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Presidente da OAB fala sobre o curso e a carreira de Direito

Carolina Vellei | 01/05/2012

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“Minha vontade era a de ser jogador de futebol quando era garoto”, revela Ophir Cavalcante Junior. O atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) queria ser goleiro. Seu sonho não se realizou, mas hoje em dia ele pode dizer que também trabalha na defesa. Em vez de proteger um gol, atua na “defesa da liberdade”, como ele mesmo diz, função assumida desde que se formou no curso de Direito.

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A escolha da profissão

Cavalcante nasceu e cresceu em Belém do Pará. Na época, o governo militar fazia grandes campanhas para os jovens seguirem carreiras na área de Exatas. “Dizia-se que o país estava em desenvolvimento e que se precisava de muitos engenheiros”, explica o advogado. Ele chegou a prestar vestibular para um curso técnico em mecânica, mas não deu certo. “Não me identifiquei com a área, nem cheguei a começar o curso”.

Cavalcante se tornou presidente da OAB em 2010 (foto: Agência Brasil)

Cavalcante se tornou presidente da OAB em 2010 (foto: Ag. Brasil)

Mas então, como ele se decidiu pelo Direito? A reposta não é muito difícil. Filho de pai advogado, fez muitas amizades com pessoas da área e se encantou com o debate de ideias que a carreira proporcionava. A cidade contava com duas universidades: uma pública e outra privada. “Escolhi a federal, porque, como bom brasileiro de classe média, meu sonho era estudar em uma universidade pública”, conta.

O começo da carreira

O advogado começou a estagiar logo no segundo ano da faculdade, no escritório do pai. “Fiquei lá por pouco tempo, depois consegui uma vaga em uma construtora”, onde ficou por dois anos, até o final do curso. A empresa era responsável por grandes projetos, como construção de obras e assentamentos rurais.

Para Cavalcante, o estágio foi muito importante na sua formação, por isso ele aconselha que o estudante comece a estagiar ainda na faculdade. “Esse trabalho inicial ajudou bastante quando me formei, porque eu já tinha contato com clientes. A primeira conversa sempre assusta muito, principalmente quando o recém-formado não teve experiência antes”, explica.

Depois, mudou-se para um escritório trabalhista e passou a cuidar de casos de questões sindicais, reclamações de empregados e na elaboração de contratos de trabalho.

Mas Cavalcante traçou metas maiores para sua carreira. Viu seu pai se tornar presidente da OAB e isso sempre o estimulou a crescer profissionalmente. Para isso, fez mestrado em Direito Público e começou a prestar concursos. “Precisava de estabilidade financeira para construir uma família”, conta. Em 2010, tornou-se presidente da OAB. Seu mandato termina em 2013.

Oportunidades no mercado de trabalho

O que o presidente da OAB recomenda para quem quer se destacar no mercado? Para Cavalcante, as novas oportunidades de trabalho estão principalmente no interior do Brasil. “O estudante não deve se concentrar nas capitais, porque o mercado já está de certa forma preenchido e muitas vezes até saturado”, conta. As áreas que ele destaca são: Direito Agrário, Minerário, Ambiental, de Navegação, Agronegócio, Exploração de gás e Petróleo.

Dentro do Direito, o estudante pode escolher pela área pública ou pela privada. Ao optar pela área pública o profissional poderá seguir a carreira jurídica, trabalhando como advogado público, promotor de Justiça, delegado de polícia ou juiz. Para trabalhar nesses cargos é preciso prestar concurso. Para se tornar juiz, além disso, é necessário ter três anos de inscrição na OAB como advogado. A área pública é muito buscada principalmente por conta de seus bons salários e da estabilidade. De acordo com a Constituição, os servidores públicos (com mais de três anos de trabalho) só podem ser demitidos se cometerem faltas graves ou abandonarem o emprego.

Já para quem optar em trabalhar em um escritório privado como advogado é preciso passar no exame da OAB. Cavalcante destaca que o ponto forte é a liberdade que a área dá ao profissional, de poder escolher seus próprios clientes. O lado ruim, segundo ele, é a inconstância dos trabalhos. “Você precisa ter muita paciência, porque o cliente não bate toda hora na sua parta. É preciso fazer seu nome, mas as coisas vão acontecendo aos poucos”, relata.

Além de escolher a área certa, Ophir Cavalcante ressalta a importância da qualificação. “Um bom advogado deve sempre se atualizar, não só na técnica, mas também acompanhando os fatos da sociedade”, completa.

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Dez fatos sobre o curso e a carreira de Direito

Guilherme Dearo | 16/09/2011

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Para conhecer mais sobre a carreira e o curso de Direito, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com Thiago Marrara, professor de Direito Administrativo, Ambiental e Urbanístico da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo (USP).

Marrara listou dez fatos interessantes sobre a área. Confira!

1. É preciso gostar de ler
O material de trabalho do estudante de Direito é a linguagem e as leis. É importante gostar de ler, escrever e de se aprimorar sempre. O Direito é dinâmico, justamente porque lida com a realidade e com as pessoas. É preciso se atualizar constantemente.

2. A escrita é importante
É preciso tomar cuidado para não se deixar influenciar pela imagem que o cinema passa sobre a profissão. Muitos filmes americanos com histórias em tribunais mostram o advogado falando sem parar, exaltado, mas isso é o modelo americano. No Brasil é diferente, tudo é muito escrito.

3. O Direito lida com o conflito
Outra característica importante do estudante é a combatividade, pois o Direito lida diretamente com o conflito; o trato com as pessoas e o gosto por questões de humanidades também contam.

4. O curso tem duração de cinco anos
Esse é o tempo que você levará, no mínimo, para se formar. Os cursos são diurnos ou noturnos na maioria das universidades, mas também podem ser integrais.


5. A maioria das disciplinas são teóricas
As aulas abordam questões de humanas, como Filosofia e Sociologia. Treina-se também a parte da oratória, com seminários onde estudantes apresentam um tema e exercitam fala e argumentação.

6. O estágio é obrigatório
Todo estudante precisa estagiar. Para ajudá-los, as universidades costumam ter convênio com fóruns, por exemplo, onde os alunos podem trabalhar.

7. Há diferentes caminhos depois da graduação
Se você quer seguir na área acadêmica, pode fazer mestrado e doutorado. Outro caminho são as especializações, cursos de um ano e meio de duração com conteúdo mais específico, como Direito Empresarial e Direito Econômico.

8. Só o diploma universitário não basta
Não se consegue ser advogado, juiz ou promotor apenas com o diploma da universidade. É preciso passar por provas, como da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e do Ministério Público (para quem quer ser promotor).

9. Várias carreiras só podem ser seguidas por quem cursou Direito
Advogado, procurador (o advogado de um município, estado ou da União), promotor de justiça, magistratura (juiz), delegado de polícia, tabelião e professor de Direito são áreas que exigem o diploma do curso. Já outras não são exclusivas, mas quem fez o curso tem uma boa base, como diplomata e administrador público.

10. Há demanda por professores
Com a criação de novas universidades e cursos de Direito, professores estão cada vez mais requisitados. Quem seguir a área acadêmica pode ter boas chances no mercado.

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