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Luiz Rosan, fisioterapeuta do SPFC e da seleção brasileira, dá dicas sobre o curso e a carreira de Fisioterapia

Carolina Vellei | 18/07/2012

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Talvez muitos de vocês não saibam quem ele é, mas Luiz Rosan é reconhecido como um dos maiores fisioterapeutas do mundo na área esportiva. É ele quem está por trás da recuperação de grandes atletas do futebol, como Rogério Ceni e Luiz Fabiano. Hoje, Rosan coordena o Centro de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica do São Paulo Futebol Clube (SPFC). Seu histórico profissional é marcado pela participação em três copas do mundo junto a seleção brasileira de futebol, inclusive em 2002 quando o Brasil foi pentacampeão.

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Em meio a sua rotina atribulada, ele recebeu o GUIA DO ESTUDANTE enquanto passava instruções de condicionamento físico para alguns jogadores do SPFC. Confira o que rolou no bate-papo sobre a profissão.

Luiz Fabiano recebe do fisioterapeuta uma eletroterapia endorfínica, que libera uma substância que reduz a dor (Foto: Carolina Vellei)

Luiz Fabiano recebe do fisioterapeuta uma eletroterapia endorfínica, que libera uma substância que diminui a sensação de dor (Foto: Carolina Vellei)

A escolha da profissão

Natural de Potirendaba, no interior de São Paulo, Luiz Rosan, como a maioria dos meninos, tinha o sonho de ser jogador de futebol. Com o tempo, percebeu que não tinha talento para atuar dentro dos campos, mas não descartou a possibilidade de trabalhar bem perto dele. No cursinho pré-vestibular descobriu a carreira de Fisioterapia e percebeu que poderia direcionar a sua formação para atender jogadores de futebol.

A decisão, no entanto, não foi fácil. Rosan enfrentou relutância dentro de casa pela sua escolha. Como na década de 70 a carreira não era muito conhecida, seus pais queria que ele seguisse em áreas mais tradicionais, como Medicina ou Odontologia.

Apesar da resistência, o futuro fisioterapeuta não desistiu e, para levar o novo sonho adiante, mudou-se para a cidade de Piracicaba, onde cursou a universidade. Mas, sua primeira impressão do curso não foi nada boa. “Meu primeiro contato com a Fisioterapia foi decepcionante. Era tudo diferente do que eu tinha sonhado”, conta Luiz sobre o início da faculdade.

Disposto a não desistir tão fácil da carreira, foi à procura do time de futebol da cidade para oferecer seus serviços. No começo foi difícil, como a profissão ainda não tinha muito reconhecimento dentro do meio futebolístico, houve bastante resistência do clube em aceitá-lo. Rosan conseguiu uma oportunidade depois de explicar a importância do acompanhamento e tratamento feitos pelo fisioterapeuta. “Fui mostrando às pessoas o que realmente é a Fisioterapia. Com o tempo, eles foram vendo a importância e a eficácia de um tratamento conduzido por um profissional que tem formação acadêmica”.

Já formado, em 1981, Rosan foi à busca de desafios maiores. Viajou para a cidade de São Paulo e, por um ano, procurou, sem resultados, uma chance em um time grande. “Foi uma época difícil, até que consegui um estágio no São Paulo e o agarrei com unhas e dentes”, explica. O estágio tinha duração de três meses, mas o clube não quis deixar Luiz ir embora. “Eles viram o meu trabalho e decidiram me contratar”, relembra.

Luiz Rosan e o jogador Rogério Ceni, no centro de reabilitação do São Paulo (Foto: Carolina Vellei)

Luiz Rosan e o jogador Rogério Ceni, no centro de reabilitação do São Paulo (Foto: Carolina Vellei)

O dia a dia de um fisioterapeuta

“A rotina é você lidar com a dor”, revela Rosan. O fisioterapeuta conta que faz parte do dia a dia do profissional do futebol lidar, principalmente, com lesões musculares, lesões articulares, reabilitações cirúrgicas e prevenção de lesões. “Você precisa executar os protocolos específicos e ser extremamente profissional para uma recuperação eficaz”, explica.

O trabalho de um fisioterapeuta dentro de um clube de futebol está estritamente relacionado ao nível de rendimento do atleta durante a temporada. Rosan revela o processo: “Todo jogador tem um programa a ser seguido. É feita uma avaliação no início da temporada, em que a equipe mede alguns dados musculares, articulares e fisiológicos do atleta. Nós procuramos durante esse período fazer com que o desempenho seja mantido e até melhorado, inclusive com os níveis de força, de potência e de resistência muscular”. Com auxílio de recursos fisioterapêuticos, é possível avaliar a capacidade física do jogador e verificar itens no banco de dados que possam auxiliar na descoberta de algum detalhe que esteja contribuindo para causar alguma lesão.

O convite para a seleção

Rosan começou no São Paulo, mas passou por outros clubes até receber o convite para a Seleção Brasileira de futebol. Depois de quatro anos no Bragantino, recebeu uma ligação de um ex-jogador que tinha virado técnico de um time no Japão. Rosan conta como foi: “Não o via há exatamente dez anos e ele me disse que reconhecia meu trabalho como fisioterapeuta e me queria lá”.

Depois da temporada do outro lado do mundo, passou pelo time do Santos e voltou para o São Paulo, em 2003. Para o profissional,  as oportunidades sempre surgem quando existe dedicação. “Os treinadores que passam pelos clubes observam o nosso trabalho”, diz.

Foi exatamente isso que aconteceu com a seleção brasileira. Em 1998, o então técnico do time canarinho, Wanderley Luxemburgo, ligou para Rosan convidando-o a integrar a equipe. “Isso foi sem mais nem menos, uma surpresa. Não fiz nada para que a convocação acontecesse. Confesso que somente me dediquei muito ao meu trabalho”, conta.

O trabalho na seleção é puxado. Na Copa do Mundo de 2010, por exemplo, foram convocados 23 jogadores, de 17 times diferente, vindos de nove países pelo mundo. “Tínhamos os cinco continentes representados, eram atletas de climas e métodos de trabalho diferentes e o futebol é conjunto. Harmonizar isso é muito complicado”, diz.

Os atletas têm apenas  15 dias para se preparar, antes do início da competição. Por isso é necessário otimizar o trabalho fisioterapêutico. “Não paramos nunca. Várias vezes fiquei com jogadores até de madrugada com o objetivo de recuperá-lo rapidamente e ele conseguir jogar em três dias”. Para garantir a eficiência do trabalho, até as viagens de avião são aproveitadas. Rosan conta que hoje existem equipamentos que permitem o trabalho de reabilitação na própria aeronave.

Oportunidades no mercado de trabalho

O caminho para quem quer seguir na área esportiva é muito competitivo, por isso é preciso muita dedicação e esforço para se destacar. “Todos pensam em trabalhar em um time grande, mas existe um número limitado de clubes”, aponta o fisioterapeuta.

No entanto, a fisioterapia esportiva tem um vasto campo para atuação além do futebol. Existem outras modalidades, como ginástica olímpica, vôlei… A Fisioterapia também é fundamental para a gama de academias que surgiram nos últimos anos. Para Luiz, existem muitos exercícios sendo executados erroneamente e a supervisão de um fisioterapeuta é a garantia de que o rendimento será melhor. “Estou cansado de receber pacientes que se lesionaram durante algum tratamento nas academias”, revela.

Fora o esporte, existem outras áreas de atuação. Além da traumatologia, o profissional pode se dedicar a ajudar pacientes nas áreas de pneumologia, fisioterapia aplicada à cardiologia ou à neurologia, entre outras.

Independente da área que quiser seguir, o recado que Rosan dá para quem quer seguir a profissão é: “Realmente gostar. Eu amo a minha carreira. Consegui conhecer o mundo com ela”, conta. Para Luiz, a satisfação surge quando ele vê que seu trabalho valeu a pena. “Você convive com um atleta por cinco meses, fazendo um trabalho intenso. Quando ele volta a exercer a profissão e vem te agradecer, é uma alegria enorme”, diz.

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Médico da Seleção Brasileira de Futebol dá dicas sobre a carreira de Medicina

Carolina Vellei | 08/05/2012

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Pode-se dizer que o destino teve uma participação especial na escolha da profissão do médico ortopedista José Luiz Runco, que desde a Copa de 1998 é chefe da equipe médica responsável pela Seleção Brasileira de Futebol. Descubra o porquê na na entrevista a seguir.

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A escolha da profissão e o início da carreira

“Decidi seguir a carreira depois de ter feito uma operação no joelho, em 1973”, conta Runco. Por ironia do destino, o médico, que hoje atente dezenas de jogadores de futebol, estava jogando bola com os amigos quando se machucou. Levado para o hospital, viu o trabalho do ortopedista que o atendeu e se encantou. “Na hora percebi que era aquilo que queria fazer”, conta.

Runco examina o jogador Alexandre Pato (Ricardo Stuckert / CBF)

Runco examina o jogador Alexandre Pato (Ricardo Stuckert / CBF)

Se não tivesse se machucado, Runco teria começado a faculdade de Engenharia, seguindo os passos do irmão que já trabalhava na área. “Mas acho que teria me tornado médico em algum momento no futuro, não ia me identificar com a carreira de Engenharia”, arrisca.

Estudou Medicina no Rio de Janeiro e ainda na graduação começou a estagiar no Clube de Regatas Vasco da Gama e foi pegando cada vez mais gosto pela área do futebol. Quando se formou, acabou contratado como médico oficial do clube. Nos dois anos seguintes, em sua residência médica, optou pela área de traumatologia e ortopedia. Dividia seu tempo entre a residência em uma clínica de ortopedia e seu trabalho no Vasco.

Em 1981, conseguiu conciliar sua especialidade a sua profissão, quando foi convidado para trabalhar no Clube de Regatas Flamengo. Apaixonado por futebol e flamenguista, ele não poderia escolher clube melhor para trabalhar. “Torço pelo time, mas não sou fanático. Quem trabalha no futebol não pode ser fanático”, explica.

O sucesso na carreira e o trabalho na seleção

“Mais de trinta anos de Flamengo é um tempo muito grande, muitos atletas já passaram por mim”, conta. Mas, para ele, o nome do atleta em si não significa muito. O que vale é a alegria de ver a pessoa recuperada. “Os jogadores sempre me presenteiam com a camisa do primeiro jogo quando voltam aos campos, é uma forma de me agradecerem”, conta Runco.

O destaque no centro médico do Flamengo lhe rendeu um convite para ser chefe do Departamento Médico da Seleção Brasileira de Futebol, tanto masculina como feminina. E já em sua primeira Copa, a de 2002, Runco viu a seleção masculina ser campeã. “Foi uma alegria enorme, isso fortaleceu muito o nosso trabalho”, se orgulha.

Esse trabalho tem seu lado bom e seu lado ruim. “Acompanho todos os jogos, mas também preciso ficar na concentração, como qualquer outro membro da equipe”. “Concentrar” é um jargão do futebol usado para designar o período que os jogadores (e demais membros da equipe técnica) ficam isolados para se preparar para os jogos. Os horários são regrados, não se pode sair do centro de treinamento e nem tomar bebidas alcoólicas. “Mas médico está acostumado a essas limitações, é coisa da carreira também”, pondera.

Oportunidades no mercado de trabalho

Medicina é a ciência que investiga a natureza e as causas das doenças humanas, procurando sua cura e prevenção. Ele pesquisa e trata disfunções e moléstias, escolhendo os melhores procedimentos para preveni-las e combatê-las. Para isso, tem de estar sempre bem informado a respeito de novas drogas e equipamentos que proporcionem aos pacientes os diagnósticos e os tratamentos mais avançados e eficientes. Com o avanço das técnicas e o aumento da segmentação para aprofundar os cuidados, a área de Medicina Esportiva, segundo Runco, é uma das que mais tem crescido no mercado.

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“O profissional do esporte pode trabalhar em clubes, academias e mais uma infinidade de lugares”, conta. O especialista no setor pode cuidar não só de atletas de alto rendimento como pessoas que usam o esporte para ter uma saúde melhor. No total, quatro universidades oferecem a residência na área: a Escola Paulista de Medicina (Unifesp),o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e a a Universidade Estadual Paulista (Unesp), ambas em São Paulo, além da Faculdade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

Para os que querem seguir outras áreas, Runco dá a dica: “Sempre haverá emprego, principalmente se você tiver disponibilidade de sair dos grandes centros”. Mas, para isso, é preciso dedicação. “Para você se destacar, tem que reservar muito tempo aos estudos”, explica.

E não existe receita milagrosa para o sucesso. “Não existe nenhum médico na minha família e mesmo assim eu consegui vencer. Meus pais eram de família simples, não tem esse negócio de só quem tem pai médico que consegue emprego. Se você batalhar, o reconhecimento vem”, diz José Luiz Runco.

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