Guia do Estudante

Curso de Fisioterapia da UFJF busca atendimento humanizado dos pacientes

Malú Damázio | 26/03/2015

(Imagem: Thinkstock)

Você provavelmente já foi ou conhece alguém que frequentou um fisioterapeuta por um tempo. Esse profissional é responsável pela prevenção e pelo tratamento de doenças e lesões que alterem a capacidade motora do corpo humano. Ele pode atuar tanto em casos emergenciais, com a aplicação de massagens respiratórias em pacientes em estado grave internados em unidades de tratamento intensivo (UTIs), por exemplo, quanto na reabilitação de pessoas que desenvolveram doenças relacionadas ao trabalho, como a lesão por esforço repetitivo (LER) ou a tendinite, comum em manicures, jornalistas e outros profissionais que utilizam as mãos e os punhos para trabalhar. Além disso, o fisioterapeuta também se preocupa com a prevenção de novos males (alguém mais ouviu lesões na coluna vertebral causadas por postura incorreta?) e também estimula atividades musculares em determinados grupos, como idosos e pessoas com deficiência.

Por ter um mercado muito amplo e atuar em conjunto com outras áreas da saúde – como a Medicina e a Enfermagem, por exemplo –, o campo da Fisioterapia é sempre procurado por estudantes e novos profissionais. Então, hoje falaremos um pouco sobre o curso da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, avaliado com cinco estrelas pelo Guia do Estudante. A universidade mineira oferece, semestralmente, 20 vagas para a graduação em período integral, que tem duração mínima de cinco anos. A forma de ingresso se dá pelo Enem, através do Sisu. Além do campus em Juiz de Fora, a UFJF também possui o curso de Fisioterapia em Governador Valadares (MG).

O contato com pacientes que passaram por fisioterapia foi o que motivou Tiemy Nagai a pesquisar mais sobre a carreira. A estudante do oitavo semestre lembra que decidiu sua profissão após acompanhar o tratamento fisioterapêutico de hérnia de disco e tendinite de seus pais. “Sempre pensei em algo na área da saúde, mas não sabia bem o quê. Aí conheci a fisioterapia”, conta. Já a vontade de ajudar pessoas e o interesse na reabilitação de pacientes com problemas funcionais foram decisivos para que Marcos Piazzi, do sexto período, e Raiane Marques, do oitavo, se decidissem pela graduação que superou suas expectativas. “É um curso muito bom, que ensina valores humanos muito importantes na nossa vida”, destaca o aluno.

>> Saiba mais sobre a carreira de Fisioterapia

Generalista, o curso da UFJF abrange as três principais áreas da Fisioterapia: a prevenção de doenças, a manutenção de condições motoras – um exemplo disso é a fisioterapia aplicada a atletas para assegurar boas condições físicas na prática esportiva – e também a recuperação de pacientes. Ao longo da graduação, os estudantes entram em contato com a teoria através de disciplinas como Anatomia, Biologia Celular, Psicologia da Saúde, Ética, Fisiologia e Farmacologia. A prática fica para os últimos anos, quando os estudantes passam, inclusive, a atender no Hospital Universitário a partir do sexto semestre. Fisioterapia cardiológica, traumato-ortopédica, respiratória, neurofuncional são alguns nichos abordados na graduação.

Tiemy relata que se surpreendeu com as áreas de atuação do fisioterapeuta vistas no curso. “Não sabia que nós poderíamos atuar em ginecologia e obstetrícia!”, diz. Nessa área, o profissional acompanha a gestante desde antes do parto, avaliando qualquer alteração comum no organismo da mulher durante a gravidez, até após o nascimento da criança, com a intenção de fazer com que a paciente volte às atividades usuais com o auxílio de exercícios fisioterapêuticos, cuidados com a postura e com as mamas, por exemplo. Entretanto, a estudante pensa em seguir carreira em fisioterapia respiratória ou na área neurofuncional em crianças, que lida com pacientes infantis com patologias como paralisia cerebral e síndrome de Down. Em termos gerais, o fisioterapeuta analisa o paciente como um todo e não se atém somente à doença, como explica Marcos. “Se há uma pessoa com dor na coluna, o fisioterapeuta não irá se concentrar somente no problema, mas irá procurar algum outro fator que possa estar causando essa patologia. O enfoque é o corpo todo do paciente, não só o local que tem a disfunção.”

Para Raiane, o diferencial do curso da UFJF é o contato com a prática desde cedo. O estudo da Fisioterapia na universidade se divide em três áreas: a atenção primária em Unidades de Atenção Primária a Saúde, a atenção secundária, com enfoque na atuação clínica, e a atenção terciária, que envolve fisioterapia hospitalar. Os estágios supervisionados ocorrem somente no último ano da graduação, porém, desde o terceiro período os estudantes já atendem pacientes em aulas práticas e, mais para frente, passam a atender também no Hospital Universitário. Como o prédio de Fisioterapia na federal mineira ainda não está pronto, boa parte das aulas teóricas e laboratoriais é ministrada em institutos de outros cursos. Mas os estudantes garantem que isso não compromete o aprendizado durante as disciplinas práticas, já que os laboratórios da UFJF são bem equipados.

>> Existe idade certa para cursar Fisioterapia?

Além das atividades previstas pela grade curricular, os alunos também podem ter contato com a prática através de programas de extensão e bolsas de monitoria. Marcos é monitor voluntário da disciplina de Neurofisiologia e assegura que a experiência está sendo positiva. “Tenho aprendido muito mais sendo monitor do que fazendo a matéria! E é um conhecimento que será utilizado pelo resto da vida de formado”, diz. Já Raiane conheceu o dia-a-dia da profissão através da participação do programa de educação tutorial PET-Saúde, voltado à atenção primária. “Nesse projeto aprendi bastante porque pude desenvolver atividades fisioterapêuticas e trabalhos preventivos e educativos em comunidades em Juiz de Fora”, explica.

Ter olhar humanizado, determinação, paciência e acreditar no tratamento e na recuperação do paciente são condições essenciais para que o fisioterapeuta possa exercer sua função. Sobre as práticas já realizadas através de atendimentos gratuitos durante o curso os estudantes são unânimes: o sentimento de gratidão dos pacientes e a melhora progressiva de suas funções motoras são algumas das melhores experiências na profissão. “Jamais me esquecerei dos pacientes que consegui acompanhar a evolução semana após semana. Ouvir o muito obrigado deles é a melhor sensação do mundo. É incrível perceber que podemos fazer diferença na vida das pessoas”, completa Tiemy.

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As melhores faculdades de Educação Física

Tati de Assis | 25/03/2015

 

Professores de educação física podem trabalhar em academias especializadas em clientes da terceira idade. (Imagem: Getty Images)

Professores de educação física podem trabalhar em academias especializadas em clientes da terceira idade (Imagem: Getty Images)

 

Você gosta de esportes? Vira e mexe, lê sobre dietas e preparação física de atletas? É bem possível que você se dê muito bem no curso de Educação Física. O profissional desta área organiza e supervisiona programas de exercícios. Além disso, está super antenado com dicas de alimentação balanceada.

Tanto o curso de bacharelado quanto o de licenciatura possuem muitas matérias de Ciências Biológicas. Nos primeiros semestres, você vai se dedicar à anatomia e à fisiologia humana. No caso dos licenciados, a partir do quarto período, surgem as disciplinas ligadas ao ensino (psicologia da educação e práticas pedagógicas). O estágio e a monografia são obrigatórios.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Educação Física

Para felicidade dos vestibulandos, existem bons cursos de Educação Física por todo país. Você é quem escolhe, pode estudar na região centro-oeste ou na região sul. Veja abaixo as melhores opções.

 

Faculdade Estrelas
(DF) Taguatinga – UCB/DF ★★★★★
(MG) Belo Horizonte – UFMG ★★★★★
(PE) Recife – UFPE ★★★★★
(PR) Curitiba – PUCPR ★★★★★
(PR) Curitiba – UFPR ★★★★★
(RS) Porto Alegre – UFRGS ★★★★★
(SC) Florianópolis – UFSC ★★★★★
(SP) Bauru – Unesp ★★★★★
(SP) Campinas – Unicamp ★★★★★
(SP) Rio Claro- Unesp ★★★★★
(SP) São Carlos – Ufscar ★★★★★
(SP) São Paulo – USP ★★★★★

O mercado de trabalho para o profissional de Educação Física é bom. Você pode atuar em academias, clínicas de reabilitação, clubes ou ONGs. Se quiser tentar um vôo solo, pode se tornar personal trainer. Caso se forme em licenciatura, escolas e faculdades te esperarão.

Um adendo, o bacharel precisa se registrar no conselho da categoria (CREF) para exercer a profissão. Os licenciados não precisam cumprir este rito. Para lecionar, devem apresentar somente o diploma de licenciatura.

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Saiba onde estudar Engenharia de Materiais

Tati de Assis | 23/03/2015

 

Steel Plant Continues Production Despite Conflict In Eastern Ukraine

A indústria siderúrgica é um dos campos de atuação dos engenheiros de materiais (Créditos: Getty Images)

 

O engenheiro de materiais é um ser curioso e criativo. Este profissional é responsável por descobrir materiais mais rentáveis e buscar novas utilizações para matérias-primas existentes. Cerâmicas, resinas, plásticos e ligas metálicas são itens que fazem parte do seu ambiente de trabalho e de sua vida.

O curso tem cinco anos de duração. Usualmente, a escolha por esta área é feita depois dos primeiros semestres de Engenharia Mecânica, mas na Universidade Federal do Piauí, há um bacharelado específico para este segmento. Independentemente de qual curso você escolher, a grade curricular é predominantemente laboratorial.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Engenharia de Materiais

No Brasil, as melhores faculdades de Engenharia de Materiais estão nas regiões sul e sudeste. Veja abaixo quais são os cursos cinco estrelas.

 

Faculdade Estrelas
(RS) Porto Alegre ★★★★★
(SC) Florianópolis – UFSC ★★★★★
(SP) Lorena – USP ★★★★★
(SP) São Paulo – UFSCar ★★★★★
(SP) São Paulo – USP ★★★★★

Gostou? Além de um bom curso, a Engenharia de Materiais tem um mercado de trabalho amplo. Você pode trabalhar em indústrias petroquímicas e siderúrgicas. A construção civil também é uma área que precisa deste profissional.

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As melhores faculdades de Artes Visuais

Tati de Assis | 20/03/2015

 

Além de produzirem obras, artistas podem também montar exposições (Imagem: Getty Images)

Além de produzirem obras, artistas podem também montar exposições (Imagem: Getty Images)

 

Pode assumir, você não sabe o que um artista faz. Pode ficar tranquilo, eu também não sabia até ter uma amiga que cursou a graduação de artes visuais. De forma simplificada, o artista se ocupa de criações que envolvem elementos visuais – desenhos, gravuras, esculturas – e táteis – performances e instalações.

Além da produção de obras, ele pode ser responsável também pela montagem de exposições ou atuar como curador e selecionar trabalhos para uma mostra. Se quiser, também pode se dedicar à pesquisa e estudar grandes mestres, como: Edouard Manet, Pablo Picasso e Pierre-Auguste Renoir.

>> Saiba mais sobre o curso e a carreira de Artes Visuais

O mercado de trabalho vai além da produção artística. Você pode produzir trabalhos e vendê-los. Ou, como a maioria faz, ser representado por uma galeria que cuida da comercialização de suas obras. Pode  trabalhar também em museus como educador, ou, em órgãos públicos. Se preferir as salas de aulas, pode ser professor no ensino fundamental, médio ou em faculdades.

Por último vamos falar do curso. A graduação dura 4 anos. No início, você tem aulas de história da arte, sociologia, filosofia, estética, semiótica e comunicação. Há também as matérias práticas de desenho, pintura e imagens digitais, por exemplo. A monografia para conclusão do curso é obrigatória.   Ficou interessado? Veja abaixo as melhores faculdades para você cursar Artes Visuais.

 

Faculdade Estrelas
(MG) Belo Horizonte – UFMG ★★★★★
(RS) Pelotas – UFpel ★★★★★
(RS) Porto Alegre – UFRGS ★★★★★
(SP) Campinas – Unicamp ★★★★★

 

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Cinco estrelas: conheça o curso de Audiovisual da USP

Malú Damázio | 19/03/2015

(Imagem: Thinkstock)

Assistir a filmes é uma das principais formas de entretenimento de grande parte das pessoas. Além de proporcionarem momentos de diversão, os filmes também podem contar ótimas histórias – reais ou fictícias – e nos ajudar na compreensão de um fato passado. Vamos lá, quem nunca comemorou quando o professor resolveu passar um filme que tratasse de um assunto discutido em sala de aula?  E quando aquela trama que você esperou o ano inteiro finalmente foi lançada nas telonas? A sétima arte também não está restrita ao mercado dos blockbusters hollywoodianos e dos filmes que concorrem ao Oscar. Muitas pessoas acompanham também a cena independente, que se afasta do eixo norte-americano e tem produções de diversos países, inclusive brasileiras. Então, caro leitor, vamos falar de cinema? Ou melhor: vamos falar de quem é responsável por tornar um filme possível?

Se você já teve a oportunidade de ir a um set de filmagens, assistiu algo sobre ou já se imaginou em algum, deve saber que há muita gente por trás das câmeras envolvida na produção de uma trama. Desde a concepção da história, passando pelas gravações e pela montagem, roteiristas, diretores gerais, diretores de arte, produtores, diretores de som, editores, diretores de fotografia, figurinistas, cenógrafos e mais um montão de outros profissionais – incluindo os atores! – trabalham para levar um filme até você. Uma das formas de ingressar na indústria cinematográfica é através de um curso superior. Por isso, hoje vamos conhecer melhor a graduação em Audiovisual da Universidade de São Paulo (USP), avaliada em cinco estrelas pelo Guia do Estudante.

Nós conversamos com dois estudantes de Audiovisual que nos contaram um pouquinho como funciona o curso da USP, que tem enfoque na produção de cinema, mas também oferece matérias de som, fotografia e televisão para quem se interessa por Rádio e Televisão, por exemplo. “Eu sempre soube que queria trabalhar com algum tipo de produção audiovisual e tinha muita vontade de seguir carreira em design de jogos”, lembra Diego Lombo Machado, aluno do sétimo período. No entanto, ao longo da graduação, o plano de ser um designer de games foi colocado em espera, já que, a USP é, de fato, voltada para a produção de cinema, e Diego começou a gostar das áreas de Roteiro e Montagem. “Elas nos ajudam a enxergar ‘por trás dos panos’, por isso são legais”, explica. Ele ainda ressalta que o estudo e a produção de games e mídias alternativas estão começando a fazer parte da grade curricular a partir de iniciativa de alguns professores do departamento.

Já Arão da Silva, que ingressou em Audiovisual no início de 2014, conta que escolheu a graduação após cursar dois anos de Arquitetura e Urbanismo, também na USP. “Vi que queria fazer algo que extravasasse uma necessidade minha de lidar com criatividade, sensibilidade e emoção”, explica. Satisfeito com a nova opção, o estudante diz que as disciplinas que envolvem Direção de Atores e Roteiro são as que mais chamaram sua atenção. Além disso, Arão também destaca que o estudante de cinema passa a se atentar para algumas questões essenciais da produção de peças audiovisuais que grande parte das pessoas não nota ao ver um filme. “Eu não esperava estudar o som como recurso narrativo do cinema e o curso trata disso e espera sensibilizar o aluno para esses pontos”, acrescenta.

(Imagem: Thinkstock)

Integral, o curso da USP é ministrado na capital paulista e recebe anualmente 35 novos alunos. A entrada na graduação se dá por meio do processo seletivo da própria universidade, a Fuvest, e os candidatos a essa carreira também passam por uma avaliação de habilidades específicas que envolve a interpretação de narrativas audiovisuais e analisa a capacidade de cada estudante de trabalhar com imagens e sons através de composições. Para auxiliar quem pretende prestar Audiovisual, um grupo de veteranos oferece um curso gratuito – o Prepara – sobre as provas específicas da segunda etapa do vestibular. “O objetivo de ações como essas é, entre outras coisas, tornar o acesso à graduação da USP mais democrático”, esclarece Arão.

Prática

Ainda que o diploma em Audiovisual seja o mesmo para todos os alunos do curso, os estudantes se especializam em áreas diversas da produção cinematográfica a partir da escolha de disciplinas que mais os interessem. Roteiro, Direção, Montagem, Som, Produção, Teoria e Crítica e História do Audiovisual são as principais vertentes abordadas pela graduação de cinema da universidade paulista. Os semestres de aulas são divididos em duas modalidades: práticos e teóricos. Primeiro os estudantes entram em contato com as diversas teorias e produções já feitas de cada conteúdo e, no período seguinte, colocam em prática o que aprenderam. Arão conta que, durante o período prático, as disciplinas são interligadas e, geralmente, têm como atividade final a produção de um curta metragem. “Até agora minha sala produziu, em equipe e rodízio de funções, 17 curtas de cerca de 5 minutos cada, isso sem contar outras atividades filmadas em equipe ou individualmente”, explica.

Durante a produção dos curtas, os estudantes se dividem para ocupar diferentes funções em cada um deles. Se você foi o diretor deste filme, no próximo você ocupará outro cargo, como, por exemplo, o de produtor, e assim por diante, até que todos os alunos tenham experimentado um pouco de cada área para facilitar, posteriormente, a decisão das ênfases da graduação de cada um. Esse exercício condensa uma característica essencial da carreira em cinema: se você pensa em cursar Audiovisual, tenha em mente que terá de trabalhar em equipe. Não se faz um filme sozinho. Mas não pense você que o trabalho em conjunto só tem perrengues: os estudantes garantem que a experiência de produzir algo em grupo pode ser bem divertida.

>> Saiba mais sobre a carreira de Cinema e Produção Audiovisual

Além de conhecer novos lugares e revisitar locais conhecidos da cidade nas gravações, os alunos também têm autonomia para construir a história a seu modo e, sem o glamour das superproduções hollywoodianas, precisam por a mão na massa e manusear os equipamentos de filmagem para fazer a cena acontecer: câmeras, luzes, refletores, microfones, cenário… Tudo é construído e operado pelos próprios futuros cineastas! Até mesmo os alunos novatos já participam de gravações externas e em estúdio de projetos de seus veteranos. “Nós costumamos chamar os calouros para fazer assistência em algumas funções nas filmagens dos nossos exercícios, para que eles já comecem a ter experiência desde cedo”, conta Diego.

Na produção de um curta experimental que refletisse uma poesia visual através do contraste de sons e silêncios no centro de São Paulo, Diego lembra que o grupo foi surpreendido por uma diferente face da cidade. “Nós fomos para vários lugares que eu nunca teria ido se não fosse essa filmagem, como o interior do Mosteiro de São Bento e as salas de aula da Praça das Artes, e exploramos tudo que fosse possível extrair visualmente do lugar, sem termos um personagem específico”, conta. “Depois, passamos meses nas ilhas de montagem, tentando juntar todas aquelas horas de vídeo para que elas funcionassem como um curta de alguns minutos. Isso nos tomou quase o ano inteiro e foi uma experiência incrível”, completa.

Infraestrutura

Para que os alunos consigam por em prática tanto projetos de disciplinas da graduação quanto iniciativas pessoais, o departamento de Cinema, Rádio e Televisão – onde funciona o curso da USP – disponibiliza uma boa infraestrutura, com três estúdios para captação de imagem, dois estúdios de gravação de som e equipamentos de vídeo e áudio necessários para se fazer uma peça audiovisual – câmeras de vídeo, microfones, ilhas de montagem, ilhas de gravação, edição e mixagem de som, e dublagem. Assim, boa parte dos altos custos com a produção cinematográfica é eliminada. “Os únicos custos que me lembro são o de alimentação das equipes e atores, e a compra de itens extras para cenografia quando precisamos montar um set de filmagem no estúdio”, explica Diego. Mas, para quem quer se aventurar mais em projetos pessoais ao longo do curso, os estudantes recomendam a compra de uma câmera semiprofissional e de um HD externo para guardar os arquivos produzidos.

Áreas de atuação

O mercado audiovisual tem se expandido bastante nos últimos tempos, principalmente depois da aprovação de uma lei que exige uma cota mínima de produções nacionais em canais por assinatura e de outras medidas de incentivo. Além da carreira na indústria de cinema, há trabalho em pequenas produtoras, nas grandes emissoras de televisão, na área de filmagem publicitária e também no campo de peças para a internet. Apesar de os grandes centros, principalmente do sudeste, ainda serem os maiores polos de atração de profissionais, o mercado de outras regiões, como de Recife (PE) e Porto Alegre (RS) também cresce a cada ano. “Bons exemplos disso são O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, filmado em Recife, e tido como um dos melhores longas nacionais dos últimos anos ou Cine Holliúdy, de Halder Gomes, uma comédia produzida inteiramente no Ceará”, destaca Diego.

Palavra de Estudante

Arão da Silva: “Uma das filmagens diárias mais difíceis foi em um apartamento de um colega de classe que estava super quente e lotado, com cerca de 20 pessoas. Nessas condições, tínhamos que filmar uma cena em que a mãe do garoto, após sair do quarto do filho morto, ia até a janela do apartamento e chorava, junto com o namorado do filho, a sua morte.

Estava cuidando da fotografia e, quando nos arrumávamos para fazer mais um take, notei que a atriz não parecia bem e cutuquei a minha colega que era diretora para conversar com ela. A diretora só perguntou se estava tudo ok e isso foi o necessário para a atriz começar a chorar copiosamente. Foi impressionante para todo mundo! A atriz não era mais ela mesma, mas sim aquela mulher que havia perdido o filho, que antes era só um conjunto de palavras no roteiro. Silenciosamente alguém cutucou minha colega que estava na câmera e ela começou a filmar, enquanto eu segurava o refletor para o rosto da atriz ficar bem iluminado.

Eu olhava diretamente para aquela mulher e não pude evitar me emocionar com o que acontecia. A tristeza da mãe era extremamente verdadeira, eu estava na frente de uma mulher que tinha perdido o filho por suas próprias atitudes homofóbicas e não pude deixar de sentir por ela e de ficar encantado com o poder que o cinema tinha e com a magia que acontece entre um ator e uma câmera que fazia todo o desconforto da diária valer a pena.”

 

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