Guia do Estudante

Posts da categoria ‘Correção’

Análise de redação para a proposta “Corrupção no Congresso Nacional”

Ana Prado | 18/11/2014

Com base na proposta extraída do vestibular 2014 da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o estudante deveria produzir uma redação de gênero dissertativo sobre o tema “Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?“.

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Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

Os imorais falando dos desonestos

A descrença dos brasileiros nos políticos vem de um estereótipo histórico de que todos os políticos são corruptos e aproveitadores. Apesar de alguns casos reforçarem essa rotulação, os cidadãos não percebem que os atos desonestos não são exclusivos dos que estão lá em Brasília, mas de todos nós. 

A sociedade que constituímos é totalmente hipócrita; cobra-se honestidade dos políticos mas, na primeira chance que uma pessoa encontra, passa a perna em alguém. E, o que mais assusta, é que essas atitudes se incorporaram, de fato, na nossa cultura. Um exemplo disso é quando alguns indivíduos querem ir contra a corrente,eles são instantaneamente criticados. Porém a aprovação desses atos só é encarada com naturalidade pela população quando se diz respeito às atitudes da própria. [O trecho ficou confuso e contraditório – talvez, pela forma como foi escrito.]

Embora as pessoas tentem desvincular as atitudes dos governantes com as da sociedade, eles nos representam. Mesmo estando em realidades diferentes eles continuam sendo como uma grande fatia esmagadora da população que não perde tempo na aplicação do nosso famoso jeitinho [que jeitinho? Esclarecer o o que significa o termo] que está cada dia mais disseminado.[Idem à observação do parágrafo anterior]

Logo nota-se uma enorme incoerência no que a sociedade diz e, realmente, faz no dia a dia. Na procura desesperada para uma justificativa da “cultura dos espertalhões” [explicar o que significa] encontram os governantes que reproduzem os mesmos atos mas em proporções diferentes como uma válvula de escape [como? explicar] e não percebem que estão apontando o dedo para eles mesmos.

 

Comentários da professora sobre a redação:

1. O texto iniciou-se muito bem.  O 1º parágrafo, bem escrito, prometia uma boa discussão. O aluno apresentou o assunto (a desonestidade histórica brasileira) e apresentou sua tese: nem sempre os cidadãos percebem que também são desonestos assim como aqueles que criticam – os políticos. Esperava-se que, a partir daí, o aluno se dedicaria a explicar como os políticos (com algumas exceções) são corruptos e de que forma a população os imita. Deveria então apresentar fatos, dados e análises que justificassem a opinião expressa.

2. Entretanto, o 2º parágrafo, que começou bem, na análise tornou-se confuso até o final, texto difícil de ser entendido. Precisa de uma melhor redação para se tornar compreensível.

3. O mesmo problema surge no 3º parágrafo. O aluno enuncia uma ideia, mas não consegue desenvolvê-la compreensivelmente na parte final.

4. O que se nota, neste texto, é que o aluno encontra uma boa e consistente forma de desenvolver o tema – o conteúdo –, mas perde-se na forma como redige a análise e explicação dos fatos. A exemplificação, que daria embasamento ao que ele expõe, fica confusa e, por isso, incompreensível.

5. Na conclusão ocorre o mesmo erro: na análise conclusiva dos fatos, há um agrupamento de palavras bem dispostas, mas de significado discutível.

Sugestão: rever o texto e procurar escrever as partes finais dos parágrafos de forma mais clara e objetiva. Não supor que o leitor conheça todos os termos: “jeitinho brasileiro”; “cultura de espertalhões”. É preciso esclarecer do que se está falando para dar unidade ao texto. Os exemplos, que são a base das afirmações, precisam ser claros para o leitor de forma a facilitar-lhe o entendimento.

Apesar de alguns deslizes na pontuação, é um texto com poucos problemas de gramática. O que falhou, na escrita, foi a dificuldade de expressar-se mais coerente e claramente.

Nota: (de zero a dez): seis

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Análise de texto para a proposta sobre mobilidade urbana (Unicamp 2014)

Ana Prado | 01/10/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o estudante deveria elaborar uma carta aberta a ser divulgada nas redes sociais com o objetivo de reivindicar, junto às autoridades municipais, ações consistentes para a melhoria da mobilidade urbana na sua cidade.

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Imagem: Marcelo Horn/iStock

Leia o texto escolhido:

Carta aberta aos cidadãos fluminenses sobre a mobilidade urbana do Rio de Janeiro.

A cidade do Rio de Janeiro é uma das metrópoles mais desenvolvidas e populosas do país, fazendo com que seja consequentemente uma das cidades que mais possuem congestionamento. No entanto, este problema torna-se cada vez mais difícil de ser solucionado pela da falta de transportes públicos e de investimentos nesta área pela prefeitura.

A necessidade de remanejo na mobilidade urbana do Rio de Janeiro, tem se tornado cada vez mais evidente nos últimos anos. Segundo uma pesquisa da empresa de tráfego ‘’Tom Tom ‘’ a urbe é indicada como a terceira cidade que mais possuí congestionamento no ranking mundial, com 55% de suas ruas congestionadas, perdendo apenas para Moscou e Istambul com 74% e 62 % de transito, respectivamente.

Especialistas no assunto, dizem que se o automóvel continuar a ser privilegiado, o problema dificilmente será resolvido. A forma mais viável para os cidadãos e o governo do Rio, são os investimentos e uso dos transportes públicos para que o número de opções de mobilidade aumente e o fluxo de automóveis decresça.

Contudo, a Prefeitura Municipal deve descentralizar os serviços essenciais e os locais de trabalho para aproximar os fluminenses de suas atividades diárias e dessa forma preencher os vazios urbanos, usando como exemplo, projetos que foram satisfatórios em outros países como na metrópole de Londres onde foram implantadas as bicicletas públicas de aluguel.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Liliane Negrão:

O texto em questão, infelizmente, é bem abaixo da média, por apresentar desempenho fraquíssimo em dois dos três critérios de avaliação redacional da Unicamp – Propósitos e Gênero –e por receber nota zero no terceiro critério – Interlocução.

Quanto aos Propósitos, estava claro, na avaliação redacional, que o texto a ser redigido pelo aluno deveria “reivindicar ações consistentes para a melhoria da mobilidade urbana na sua cidade”. Na produção textual em questão, a reivindicação só começa a ser feita ao final do penúltimo parágrafo; mesmo assim, com uma explicação generalizada, pouco explicada, apenas parafraseada da coletânea. Aliás, é somente no último parágrafo da carta que o aluno utiliza – de forma pouco proveitosa, como já apontado: de forma parafrástica – a leitura de trechos oferecidos pela prova. Isso, como se sabe, é muito ruim, é mal visto pela banca avaliadora. Tem-se, portanto, uma qualidade bem regular quanto ao cumprimento do objetivo da proposta, somada a uma pouca e fraca utilização dos textos-fontes.

Com relação ao critério Gênero, o texto também se mostra abaixo do que era esperado: a característica que o tipifica como carta está apenas e tão somente no título (uma exceção: a carta aberta é a única que o tem). O fato de aparecer a expressão “carta aberta” “salva”, apenas “salva” o aluno da anulação, também nesse critério. As marcas de

autoria daquele que escreve a carta estão completamente ausentes; muito menos, é possível notar um trabalho específico de autoria, voltado para o que a proposta exigia: o autor da carta seria um representante de associação de bairro. Não há nada disso na carta.

No item de avaliação Interlocução, o texto recebe nota zero: a proposta pedia que se endereçasse a carta às autoridades municipais (prefeito e/ou vereadores, etc), mas o aluno, equivocadamente, destina a missiva aos “cidadãos fluminenses”. Um grave erro. Tendo o texto anulado em um dos três principais critérios de avaliação, as chances de o candidato continuar na disputa com chances de aprovação são drasticamente reduzidas.

Há, ainda, no texto, problemas com pontuação e erros de coesão (como exemplo, o elemento coesivo “contudo” é erroneamente utilizado no início do último parágrafo).

 

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Análise de texto para a proposta sobre ostentação (UPF 2014/2)

Ana Prado | 28/08/2014

Imagem tirada do tumblr  Rich Kids of Instagram

Imagem tirada do tumblr Rich Kids of Instagram

Com base na proposta extraída do vestibular 2014/2 da Universidade de Passo Fundo (UPF), o estudante deveria produzir um texto dissertativo-argumentativo que abordasse a ostentação na sociedade atual

Leia o texto escolhido:

Ter para ser aceito

Se o mundo fosse uma balança que pesasse as proporções de posse, seu desequilíbrio não poderia ser compreendido apenas com o olhar. O desequilíbrio existente funcionaria de uma maneira desproporcional, onde o prato de quem tem muito muito não seria a parte que tombaria, mas a prato de quem tem pouco é o qual pesaria mais.

Dessa pequena parcela da população mundial que muito possui – tanto em valores materiais e de capital – originam-se fatores devastadores que afetam a todos. Entre eles a desigualdade, onde um tem mais do que o outro; a ganância, onde nunca há satisfação, apenas uma vontade maior, e o status, que traz o ar de superioridade e o “triunfo” de possuir bens.

A grande questão é que uma parte considerável de quem não apresenta muito, quer fazer parte deste recorte luxuoso de quem apresenta demais o que se tem. Ao se “ostentar”, o sentimento de fazer parte de um grupo isolado, mas com importância, se concretiza. Se é preciso mostrar que se tem o poder de posse para subir nos degraus da sociedade e ser aceito, por quê não?

A extravagância toma o lugar de questões mais importantes, como as condições de vida do lado de fora do muro e o próprio “outro”; tudo estará bem se uma foto for postada em uma rede social com algum objeto de valor nas mãos. A sociedade atual nos diz que o importante é mostrar nossas vantagens e o que temos.

“Ostentar” é mais uma das consequências do capitalismo e suas facetas, onde a visão foca-se apenas em um único lugar: o próprio indivíduo. O reflexo social se anula em comparação ao reflexo do indivíduo que segura um aparelho caro no espelho para tirar uma “selfie”

 

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

O texto aborda o tema apenas tangencialmente, ou seja, discorre sobre ele, mas não o analisa nem o discute.

Primeiramente, vamos apontar alguns problemas de linguagem:

  1. Uso do pronome onde: essa é uma palavra que deve ser usada quando se quer se referir a lugar. Onde não pode substituir todos os pronomes relativos da língua portuguesa. Nos usos feitos pela aluna, ele deveria ser substituído por em que. Também o uso de pronome o qual no final do primeiro do parágrafo está incorreto; nesse caso, o certo seria : “(…) mas o prato de quem tem pouco é aquele que pesaria mais”.
  2. Há algumas expressões mal redigidas e que confundem o leitor: “de quem não apresenta muito” (terceiro parágrafo); “do lado de fora do muro e o próprio outro” (quarto parágrafo) Essas expressões precisam ser melhor definidas e escritas de outra forma.
  3. Há uso excessivo de aspas: triunfo, outro, ostentar. O único uso que se justifica é com a palavra “selfie”
  4. Um outro aspecto a considerar, desse ponto de vista de linguagem, é a ausência de palavras de coesão unindo os parágrafos, mas isso tem a ver com estrutura do texto.

 

Análise do conteúdo e estrutura do texto:

  1. A aluna faz uso da figura de uma balança, no primeiro parágrafo, mas a ideia de que quem tem menos pesaria mais no prato da balança não fica devidamente esclarecida, nem nesse parágrafo, nem nos seguintes. Isso já mostra um problema de conteúdo e de estrutura: aquilo que se propões como tese não é discutido ou analisado no restante do texto.
  2. Os parágrafos seguintes discorrem sobre vários aspectos do possuir bens, mas não há uma ligação clara entre essas ideias. O segundo parágrafo fala dos “fatores devastadores” dos mais ricos; o terceiro parágrafo fala dos que não têm muito e que querem ostentar, mas sem ligação com o que se discutiu no parágrafo anterior; o quarto parágrafo se refere à necessidade de mostrar o que se tem; e o quinto parágrafo, que deveria concluir o texto, retomando as ideias discutidas até então, volta a falar da necessidade de ostentação, sem que o texto tenha discutido ou analisado esse aspecto.

 

Conclusão:

O texto aborda o tema de forma superficial.  Não tem a unidade de uma dissertação, não há coesão ou coerência entre os parágrafos. Além disso, falha na construção da estrutura de um texto dissertativo, que deveria expor uma tese e analisá-la nos parágrafos seguintes, apresentando a conclusão, ou seja, uma retomada das ideias discutidas e analisadas no texto.

O texto perde nota em: tema; tipo de texto; coerência e coesão.

Minha sugestão é que você repense o texto a partir do que escreveu no início do último parágrafo:  “‘Ostentar’ é mais uma das consequências do capitalismo e suas facetas, onde a visão foca-se apenas em um único lugar: o próprio indivíduo.”  Com essa ideia, daria para você escrever um bom texto sobre o tema proposto.

 

Nota: 5,0 (escala de 0 a 10)

 

 

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Análise de texto para a proposta sobre a Copa no Brasil

Ana Prado | 13/08/2014

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Imagem: Clive Rose/Getty Images Sport

Com base na proposta de redação extraída do vestibular de inverno 2014 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o estudante deveria abordar, em um texto argumentativo, as implicações de uma Copa do Mundo no Brasil e seus possíveis efeitos em nossa estrutura social e econômica.

Leia o texto escolhido:

Os Impactos da Festa

          Dois dias após a final da Copa do Mundo, ainda encontramos muitas pessoas nostálgicas com os jogos e com a festa feita aqui no Brasil, afinal, uma copa realizada no “país do futebol” não pode deixar a desejar no quesito animação, entretanto, a parte essencial para a realização do evento, costuma passar despercebida, assim, como o legado deixado por ela.

         Há muito, vemos críticas na imprensa, e até mesmo, nas ruas, sobre os gastos exorbitantes com as obras e com a construção de estádios, em que se afirma serem os novos “elefantes brancos” brasileiros, no entanto, existem projetos para a utilização desses locais em grandes espetáculos, além, de já ter sido comprovado que os investimentos empregados na copa são muito pequenos se comparado com que o governo gasta em saúde e educação anualmente, haja vista, que existem exemplos de outros países que já sediaram o mundial e que aproveitam as gigantescas estruturas como fonte de renda, como é o caso da Alemanha, que baixa os preços dos ingressos para mais pessoas terem acesso. Há também, as obras de infraestrutura, em especial, as de mobilidade urbana, que melhoram a qualidade de vida da população, mesmo depois da copa.

        Apesar da euforia do momento, a primeira semana de jogos acumulou mais de vinte protestos pelas cidades sedes, representando um a tentativa frustrada de parte da população de acabar com as mazelas que afligem a sociedade, esquecendo essas pessoas, que os problemas sociais e a corrupção do Brasil advêm de muitos séculos e que a solução para estes, não ocorrerá instantaneamente. No entanto, as festividades foram otimistas para a economia, deixando não só números positivos para o comércio e para o setor de serviços, mas também, para famílias que alugaram suas casas.

         A Copa do Mundo de 2014 deixou um rastro de melhorias para o Brasil, representou oportunidades para alguns e festividades para outros, mas para todos os brasileiros, constituiu um sentimento de nação e amor pela pátria. 

 

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

O tema é bastante amplo e na proposta não há instruções limitadoras. Por isso, a aluna poderia escrever livremente sobre o tema: as implicações e os efeitos da Copa do Mundo no Brasil.

No que diz respeito a implicações, a aluna poderia discorrer sobre as preocupações que cercaram a organização desse evento no Brasil: a falta de planejamento, o atraso na execução das obras, a preocupação com o desenrolar das atividades, como deslocamento aéreo e terrestre, hospedagem, informações seguras para turistas e atletas, segurança, etc. Quanto aos efeitos na estrutura social e econômica, seria importante dispor de dados mais técnicos e precisos: abordar a finalidade dos estádios pós-copa, a melhoria no sistema de transporte, números que revelassem como a população de baixa renda se beneficiou com o mega evento. Para escrever um bom texto, a aluna deveria ter lido bastante sobre o assunto ou visto entrevistas e comentários nos meios de comunicação.

Vejamos o que ela fez. Ela escreveu de forma muita generalista sobre o tema. Repetiu o que se falou e comentou antes e depois da Copa, mas não foi específica em suas afirmações. Não dissertou sobre o tema; limitou-se a expor algumas ideias fartamente discutidas, porém sem profundidade. O texto dissertativo requer uma análise crítica e argumentativa sobre um ponto de vista. É um texto que se inicia com uma proposição que será analisada, dissecada e explorada durante os demais parágrafos. Se o texto não se inicia com essa proposição, que chamamos de tese, dificilmente teremos uma dissertação, pois não há como dar continuidade à discussão e exposição das ideias.

Portanto, o texto não pode ser considerado argumentativo, como requer a proposta. Além disso, as ideias se truncam dentro dos parágrafos, sem aprofundamento, coesão ou encadeamento. No primeiro parágrafo, ela fala de nostalgia, festa, animação, ignorância e legado.  Parte, no segundo parágrafo, para a enumeração de outros aspectos: gastos, elefantes brancos, comparações (sem revelar números ou porcentagens); cita a Alemanha, preços de ingressos… Ou seja, as ideias se misturam sem definição ou objetivo. No terceiro parágrafo, fala dos protestos, da perpetuidade dos problemas e depois de otimismo e números positivos, sem, novamente, citar dados estatísticos mais precisos que justifiquem sua afirmação. Na conclusão, o texto refere-se a um rastro de melhorias, oportunidades e festividades que não foram especificadas no corpo do texto e, por isso não poderiam aparecer na conclusão.

Do ponto de vista gramatical, há erros de concordância nominal e verbal que comprometem a qualidade. Há falhas na pontuação, na divisão dos períodos e no uso de conectivos.

Orientações sobre títulos e conclusão

O título deve ser sugestivo, criativo, usando-se poucas palavras que causem impacto. Ele deve sugerir, motivar, sem ser óbvio. O que foi usado, Impactos da Festa, é um bom título. Poderia ser Impactos pós Festa, já que a proposta propõe análise de resultados.

Quanto à conclusão: ela deve resumir o que foi discutido no corpo da redação. A conclusão nada mais é que a retomada da tese inicial seguida do balancete da argumentação feita durante a exposição das ideias. Não deve trazer elementos novos que não foram abordados anteriormente. Observe que a conclusão do texto não condiz com o restante. Como há lacunas na argumentação, a autora não conseguiu produzir uma conclusão adequada. Para se escrever uma boa conclusão, o texto precisa estar dentro das especificações do gênero dissertativo.

Nota: 5,0 (de zero a dez)

 

 

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Categoria: Correção

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Análise de texto para a proposta: “A sociedade e suas violências”

Ana Lourenço | 24/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2012 da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A sociedade e suas violências”.

Leia o texto escolhido:

Amadurecimento ético e psicológico

No convívio social caótico no qual estamos inseridos é notável a presença de diversos tipos de violência. Essa questão já virou rotina, em cada beco, esquina ou residência acontece algum tipo de violação dos direitos humanos, que muitas vezes sai impune. A reação da população diante das práticas de violência é diferente dependendo da gravidade, ficando chocada ou não com o acontecimento, e também por parte da condição social da vítima, que pode levar menos importância por ser mais carecida.

A violência vem se manifestando cada vez mais e em locais públicos, revelando uma parte da população que age impulsivamente e agride moralmente ou fisicamente os demais cidadãos. Recentemente, um ato de racismo praticado contra o jogador Daniel Alves, que recebeu uma banana da torcida adversária enquanto jogava em campo, repercutiu o mundo, diversas celebridades publicaram fotos com uma banana, em apoio ao jogador. Já, o jovem negro acorrentado nu em um poste no Rio de Janeiro, não gerou muitas críticas ao racismo por parte da sociedade. 

Além do racismo, o preconceito contra homossexuais e a violência contra a mulher tem tomado significante espaço na mídia, sendo que este último movimentou diversas famosas que pousaram com cartazes contra o ato. A influência que a mídia tem na sociedade, pode mudar sua consciência, fazendo com que se mobilizem também quando se tratar de alguém menos favorecido, pois todo ser humano é cidadão e possui seus direitos. 

Contudo, é necessário o amadurecimento ético e psicológico de cada pessoa desde muito cedo, seja dentro de casa com os valores morais, ou na escola, com palestras incentivando a pacificação, sendo assim possível a formação de jovens e adultos cientes de cidadania, igualdade de raças e gêneros.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta é a criação de  um artigo de opinião. A banca traz algumas informações sobre o gênero que deviam ser seguidas pelos alunos. Importante no artigo de opinião é o conhecimento que o articulista tem a respeito do tema, seja por atividades profissionais, seja por pesquisas realizadas. Esse conhecimento deve ficar evidente para o leitor. Além disso, esse tipo de  texto deve levar o leitor a uma reflexão sobre o assunto trazida à tona pelo autor. Portanto, é também um texto de convencimento.  As instruções falam disso: “O produtor de um artigo de opinião busca construir para os leitores uma imagem de si mesmo, mostrando seus conhecimentos sobre o tema tratado, através da razão e da lógica, sustentando sua posição.”

Vejamos, então, o texto em questão.

O autor inicia seu texto falando de violências na sociedade em que vivemos, sem discriminá-las mais precisamente. Aborda ainda a reação das pessoas diante das violências, mas não as nomeia para esclarecer o leitor sobre o foco que dará à sua análise.  No segundo parágrafo, refere-se a um caso de racismo no futebol. Aqui também se refere ao comportamento das pessoas diante dos fatos. Faz uma observação que a reação das pessoas depende da vítima ser ou não importante no cenário mundial; ou seja, os mais importantes gozam de maior repercussão. Apenas no terceiro parágrafo, a aluna cita algum tipo de violência: racismo, preconceito e violência contra a mulher. Mas não se percebe qual a  relação entre as violências citadas e o autor do texto. Por que este artigo de opinião estaria se referindo a tais violências? Qual é a contribuição do autor do texto para o esclarecimento do leitor? Qual o objetivo do articulista ao escrever o texto? Finalmente, no último parágrafo, aparecem algumas sugestões de como formar jovens e cidadãos pacíficos e éticos.

O texto não é,  portanto, um artigo de opinião. Não se sabe e o autor não permite que o leitor vislumbre quem ele é, o que faz e como chegou aos fatos que citou. Mesmo se fosse uma dissertação comum, o texto careceria de mais argumentação, da exposição de um ponto de vista, de uma conclusão mais reflexiva.

Embora o texto não apresente muitas falhas de linguagem, peca na exposição das ideias e na construção do tipo de texto requerido pela banca: um artigo de opinião.

Importante que os alunos atentem para isso: é preciso desenvolver o tipo de texto solicitado, bem como explanar o tema pedido. Esse texto corre o risco de ser anulado nesses dois aspectos.

Outros pontos que precisam ser apontados: a) não há progressão das ideias: elas se repetem sem aprofundamento; b) por isso, não há elementos de coesão unindo os parágrafos; c) a conclusão apresenta elementos que não foram discutidos no texto; d) o autor não se fez conhecido do leitor, como deve acontecer num artigo de opinião; e) a aluna não usou a coletânea oferecida, apesar das instruções claras dadas pela proposta.

Nota: 4,0 (de zero a 10).

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Categoria: Correção

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Análise de texto para a proposta: “A relação homem-natureza”

Ana Prado | 16/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2011 da Universidade Federal do Acre (UFAC), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A relação homem-natureza”. 

Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

O fim pode estar próximo, resta agir

A vida do homem depende da saúde de seu pulmão, portanto, não seria possível a vida sem a sobrevivência deste órgão vital. Nesse contexto, fica claro que a vida humana depende da Floresta Amazônica, conhecida mundialmente como “pulmão do mundo” pela enorme filtração de gás carbônico e a liberação do oxigênio. Cabe reconhecer, no entanto, que ela não é bem cuidada, deste modo, a vida na Terra é passível de perturbações nas próximas décadas.

É nesse ambiente que se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos). O mais preocupante, contudo, é constatar que mesmo sabendo disso o homem segue realizando queimadas e derrubadas na maior floresta do mundo, tudo em busca do lucro. Em contexto assim, não é de admirar que haja uma entrada em um ciclo vicioso pela falta de consciência ambiental e foco no capital, prejudicando cada vez mais a natureza e a própria espécie humana.

Não é exagero afirmar que a situação da Floresta Amazônica é quase que irreversível, já que o tema é tratado com tanto descaso no Brasil. Mesmo aí, exige-se cautela, visto que estudos recentes de empresas especializadas no ramo descrevam que com apenas 1 bilhão de reais por ano (pouco se comparado com os gastos com Copa do Mundo) seja possível conservar o “pulmão do mundo”. Então, não se trata de escolher entre fazer ineficientes campanhas nas redes sociais (como foi feito no Twitter a pouco tempo) ou tratar como causa perdida, mas sim de pressionar o governo a mudar a postura diante de tal cenário.

Por essa lógica seria aceitável que organizações como o Greenpeace e a WWF estimulem os cidadãos a pressionar o governo para que parte do dinheiro arrecadado pelo Estado seja destinado à restauração da Amazônia e a conscientização da população sobre os danos que queimadas podem acarretar. Essa, porém, é uma tarefa trabalhosa, visto a extensão da área e os anos de devastação. O que importa, portanto, é agir rapidamente, pois ainda há volta, para que assim o mundo possa continuar a respirar.

Comentários da professora sobre a redação:

O texto apresenta uma análise da ação do homem sobre a Floresta Amazônica. Expõe, de forma sucinta, a ambição sobrepujando a consciência de que se deve preservar a Floresta, o “pulmão do mundo”.

Embora o texto seja pertinente, tenha coerência  e esteja, razoavelmente, bem escrito, o tema proposto (“a relação homem-natureza”) não foi muito bem desenvolvido. O aluno preocupou-se mais em expor os danos da ambição que leva o homem a destruir a natureza do que em analisar qual é a relação e a influência recíproca entre homem e natureza. É preciso lembrar e anotar  que  a proposta diz: “Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão.   Portanto, a tarefa do aluno é, além de falar como o homem age em relação à natureza, analisar igualmente a influência do meio ambiente sobre a vida do ser humano.

Mais uma vez, quero ressaltar aqui que a leitura atenta da proposta é fundamental para se construir um bom texto. Por melhor que seja o texto, ele perde valor, ou pode até ser anulado, se não se ativer ao que propõe a banca.

Em relação à forma como o texto foi escrito, quero ressaltar:

1.  No 1º parágrafo, a ligação entre os dois períodos deveria ser feita de forma diferente. A palavra contexto não retoma adequadamente o período anterior. Talvez a palavra melhor para unir as duas ideias seria: analogamente.

2.  No 2º parágrafo, o aluno deveria ter desenvolvido melhor, e mais profundamente, a primeira ideia focada: ”… se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos)”. Esse era o tema proposto! Se o texto seguisse nessa direção, teria mais valor.

3.  No último parágrafo, no lugar da fúnebre (porém real) profecia, deveria ter sido feita a conclusão: quais os efeitos da influência da relação homem-natureza. Era esse o tema a ser discutido, analisado e exemplificado.

Nota: 6,0 ( de 0 a 10)

 

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Análise da redação para a proposta sobre violência contra a mulher

Ana Prado | 24/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo discutindo as formas de violência contra as mulheres. Por coincidência, o tema da prova de redação do vestibular de inverno 2014 da Unesp, aplicado no último fim de semana, foi bem parecido com esse (clique para ver).

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Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Desigualdade de gênero

A violência contra as mulheres não é um fato contemporâneo, mas, sim histórico. Em Roma antiga as mulheres já sofriam discriminação e violação de direito, não podiam votar e nem exercer cargos públicos. Se isso  já não o bastasse [o certo seria “já não bastasse”], hoje as mulheres são as principais vítimas de violência física, sexual, e psicológica praticada pelo seu próprio companheiro, o qual devia zelar por sua integridade.

Embora os movimentos feministas, nas últimas décadas, tenham contribuído para a  igualdade [melhor usar “algumas equiparações”] de direitos, essa igualdade ainda não fora [foi] concretizada, pois os homens ainda têm maior poder aquisitivo e ocupam os cargos mais altos da sociedade em sua maioria, como cargos políticos por exemplo. A sociedade brasileira encontra-se ainda arraigada a valores e costumes patriarcais, machistas e preconceituosos, em encubação dessa prática mulheres são violentadas sexualmente por seus próprios maridos, mesmo não afim do ato sexual, acabam sendo violentadas sexualmente em razão ou justificação do matrimônio. [Trecho confuso; deve ser reescrito com mais clareza].

Essa sujeição leva muitas a se calarem ou a se omitirem diante de tamanha barbárie, permitindo o ato sexual em forma de estupro consentido em preservação à honra da família e os costumes segundo valores patriarcalistas [patriarcais]. É certo que as inovações no combate à violência contra a mulher, com a implantação da “Lei Maria da Penha”, têrefletido [mostrado] resultados, porém estes são insuficientes,. A violência domestica e familiar ainda é alarmante pois, segundo o estudo mais recente do Ministério da Justiça, 50 mil mulheres são agredidas de alguma forma de violência por ano no Brasil. Embora o Estado assine um pacto de enfrentamento [esclarecer que pacto e como ele acontece] e crie políticas, ainda não oferece mecanismos eficientes para sua aplicabilidade.

Em vista disso, é necessária maior intervenção do Estado no combate à violência contra a mulher. Apesar da [de a] “Lei Maria da Penha” coibir mecanismos no combate a essa prática de violência, ela sozinha não surtiu efeito desejado,. As instituições dos juizados especiais de competência cível e criminal (,) precisam encarregar [encarar] o problema não só como doméstico ou familiar, mais [mas] como do Estado, para hostilizar [melhor escrever "a fim de acabar com  essa impunidade"]. E que também promova campanhas e propagandas generalizando a conscientização, para que aquelas desenformadas ou ameaçadas possam sentir amparo e criar coragem para denunciar seus agressores.

Comentários da professora sobre a redação:

Como venho expondo nas análises que faço das redações, a dissertação tem uma característica muito específica que é de expor e discutir um ponto de vista apresentado pelo autor a respeito de um tema. Por isso, é fundamental que o aluno, logo de início, esclareça para o leitor de que assunto vai falar e de que forma vai abordá-lo. No caso desta proposta, a aluno deveria “discutir as formas de violência contra a mulher”. Um bom texto deveria apresentar o assunto amplamente falando sobre o impasse que há entre os dois gêneros e depois apresentar as formas de violência que ainda pairam sobre a mulher. O trabalho argumentativo aqui é simples: expor, discutir e analisar essas formas: como e por que ainda existem em nossa época.

Vejamos, agora, o que fez  o aluno:

Primeiramente, uma explicação sobre os grifos no texto dele: em azul o que está incorreto: do ponto de vista formal ou das ideias. Em vermelho, as correções e reescritas.

1.    O aluno começou bem, apresentando um  panorama da situação da mulher no mundo antigo e no atual. É lógico que esse histórico poderia ser mais completo ou poderia ter resgatado mais dados sobre a situação de inferioridade da mulher. Depois, ele apresentou, ainda no 1º parágrafo, os tipos de violência: física, sexual e psicológica. Aí, comete o primeiro deslize: atribui a culpa só ao companheiro, mas reforça o preconceito quando diz que: “o qual devia zelar por sua integridade.” Na verdade, não é apenas o companheiro que oprime a mulher. Isso é muito mais amplo: cultura, religião, família, sociedade também têm culpa no cartório nessa violência.

2.    Era de se esperar, portanto, pela introdução, que abordasse os três tipos de violência que apontou. Mas ele não fez isso. Limitou-se à violência sexual. Não falou dos maus tratos, dos crimes, das pressões, das humilhações a que estão sujeitas as mulheres em todo o mundo e, principalmente, no Brasil que, infelizmente, é um dos campeões mundiais em assassinatos de mulheres por ano.

3.    Fez bem em referir-se à Lei Maria da Penha. Mas poderia tê-la aproveitado melhor: uma análise mais crítica e atualizada dos seus resultados. A lei existe, mas é incapaz de resolver o problema sozinha, como o estudante apontou. O que falta então? Conscientização da mulher, do homem, dos pais, dos patrões, enfim, de todos: a mulher, como todo ser humano, merece respeito e deve viver com dignidade.

4.    Embora a proposta não tenha sugerido “soluções” para o problema, ele apresentou-as. E fez de forma correta.

5.    O que faltou para que o texto fosse mais adequado à proposta foi uma leitura mais atenta das instruções da banca: discutir as formas de violência contra a mulher, e não apenas uma forma de violência.

6.    Há alguns trechos mal redigidos; embora a ideia seja boa, a maneira de expressá-la prejudicou o entendimento. Isso apareceu, principalmente, no segundo e terceiro parágrafos.

7.   O vocabulário é bom, embora seja discutível o uso de algumas palavras e expressões, conforme ficou anotado no texto.

Nota: 6,0 numa escala de  0 a 10.

 

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Análise da redação para a proposta sobre felicidade

Ana Prado | 10/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre felicidade.

felicidade

Leia o texto escolhido:

Felicidade Interior

Geralmente, felicidade é definida como algo inalcançável, surreal, ou até mesmo como um estado de espírito. Cada pessoa elege seu ponto clímax na vida, sendo este a realização plena e contínua e seja ele no relacionamento, no sucesso profissional, na formação de uma família, ou até mesmo, em bens materiais. Em vista disto, a importância do bem-estar cotidiano, promovido muitas vezes pela autoestima, fica em segundo plano.

Felicidade é aquilo que cada pessoa julga como o “clímax” de sua própria vida, entretanto, de longa duração, ou seja, se estabelece um período de tempo e um limite, em que é preciso ter alcançado a felicidade, associando-a, muitas vezes, à perfeição. Antes do limite – imposto pelos próprios indivíduos, procura-se pela realização dos sonhos e o famoso estado pleno de espírito, onde nada mais na vida possa dar errado, e também imagina-se que, quando atingido o ápice, a vida torna-se um mar de rosas interminável.

Há quem diga que felicidade é provida por dinheiro, bens materiais e artigos de luxo. Isso tudo é atribuição de valores para algo que não tem valor. Já outros, acreditam que ela se encontra no privilégio da saúde, na família reunida, nos amigos, etc. Ou seja, cada pessoa define felicidade baseando-se em suas próprias crenças, desejos e sonhos.

Cada pessoa tem seus objetivos e para cada uma há uma “felicidade” diferente. Ser feliz para  uma criança, com certeza não é o mesmo para um adulto. A vida muda constantemente, e o que era antes muito almejado, hoje já nem mesmo se cogita; por isso a ideia de que felicidade é inalcançável.

Engana-se quem pensa que nunca atingirá seu “clímax”, basta um impulso psicológico, e nem tudo é Não existe receita para a felicidade. É preciso querer viver sempre bem, procurar entender o lado bom das mudanças e o aprendizado que acompanha toda a dificuldade. Saber enxergar tudo que há de bom em cada “tempo ruim” possível, e principalmente ter uma pitada de senso de humor. Nada melhor do que aprender com as falhas. Felicidade não é inalcançável, tampouco definível, é muito mais interior do que exterior.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta feita pela PUC- RJ é bastante aberta, ou seja, o aluno poderia discorrer sobre o tema como quisesse. Poderia dizer que a felicidade não existe; ou que existe, mas é inalcançável; que existe e está ao alcance de todos; que só os ricos são felizes; que só os pobres conhecem a verdadeira felicidade… Não havia nenhuma instrução que direcionasse a discussão sobre o tema. Porém, havia um limitador: o texto deveria ser dissertativo-argumentativo, entre 25 e 30 linhas.

Portanto, qualquer que fosse a abordagem do aluno sobre o tema, este deveria estar contido numa forma, que é a dissertação. E a dissertação pressupõe: introdução (em que se aborda o assunto e se expõe a tese/ponto de vista que será defendido pelo autor do texto); desenvolvimento (em que se argumenta para defender o ponto de vista escolhido); e a conclusão (em que se retoma a tese inicial e a reforça apoiada nos argumentos apresentados). Isso mostra que a liberdade de explorar o texto termina na forma de apresentá-lo.
Pois bem, vamos à análise do texto.

Ela começa corretamente seu texto, apresentando uma definição particular do que é felicidade. Inicia o parágrafo com a palavra geralmente; teria sido mais elegante dizer: Costuma-se definir felicidade como… ou  É comum definir-se felicidade como… Porém, nessa apresentação, ela usa dois termos ambíguos, que mereceriam uma melhor definição: “surreal” e “ponto clímax”. Sem a explicação, fica complicado para o leitor apreender, exatamente,  o que quis dizer. Ainda na sequência, ela termina o parágrafo de forma incoerente com o que vinha dizendo. Por que a realização plena e contínua não leva à alta autoestima e ao bem-estar cotidiano? Portanto, nesse parágrafo, há indefinição do propósito com que ela vai discutir o tema. Ou seja, a tese não foi claramente enunciada.

Ao iniciar o segundo parágrafo, não faz a ligação com o primeiro. Ela continua explicando o que é felicidade para as pessoas; deveria, então, ter começado com uma palavra de coesão: por isso, além disso, ademais… O que se vê nesse parágrafo é uma repetição do já foi dito no anterior, embora com alguma progressão de ideias. Não deveria ter repetido a palavra clímax, cujo significado continua vago.  Neste parágrafo, aparece outra expressão que carece de maior explicação: o famoso estado pleno de espírito; é preciso esclarecer ao leitor que estado é esse e por que é famoso.

O mesmo procedimento acontece na passagem do 2º para o 3º parágrafo: ela não faz a coesão. Poderia escrever: Há quem diga, também, que… Essas palavras de coesão indicam ao leitor que caminho vai seguir a argumentação. Ainda neste parágrafo, aparecem definições de felicidade, tema da redação, mas a autora não conclui, nem as analisa, com argumentos, ou exemplos, valorizando-os ou reprovando-os. Fica faltando, portanto, a argumentação.

O mesmo sucede no 4º parágrafo. Fala sobre conceitos variados de felicidade, mas não se convence ou não procura convencer o leitor do que se trata esse sentimento. Portanto, ela fez uma dissertação expositiva e não argumentativa.

No último parágrafo, onde ela deveria condensar todas as suas argumentações comprovando sua tese, ela dá uma “receita” de felicidade que não cabe neste tipo de texto.

Concluindo: o texto não é ruim, mas não cumpre, adequadamente, a proposta que é dissertativo-argumentativa, uma vez que não defende um ponto de vista, simplesmente  expõe vários conceitos sem argumentar sobre eles.

É certo que ninguém, ou quase ninguém consegue definir ou dizer o que é felicidade, mas essa era a proposta e o texto deveria defender, pelo menos, que esse é um conceito sobre o qual muitos falam e poucos sabem o que é.

Nota 6,0  (de zero a 10)

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Análise da redação para a proposta sobre analfabetismo e exclusão (UPF)

Ana Prado | 25/04/2014

Com base na proposta de redação extraída do Processo Seletivo de Verão 2010 da Universidade de Passo Fundo (clique para ver), o estudante deveria escrever um texto dissertativo sobre o tema “analfabetismo e exclusão”.

boneco-livro

Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Educação Igualitária

A sociedade vive a era da tecnologia, da informação e da modernidade. Os países vêm se desenvolvendo cada vez mais e os governos aprimorando seus setores como o  da economia e o da saúde.  Outro fato [seria melhor usar “dado”] é que quanto mais desenvolvido o país, melhor é a sua situação em relação a [à] educação e, consequentemente, menores são as taxas de analfabetismo. O Brasil vem melhorando sua situação em relação a isso, porém o problema o número de pessoas que nunca tiveram acesso à educação ainda é muito grande e piores são os problemas enfrentados por elas. [Este período está pouco claro; é preciso reescrevê-lo. No meio do parágrafo, a passagem do geral (quanto mais desenvolvido o país) para o particular (O Brasil vem melhorando) não foi bem feita. Seria necessário relacionar as duas informações. Mesmo sendo início de texto, as informações são pouco precisas. Não há referências para análise.].

Por se tratar dos tempos da globalização e do desenvolvimento, possuir conhecimento e informação sobre o que ocorre no mundo, atualmente, é algo essencial. Porém, os analfabetos não têm acesso a isso, portanto eles sofrem muito com a exclusão social. Como por exemplo, podemos ver que [use um ou outro: “como podemos ver” ou “Por exemplo, podemos ver que”] as empresas procuram e necessitam de mão de obra qualificada e especializada, por isso quem não possuiu uma determinada formação acadêmica já enfrenta problemas ao arrumar um emprego. Para alguém quem nunca estudou, essa situação é ainda pior e o desemprego é algo muito frequente entre essas pessoas. [Neste segundo parágrafo, falta ligação com o parágrafo anterior- é importante fazer a coesão. Exemplo: “O nível de alfabetização é algo essencial”; além disso, ao fornecer os motivos da exclusão, não se fez uma análise crítica da situação dos analfabetos no quadro geral do país. O texto é pouco objetivo, impreciso, não conclusivo.].

Para realizarmos algumas atividades básicas diárias necessitamos do conhecimento da leitura e da escrita. Ao comprarmos um produto, por exemplo, devemos conhecer a quantidade de dinheiro que deve ser dada ao vendedor. Para nos locomovermos de ônibus precisamos ler e interpretar as informações sobre os locais. Então muitas das atividades que realizamos em nosso dia a dia não podem ser realizadas por um analfabeto, que acaba ficando excluído da sociedade. [Neste parágrafo, o aluno inicia o uso da primeira pessoa do plural (nós) o que deve ser evitado em dissertações, principalmente no meio do texto; as atividades relacionadas acima não são as mais importantes que excluem os analfabetos – aliás, estes andam de ônibus e fazem compras; entretanto, têm dificuldade com uma conta bancária, especialmente hoje, quando tudo é digital; podem ser fraudados em contratos de trabalho; não conseguem um bom atendimento médico; e, como foi dito, precisam realizar as tarefas mais simples e menos remuneradas do mercado.]

Portanto, os problemas de exclusão social enfrentados por quem não é alfabetizado só podem ser resolvidos de uma maneira: levando educação de qualidade a todos. A maioria dos analfabetos não possuíram acesso à escola, [informação óbvia, portanto, desnecessária] por isso não foi uma escolha deles não estudar, como muitos pensam. [O aluno poderia analisar aqui por que eles não estudaram, o que os impediu.] Por isso, somente assim poderemos alcançar a posição de um país rico, desenvolvido e igualitário. [Neste último parágrafo, procurou-se dar solução para o problema, mas como viabilizar educação de qualidade para todos? De que maneiras isso poderia ser feito? Por quem? Com que verbas? A frase final parece um “final feliz”, mas não houve argumentos que justifiquem tal posição.]

Comentários da professora sobre a redação:

O texto perde pela estrutura formal da dissertação e pelo conteúdo:

1. Não há uma tese bem definida, por isso, a argumentação não acontece nos parágrafos e nem há uma conclusão que remete às ideias comentadas.

2. A argumentação, ponto forte da dissertação, praticamente inexiste no texto. O aluno faz algumas referências vagas ao tema, mas não defende nenhum ponto de vista , sequer traz qualquer informação ou análise relevantes para contribuir com o tema. O aluno não usou nem os dados constantes da coletânea, que poderiam ter ajudado na argumentação.

3. O título nada tem a ver com o texto; em nenhum momento, o aluno defendeu uma educação igualitária.

4. Alguns trechos são confusos e mal redigidos, conforme foi anotada acima.

5. De zero a dez, receberia 5 ou 6 pontos.

 

 

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Análise da redação para a proposta do Enem 2012

Ana Prado | 07/04/2014

Migrants Seek Asylum In The Spanish Enclave Of Melilla In Northern Africa
Foto: Alexander Koerner/Getty Images

Com base na proposta de redação extraída do Enem 2012 (clique para ver), o estudante deveria escrever um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI”, apresentando proposta de intervenção que respeitasse os direitos humanos.

Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Imigração: a busca por uma vida melhor

Desde a sua descoberta, em 1500, o Brasil sempre foi uma terra disputada. No século XXI a disputa não caracterizou-se (não se caracterizou) pela ganância de riqueza e sim de imigrantes (pela chegada de imigrantes ) em busca de melhores condições de vida.

Dentre os inúmeros motivos que levaram e levam esses imigrantes virem para o Brasil, é incontestável que as condições humanitárias e infraestrutura de seus países lhes obrigam a procurarem um lugar melhor. Por outro lado, nem sempre o “lugar melhor” está preparado para receber tais imigrantes.

Atualmente (Trocar por “recentemente”), observa-se que houve um aumento no número de imigrantes vindos principalmente do Haiti.[Faltou justificar] Porém, o que se percebe é que o Brasil não tem infraestrutura e tampouco condições sociais para receber tais pessoas [justificar]. Ainda convém lembrar que os imigrantes, em sua maioria, têm uma profissão e estão em busca de emprego e melhores condições de vida, não de esmolas como alguns pensam.[analisar esse dado]

Levando-se em conta o que foi observado, a entrada de imigrantes no Brasil não um problema, o problema é a falta de políticas para receber os mesmos [e isso não é problema?] Criar uma carteira para o imigrante, regulamentar seus documentos e haver [disponibilizar] escolas preparadas em ensinar língua portuguesa, ajudará o governo a arrecadar mais dinheiro através de impostos e ter mão de obra à disposição.

Comentários da professora sobre a redação:

1.    A parte de escrita está anotada no próprio texto- foram grifados em amarelo os trechos que deveriam ser melhorados do ponto de vista da linguagem. Entre colchetes e em negrito, comentários do que ficou faltando em relação ao conteúdo.

2.    O texto apresenta algumas ideias interessantes e pertinentes:

a)    o Brasil sempre foi alvo do interesse imigratório (1ºparágrafo). Entretanto houve um salto muito grande entre as duas datas ali mencionadas: 1500 e século XXI . Entre esses períodos, não aconteceu nada? Seria importante elaborar, pois isso justificaria a referência ao interesse dos imigrantes pelo Brasil;

b)    bem lembrado o fato de que os imigrantes vêm em busca de melhores condições de vida (2ºparágrafo). Faltou, entretanto, uma ligação(coesão) desse parágrafo com o anterior. É sempre bom ressaltar que o texto dissertativo deve ser  coeso, interligado, sequencial. Também pertinente a referência de falta de preparo brasileiro para receber imigrantes. Entretanto, essa ideia não teve desenvolvimento. Ficou isolada, sem a complementação que seria apropriada num texto dissertativo;

c)    o 3º parágrafo faz uma referência à coletânea quando aborda os imigrantes do Haiti. Embora a ideia geral sobre essa imigração seja boa, também aqui, não houve desdobramento, com análises dos dados apresentados. Poderia ter sido feita uma contextualização do caso dos haitianos: a tragédia natural que deslocou e desalojou milhares e milhares de pessoas, inclusive profissionais competentes;

d)    no último parágrafo, quando o aluno se propôs a fazer a intervenção, que é exigida pela proposta, faltou mais firmeza na elucidação das medidas que poderiam ser tomadas e a forma (política ou financeira) de se realizar isso. Sugerir que o Brasil poderia se beneficiar da imigração –via impostos ou mão de obra especializada – foi uma ideia interessante que deveria ter sido melhor explorada, até para se justificar as ações mencionadas como forma de acolher e adaptar os imigrantes.

Conclusão: é um texto que poderia ter obtido uma boa nota, se o conteúdo tivesse sido melhor explorado. No entanto, as dificuldades de escrita e a falta de estrutura correta, comprometem a qualidade da redação.

Redação regular.

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Categoria: Correção, Enem

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