Guia do Estudante

Posts da categoria ‘Correção’

Análise de redação para a proposta: “Redução da maioridade penal”

Carolina Vellei | 11/06/2015

O vestibular  da segunda etapa do Processo Seletivo de Avaliação Seriada (PAS) de 2013 da Universidade Federal de Lavras (UFLA) pediu para os candidatos dissertarem sobre “redução da maioridade penal”. Leia a proposta na íntegra aqui.

Leia a seguir o texto escolhido:

Diminuir a maior idade penal é retroceder

A solução imposta pela sociedade brasileira ao aumento dos crimes cometidos por jovens menores de 18 anos é a redução da maior idade penal. Contudo, sujeitar “crianças” a um sistema carcerário superlotado e onde não existe preocupação com a ressocialização do detento não é a melhor saída.

Diminuir a maior idade penal é retroceder, pois deixamos de pensar na causa e passamos a condenar o efeito, que é causado, principalmente, pela falta de investimentos na educação, esporte, lazer e cultura para os jovens, direitos básicos que deveriam ser assegurados pelo Estado, nas zonas de baixa renda, de onde saem à maioria dos menores infratores.

Cabe ressaltar, que nos presídios, lugar para onde os jovens iram se aprovado o novo projeto de lei, além de a maioria estarem operando com o dobro de suas capacidades, segundo dados da DPN (Departamento Penitenciário Nacional), cerca de 70% dos detentos são reincidentes, ou seja, por não haver a preocupação com a ressocialização desses, os mesmos acabam voltando para a vida criminal.

No entanto, contrariar a diminuição da maior idade penal, não é favorecer a impunidade, e sim, exigir soluções como o investimento, em maior escala, nas entidades de detenção socioeducativas, nas escolas técnicas de tempo integral e aumentar a punição para os crimes hediondos cometidos por estes. Assim mantém o adolescente mais tempo na escola, e puni o que insistir em cometer crimes.

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Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barbosa:

Análise da proposta:

A proposta pede um artigo de opinião dirigido a estudantes universitários sobre o tema:redução da maioridade penal. O texto será publicado num blog.
O artigo de opinião é um texto que alguém opta por escrever porque quer manifestar seu ponto de vista a respeito de um assunto que o interessa ou que lhe é afim. Por isso é um texto opinativo em que o autor procura convencer o leitor a pensar como ele.

Como nesta proposta há um interlocutor marcado – que são os universitários – e tem um local por meio do qual será divulgado, esses 2 itens devem aparecer em algum ponto do texto. O blog pode ser do próprio autor ou então ele se manifesta, discutindo sua ideia em algum blog que esteja divulgando e discutindo a maioridade penal.

Poderia ser algo como: “Como este blog é bastante visitado por universitários, é a eles que me dirijo para discutir um tema da maior relevância: a redução da maioridade penal.” Poderia, ainda, particularizar dirigindo-se a universitários do curso de direito, uma vez que se trata de um assunto também concernente às leis.

É importante, ainda, observar que a aluno tem três tarefas bem específicas a realizar, para atender a proposta, ou seja: contextualizar o tema, discutir posições e manifestar explicitamente seu posicionamento.

Análise da redação do aluno:

O texto, como um todo é bom, e discute o tema, embora alguns deslizes tenham sido cometidos. É bom o texto, na medida em que expõe o ponto de vista do articulista apoiado na argumentação. Entretanto, não há nenhuma marca de que é um blog e não há referência ao interlocutor. Também, não se consegue depreender quem é o autor do texto e o motivo por que ele expressa sua opinião publicamente. Isso tudo pode comprometer a nota do aluno ou até, em correções mais rigorosas, zerar a redação.

No mais, vejamos:

A tese do autor diz que reduzir simplesmente a idade para punição dos menores não é a saída para a solução do problema do aumento a criminalidade entre os adolescentes. A defesa da tese se fixa em dois argumentos: que as prisões são locais inadequados para ressocialização de qualquer detento, muito mais do jovem adolescente; e que se deve atacar as causas do problema e não somente as consequências.

No último parágrafo, ele apresenta um contra argumento, defendendo que não reduzir a maioridade penal não significa não punir: é necessário aparelhar melhor as casas de educação destinadas a infratores menores de idade e instituir escolas profissionalizantes com tempo integral. Entretanto, há uma incoerência na última frase: deve-se aumentar a punição aos praticantes de crimes hediondos. Esses praticantes não são os mesmos jovens a quem faltam escolas, esporte, lazer, cultura e a quem foram negados os direitos básicos? Para ser coerente, deveria ter estendido mais essa parte da argumentação final.

É um texto bem escrito, vocabulário adequado, estruturas gramaticais corretas. Pena não ter sido feita nenhuma referência ao blog e aos destinatários. Na verdade é um texto para um público genérico e a proposta pedia um encaminhamento mais específico.

Sugestão ao aluno: ler atentamente a proposta e atender as exigências ali colocadas.

Nota: 8,0 (numa escala de 0 a 10)

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Análise de redação para a proposta: “EaD e democratização do ensino superior”

Ana Lourenço | 04/05/2015

O vestibular de ensino a distância da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pediu para os candidatos dissertarem sobre “EaD e a democratização do ensino superior”. Leia a proposta na íntegra aqui.

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Leia a seguir o texto escolhido:

O mundo num todo, passa por uma fase de novas tecnologias que facilitam a vida coletiva cada vez mais. Coisas que há um tempo era-se necessário sair de casa, hoje são possíveis fazer em um pequeno aparelho em qualquer lugar. Com toda essa revolução nas tecnologias as pessoas estão cada vez mais acomodadas e pedem por tecnologia para estudar.

O EaD, é um meio alternativo para se conseguir um diploma. Uma ideia não completamente aceita, mas interessa muitos que na maioria das vezes, querem conciliar trabalho, afazeres domésticos, filhos e estudo. Com o aumento da tecnologia também na área da educação, as pessoas estão escolhendo  estudar no conforto de sua própria casa.

Quando se  estuda  em casa,  ao ter uma dúvida, não há real necessidade do professor, quando se tem um computador e pode-se pesquisar o que for preciso.  Isso é fundamental, pois em uma sala de aula, muitas das vezes o professor está também atendendo a outros alunos, resultando em falta de tempo para explicar a dúvida de cada um.

Com o ensino a distância, o aluno pode montar o seu próprio horário, decidindo que horas  o mesmo vai estar disponível  para pegar seu notebook e estudar, diferentemente de uma faculdade na qual é preciso a presença todos os dias, precisando sair do conforto de casa, muitas vezes, pegando ônibus e chegando cansado em casa, após um longo  dia.

O que podemos dizer é que o mundo hoje é rápido, prático e exige cada vez mais comodidade. Entre estudar em casa, ou em uma escola, em alguns anos a ideia de estudar na sua própria casa será muito mais aceita, e a taxa de matricula de muitas faculdades e colégios vai despencar.  Apesar de tudo isso,  não importa onde o aluno estude, seja em casa, ou em uma faculdade, ou por conta própria, quem tem interesse, sempre vai conseguir o que quer.

Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barbosa: 

ANÁLISE DA PROPOSTA

A proposta de redação sugere que o aluno escreva um artigo de opinião a respeito da validade da educação a distância. Para isso, supõe-se que o aluno tenha conhecimento ou familiaridade com esse sistema de ensino. Como o artigo de opinião é um gênero argumentativo é de se esperar que ele tenha uma opinião formada e que vá discutir, debater ou concordar com as indagações da Profa. Marta Pernambuco. A estrutura do texto é a mesma da dissertação argumentativa. Uma introdução sobre a educação a distância e, em seguida, a exposição do ponto de vista sobre a sua validade ou não. Os parágrafos seguintes devem dar conta de justificar com ideias, dados e exemplos a tese enunciada no início do texto. A conclusão deve retomar a opinião exposta e arrematar sucintamente o que se tinha proposto defender.

Por ser um artigo de opinião, o aluno poderia simular ser um professor (por isso, familiarizado com o tema); um estudante (que vive essa experiência EaD); ou algum profissional da área educacional.

ANÁLISE DO TEXTO DO ALUNO 

O autor da redação perdeu-se, um pouco, na exposição de suas ideias. Primeiramente, pareceu não entender muito bem as características de um curso EaD. Também não apresentou claramente seu ponto de vista a respeito e, consequentemente, a argumentação se tornou frágil, sem sustentação. Há problemas,  ainda,  na estrutura do texto. Os parágrafos não se completam e há períodos confusos, sem finalização da ideia iniciada.

Façamos uma análise parágrafo por parágrafo:

1º parágrafo:

Há várias ideias incompletas nesse parágrafo:

1) o mundo num todo -  o que significa?;

2) novas tecnologias facilitam a vida coletiva - explicar quais tecnologias e o que é vida coletiva;

3) Coisas que há um tempo era-se necessário sair de casa, - que coisas? Além disso, a frase está incompleta.

4) Com toda essa revolução nas tecnologias - qual revolução? Esclarecer; pedem tecnologia para estudar - qual o significado da expressão?

Portanto: o primeiro parágrafo não esclarece que assunto se vai discutir nem expressa o ponto de vista (tese) do articulista, elemento fundamental nesse tipo de texto.

2º parágrafo:

Este segundo parágrafo se refere ao tema proposto e deveria ser o parágrafo inicial, desde que o aluno explicasse o que é EaD. É preciso entender que nem todos os leitores estão familiarizados com a abreviatura. Depois de explicitada, poder-se-ia usar a sigla EaD. Além disso, ainda nesse parágrafo, deveria aparecer o ponto de vista do autor, a respeito do tema: ele considera ou não o EaD uma alternativa viável para o estudo universitário no Brasil?

3º parágrafo:

O terceiro parágrafo deveria iniciar a argumentação a favor do estudo à distância, pois infere-se que essa é a postura do autor do artigo. Entretanto, não é isso que acontece. As explicações dadas não justificam a alternativa EaD como válida, uma vez que se percebe que o aluno não entendeu muito bem como funciona um curso à distância. Este não prescinde a atuação do professor. Pelo contrário, por trás da máquina, há um professor  que preparou as aulas e as transmite à distância para os alunos. O curso não exige a presença do aluno, mas requer estudo, dedicação e realização de exercícios por parte dele, que , em casos de dúvida, tem, sim a quem recorrer. Não é o computador que lhe resolverá as dúvidas, mas uma equipe que preparou a matéria e tem condições de auxiliar o aluno em seus estudos, à distância,  inclusive para monitorar o tempo que ele dispende estudando, diante de um computador.

4º parágrafo:

Este parágrafo apresenta justificativas para o estudo à distância: autonomia na escolha do horário; conforto de estudar sem precisar sair de casa, sem  enfrentar trânsito. Mas não aborda um problema que, com certeza, vai surgir: é preciso muita disciplina para estudar sozinho, sem a presença física do professor e da escola. E o cansaço, certamente, é um ingrediente presente na vida de um estudante à distância, pois ele deve trabalhar ou exercer outras atividades para ter escolhido este tipo de ensino.

5º parágrafo:

Antes do parágrafo final, deveria ter ficado claro por que o EaD seria uma alternativa para o ensino universitário no Brasil. O autor preocupou-se apenas com a comodidade e conforto do aluno, mas não abordou a possível eficácia desse tipo de ensino.

O último parágrafo deve apresentar a conclusão a que se chegou depois de analisar e discutir o tema. Mas não é isso que aparece aqui. Embora o autor tenha esboçado sua conclusão: o mundo moderno exige comodidade e estudar em casa pode ser uma boa alternativa, como o trabalho em casa (home office) que muitas empresas estão adotando, o texto está bastante confuso, impedindo uma boa interpretação da opinião do articulista. Há, inclusive, deslizes gramaticais que comprometem a compreensão do texto. É preciso reestruturar o período, reafirmando sua posição de como o EaD poderia ser  uma boa alternativa para o ensino universitário no Brasil.

NOTA: 5,0 ( escala de zero a dez)

Comentários: nenhuma pessoa comentou

Categoria: Correção, Redação

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Análise da redação para a proposta “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil”

Ana Prado | 27/03/2015

O vestibular 2015/1 da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pediu para os candidatos dissertarem sobre “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil” (leia a proposta na íntegra aqui).

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Leia a seguir texto escolhido:

Ninguém se considera racista, mas conhece algum. É evidente que a sociedade brasileira ainda carrega esse preconceito racial, trazido desde o século XIX, quando a Lei Áurea de 1888 pôs fim a escravidão, mas não a liberdade efetiva dos negros, escravos.

Uma pesquisa realizada em São Paulo em 1988, mostrou que a população brasileira possui um preconceito étnico-racial “mascarado” um “apartheid invisível”, na qual 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito e 98% dos mesmos disseram conhecer outras pessoas que tinham, preconceito. Isso só vem ratificar que mesmo após 400 anos do fim da escravidão ainda somos discriminadores raciais e além de tudo não aceitamos a nossa identidade. Os africanos que chegaram no Brasil no período da colonização influenciaram na cultura, na construção da identidade brasileira.

No século XIX, predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que possuía como modelo a cultura europeia -maioria branca- fato que ficou evidenciado com a imigração de europeus para o “embranquecimento” da população brasileira. Esse ideal, portanto, contribuiu para a existência de um sentimento contrário aos negros, sentimento este que se manifestava pela repressão às suas atividades culturais e pela restrição de acesso a certos ramos profissionais.

A naturalização da desigualdade social é tratada no livro A Ralé Brasileira, de Jessé Souza, o autor expõe uma sociedade discriminatória que classifica seres humanos em diferentes categorias, de acordo com sua posição econômica e étnica, marginalizando as pessoas descendentes de africanos, prejudicando-os na ascensão econômica.

 

Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barboza: 

COMENTÁRIOS SOBRE A PROPOSTA

Esta proposta de redação convida o aluno a discorrer sobre um tema bastante presente em  nossas relações com o preconceito racial, especialmente, em relação ao negro. A coletânea de textos inspiradores é composta de 4 fragmentos, mais uma foto, que deixam inconteste a presença do preconceito entre brasileiros: camuflado ou não, ele existe! Dos 5 textos, apenas um defende a ausência de preconceito, mas mesmo assim, baseado numa pesquisa que conclui que o preconceito está presente em empresas brasileiras.

A tarefa do aluno era ler, entender e interpretar a coletânea e, a partir daí, criar sua própria impressão sobre o assunto.  Portanto, antes de começar a escrever, o aluno deveria ter formulado sua opinião a respeito do tema: o legado da escravidão e  o  preconceito contra o negro. A primeira conclusão a que se chega ao ler a proposta é que a escravidão deixou marcas indeléveis nesse preconceito velado, mas presente em nossas relações com o negro, no Brasil. E que esse sentimento tem suas origens na escravidão que trouxe africanos para trabalhar de forma sub-humana na lavoura.

AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO

Vejamos o texto do aluno que faz uma boa leitura dos textos oferecidos e contribui, também com dados de seu conhecimento próprio. Entretanto, a estrutura do texto, que deve ser dissertativo, peca em alguns aspectos que esclareceremos abaixo.

Afirma no primeiro parágrafo  que “ a sociedade brasileira ainda carrega esse preconceito racial,…” e faz referência à escravidão, ao citar o seu fim com a Lei Áurea. Essa é, portanto, a tese do texto que deverá ser comprovada nos parágrafos seguintes. No segundo parágrafo, o texto argumenta em favor da tese apresentada, mas não traz nenhuma palavra de coesão unindo os 2 parágrafos iniciais. [nesse caso, o parágrafo poderia ter-se iniciado com uma expressão como: isso fica evidente quando se lê uma pesquisa…] é importante lembrar, aqui, que o texto dissertativo precisa ser articulado; as ideias precisam estar interligadas para uma melhor compreensão do todo. Ainda deve-se ressaltar que houve um erro de cálculo ao se afirmar que faz 400 anos que a escravidão terminou legalmente. De 1888 a 2015, temos 127 anos…

No terceiro parágrafo, o aluno continua com sua argumentação esclarecendo a presença do preconceito entre brasileiros, mas também  não há elementos de coesão entre as ideias. O parágrafo poderia ter-se iniciado com : esse sentimento de aversão ao negro, tem sua origem no século XIX, quando predominava…

O último parágrafo, que deveria encerrar o texto, expondo a conclusão a que se chegou após a argumentação, traz um elemento novo- a citação de um autor e seu livro que retrata o preconceito contra os negros. A citação é bem vinda, mas deveria estar entrelaçando os argumentos citados anteriormente não servir como conclusão do texto. A conclusão, numa dissertação, precisa ser o fecho que confirma o que se discutiu no corpo da redação– deve dar conta de retomar a tese e expô-la, no final, já confirmada pela argumentação.

O aluno ainda faz referências ao legado cultural trazido pelos negros, mas abstém-se de desenvolver esse aspecto interessante, que também faz parte da discriminação.

Concluindo a avaliação: é um texto que tinha tudo para ser muito bom: boa leitura da coletânea, acrescida de dados trazido de fora, linguagem adequada e correta (salvo alguns pequenos deslizes), mas que errou na organização e na melhor exploração das ideias. Faltou, também, habilidade em entrelaçar a escravidão ao preconceito, exigência da proposta!

Sugestão: entender a correta estrutura da dissertação e escrever o texto de forma coesa, unindo ideias e conceitos em favor da comprovação da tese, que é o cerne de qualquer texto argumentativo.

Nota: 6,0 (numa escala de 0 a 10)

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Análise de redação para a proposta sobre o Bolsa Família

Ana Prado | 23/02/2015

A prova de “Interpretação do Brasil Contemporâneo” do vestibular 2013/1 da Fundação Getúlio Vargas (FGV) pediu para os candidatos escreverem sobre o Programa Bolsa Família. Para ler a proposta na íntegra, clique aqui.

Leia a seguir texto escolhido:

Fotos produzidas pelo Senado
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O programa Bolsa Família é concedido pelo governo Lula, com o objetivo de tentar reduzir a miséria evidenciada nas classes mais desfavorecidas do nosso pais isso porque a situação estava cada vez mais degradante ou seja todas essas pessoas passaram a serem beneficiadas com uma pequena quantia em dinheiro por mês por si só não muda a realidade dessas famílias.

O programa tem sido alvo de inúmeras críticas por não garantir melhores condições de vida aos inclusos nesse programa, apesar desses terem que atender algumas exigências como manter seu filho frequente a escola e devidamente com sua carteira de vacinação em dia, caso deixar de cumprir algumas dessas obrigações é excluso do programa.

Para que o Bolsa Família venha a ser usufruído corretamente, faz se necessário que as boa parte das famílias que o recebem não esperem apenas por ele mais busque oportunidades já que ele é apenas um auxílio ou complemento para suprir as necessidades que se fazem presentes.

Entretanto é importante ressaltar o quanto o bolsa família veem quebrando barreiras pois através do mesmo as crianças tem um relacionamento mais íntimo com a educação e a saúde criando um futuro mais promissor a cada um dos inseridos.

O dinheiro recebido deve ser gasto em prol da infraestrutura da família em alimentação, material escolar, roupas e acessórios preciso. Em debates político a questão e bastante discutida, porém não se consegue chegar a um consenso pois o mesmo não conseguiu atingir seus objetos ou metas por completo porém não deixa de ser um auxilio bem-vindo.

Percebe-se que mesmo com todos os obstáculos o programa tenta amenizar o problema dando consequentemente possibilidades de frutos melhores para a nova geração. Espero que o resultado nós traga de fato uma melhor qualidade de vida.

 

Comentários da professora de redação do Colégio e Curso Oficina do Estudante, Ednir Barboza: 

O aluno que deseja produzir um bom texto de redação para vestibulares precisa estar atento, principalmente, ao que está sendo proposto pela banca. Ele não pode e não deve escrever aquilo que quer, mas desenvolver um texto condizente com o que lhe é proposto. Uma das características das provas de redação é justamente essa: avaliar como o aluno lê a proposta e de que forma ele consegue expressar suas ideias de forma consistente, coerente e coesa.

Vejamos esta proposta sobre o Programa Bolsa Família. A banca apresenta 2 trechos que versam sobre o assunto e pede ao aluno o seguinte: uma dissertação que analise os argumentos favoráveis e contrários ao Programa Bolsa Família. Ao final da redação, ele deve realçar sua posição pessoal sobre o assunto.

Há, portanto, três tarefas com que o aluno tem de se preocupar:
1ª. análise dos argumentos favoráveis – 1. está combatendo, ao mesmo tempo, a pobreza e a desigualdade; 2.não desperdiçando recursos com quem não precisa; 3. ataca a desigualdade para além da questão da renda, chegando à origem do problema: a Educação; 4. – e as pesquisas já mostram o quanto isto está reduzindo a repetência e a evasão escolares; 5. , o programa faz um combate intergeracional da pobreza e da desigualdade,
2ª. análise dos argumentos contrários – 1. Distribuir dinheiro para os mais pobres, sem garantir as condições de trabalho para os pais e as mães, (…).,não vai efetivamente resolver os problemas da pobreza e da desigualdade; 2. O que o país precisa é de políticas para aumentar o emprego, e não de um assistencialismo de curto prazo, que não gera mudanças estruturais para as famílias mais pobres; 3. Além disso, esta distribuição farta de recursos pode ser apenas uma forma de ganhar votos dos mais pobres, sobretudo no Nordeste brasileiro; 4. Também é preciso pensar em “portas de saída” para os beneficiários, para que não fiquem eternamente dependentes do Bolsa Família.
3ª. realçar sua posição pessoal sobre o assunto.

A tarefa não é complexa. O trecho 1 da proposta traz os argumentos favoráveis; o trecho 2, os contrários. Primeiramente, o aluno deveria comentar e analisar esses argumentos: são válidos? têm fundamentação teórica e prática? são relevantes? Ao fazer essa análise, vai-se delineando a opinião pessoal do aluno, na medida em que apoia ou rechaça as ideias ali apresentadas. É uma redação de 3 ou 4 parágrafos. Um para apresentar o programa Bolsa Família; outro para analisar os prós e os contras; e o parágrafo final, em que ele exporá seu próprio ponto de vista.

Vejamos, agora, a redação transcrita para análise.

1º parágrafo- o aluno fala do Bolsa Família como uma forma de melhorar o estado de miséria, com um pouco de dinheiro, mas se contradiz no final do parágrafo quando afirma que uma pequena quantia não muda a realidade das pessoas. (pergunta-se, então- é um bom programa ou não?)
2ºparágrafo- o programa é alvo de críticas, mas o aluno defende que os pais têm obrigações que garantem benefícios a seus filhos.
3º parágrafo – aqui ele afirma que junto com o Bolsa Família, os pais precisam realizar uma série de outra ações para complementar o benefício.
4º parágrafo – o aluno analisa que o programa quebra barreiras levando as crianças a um futuro mais promissor.
5º parágrafo – os pais devem usar o dinheiro em uma série de necessidades, mas não se consegue chegar a um consenso se o programa é bom ou não.
6º parágrafo – o aluno encerra dizendo que o programa ameniza os problemas, apesar de todas as suas dificuldades e expressa sua esperança de que tudo dê certo.

O que se depreende desta redação é que a aluno não seguiu as instruções da proposta: discorre sobre prós e contras, mas não analisa as opções apresentadas. Não traz informações novas, não contesta dados nem corrobora opiniões dadas.

Além, portanto, de alguns desvios de linguagem (coesão, coerência, sintaxe e regência), o texto não se caracteriza como uma dissertação, na medida em que não deixa claro o ponto que se quer analisar. Ao final da leitura, fica-se com a impressão de que ele é favorável ao programa, mas não há definição sobre isso. O aluno poderia ser favorável, desde que ele expusesse os pontos positivos e contestasse algumas críticas. Para fazer isso, é preciso expor a ideia, analisá-la, exemplificar e concluir.

Finalizando: faltam ao texto espírito crítico, dados objetivos e uma opinião mais concreta a respeito do tema. Conclui-se que o autor não tinha opinião bem formada sobre o assunto e buscou nos trechos apresentados pela banca a fundamentação de sua dissertação. Isso, entretanto, não é suficiente para se escrever um bom texto.

Mas estamos no comecinho do ano. Com persistência, leitura e muito exercício é possível reverter esse quadro.

Nota: 6,0 (de 0 a 10)

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Análise de redação para a proposta “Corrupção no Congresso Nacional”

Ana Prado | 18/11/2014

Com base na proposta extraída do vestibular 2014 da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o estudante deveria produzir uma redação de gênero dissertativo sobre o tema “Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?“.

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Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

Os imorais falando dos desonestos

A descrença dos brasileiros nos políticos vem de um estereótipo histórico de que todos os políticos são corruptos e aproveitadores. Apesar de alguns casos reforçarem essa rotulação, os cidadãos não percebem que os atos desonestos não são exclusivos dos que estão lá em Brasília, mas de todos nós. 

A sociedade que constituímos é totalmente hipócrita; cobra-se honestidade dos políticos mas, na primeira chance que uma pessoa encontra, passa a perna em alguém. E, o que mais assusta, é que essas atitudes se incorporaram, de fato, na nossa cultura. Um exemplo disso é quando alguns indivíduos querem ir contra a corrente,eles são instantaneamente criticados. Porém a aprovação desses atos só é encarada com naturalidade pela população quando se diz respeito às atitudes da própria. [O trecho ficou confuso e contraditório – talvez, pela forma como foi escrito.]

Embora as pessoas tentem desvincular as atitudes dos governantes com as da sociedade, eles nos representam. Mesmo estando em realidades diferentes eles continuam sendo como uma grande fatia esmagadora da população que não perde tempo na aplicação do nosso famoso jeitinho [que jeitinho? Esclarecer o o que significa o termo] que está cada dia mais disseminado.[Idem à observação do parágrafo anterior]

Logo nota-se uma enorme incoerência no que a sociedade diz e, realmente, faz no dia a dia. Na procura desesperada para uma justificativa da “cultura dos espertalhões” [explicar o que significa] encontram os governantes que reproduzem os mesmos atos mas em proporções diferentes como uma válvula de escape [como? explicar] e não percebem que estão apontando o dedo para eles mesmos.

 

Comentários da professora sobre a redação:

1. O texto iniciou-se muito bem.  O 1º parágrafo, bem escrito, prometia uma boa discussão. O aluno apresentou o assunto (a desonestidade histórica brasileira) e apresentou sua tese: nem sempre os cidadãos percebem que também são desonestos assim como aqueles que criticam – os políticos. Esperava-se que, a partir daí, o aluno se dedicaria a explicar como os políticos (com algumas exceções) são corruptos e de que forma a população os imita. Deveria então apresentar fatos, dados e análises que justificassem a opinião expressa.

2. Entretanto, o 2º parágrafo, que começou bem, na análise tornou-se confuso até o final, texto difícil de ser entendido. Precisa de uma melhor redação para se tornar compreensível.

3. O mesmo problema surge no 3º parágrafo. O aluno enuncia uma ideia, mas não consegue desenvolvê-la compreensivelmente na parte final.

4. O que se nota, neste texto, é que o aluno encontra uma boa e consistente forma de desenvolver o tema – o conteúdo –, mas perde-se na forma como redige a análise e explicação dos fatos. A exemplificação, que daria embasamento ao que ele expõe, fica confusa e, por isso, incompreensível.

5. Na conclusão ocorre o mesmo erro: na análise conclusiva dos fatos, há um agrupamento de palavras bem dispostas, mas de significado discutível.

Sugestão: rever o texto e procurar escrever as partes finais dos parágrafos de forma mais clara e objetiva. Não supor que o leitor conheça todos os termos: “jeitinho brasileiro”; “cultura de espertalhões”. É preciso esclarecer do que se está falando para dar unidade ao texto. Os exemplos, que são a base das afirmações, precisam ser claros para o leitor de forma a facilitar-lhe o entendimento.

Apesar de alguns deslizes na pontuação, é um texto com poucos problemas de gramática. O que falhou, na escrita, foi a dificuldade de expressar-se mais coerente e claramente.

Nota: (de zero a dez): seis

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Análise de texto para a proposta sobre mobilidade urbana (Unicamp 2014)

Ana Prado | 01/10/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o estudante deveria elaborar uma carta aberta a ser divulgada nas redes sociais com o objetivo de reivindicar, junto às autoridades municipais, ações consistentes para a melhoria da mobilidade urbana na sua cidade.

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Imagem: Marcelo Horn/iStock

Leia o texto escolhido:

Carta aberta aos cidadãos fluminenses sobre a mobilidade urbana do Rio de Janeiro.

A cidade do Rio de Janeiro é uma das metrópoles mais desenvolvidas e populosas do país, fazendo com que seja consequentemente uma das cidades que mais possuem congestionamento. No entanto, este problema torna-se cada vez mais difícil de ser solucionado pela da falta de transportes públicos e de investimentos nesta área pela prefeitura.

A necessidade de remanejo na mobilidade urbana do Rio de Janeiro, tem se tornado cada vez mais evidente nos últimos anos. Segundo uma pesquisa da empresa de tráfego ‘’Tom Tom ‘’ a urbe é indicada como a terceira cidade que mais possuí congestionamento no ranking mundial, com 55% de suas ruas congestionadas, perdendo apenas para Moscou e Istambul com 74% e 62 % de transito, respectivamente.

Especialistas no assunto, dizem que se o automóvel continuar a ser privilegiado, o problema dificilmente será resolvido. A forma mais viável para os cidadãos e o governo do Rio, são os investimentos e uso dos transportes públicos para que o número de opções de mobilidade aumente e o fluxo de automóveis decresça.

Contudo, a Prefeitura Municipal deve descentralizar os serviços essenciais e os locais de trabalho para aproximar os fluminenses de suas atividades diárias e dessa forma preencher os vazios urbanos, usando como exemplo, projetos que foram satisfatórios em outros países como na metrópole de Londres onde foram implantadas as bicicletas públicas de aluguel.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Liliane Negrão:

O texto em questão, infelizmente, é bem abaixo da média, por apresentar desempenho fraquíssimo em dois dos três critérios de avaliação redacional da Unicamp – Propósitos e Gênero –e por receber nota zero no terceiro critério – Interlocução.

Quanto aos Propósitos, estava claro, na avaliação redacional, que o texto a ser redigido pelo aluno deveria “reivindicar ações consistentes para a melhoria da mobilidade urbana na sua cidade”. Na produção textual em questão, a reivindicação só começa a ser feita ao final do penúltimo parágrafo; mesmo assim, com uma explicação generalizada, pouco explicada, apenas parafraseada da coletânea. Aliás, é somente no último parágrafo da carta que o aluno utiliza – de forma pouco proveitosa, como já apontado: de forma parafrástica – a leitura de trechos oferecidos pela prova. Isso, como se sabe, é muito ruim, é mal visto pela banca avaliadora. Tem-se, portanto, uma qualidade bem regular quanto ao cumprimento do objetivo da proposta, somada a uma pouca e fraca utilização dos textos-fontes.

Com relação ao critério Gênero, o texto também se mostra abaixo do que era esperado: a característica que o tipifica como carta está apenas e tão somente no título (uma exceção: a carta aberta é a única que o tem). O fato de aparecer a expressão “carta aberta” “salva”, apenas “salva” o aluno da anulação, também nesse critério. As marcas de

autoria daquele que escreve a carta estão completamente ausentes; muito menos, é possível notar um trabalho específico de autoria, voltado para o que a proposta exigia: o autor da carta seria um representante de associação de bairro. Não há nada disso na carta.

No item de avaliação Interlocução, o texto recebe nota zero: a proposta pedia que se endereçasse a carta às autoridades municipais (prefeito e/ou vereadores, etc), mas o aluno, equivocadamente, destina a missiva aos “cidadãos fluminenses”. Um grave erro. Tendo o texto anulado em um dos três principais critérios de avaliação, as chances de o candidato continuar na disputa com chances de aprovação são drasticamente reduzidas.

Há, ainda, no texto, problemas com pontuação e erros de coesão (como exemplo, o elemento coesivo “contudo” é erroneamente utilizado no início do último parágrafo).

 

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Análise de texto para a proposta sobre ostentação (UPF 2014/2)

Ana Prado | 28/08/2014

Imagem tirada do tumblr  Rich Kids of Instagram

Imagem tirada do tumblr Rich Kids of Instagram

Com base na proposta extraída do vestibular 2014/2 da Universidade de Passo Fundo (UPF), o estudante deveria produzir um texto dissertativo-argumentativo que abordasse a ostentação na sociedade atual

Leia o texto escolhido:

Ter para ser aceito

Se o mundo fosse uma balança que pesasse as proporções de posse, seu desequilíbrio não poderia ser compreendido apenas com o olhar. O desequilíbrio existente funcionaria de uma maneira desproporcional, onde o prato de quem tem muito muito não seria a parte que tombaria, mas a prato de quem tem pouco é o qual pesaria mais.

Dessa pequena parcela da população mundial que muito possui – tanto em valores materiais e de capital – originam-se fatores devastadores que afetam a todos. Entre eles a desigualdade, onde um tem mais do que o outro; a ganância, onde nunca há satisfação, apenas uma vontade maior, e o status, que traz o ar de superioridade e o “triunfo” de possuir bens.

A grande questão é que uma parte considerável de quem não apresenta muito, quer fazer parte deste recorte luxuoso de quem apresenta demais o que se tem. Ao se “ostentar”, o sentimento de fazer parte de um grupo isolado, mas com importância, se concretiza. Se é preciso mostrar que se tem o poder de posse para subir nos degraus da sociedade e ser aceito, por quê não?

A extravagância toma o lugar de questões mais importantes, como as condições de vida do lado de fora do muro e o próprio “outro”; tudo estará bem se uma foto for postada em uma rede social com algum objeto de valor nas mãos. A sociedade atual nos diz que o importante é mostrar nossas vantagens e o que temos.

“Ostentar” é mais uma das consequências do capitalismo e suas facetas, onde a visão foca-se apenas em um único lugar: o próprio indivíduo. O reflexo social se anula em comparação ao reflexo do indivíduo que segura um aparelho caro no espelho para tirar uma “selfie”

 

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

O texto aborda o tema apenas tangencialmente, ou seja, discorre sobre ele, mas não o analisa nem o discute.

Primeiramente, vamos apontar alguns problemas de linguagem:

  1. Uso do pronome onde: essa é uma palavra que deve ser usada quando se quer se referir a lugar. Onde não pode substituir todos os pronomes relativos da língua portuguesa. Nos usos feitos pela aluna, ele deveria ser substituído por em que. Também o uso de pronome o qual no final do primeiro do parágrafo está incorreto; nesse caso, o certo seria : “(…) mas o prato de quem tem pouco é aquele que pesaria mais”.
  2. Há algumas expressões mal redigidas e que confundem o leitor: “de quem não apresenta muito” (terceiro parágrafo); “do lado de fora do muro e o próprio outro” (quarto parágrafo) Essas expressões precisam ser melhor definidas e escritas de outra forma.
  3. Há uso excessivo de aspas: triunfo, outro, ostentar. O único uso que se justifica é com a palavra “selfie”
  4. Um outro aspecto a considerar, desse ponto de vista de linguagem, é a ausência de palavras de coesão unindo os parágrafos, mas isso tem a ver com estrutura do texto.

 

Análise do conteúdo e estrutura do texto:

  1. A aluna faz uso da figura de uma balança, no primeiro parágrafo, mas a ideia de que quem tem menos pesaria mais no prato da balança não fica devidamente esclarecida, nem nesse parágrafo, nem nos seguintes. Isso já mostra um problema de conteúdo e de estrutura: aquilo que se propões como tese não é discutido ou analisado no restante do texto.
  2. Os parágrafos seguintes discorrem sobre vários aspectos do possuir bens, mas não há uma ligação clara entre essas ideias. O segundo parágrafo fala dos “fatores devastadores” dos mais ricos; o terceiro parágrafo fala dos que não têm muito e que querem ostentar, mas sem ligação com o que se discutiu no parágrafo anterior; o quarto parágrafo se refere à necessidade de mostrar o que se tem; e o quinto parágrafo, que deveria concluir o texto, retomando as ideias discutidas até então, volta a falar da necessidade de ostentação, sem que o texto tenha discutido ou analisado esse aspecto.

 

Conclusão:

O texto aborda o tema de forma superficial.  Não tem a unidade de uma dissertação, não há coesão ou coerência entre os parágrafos. Além disso, falha na construção da estrutura de um texto dissertativo, que deveria expor uma tese e analisá-la nos parágrafos seguintes, apresentando a conclusão, ou seja, uma retomada das ideias discutidas e analisadas no texto.

O texto perde nota em: tema; tipo de texto; coerência e coesão.

Minha sugestão é que você repense o texto a partir do que escreveu no início do último parágrafo:  “‘Ostentar’ é mais uma das consequências do capitalismo e suas facetas, onde a visão foca-se apenas em um único lugar: o próprio indivíduo.”  Com essa ideia, daria para você escrever um bom texto sobre o tema proposto.

 

Nota: 5,0 (escala de 0 a 10)

 

 

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Análise de texto para a proposta sobre a Copa no Brasil

Ana Prado | 13/08/2014

Alternative Views - 2014 FIFA World Cup
Imagem: Clive Rose/Getty Images Sport

Com base na proposta de redação extraída do vestibular de inverno 2014 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o estudante deveria abordar, em um texto argumentativo, as implicações de uma Copa do Mundo no Brasil e seus possíveis efeitos em nossa estrutura social e econômica.

Leia o texto escolhido:

Os Impactos da Festa

          Dois dias após a final da Copa do Mundo, ainda encontramos muitas pessoas nostálgicas com os jogos e com a festa feita aqui no Brasil, afinal, uma copa realizada no “país do futebol” não pode deixar a desejar no quesito animação, entretanto, a parte essencial para a realização do evento, costuma passar despercebida, assim, como o legado deixado por ela.

         Há muito, vemos críticas na imprensa, e até mesmo, nas ruas, sobre os gastos exorbitantes com as obras e com a construção de estádios, em que se afirma serem os novos “elefantes brancos” brasileiros, no entanto, existem projetos para a utilização desses locais em grandes espetáculos, além, de já ter sido comprovado que os investimentos empregados na copa são muito pequenos se comparado com que o governo gasta em saúde e educação anualmente, haja vista, que existem exemplos de outros países que já sediaram o mundial e que aproveitam as gigantescas estruturas como fonte de renda, como é o caso da Alemanha, que baixa os preços dos ingressos para mais pessoas terem acesso. Há também, as obras de infraestrutura, em especial, as de mobilidade urbana, que melhoram a qualidade de vida da população, mesmo depois da copa.

        Apesar da euforia do momento, a primeira semana de jogos acumulou mais de vinte protestos pelas cidades sedes, representando um a tentativa frustrada de parte da população de acabar com as mazelas que afligem a sociedade, esquecendo essas pessoas, que os problemas sociais e a corrupção do Brasil advêm de muitos séculos e que a solução para estes, não ocorrerá instantaneamente. No entanto, as festividades foram otimistas para a economia, deixando não só números positivos para o comércio e para o setor de serviços, mas também, para famílias que alugaram suas casas.

         A Copa do Mundo de 2014 deixou um rastro de melhorias para o Brasil, representou oportunidades para alguns e festividades para outros, mas para todos os brasileiros, constituiu um sentimento de nação e amor pela pátria. 

 

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

O tema é bastante amplo e na proposta não há instruções limitadoras. Por isso, a aluna poderia escrever livremente sobre o tema: as implicações e os efeitos da Copa do Mundo no Brasil.

No que diz respeito a implicações, a aluna poderia discorrer sobre as preocupações que cercaram a organização desse evento no Brasil: a falta de planejamento, o atraso na execução das obras, a preocupação com o desenrolar das atividades, como deslocamento aéreo e terrestre, hospedagem, informações seguras para turistas e atletas, segurança, etc. Quanto aos efeitos na estrutura social e econômica, seria importante dispor de dados mais técnicos e precisos: abordar a finalidade dos estádios pós-copa, a melhoria no sistema de transporte, números que revelassem como a população de baixa renda se beneficiou com o mega evento. Para escrever um bom texto, a aluna deveria ter lido bastante sobre o assunto ou visto entrevistas e comentários nos meios de comunicação.

Vejamos o que ela fez. Ela escreveu de forma muita generalista sobre o tema. Repetiu o que se falou e comentou antes e depois da Copa, mas não foi específica em suas afirmações. Não dissertou sobre o tema; limitou-se a expor algumas ideias fartamente discutidas, porém sem profundidade. O texto dissertativo requer uma análise crítica e argumentativa sobre um ponto de vista. É um texto que se inicia com uma proposição que será analisada, dissecada e explorada durante os demais parágrafos. Se o texto não se inicia com essa proposição, que chamamos de tese, dificilmente teremos uma dissertação, pois não há como dar continuidade à discussão e exposição das ideias.

Portanto, o texto não pode ser considerado argumentativo, como requer a proposta. Além disso, as ideias se truncam dentro dos parágrafos, sem aprofundamento, coesão ou encadeamento. No primeiro parágrafo, ela fala de nostalgia, festa, animação, ignorância e legado.  Parte, no segundo parágrafo, para a enumeração de outros aspectos: gastos, elefantes brancos, comparações (sem revelar números ou porcentagens); cita a Alemanha, preços de ingressos… Ou seja, as ideias se misturam sem definição ou objetivo. No terceiro parágrafo, fala dos protestos, da perpetuidade dos problemas e depois de otimismo e números positivos, sem, novamente, citar dados estatísticos mais precisos que justifiquem sua afirmação. Na conclusão, o texto refere-se a um rastro de melhorias, oportunidades e festividades que não foram especificadas no corpo do texto e, por isso não poderiam aparecer na conclusão.

Do ponto de vista gramatical, há erros de concordância nominal e verbal que comprometem a qualidade. Há falhas na pontuação, na divisão dos períodos e no uso de conectivos.

Orientações sobre títulos e conclusão

O título deve ser sugestivo, criativo, usando-se poucas palavras que causem impacto. Ele deve sugerir, motivar, sem ser óbvio. O que foi usado, Impactos da Festa, é um bom título. Poderia ser Impactos pós Festa, já que a proposta propõe análise de resultados.

Quanto à conclusão: ela deve resumir o que foi discutido no corpo da redação. A conclusão nada mais é que a retomada da tese inicial seguida do balancete da argumentação feita durante a exposição das ideias. Não deve trazer elementos novos que não foram abordados anteriormente. Observe que a conclusão do texto não condiz com o restante. Como há lacunas na argumentação, a autora não conseguiu produzir uma conclusão adequada. Para se escrever uma boa conclusão, o texto precisa estar dentro das especificações do gênero dissertativo.

Nota: 5,0 (de zero a dez)

 

 

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Categoria: Correção

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Análise de texto para a proposta: “A sociedade e suas violências”

Ana Lourenço | 24/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2012 da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A sociedade e suas violências”.

Leia o texto escolhido:

Amadurecimento ético e psicológico

No convívio social caótico no qual estamos inseridos é notável a presença de diversos tipos de violência. Essa questão já virou rotina, em cada beco, esquina ou residência acontece algum tipo de violação dos direitos humanos, que muitas vezes sai impune. A reação da população diante das práticas de violência é diferente dependendo da gravidade, ficando chocada ou não com o acontecimento, e também por parte da condição social da vítima, que pode levar menos importância por ser mais carecida.

A violência vem se manifestando cada vez mais e em locais públicos, revelando uma parte da população que age impulsivamente e agride moralmente ou fisicamente os demais cidadãos. Recentemente, um ato de racismo praticado contra o jogador Daniel Alves, que recebeu uma banana da torcida adversária enquanto jogava em campo, repercutiu o mundo, diversas celebridades publicaram fotos com uma banana, em apoio ao jogador. Já, o jovem negro acorrentado nu em um poste no Rio de Janeiro, não gerou muitas críticas ao racismo por parte da sociedade. 

Além do racismo, o preconceito contra homossexuais e a violência contra a mulher tem tomado significante espaço na mídia, sendo que este último movimentou diversas famosas que pousaram com cartazes contra o ato. A influência que a mídia tem na sociedade, pode mudar sua consciência, fazendo com que se mobilizem também quando se tratar de alguém menos favorecido, pois todo ser humano é cidadão e possui seus direitos. 

Contudo, é necessário o amadurecimento ético e psicológico de cada pessoa desde muito cedo, seja dentro de casa com os valores morais, ou na escola, com palestras incentivando a pacificação, sendo assim possível a formação de jovens e adultos cientes de cidadania, igualdade de raças e gêneros.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta é a criação de  um artigo de opinião. A banca traz algumas informações sobre o gênero que deviam ser seguidas pelos alunos. Importante no artigo de opinião é o conhecimento que o articulista tem a respeito do tema, seja por atividades profissionais, seja por pesquisas realizadas. Esse conhecimento deve ficar evidente para o leitor. Além disso, esse tipo de  texto deve levar o leitor a uma reflexão sobre o assunto trazida à tona pelo autor. Portanto, é também um texto de convencimento.  As instruções falam disso: “O produtor de um artigo de opinião busca construir para os leitores uma imagem de si mesmo, mostrando seus conhecimentos sobre o tema tratado, através da razão e da lógica, sustentando sua posição.”

Vejamos, então, o texto em questão.

O autor inicia seu texto falando de violências na sociedade em que vivemos, sem discriminá-las mais precisamente. Aborda ainda a reação das pessoas diante das violências, mas não as nomeia para esclarecer o leitor sobre o foco que dará à sua análise.  No segundo parágrafo, refere-se a um caso de racismo no futebol. Aqui também se refere ao comportamento das pessoas diante dos fatos. Faz uma observação que a reação das pessoas depende da vítima ser ou não importante no cenário mundial; ou seja, os mais importantes gozam de maior repercussão. Apenas no terceiro parágrafo, a aluna cita algum tipo de violência: racismo, preconceito e violência contra a mulher. Mas não se percebe qual a  relação entre as violências citadas e o autor do texto. Por que este artigo de opinião estaria se referindo a tais violências? Qual é a contribuição do autor do texto para o esclarecimento do leitor? Qual o objetivo do articulista ao escrever o texto? Finalmente, no último parágrafo, aparecem algumas sugestões de como formar jovens e cidadãos pacíficos e éticos.

O texto não é,  portanto, um artigo de opinião. Não se sabe e o autor não permite que o leitor vislumbre quem ele é, o que faz e como chegou aos fatos que citou. Mesmo se fosse uma dissertação comum, o texto careceria de mais argumentação, da exposição de um ponto de vista, de uma conclusão mais reflexiva.

Embora o texto não apresente muitas falhas de linguagem, peca na exposição das ideias e na construção do tipo de texto requerido pela banca: um artigo de opinião.

Importante que os alunos atentem para isso: é preciso desenvolver o tipo de texto solicitado, bem como explanar o tema pedido. Esse texto corre o risco de ser anulado nesses dois aspectos.

Outros pontos que precisam ser apontados: a) não há progressão das ideias: elas se repetem sem aprofundamento; b) por isso, não há elementos de coesão unindo os parágrafos; c) a conclusão apresenta elementos que não foram discutidos no texto; d) o autor não se fez conhecido do leitor, como deve acontecer num artigo de opinião; e) a aluna não usou a coletânea oferecida, apesar das instruções claras dadas pela proposta.

Nota: 4,0 (de zero a 10).

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Categoria: Correção

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Análise de texto para a proposta: “A relação homem-natureza”

Ana Prado | 16/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2011 da Universidade Federal do Acre (UFAC), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A relação homem-natureza”. 

Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

O fim pode estar próximo, resta agir

A vida do homem depende da saúde de seu pulmão, portanto, não seria possível a vida sem a sobrevivência deste órgão vital. Nesse contexto, fica claro que a vida humana depende da Floresta Amazônica, conhecida mundialmente como “pulmão do mundo” pela enorme filtração de gás carbônico e a liberação do oxigênio. Cabe reconhecer, no entanto, que ela não é bem cuidada, deste modo, a vida na Terra é passível de perturbações nas próximas décadas.

É nesse ambiente que se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos). O mais preocupante, contudo, é constatar que mesmo sabendo disso o homem segue realizando queimadas e derrubadas na maior floresta do mundo, tudo em busca do lucro. Em contexto assim, não é de admirar que haja uma entrada em um ciclo vicioso pela falta de consciência ambiental e foco no capital, prejudicando cada vez mais a natureza e a própria espécie humana.

Não é exagero afirmar que a situação da Floresta Amazônica é quase que irreversível, já que o tema é tratado com tanto descaso no Brasil. Mesmo aí, exige-se cautela, visto que estudos recentes de empresas especializadas no ramo descrevam que com apenas 1 bilhão de reais por ano (pouco se comparado com os gastos com Copa do Mundo) seja possível conservar o “pulmão do mundo”. Então, não se trata de escolher entre fazer ineficientes campanhas nas redes sociais (como foi feito no Twitter a pouco tempo) ou tratar como causa perdida, mas sim de pressionar o governo a mudar a postura diante de tal cenário.

Por essa lógica seria aceitável que organizações como o Greenpeace e a WWF estimulem os cidadãos a pressionar o governo para que parte do dinheiro arrecadado pelo Estado seja destinado à restauração da Amazônia e a conscientização da população sobre os danos que queimadas podem acarretar. Essa, porém, é uma tarefa trabalhosa, visto a extensão da área e os anos de devastação. O que importa, portanto, é agir rapidamente, pois ainda há volta, para que assim o mundo possa continuar a respirar.

Comentários da professora sobre a redação:

O texto apresenta uma análise da ação do homem sobre a Floresta Amazônica. Expõe, de forma sucinta, a ambição sobrepujando a consciência de que se deve preservar a Floresta, o “pulmão do mundo”.

Embora o texto seja pertinente, tenha coerência  e esteja, razoavelmente, bem escrito, o tema proposto (“a relação homem-natureza”) não foi muito bem desenvolvido. O aluno preocupou-se mais em expor os danos da ambição que leva o homem a destruir a natureza do que em analisar qual é a relação e a influência recíproca entre homem e natureza. É preciso lembrar e anotar  que  a proposta diz: “Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão.   Portanto, a tarefa do aluno é, além de falar como o homem age em relação à natureza, analisar igualmente a influência do meio ambiente sobre a vida do ser humano.

Mais uma vez, quero ressaltar aqui que a leitura atenta da proposta é fundamental para se construir um bom texto. Por melhor que seja o texto, ele perde valor, ou pode até ser anulado, se não se ativer ao que propõe a banca.

Em relação à forma como o texto foi escrito, quero ressaltar:

1.  No 1º parágrafo, a ligação entre os dois períodos deveria ser feita de forma diferente. A palavra contexto não retoma adequadamente o período anterior. Talvez a palavra melhor para unir as duas ideias seria: analogamente.

2.  No 2º parágrafo, o aluno deveria ter desenvolvido melhor, e mais profundamente, a primeira ideia focada: ”… se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos)”. Esse era o tema proposto! Se o texto seguisse nessa direção, teria mais valor.

3.  No último parágrafo, no lugar da fúnebre (porém real) profecia, deveria ter sido feita a conclusão: quais os efeitos da influência da relação homem-natureza. Era esse o tema a ser discutido, analisado e exemplificado.

Nota: 6,0 ( de 0 a 10)

 

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