crítica e História do Audiovisual são as principais vertentes abordadas pela graduação de cinema da universidade paulista. Os semestres de aulas são divididos em duas modalidades: práticos e teóricos. Primeiro os estudantes entram em contato com as diversas teorias e produções já feitas de cada conteúdo e, no período seguinte, colocam em prática o que aprenderam. Arão conta que, durante o período prático, as disciplinas são interligadas e, geralmente, têm como atividade final a produção de um curta metragem. “Até agora minha sala produziu, em equipe e rodízio de funções, 17 curtas de cerca de 5 minutos cada, isso sem contar outras atividades filmadas em equipe ou individualmente”, explica.

Durante a produção dos curtas, os estudantes se dividem para ocupar diferentes funções em cada um deles. Se você foi o diretor deste filme, no próximo você ocupará outro cargo, como, por exemplo, o de produtor, e assim por diante, até que todos os alunos tenham experimentado um pouco de cada área para facilitar, posteriormente, a decisão das ênfases da graduação de cada um. Esse exercício condensa uma característica essencial da carreira em cinema: se você pensa em cursar Audiovisual, tenha em mente que terá de trabalhar em equipe. Não se faz um filme sozinho. Mas não pense você que o trabalho em conjunto só tem perrengues: os estudantes garantem que a experiência de produzir algo em grupo pode ser bem divertida.

>> Saiba mais sobre a carreira de Cinema e Produção Audiovisual

Além de conhecer novos lugares e revisitar locais conhecidos da cidade nas gravações, os alunos também têm autonomia para construir a história a seu modo e, sem o glamour das superproduções hollywoodianas, precisam por a mão na massa e manusear os equipamentos de filmagem para fazer a cena acontecer: câmeras, luzes, refletores, microfones, cenário… Tudo é construído e operado pelos próprios futuros cineastas! Até mesmo os alunos novatos já participam de gravações externas e em estúdio de projetos de seus veteranos. “Nós costumamos chamar os calouros para fazer assistência em algumas funções nas filmagens dos nossos exercícios, para que eles já comecem a ter experiência desde cedo”, conta Diego.

Na produção de um curta experimental que refletisse uma poesia visual através do contraste de sons e silêncios no centro de São Paulo, Diego lembra que o grupo foi surpreendido por uma diferente face da cidade. “Nós fomos para vários lugares que eu nunca teria ido se não fosse essa filmagem, como o interior do Mosteiro de São Bento e as salas de aula da Praça das Artes, e exploramos tudo que fosse possível extrair visualmente do lugar, sem termos um personagem específico”, conta. “Depois, passamos meses nas ilhas de montagem, tentando juntar todas aquelas horas de vídeo para que elas funcionassem como um curta de alguns minutos. Isso nos tomou quase o ano inteiro e foi uma experiência incrível”, completa.

Infraestrutura

Para que os alunos consigam por em prática tanto projetos de disciplinas da graduação quanto iniciativas pessoais, o departamento de Cinema, Rádio e Televisão – onde funciona o curso da USP – disponibiliza uma boa infraestrutura, com três estúdios para captação de imagem, dois estúdios de gravação de som e equipamentos de vídeo e áudio necessários para se fazer uma peça audiovisual – câmeras de vídeo, microfones, ilhas de montagem, ilhas de gravação, edição e mixagem de som, e dublagem. Assim, boa parte dos altos custos com a produção cinematográfica é eliminada. “Os únicos custos que me lembro são o de alimentação das equipes e atores, e a compra de itens extras para cenografia quando precisamos montar um set de filmagem no estúdio”, explica Diego. Mas, para quem quer se aventurar mais em projetos pessoais ao longo do curso, os estudantes recomendam a compra de uma câmera semiprofissional e de um HD externo para guardar os arquivos produzidos.

Áreas de atuação

O mercado audiovisual tem se expandido bastante nos últimos tempos, principalmente depois da aprovação de uma lei que exige uma cota mínima de produções nacionais em canais por assinatura e de outras medidas de incentivo. Além da carreira na indústria de cinema, há trabalho em pequenas produtoras, nas grandes emissoras de televisão, na área de filmagem publicitária e também no campo de peças para a internet. Apesar de os grandes centros, principalmente do sudeste, ainda serem os maiores polos de atração de profissionais, o mercado de outras regiões, como de Recife (PE) e Porto Alegre (RS) também cresce a cada ano. “Bons exemplos disso são O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, filmado em Recife, e tido como um dos melhores longas nacionais dos últimos anos ou Cine Holliúdy, de Halder Gomes, uma comédia produzida inteiramente no Ceará”, destaca Diego.

Palavra de Estudante

Arão da Silva: “Uma das filmagens diárias mais difíceis foi em um apartamento de um colega de classe que estava super quente e lotado, com cerca de 20 pessoas. Nessas condições, tínhamos que filmar uma cena em que a mãe do garoto, após sair do quarto do filho morto, ia até a janela do apartamento e chorava, junto com o namorado do filho, a sua morte.

Estava cuidando da fotografia e, quando nos arrumávamos para fazer mais um take, notei que a atriz não parecia bem e cutuquei a minha colega que era diretora para conversar com ela. A diretora só perguntou se estava tudo ok e isso foi o necessário para a atriz começar a chorar copiosamente. Foi impressionante para todo mundo! A atriz não era mais ela mesma, mas sim aquela mulher que havia perdido o filho, que antes era só um conjunto de palavras no roteiro. Silenciosamente alguém cutucou minha colega que estava na câmera e ela começou a filmar, enquanto eu segurava o refletor para o rosto da atriz ficar bem iluminado.

Eu olhava diretamente para aquela mulher e não pude evitar me emocionar com o que acontecia. A tristeza da mãe era extremamente verdadeira, eu estava na frente de uma mulher que tinha perdido o filho por suas próprias atitudes homofóbicas e não pude deixar de sentir por ela e de ficar encantado com o poder que o cinema tinha e com a magia que acontece entre um ator e uma câmera que fazia todo o desconforto da diária valer a pena.”

 

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Os melhores cursos de Pedagogia

Tati de Assis | 16/03/2015

 

Estudantes de uma escola localizada no Kênia (Imagem: Getty Images)

Estudantes de uma escola localizada no Quênia (Imagem: Getty Images)

 

Muita gente não sabe o que um pedagogo faz, então, vamos começar este post com uma definição. O pedagogo é o profissional que conhece os métodos de ensino, sabe quais são as formas possíveis de administração de uma escola e domina assuntos relacionados à educação.

Este profissional tem dois grandes campos de atuação: a administração e a docência. Se você optar pela primeira área, vai gerenciar uma escola e orientar alunos e professores. Se ele decidir pela segunda área, seu destino vai ser as salas de aula.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Pedagogia

O curso contém uma matriz curricular com forte presença de disciplina de ciências humanas e sociais aplicadas. Há também matérias sobre os princípios da administração de uma escola e novas tecnologias educacionais. Em tempos de tablet e smarphones, é uma área em transformação, com muito o quê fazer e estudar.

O mercado de trabalho dos pedagogos é muito diversificado. Eles podem atuam em órgãos do governo, fiscalizando a legislação de ensino e criando diretrizes educacionais. Podem também trabalhar com a inclusão de pessoas com necessidades especiais e em curso de educação à distância.

Veja abaixo as melhores faculdades de Pedagogia do país.

 

Faculdade Estrelas
(DF) Brasília -Unb ★★★★★
(GO) Goiânia – UFG ★★★★★
(MG) Belo Horizonte – UFMG ★★★★★
(MG) Juiz de Fora – UFJF ★★★★★
(MG) Viçosa – UFV* Educação infantil*Pedagogia ★★★★★
(MS) Campo Grande – UFMS ★★★★★
(MS) Dourados – UFGD ★★★★★
(MT) Cuiabá – UFMT ★★★★★
(PR) Curitiba – PUC PR ★★★★★
(PR) Ponta Grossa – UEPG ★★★★★
(RJ) Rio de Janeiro –PUC – Rio ★★★★★
(RJ) Rio de Janeiro – Unirio ★★★★★
(RS) Caxias do Sul – UCS ★★★★★
(RS) Pelotas – Ufpel ★★★★★
(RS) Porto Alegre – PUCRS ★★★★★
(RS) Porto Alegre – UFRGS ★★★★★
(RS) Porto Alegre – Uniritter ★★★★★
(RS) Rio Grande – Furg. ★★★★★
(RS) Santa Maria – UFSM* Educação Especial* Pedagogia ★★★★★
(RS) São Leopoldo – Unisinos ★★★★★
(SC) Florianópolis – Udesc ★★★★★
(SP) Americana – Unisal ★★★★★
(SP) Araraquara – Unesp ★★★★★
(SP) Bauru – Unesp ★★★★★
(SP) Campinas – PUC – Campinas ★★★★★
(SP) Campinas – Unicamp ★★★★★
(SP) Marília – Unesp ★★★★★
(SP) Mogi das Cruzes – UMC ★★★★★
(SP) Piracicaba – Unimep ★★★★★
(SP) Presidente Prudente – Unesp ★★★★★
(SP) Ribeirão Preto – USP ★★★★★
(SP) Rio Claro – Unesp ★★★★★
(SP) São Carlos – Ufscar* Educação Especial* Pedagogia ★★★★★
(SP) São José do Rio Preto – Unesp ★★★★★
(SP) São Paulo – Mackenzie ★★★★★
(SP) São Paulo -PUC-SP ★★★★★
SP) São Paulo – USP ★★★★★

 

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Saiba quais são os melhores cursos de Ciências Contábeis

Tati de Assis | 13/03/2015

 

Os cientistas contábeis podem sugerir quais os melhores investimentos para uma empresa (Imagem: Getty Images)

Os cientistas contábeis podem sugerir quais os melhores investimentos para uma empresa (Imagem: Getty Images)

 

Assumo, quando meu irmão (sim, eu tenho um e ele é lindo) decidiu fazer Ciências Contábeis, fiquei meio apavorada. Não sabia nada sobre a profissão e, de longe, me parecia algo muito burocrático.

Dois anos depois dele se formar, posso dizer que estava errada. Ciências Contábeis é um curso legal, bem completo. O profissional desta área cuida das contas de uma empresa. Ele sabe tudo o que esta sendo feito (compras, vendas, investimento e aplicações).

A centralização de informações não acontece à toa. Com os dados em mãos, o cientista contábil preserva o patrimônio da empresa. Parece algo exagerado, mas não é. Pense em sua casa, se sua mãe ou pai não controlar os gastos, vocês podem ficar sem luz, água, ou mesmo, sem casa.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Ciências Contábeis

Agora, vamos falar do curso.  Nos primeiros semestres, você vai estudar sociologia, português, economia, direito e administração. Depois, você vai se dedicar à formação técnica e gerencial, estudando teoria da contabilidade, planejamento e contabilidade financeira.

“ – E eu vou arrumar emprego?”. Olha, não sou Mãe Dinah, mas a probabilidade é grande. A procura por contadores aumentou. Segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade, existem quase 500 mil profissionais empregados no Brasil. Com tanta demanda, as faculdades estão tendo dificuldade em formar tanto profissionais.

Falando em faculdades, veja abaixo quais universidades têm os melhores cursos de Ciências Contábeis.

 

Faculdade Estrelas
(DF) Brasília -Unb ★★★★★
(ES) Vitória – Fucape ★★★★★
(MG) Belo Horizonte – UFMG ★★★★★
(MG) Puc Minas – UFMG ★★★★★
(MG) Viçosa – UFV ★★★★★
(PR) Curitiba – UFPR ★★★★★
(PR) Londrina – UEL ★★★★★
(RJ) Rio de Janeiro – Ibmec – RJ ★★★★★
(RJ) Rio de Janeiro – Ibmec – UFRJ ★★★★★
(RJ) Natal – UFRN ★★★★★
(RS) Caxias do Sul – UCS ★★★★★
(RS) Santa Maria -UFSM ★★★★★
(RS) São Leopoldo – Unisinos ★★★★★
(SC) Blumenau -Furb ★★★★★
(SP) Ribeirão Preto – USP ★★★★★
(SP) São Paulo – Fecap ★★★★★
(SP) Mackenzie – USP ★★★★★

 

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USP sobe em ranking das universidades de maior prestígio no mundo

Exame

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(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Das 100 universidades de maior prestígio no mundo, 43 estão nos Estados Unidos, segundo o ranking que a Times Higher Education acaba de divulgar.

A supremacia das universidades norte-americanas vai além: mais da metade das 50 instituições classificadas com a melhor reputação são de lá e, entre as 10 primeiras do ranking, são 8 dos Estados Unidos.  Harvard ficou no topo, mais uma vez.

A lista é resultado de uma pesquisa com 10,5 mil acadêmicos do mundo todo. A publicação só convida profissionais com ao menos 15 anos de experiência na área de educação para responder ao questionário.

Do Brasil, apenas a Universidade de São Paulo (USP) aparece entre as 100 ranqueadas, em algum lugar entre a 51ª e a 60ª posições (a partir da 51ª posição, a Times Higher Education divide a classificação das universidades em blocos de 10 posições). Apenas duas instituições da América Latina aparecem na lista: a outra é a Universidade Nacional Autónoma do México, entre as posições 71 e 80. 

Apesar de ainda estar fora do top 50 do ranking, a USP melhorou em relação ao ano passado, quando aparecia entre a 81 e 90 posições.

Por ser a única brasileira da lista, o editor da Times Higher Education, Phil Baty, destaca, em comunicado para a imprensa, que a universidade tem um papel vital na atração e retenção de talentos que futuramente vão beneficiar o Brasil como um todo.

Veja as dez melhores:

1 Harvard University EUA
2 University of Cambridge Reino Unido
3 University of Oxford Reino Unido
4 Massachusetts Institute of Technology (MIT) EUA
5 Stanford University EUA
6 University of California, Berkeley EUA
7 Princeton University EUA
8 Yale University EUA
9 California Institute of Technology (Caltech) EUA
10 Columbia University EUA

 

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Curso de Ciências Sociais da UEL se divide em três grandes áreas: antropologia, ciência política e sociologia

Malú Damázio | 11/03/2015

(Imagem: Thinkstock)

Efeitos das variações econômicas, alterações na desigualdade social, aprovação ou rejeição de um governo… Todos esses fenômenos fazem parte do nosso dia-a-dia e, muitas vezes, são pouco percebidos em curto prazo. No entanto, há um profissional que está sempre atento às mudanças na sociedade e à forma de desenvolvimento e organização das culturas: o cientista social. Ele estuda e analisa as relações humanas, seja em recortes menores, em um núcleo como a família, ou em escalas maiores, como no caso de uma nação. No post de hoje, vamos falar sobre o curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, avaliado em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

A cada ano, cerca de 100 novos alunos ingressam em Ciências Sociais na instituição, sendo 50 no período matutino e a outra metade na parte da noite. O curso tem duração mínima de quatro anos e a entrada se dá por meio de processo seletivo da própria universidade. A graduação da UEL, assim como a maioria dos cursos de Ciências Sociais, oferece duas habilitações para o futuro profissional: o bacharelado, que se se sustenta através do estudo de antropologia, ciência política e sociologia, consideradas as três grandes áreas da carreira, e também a licenciatura, que aprofunda esses temas com enfoque no ensino de sociologia em escolas e em universidades. Bacharelado e licenciatura se diferenciam, principalmente, porque os estudantes desta modalidade devem complementar sua grade curricular com matérias da área de educação.

Área de Atuação

Em termos gerais, o antropólogo estuda as culturas humanas, suas características e alterações ao longo do tempo com base nos eixos biológico e social. Na antropologia biológica, o profissional tem uma atuação dentro da arqueologia, com a análise de materiais colhidos em sítios arqueológicos. Já a área social abrange a cultura – com costumes, crenças, manifestações artísticas e religiosas – de um determinado grupo ou povo. O cientista político, por sua vez, tem seus estudos voltados para o comportamento político e das instituições de poder representativas na sociedade. A produção e a análise dos resultados de pesquisas eleitorais, por exemplo, é uma das áreas de atuação para quem opta por essa carreira. Em sociologia, o bacharel pode trabalhar em organizações públicas, privadas ou do terceiro setor com planejamento urbano e a estruturação e aplicação de políticas públicas. Ele também é responsável por investigar historicamente os sistemas de organização social e suas composições, mudanças e rupturas ao longo do tempo. Por isso, muitos profissionais desse campo se voltam também para a pesquisa acadêmica.

“Há também uma procura crescente em consultoria de perfil de consumo em determinados segmentos sociais, como regiões geográficas, identidades de grupos específicos ou classe social. Não são raros os casos de profissionais na área que constroem uma militância e carreira política em partidos políticos, ONGs ou movimentos sociais. O setor público de uma maneira geral também absorve grande parte dos formados, através de concursos públicos pelo Brasil afora”, observa Yuri Sabino, estudante do último semestre da graduação.

Estrutura do curso

A grade curricular obrigatória é construída a partir do tripé composto por antropologia, sociologia e ciência política e também com base na pesquisa acadêmica, já que, o curso da UEL tem como principal objetivo formar professores e pesquisadores, como destaca Gabriel Corbetta, aluno do sétimo período. Mas não pense que a graduação se encerra nisso. A área de estudo das Ciências Sociais é bem ampla, e os estudantes verão, ao longo da graduação, conteúdos que abrangem outras áreas do conhecimento correlatas, como noções jurídicas, econômicas, filosóficas, históricas e de comunicação social. “Temos até uma disciplina de Estatística! Sei que pode parecer reforçar estereótipos, mas não esperava ver algo do tipo no curso”, conta Juarez Barbosa, estudante do quarto semestre.

>> Leia mais sobre a carreira de Ciências Sociais

Além disso, há uma grande carga de matérias optativas que o aluno deve cursar para complementar seu conhecimento em áreas que sejam de seu interesse. Os dois primeiros anos de curso configuram um ciclo básico. Logo após, os estudantes dedicam a principal parte de seus estudos a disciplinas optativas da habilitação que pretende seguir – com enfoque em antropologia ou sociologia ou ciência política. “Uma das optativas que mais gostei foi Estudos de Migrações, em que analisamos etnografias (método de coleta de dados) contemporâneas de tribos indígenas como os Kaingang e os Xokleng”, lembra Yuri.

Por ser um curso com um viés tão político, em que muitos estudantes, inclusive, participam de movimentos sociais e estudantis, você pode pensar que é necessária alguma bagagem cultural prévia ou de militância política para compreender bem o que é dado nas aulas. Pode ficar tranquilo, que não é bem assim! Os alunos explicam que os primeiros semestres da graduação são bem introdutórios e têm o objetivo de esclarecer tudo direitinho para quem ainda não teve contato ou vivências relacionadas a temas estudados em Ciências Sociais. No entanto, é importante desenvolver hábitos de leitura e estar disposto a dialogar, argumentar e debater diferentes ideias, já que essas são atividades necessárias e presentes ao longo de todo o curso.

Mão na massa!

Para quem pensa que a graduação em Ciências Sociais pode ser muito teórica, Juarez adianta que, de fato, “o volume de leitura é pesado, mas, com os textos em dia, todos conseguem acompanhar as aulas”. A prática se dá através de estágios – obrigatórios ou não – em escolas, instituições socioculturais como museus e ONGs e também em órgãos públicos. Há também os projetos de extensão em que o aluno tem oportunidade de vivenciar a aplicação de seus conhecimentos teóricos. É o caso de Juarez. O estudante participa do Laboratório de Estudos e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas (Leafro) da UEL e desenvolve atividades nos colégios estaduais de Londrina a partir das leis brasileiras que estabelecem a inclusão obrigatória das histórias e das culturas afro-brasileira e indígena nos currículos escolares.

Já Gabriel conta que ter participado do Estágio Interdisciplinar de Vivência em acampamentos rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais do campo, através da UEL, foi essencial para saber como é o dia-a-dia e a vida de um trabalhador camponês, além de ser uma experiência antropológica. “Pude conhecer outras realidades diferentes da minha. Conviver e viver um pouco com essas pessoas é muito bom”, lembra. Ele reforça que estudantes de todos os cursos podem se inscrever para a atividade gratuita do MST, que ocorre em diversos estados do país, no site do grupo.

Os trabalhos de campo da graduação, principalmente ligados às disciplinas de antropologia, também são uma boa oportunidade de aprender fora da sala de aula e confrontar o que é proposto nas teorias. “São situações que não estarão totalmente no nosso controle por serem externas e que envolvem outros agentes para além da universidade. Pode parecer amedrontador, mas é extremamente excitante!”, conta Yuri. O estudante lembra que uma das experiências mais interessantes que já participou foi uma visita a um culto de uma igreja evangélica neopentecostal. “Quando eu menos esperava, o pastor lançou-se até mim e me chamou para ir até o altar com outros fiéis para um ritual espiritual. Pela ética e garantia de qualidade no processo de pesquisa, devemos interferir o mínimo possível nas práticas que estamos estudando. E como lidar com aquela situação? Deveria falar que era um pesquisador e talvez mudar a dinâmica de toda a ritualística que estava disposto a estudar? Deveria aderir ao gesto do pastor e fazer parte daquele ritual mesmo não professando da mesma fé que os fiéis? São questões e situações que só um trabalho de campo pode proporcionar”, completa.

Dá para perceber que o curso de Ciências Sociais envolve, além de muito estudo sobre correntes teóricas e debates em sala de aula, ótimas oportunidades de aplicar o conhecimento sociopolítico. Ah! E se você ficou curioso para saber o que aconteceu durante a experiência do Yuri, a gente te conta: ele preferiu continuar observando de longe o culto. É um processo de pesquisa! :P

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