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João Mendes Pereira, diplomata do Itamaraty, dá dicas sobre o curso e a carreira de Relações Internacionais

Carolina Vellei | 19/09/2012

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Pode não parecer, mas vida de diplomata é agitada. Você precisa estar disponível 24h para o trabalho. Se pintar viagens, reuniões com representantes de outros países ou uma negociação que não tem hora para acabar, você precisa aguentar firme, tudo em nome de sua pátria. Mas também tem seu lado bom: você conhece muitas culturas. Quem conta mais sobre a profissão para o GUIA DO ESTUDANTE é João Mendes Pereira, diplomata há mais de 20 anos no Ministério de Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty. Atualmente, ele é Coordenador-Geral de Assuntos Econômicos da América do Sul.

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A escolha da carreira e onde estudar

A vontade de ser diplomata surgiu bem cedo para João Mendes Pereira . Seu pai era motorista do Itamaraty e, por conta disso, a família já tinha morado em muitos países. Quando jovem, inclusive, cursou parte dos estudos em uma escola francesa. “Sempre foi meu grande objetivo de vida, desde os 10 anos. Queria seguir uma carreira que me possibilitasse morar fora, conhecer outras culturas, não ser só um cidadão no Brasil, mas um cidadão brasileiro no mundo”, explica.

Pereira é atualmente Coordenador-Geral de Assuntos Econômicos da América do Sul. No fim do mês será promovido a Diretor do Departamento da Aladi (Associação Latino Americana de Integração) e Integração Econômica Regional. (Foto: Arquivo Pessoal)

O Itamaraty, assim como os outros ministérios, tem sua sede em Brasília. Morando na capital por causa do trabalho do pai, não teve dúvidas e escolheu o curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a única instituição que oferecia a graduação no Brasil até meados da década de 1990. “O bom da estrutura da UnB é a flexibilidade da grade. Você não faz só matérias no seu departamento, você pode ir a outras faculdades. Fiz matérias na História, no Direito, na Economia”, conta. Pereira também se graduou em História, ainda na década de 1980.

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E dá para estagiar durante a faculdade? Claro que dá! O diplomata inclusive recomenda que o estudante tenha essa experiência antes de definir qual área seguir. Para ele, isso foi decisivo para sua escolha de trabalhar com assuntos da América do Sul. “Estagiei na assessoria internacional do Ministério da Indústria e do Comércio. Acompanhava estatísticas de comércio exterior, ajudava as empresas brasileiras a fazer contatos com outros países e participei, principalmente, do início do programa de integração da Argentina e do Brasil, o gérmen do que hoje é o Mercosul”, revela.

Como se tornar um diplomata?

Para trabalhar no Itamaraty, é necessário antes ser aprovado no concurso para o Instituto Rio Branco, responsável por treinar e capacitar os diplomatas brasileiros. No curso de Relações Internacionais, o diplomata conta que viu alguns conteúdos que costumam cair no concurso do Rio Branco. Mas além do que é visto na graduação, é preciso estudar muito mais para passar, devido à alta concorrência: Todo ano, em torno de 1500 pessoas disputam apenas 20 vagas.

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Por isso, para conseguir realizar o sonho de trabalhar no Itamaraty, Pereira estudou, e muito. Todos os dias revisava o conteúdo que era cobrado no concurso. Depois de formado, fez a prova quatro vezes, até passar. “Além de me dedicar no estudo de várias línguas, eu só passei depois de amadurecer e perceber que mais importante que escrever bem é ter um bom raciocínio”, disse.

Depois de dois anos de curso no Instituto Rio Branco, ao entrar no Itamaraty, tornou-se automaticamente um diplomata. Todos os profissionais começam no cargo de Terceiro Secretário. Depois de quatro promoções, ele é hoje Ministro de Segunda Classe. O próximo passo é o último patamar da carreira, o de Ministro de Primeira Classe, mais conhecido como Embaixador.

O dia a dia de um diplomata

A rotina do profissional pode variar bastante. A vida do diplomata não é só no Brasil. Periodicamente é preciso viajar, até para ascender na carreira, pois cada nível do Itamaraty requer um número específico de horas no exterior. O funcionário pode servir em países em que o Brasil tiver embaixadas, consulados ou missões junto a organizações internacionais.

Como servidor público federal, este profissional auxiliará o governo na formulação e execução da política externa: cuidará de questões relativas ao comércio exterior, relações políticas e econômicas, cooperação internacional, divulgação cultural e até assistência consular a brasileiros que estejam no exterior.

João Mendes Pereira atua na área econômica e já serviu em cidades como Bruxelas (Bélgica), Montevidéu (Uruguai) e Lisboa (Portugal), além de já ter feito viagens mais curtas para outros países. Pode parecer uma vida com muito glamour, mas nem sempre é fácil viver em uma cultura bem diferente do Brasil.

Pereira conta, por exemplo, que o parto do primeiro filho foi uma confusão. “Eu e minha esposa estávamos morando em Bruxelas, e tive que levá-la a um hospital na parte do país que só se fala holandês, língua que eu não dominava. A nossa médica no dia não estava na cidade. Minha esposa começou a ter contrações, mas não tinha dilatação e estava nevando muito lá fora. Os holandeses são muito tradicionais nesta questão e privilegiam o parto normal. É uma cultura totalmente diferente do Brasil. Minha mulher teve que passar mais de 20 horas sem anestesia até dar a luz. Foi difícil, mas com experiências como essas, você aprende a valorizar a cultura de seu país”, revela.

Oportunidades no mercado de trabalho

Quem se forma em Relações Internacionais tem outras oportunidades de carreira além da de diplomata. A internacionalização da economia ampliou o campo de atuação desse profissional, que pode trabalhar em ministérios, grandes empresas, bancos, ONGs ou até mesmo na área acadêmica. “Muitas empresas têm se instalado em outros países e precisam de brasileiros que possam viver no exterior para analisar as questões locais, como meio ambiente, a área jurídica e institucional e principalmente as relações sociais e culturais”, explica João Mendes Pereira.

Além disso, as notícias são boas para você que já está decidido pela carreira e vai ingressar na faculdade nos próximos anos. Sobre o mercado de trabalho, o Ministro aponta grandes oportunidades no setor de turismo e de comércio exterior com os próximos eventos internacionais que o Brasil sediará, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Serão necessários profissionais qualificados na área de turismo, não só no ramo de hotelaria ou gastronomia, mas também como um articulador, intermediando as relações entre empresas e novos negócios”, explica.

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Conheça o curso de Comércio Exterior na Univali

Guilherme Dearo | 06/12/2011

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O profissional de Comércio Exterior trabalha com as técnicas utilizadas na relação de compra e venda de produtos e serviços com empresas do exterior ou órgãos governamentais de outros países.

Para falar mais sobre a carreira, o Por Dentro das Profissões conversou com o professor Manoel Antonio dos Santos, coordenador do curso de Comércio Exterior da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A graduação na universidade é considerada cinco estrelas pelo Guia do Estudante – Melhores Universidades.

São oferecidas, no total, 165 vagas.  90 são preenchidas pelo vestibular próprio da universidade e 75 são preenchidas a partir do Enem.

Há uma turma de 55 alunos no período matutino e duas turmas de 55 alunos no período noturno. O curso começou na Univali como Administração com habilitação em Comércio Exterior, mas, em 2000, após reformas curriculares, ele se transformou em um curso de Comércio Exterior puro.

O curso dura quatro anos. Todas as matérias são obrigatórias, com exceção de uma optativa.

A maioria têm pré-requisitos, ou seja, o estudante deve cursá-la somente depois de ter sido aprovada em outra específica, mas algumas são livres e podem ser feitas no período que o estudante desejar. O aluno estuda, entre outras, Mercadologia, Câmbio, Negociações Internacionais, Vendas, Exportação e Importação. A disciplina Práticas de Comércio Exterior, aliás, trabalha com uma simulação em software das negociações. Outra disciplina, Tópicos de Comércio Exterior, é rediscutida anualmente, para estar sempre alinhada com os pontos contemporâneos mais importantes.

Na Univali, o curso é voltado para vendas, pensando no mercado externo e interno.

“Estamos redirecionando o curso após percebermos certas tendências no mercado e a transformação do perfil do profissional. Há cinco anos, o despachante aduaneiro era tudo. Hoje não é mais, ele é um apêndice de um serviço feito por uma empresa de comércio exterior”, explica o professor dos Santos.

O estudante é obrigado a cumprir 200 horas de atividades extracurriculares

O estudante pode optar por ensino, pesquisa ou extensão para cumprir essa carga. Ele pode participar de palestras e eventos tanto da universidade quanto externos.

Outra atividade extracurricular do curso é a empresa júnior, formada por três professores e 40 alunos. “A empresa passou a trabalhar como braço de compras da própria universidade, utilizando benefícios fiscais. Ela ajuda a Univali a comprar equipamentos de cursos diversos. Na empresa, há o departamento voltado para a Univali e outro voltado para outras universidades da região”, explica o professor.

Para se formar, o estudante escolhe dois tipos de trabalho final: uma monografia ou um trabalho a partir do estágio.

No caso da monografia, ele escolhe um tema acadêmico e trabalha nele durante um ano com o auxílio de um orientador indicado pela universidade. No caso do trabalho a partir do estágio – que é obrigatório para todos os estudantes  a partir do sexto período – um orientador da universidade e outro da empresa auxiliam o estudante, que deve embasar cientificamente sua análise.

A Univali  tem uma revista acadêmica anual, que publica artigos dos melhores trabalhos de conclusão de curso dos estudantes

A Coleção de Negócios Mundiais do curso de Comércio Exterior da Univali publica artigos produzidos pelos estudantes e é enviada anualmente para bibliotecas de todo o país e até para o exterior.

Há diversos programas de intercâmbio com universidades estrangeiras

A maioria dos estudantes vai para a Europa, principalmente Portugal, onde podem estudar por um semestre. O aluno também pode viajar no programa “work experience”, que conta como atividade extracurricular.

Saber línguas estrangeiras e se dar bem com números e cálculos é essencial para quem quer estudar Comércio Exterior

O aluno deve gostar de matemática e cálculos, já que lida a todo momento com finanças. Ele também precisa ter uma visão geopolítica e interesse por geografia e economia nacional e internacional.

Sobre as línguas estrangeiras, Inglês e Espanhol são obrigatórias, o aluno já deve entrar sabendo. No curso há matérias de línguas, mas voltadas para a parte técnica, ou seja, ensinando termos específicos da profissão naquele língua. Se o estudante optar por estudar uma outra língua estrangeira durante a faculdade, receberá créditos de atividade extracurricular.

Muitos estudantes entram na Univali pensando em ter um negócio próprio

Os alunos desejam montar suas próprias empresas de consultoria, mas muitos optam por vagas contratadas, que são abundantes, como na Receita Federal. Para isso, é preciso se dedicar aos concursos públicos.

A região de Itajaí também oferece muitas oportunidades para estágio e emprego. A própria universidades cria um banco de talentos de seus alunos para empresas consultarem.

A demanda e as oportunidades variam muito de acordo com o mercado

“Esse ano o boom foi de importação, então o mercado chamou pessoas com mais experiência na área. É o mercado de acordo com seus ciclos que puxa a demanda e vagas. Se agora é importação, nos próximos anos provavelmente o foco será a exportação”, diz o professor dos Santos. //

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