Guia do Estudante

Posts da categoria ‘Correção’

Análise de texto para a proposta: “A sociedade e suas violências”

Ana Lourenço | 24/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2012 da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A sociedade e suas violências”.

Leia o texto escolhido:

Amadurecimento ético e psicológico

No convívio social caótico no qual estamos inseridos é notável a presença de diversos tipos de violência. Essa questão já virou rotina, em cada beco, esquina ou residência acontece algum tipo de violação dos direitos humanos, que muitas vezes sai impune. A reação da população diante das práticas de violência é diferente dependendo da gravidade, ficando chocada ou não com o acontecimento, e também por parte da condição social da vítima, que pode levar menos importância por ser mais carecida.

A violência vem se manifestando cada vez mais e em locais públicos, revelando uma parte da população que age impulsivamente e agride moralmente ou fisicamente os demais cidadãos. Recentemente, um ato de racismo praticado contra o jogador Daniel Alves, que recebeu uma banana da torcida adversária enquanto jogava em campo, repercutiu o mundo, diversas celebridades publicaram fotos com uma banana, em apoio ao jogador. Já, o jovem negro acorrentado nu em um poste no Rio de Janeiro, não gerou muitas críticas ao racismo por parte da sociedade. 

Além do racismo, o preconceito contra homossexuais e a violência contra a mulher tem tomado significante espaço na mídia, sendo que este último movimentou diversas famosas que pousaram com cartazes contra o ato. A influência que a mídia tem na sociedade, pode mudar sua consciência, fazendo com que se mobilizem também quando se tratar de alguém menos favorecido, pois todo ser humano é cidadão e possui seus direitos. 

Contudo, é necessário o amadurecimento ético e psicológico de cada pessoa desde muito cedo, seja dentro de casa com os valores morais, ou na escola, com palestras incentivando a pacificação, sendo assim possível a formação de jovens e adultos cientes de cidadania, igualdade de raças e gêneros.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta é a criação de  um artigo de opinião. A banca traz algumas informações sobre o gênero que deviam ser seguidas pelos alunos. Importante no artigo de opinião é o conhecimento que o articulista tem a respeito do tema, seja por atividades profissionais, seja por pesquisas realizadas. Esse conhecimento deve ficar evidente para o leitor. Além disso, esse tipo de  texto deve levar o leitor a uma reflexão sobre o assunto trazida à tona pelo autor. Portanto, é também um texto de convencimento.  As instruções falam disso: “O produtor de um artigo de opinião busca construir para os leitores uma imagem de si mesmo, mostrando seus conhecimentos sobre o tema tratado, através da razão e da lógica, sustentando sua posição.”

Vejamos, então, o texto em questão.

O autor inicia seu texto falando de violências na sociedade em que vivemos, sem discriminá-las mais precisamente. Aborda ainda a reação das pessoas diante das violências, mas não as nomeia para esclarecer o leitor sobre o foco que dará à sua análise.  No segundo parágrafo, refere-se a um caso de racismo no futebol. Aqui também se refere ao comportamento das pessoas diante dos fatos. Faz uma observação que a reação das pessoas depende da vítima ser ou não importante no cenário mundial; ou seja, os mais importantes gozam de maior repercussão. Apenas no terceiro parágrafo, a aluna cita algum tipo de violência: racismo, preconceito e violência contra a mulher. Mas não se percebe qual a  relação entre as violências citadas e o autor do texto. Por que este artigo de opinião estaria se referindo a tais violências? Qual é a contribuição do autor do texto para o esclarecimento do leitor? Qual o objetivo do articulista ao escrever o texto? Finalmente, no último parágrafo, aparecem algumas sugestões de como formar jovens e cidadãos pacíficos e éticos.

O texto não é,  portanto, um artigo de opinião. Não se sabe e o autor não permite que o leitor vislumbre quem ele é, o que faz e como chegou aos fatos que citou. Mesmo se fosse uma dissertação comum, o texto careceria de mais argumentação, da exposição de um ponto de vista, de uma conclusão mais reflexiva.

Embora o texto não apresente muitas falhas de linguagem, peca na exposição das ideias e na construção do tipo de texto requerido pela banca: um artigo de opinião.

Importante que os alunos atentem para isso: é preciso desenvolver o tipo de texto solicitado, bem como explanar o tema pedido. Esse texto corre o risco de ser anulado nesses dois aspectos.

Outros pontos que precisam ser apontados: a) não há progressão das ideias: elas se repetem sem aprofundamento; b) por isso, não há elementos de coesão unindo os parágrafos; c) a conclusão apresenta elementos que não foram discutidos no texto; d) o autor não se fez conhecido do leitor, como deve acontecer num artigo de opinião; e) a aluna não usou a coletânea oferecida, apesar das instruções claras dadas pela proposta.

Nota: 4,0 (de zero a 10).

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Categoria: Correção

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Análise de texto para a proposta: “A relação homem-natureza”

Ana Prado | 16/07/2014

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Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2011 da Universidade Federal do Acre (UFAC), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema “A relação homem-natureza”. 

Leia o texto escolhido (os grifos em vermelho são da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza): 

O fim pode estar próximo, resta agir

A vida do homem depende da saúde de seu pulmão, portanto, não seria possível a vida sem a sobrevivência deste órgão vital. Nesse contexto, fica claro que a vida humana depende da Floresta Amazônica, conhecida mundialmente como “pulmão do mundo” pela enorme filtração de gás carbônico e a liberação do oxigênio. Cabe reconhecer, no entanto, que ela não é bem cuidada, deste modo, a vida na Terra é passível de perturbações nas próximas décadas.

É nesse ambiente que se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos). O mais preocupante, contudo, é constatar que mesmo sabendo disso o homem segue realizando queimadas e derrubadas na maior floresta do mundo, tudo em busca do lucro. Em contexto assim, não é de admirar que haja uma entrada em um ciclo vicioso pela falta de consciência ambiental e foco no capital, prejudicando cada vez mais a natureza e a própria espécie humana.

Não é exagero afirmar que a situação da Floresta Amazônica é quase que irreversível, já que o tema é tratado com tanto descaso no Brasil. Mesmo aí, exige-se cautela, visto que estudos recentes de empresas especializadas no ramo descrevam que com apenas 1 bilhão de reais por ano (pouco se comparado com os gastos com Copa do Mundo) seja possível conservar o “pulmão do mundo”. Então, não se trata de escolher entre fazer ineficientes campanhas nas redes sociais (como foi feito no Twitter a pouco tempo) ou tratar como causa perdida, mas sim de pressionar o governo a mudar a postura diante de tal cenário.

Por essa lógica seria aceitável que organizações como o Greenpeace e a WWF estimulem os cidadãos a pressionar o governo para que parte do dinheiro arrecadado pelo Estado seja destinado à restauração da Amazônia e a conscientização da população sobre os danos que queimadas podem acarretar. Essa, porém, é uma tarefa trabalhosa, visto a extensão da área e os anos de devastação. O que importa, portanto, é agir rapidamente, pois ainda há volta, para que assim o mundo possa continuar a respirar.

Comentários da professora sobre a redação:

O texto apresenta uma análise da ação do homem sobre a Floresta Amazônica. Expõe, de forma sucinta, a ambição sobrepujando a consciência de que se deve preservar a Floresta, o “pulmão do mundo”.

Embora o texto seja pertinente, tenha coerência  e esteja, razoavelmente, bem escrito, o tema proposto (“a relação homem-natureza”) não foi muito bem desenvolvido. O aluno preocupou-se mais em expor os danos da ambição que leva o homem a destruir a natureza do que em analisar qual é a relação e a influência recíproca entre homem e natureza. É preciso lembrar e anotar  que  a proposta diz: “Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão.   Portanto, a tarefa do aluno é, além de falar como o homem age em relação à natureza, analisar igualmente a influência do meio ambiente sobre a vida do ser humano.

Mais uma vez, quero ressaltar aqui que a leitura atenta da proposta é fundamental para se construir um bom texto. Por melhor que seja o texto, ele perde valor, ou pode até ser anulado, se não se ativer ao que propõe a banca.

Em relação à forma como o texto foi escrito, quero ressaltar:

1.  No 1º parágrafo, a ligação entre os dois períodos deveria ser feita de forma diferente. A palavra contexto não retoma adequadamente o período anterior. Talvez a palavra melhor para unir as duas ideias seria: analogamente.

2.  No 2º parágrafo, o aluno deveria ter desenvolvido melhor, e mais profundamente, a primeira ideia focada: ”… se percebe uma grave alteração na vida do homem tanto pela falta de oxigênio quanto por alterações na temperatura mundial (já agravadas nos últimos anos)”. Esse era o tema proposto! Se o texto seguisse nessa direção, teria mais valor.

3.  No último parágrafo, no lugar da fúnebre (porém real) profecia, deveria ter sido feita a conclusão: quais os efeitos da influência da relação homem-natureza. Era esse o tema a ser discutido, analisado e exemplificado.

Nota: 6,0 ( de 0 a 10)

 

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Análise da redação para a proposta sobre violência contra a mulher

Ana Prado | 24/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo discutindo as formas de violência contra as mulheres. Por coincidência, o tema da prova de redação do vestibular de inverno 2014 da Unesp, aplicado no último fim de semana, foi bem parecido com esse (clique para ver).

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Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Desigualdade de gênero

A violência contra as mulheres não é um fato contemporâneo, mas, sim histórico. Em Roma antiga as mulheres já sofriam discriminação e violação de direito, não podiam votar e nem exercer cargos públicos. Se isso  já não o bastasse [o certo seria "já não bastasse"], hoje as mulheres são as principais vítimas de violência física, sexual, e psicológica praticada pelo seu próprio companheiro, o qual devia zelar por sua integridade.

Embora os movimentos feministas, nas últimas décadas, tenham contribuído para a  igualdade [melhor usar "algumas equiparações"] de direitos, essa igualdade ainda não fora [foi] concretizada, pois os homens ainda têm maior poder aquisitivo e ocupam os cargos mais altos da sociedade em sua maioria, como cargos políticos por exemplo. A sociedade brasileira encontra-se ainda arraigada a valores e costumes patriarcais, machistas e preconceituosos, em encubação dessa prática mulheres são violentadas sexualmente por seus próprios maridos, mesmo não afim do ato sexual, acabam sendo violentadas sexualmente em razão ou justificação do matrimônio. [Trecho confuso; deve ser reescrito com mais clareza].

Essa sujeição leva muitas a se calarem ou a se omitirem diante de tamanha barbárie, permitindo o ato sexual em forma de estupro consentido em preservação à honra da família e os costumes segundo valores patriarcalistas [patriarcais]. É certo que as inovações no combate à violência contra a mulher, com a implantação da “Lei Maria da Penha”, têrefletido [mostrado] resultados, porém estes são insuficientes,. A violência domestica e familiar ainda é alarmante pois, segundo o estudo mais recente do Ministério da Justiça, 50 mil mulheres são agredidas de alguma forma de violência por ano no Brasil. Embora o Estado assine um pacto de enfrentamento [esclarecer que pacto e como ele acontece] e crie políticas, ainda não oferece mecanismos eficientes para sua aplicabilidade.

Em vista disso, é necessária maior intervenção do Estado no combate à violência contra a mulher. Apesar da [de a] “Lei Maria da Penha” coibir mecanismos no combate a essa prática de violência, ela sozinha não surtiu efeito desejado,. As instituições dos juizados especiais de competência cível e criminal (,) precisam encarregar [encarar] o problema não só como doméstico ou familiar, mais [mas] como do Estado, para hostilizar [melhor escrever "a fim de acabar com  essa impunidade"]. E que também promova campanhas e propagandas generalizando a conscientização, para que aquelas desenformadas ou ameaçadas possam sentir amparo e criar coragem para denunciar seus agressores.

Comentários da professora sobre a redação:

Como venho expondo nas análises que faço das redações, a dissertação tem uma característica muito específica que é de expor e discutir um ponto de vista apresentado pelo autor a respeito de um tema. Por isso, é fundamental que o aluno, logo de início, esclareça para o leitor de que assunto vai falar e de que forma vai abordá-lo. No caso desta proposta, a aluno deveria “discutir as formas de violência contra a mulher”. Um bom texto deveria apresentar o assunto amplamente falando sobre o impasse que há entre os dois gêneros e depois apresentar as formas de violência que ainda pairam sobre a mulher. O trabalho argumentativo aqui é simples: expor, discutir e analisar essas formas: como e por que ainda existem em nossa época.

Vejamos, agora, o que fez  o aluno:

Primeiramente, uma explicação sobre os grifos no texto dele: em azul o que está incorreto: do ponto de vista formal ou das ideias. Em vermelho, as correções e reescritas.

1.    O aluno começou bem, apresentando um  panorama da situação da mulher no mundo antigo e no atual. É lógico que esse histórico poderia ser mais completo ou poderia ter resgatado mais dados sobre a situação de inferioridade da mulher. Depois, ele apresentou, ainda no 1º parágrafo, os tipos de violência: física, sexual e psicológica. Aí, comete o primeiro deslize: atribui a culpa só ao companheiro, mas reforça o preconceito quando diz que: “o qual devia zelar por sua integridade.” Na verdade, não é apenas o companheiro que oprime a mulher. Isso é muito mais amplo: cultura, religião, família, sociedade também têm culpa no cartório nessa violência.

2.    Era de se esperar, portanto, pela introdução, que abordasse os três tipos de violência que apontou. Mas ele não fez isso. Limitou-se à violência sexual. Não falou dos maus tratos, dos crimes, das pressões, das humilhações a que estão sujeitas as mulheres em todo o mundo e, principalmente, no Brasil que, infelizmente, é um dos campeões mundiais em assassinatos de mulheres por ano.

3.    Fez bem em referir-se à Lei Maria da Penha. Mas poderia tê-la aproveitado melhor: uma análise mais crítica e atualizada dos seus resultados. A lei existe, mas é incapaz de resolver o problema sozinha, como o estudante apontou. O que falta então? Conscientização da mulher, do homem, dos pais, dos patrões, enfim, de todos: a mulher, como todo ser humano, merece respeito e deve viver com dignidade.

4.    Embora a proposta não tenha sugerido “soluções” para o problema, ele apresentou-as. E fez de forma correta.

5.    O que faltou para que o texto fosse mais adequado à proposta foi uma leitura mais atenta das instruções da banca: discutir as formas de violência contra a mulher, e não apenas uma forma de violência.

6.    Há alguns trechos mal redigidos; embora a ideia seja boa, a maneira de expressá-la prejudicou o entendimento. Isso apareceu, principalmente, no segundo e terceiro parágrafos.

7.   O vocabulário é bom, embora seja discutível o uso de algumas palavras e expressões, conforme ficou anotado no texto.

Nota: 6,0 numa escala de  0 a 10.

 

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Análise da redação para a proposta sobre felicidade

Ana Prado | 10/06/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre felicidade.

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Leia o texto escolhido:

Felicidade Interior

Geralmente, felicidade é definida como algo inalcançável, surreal, ou até mesmo como um estado de espírito. Cada pessoa elege seu ponto clímax na vida, sendo este a realização plena e contínua e seja ele no relacionamento, no sucesso profissional, na formação de uma família, ou até mesmo, em bens materiais. Em vista disto, a importância do bem-estar cotidiano, promovido muitas vezes pela autoestima, fica em segundo plano.

Felicidade é aquilo que cada pessoa julga como o “clímax” de sua própria vida, entretanto, de longa duração, ou seja, se estabelece um período de tempo e um limite, em que é preciso ter alcançado a felicidade, associando-a, muitas vezes, à perfeição. Antes do limite – imposto pelos próprios indivíduos, procura-se pela realização dos sonhos e o famoso estado pleno de espírito, onde nada mais na vida possa dar errado, e também imagina-se que, quando atingido o ápice, a vida torna-se um mar de rosas interminável.

Há quem diga que felicidade é provida por dinheiro, bens materiais e artigos de luxo. Isso tudo é atribuição de valores para algo que não tem valor. Já outros, acreditam que ela se encontra no privilégio da saúde, na família reunida, nos amigos, etc. Ou seja, cada pessoa define felicidade baseando-se em suas próprias crenças, desejos e sonhos.

Cada pessoa tem seus objetivos e para cada uma há uma “felicidade” diferente. Ser feliz para  uma criança, com certeza não é o mesmo para um adulto. A vida muda constantemente, e o que era antes muito almejado, hoje já nem mesmo se cogita; por isso a ideia de que felicidade é inalcançável.

Engana-se quem pensa que nunca atingirá seu “clímax”, basta um impulso psicológico, e nem tudo é Não existe receita para a felicidade. É preciso querer viver sempre bem, procurar entender o lado bom das mudanças e o aprendizado que acompanha toda a dificuldade. Saber enxergar tudo que há de bom em cada “tempo ruim” possível, e principalmente ter uma pitada de senso de humor. Nada melhor do que aprender com as falhas. Felicidade não é inalcançável, tampouco definível, é muito mais interior do que exterior.

Leia agora a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta feita pela PUC- RJ é bastante aberta, ou seja, o aluno poderia discorrer sobre o tema como quisesse. Poderia dizer que a felicidade não existe; ou que existe, mas é inalcançável; que existe e está ao alcance de todos; que só os ricos são felizes; que só os pobres conhecem a verdadeira felicidade… Não havia nenhuma instrução que direcionasse a discussão sobre o tema. Porém, havia um limitador: o texto deveria ser dissertativo-argumentativo, entre 25 e 30 linhas.

Portanto, qualquer que fosse a abordagem do aluno sobre o tema, este deveria estar contido numa forma, que é a dissertação. E a dissertação pressupõe: introdução (em que se aborda o assunto e se expõe a tese/ponto de vista que será defendido pelo autor do texto); desenvolvimento (em que se argumenta para defender o ponto de vista escolhido); e a conclusão (em que se retoma a tese inicial e a reforça apoiada nos argumentos apresentados). Isso mostra que a liberdade de explorar o texto termina na forma de apresentá-lo.
Pois bem, vamos à análise do texto.

Ela começa corretamente seu texto, apresentando uma definição particular do que é felicidade. Inicia o parágrafo com a palavra geralmente; teria sido mais elegante dizer: Costuma-se definir felicidade como… ou  É comum definir-se felicidade como… Porém, nessa apresentação, ela usa dois termos ambíguos, que mereceriam uma melhor definição: “surreal” e “ponto clímax”. Sem a explicação, fica complicado para o leitor apreender, exatamente,  o que quis dizer. Ainda na sequência, ela termina o parágrafo de forma incoerente com o que vinha dizendo. Por que a realização plena e contínua não leva à alta autoestima e ao bem-estar cotidiano? Portanto, nesse parágrafo, há indefinição do propósito com que ela vai discutir o tema. Ou seja, a tese não foi claramente enunciada.

Ao iniciar o segundo parágrafo, não faz a ligação com o primeiro. Ela continua explicando o que é felicidade para as pessoas; deveria, então, ter começado com uma palavra de coesão: por isso, além disso, ademais… O que se vê nesse parágrafo é uma repetição do já foi dito no anterior, embora com alguma progressão de ideias. Não deveria ter repetido a palavra clímax, cujo significado continua vago.  Neste parágrafo, aparece outra expressão que carece de maior explicação: o famoso estado pleno de espírito; é preciso esclarecer ao leitor que estado é esse e por que é famoso.

O mesmo procedimento acontece na passagem do 2º para o 3º parágrafo: ela não faz a coesão. Poderia escrever: Há quem diga, também, que… Essas palavras de coesão indicam ao leitor que caminho vai seguir a argumentação. Ainda neste parágrafo, aparecem definições de felicidade, tema da redação, mas a autora não conclui, nem as analisa, com argumentos, ou exemplos, valorizando-os ou reprovando-os. Fica faltando, portanto, a argumentação.

O mesmo sucede no 4º parágrafo. Fala sobre conceitos variados de felicidade, mas não se convence ou não procura convencer o leitor do que se trata esse sentimento. Portanto, ela fez uma dissertação expositiva e não argumentativa.

No último parágrafo, onde ela deveria condensar todas as suas argumentações comprovando sua tese, ela dá uma “receita” de felicidade que não cabe neste tipo de texto.

Concluindo: o texto não é ruim, mas não cumpre, adequadamente, a proposta que é dissertativo-argumentativa, uma vez que não defende um ponto de vista, simplesmente  expõe vários conceitos sem argumentar sobre eles.

É certo que ninguém, ou quase ninguém consegue definir ou dizer o que é felicidade, mas essa era a proposta e o texto deveria defender, pelo menos, que esse é um conceito sobre o qual muitos falam e poucos sabem o que é.

Nota 6,0  (de zero a 10)

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Análise da redação para a proposta sobre analfabetismo e exclusão (UPF)

Ana Prado | 25/04/2014

Com base na proposta de redação extraída do Processo Seletivo de Verão 2010 da Universidade de Passo Fundo (clique para ver), o estudante deveria escrever um texto dissertativo sobre o tema “analfabetismo e exclusão”.

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Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Educação Igualitária

A sociedade vive a era da tecnologia, da informação e da modernidade. Os países vêm se desenvolvendo cada vez mais e os governos aprimorando seus setores como o  da economia e o da saúde.  Outro fato [seria melhor usar “dado”] é que quanto mais desenvolvido o país, melhor é a sua situação em relação a [à] educação e, consequentemente, menores são as taxas de analfabetismo. O Brasil vem melhorando sua situação em relação a isso, porém o problema o número de pessoas que nunca tiveram acesso à educação ainda é muito grande e piores são os problemas enfrentados por elas. [Este período está pouco claro; é preciso reescrevê-lo. No meio do parágrafo, a passagem do geral (quanto mais desenvolvido o país) para o particular (O Brasil vem melhorando) não foi bem feita. Seria necessário relacionar as duas informações. Mesmo sendo início de texto, as informações são pouco precisas. Não há referências para análise.].

Por se tratar dos tempos da globalização e do desenvolvimento, possuir conhecimento e informação sobre o que ocorre no mundo, atualmente, é algo essencial. Porém, os analfabetos não têm acesso a isso, portanto eles sofrem muito com a exclusão social. Como por exemplo, podemos ver que [use um ou outro: “como podemos ver” ou “Por exemplo, podemos ver que”] as empresas procuram e necessitam de mão de obra qualificada e especializada, por isso quem não possuiu uma determinada formação acadêmica já enfrenta problemas ao arrumar um emprego. Para alguém quem nunca estudou, essa situação é ainda pior e o desemprego é algo muito frequente entre essas pessoas. [Neste segundo parágrafo, falta ligação com o parágrafo anterior- é importante fazer a coesão. Exemplo: “O nível de alfabetização é algo essencial”; além disso, ao fornecer os motivos da exclusão, não se fez uma análise crítica da situação dos analfabetos no quadro geral do país. O texto é pouco objetivo, impreciso, não conclusivo.].

Para realizarmos algumas atividades básicas diárias necessitamos do conhecimento da leitura e da escrita. Ao comprarmos um produto, por exemplo, devemos conhecer a quantidade de dinheiro que deve ser dada ao vendedor. Para nos locomovermos de ônibus precisamos ler e interpretar as informações sobre os locais. Então muitas das atividades que realizamos em nosso dia a dia não podem ser realizadas por um analfabeto, que acaba ficando excluído da sociedade. [Neste parágrafo, o aluno inicia o uso da primeira pessoa do plural (nós) o que deve ser evitado em dissertações, principalmente no meio do texto; as atividades relacionadas acima não são as mais importantes que excluem os analfabetos – aliás, estes andam de ônibus e fazem compras; entretanto, têm dificuldade com uma conta bancária, especialmente hoje, quando tudo é digital; podem ser fraudados em contratos de trabalho; não conseguem um bom atendimento médico; e, como foi dito, precisam realizar as tarefas mais simples e menos remuneradas do mercado.]

Portanto, os problemas de exclusão social enfrentados por quem não é alfabetizado só podem ser resolvidos de uma maneira: levando educação de qualidade a todos. A maioria dos analfabetos não possuíram acesso à escola, [informação óbvia, portanto, desnecessária] por isso não foi uma escolha deles não estudar, como muitos pensam. [O aluno poderia analisar aqui por que eles não estudaram, o que os impediu.] Por isso, somente assim poderemos alcançar a posição de um país rico, desenvolvido e igualitário. [Neste último parágrafo, procurou-se dar solução para o problema, mas como viabilizar educação de qualidade para todos? De que maneiras isso poderia ser feito? Por quem? Com que verbas? A frase final parece um “final feliz”, mas não houve argumentos que justifiquem tal posição.]

Comentários da professora sobre a redação:

O texto perde pela estrutura formal da dissertação e pelo conteúdo:

1. Não há uma tese bem definida, por isso, a argumentação não acontece nos parágrafos e nem há uma conclusão que remete às ideias comentadas.

2. A argumentação, ponto forte da dissertação, praticamente inexiste no texto. O aluno faz algumas referências vagas ao tema, mas não defende nenhum ponto de vista , sequer traz qualquer informação ou análise relevantes para contribuir com o tema. O aluno não usou nem os dados constantes da coletânea, que poderiam ter ajudado na argumentação.

3. O título nada tem a ver com o texto; em nenhum momento, o aluno defendeu uma educação igualitária.

4. Alguns trechos são confusos e mal redigidos, conforme foi anotada acima.

5. De zero a dez, receberia 5 ou 6 pontos.

 

 

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Análise da redação para a proposta do Enem 2012

Ana Prado | 07/04/2014

Migrants Seek Asylum In The Spanish Enclave Of Melilla In Northern Africa
Foto: Alexander Koerner/Getty Images

Com base na proposta de redação extraída do Enem 2012 (clique para ver), o estudante deveria escrever um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI”, apresentando proposta de intervenção que respeitasse os direitos humanos.

Leia o texto escolhido, com os comentários (em vermelho) da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Imigração: a busca por uma vida melhor

Desde a sua descoberta, em 1500, o Brasil sempre foi uma terra disputada. No século XXI a disputa não caracterizou-se (não se caracterizou) pela ganância de riqueza e sim de imigrantes (pela chegada de imigrantes ) em busca de melhores condições de vida.

Dentre os inúmeros motivos que levaram e levam esses imigrantes virem para o Brasil, é incontestável que as condições humanitárias e infraestrutura de seus países lhes obrigam a procurarem um lugar melhor. Por outro lado, nem sempre o “lugar melhor” está preparado para receber tais imigrantes.

Atualmente (Trocar por “recentemente”), observa-se que houve um aumento no número de imigrantes vindos principalmente do Haiti.[Faltou justificar] Porém, o que se percebe é que o Brasil não tem infraestrutura e tampouco condições sociais para receber tais pessoas [justificar]. Ainda convém lembrar que os imigrantes, em sua maioria, têm uma profissão e estão em busca de emprego e melhores condições de vida, não de esmolas como alguns pensam.[analisar esse dado]

Levando-se em conta o que foi observado, a entrada de imigrantes no Brasil não um problema, o problema é a falta de políticas para receber os mesmos [e isso não é problema?] Criar uma carteira para o imigrante, regulamentar seus documentos e haver [disponibilizar] escolas preparadas em ensinar língua portuguesa, ajudará o governo a arrecadar mais dinheiro através de impostos e ter mão de obra à disposição.

Comentários da professora sobre a redação:

1.    A parte de escrita está anotada no próprio texto- foram grifados em amarelo os trechos que deveriam ser melhorados do ponto de vista da linguagem. Entre colchetes e em negrito, comentários do que ficou faltando em relação ao conteúdo.

2.    O texto apresenta algumas ideias interessantes e pertinentes:

a)    o Brasil sempre foi alvo do interesse imigratório (1ºparágrafo). Entretanto houve um salto muito grande entre as duas datas ali mencionadas: 1500 e século XXI . Entre esses períodos, não aconteceu nada? Seria importante elaborar, pois isso justificaria a referência ao interesse dos imigrantes pelo Brasil;

b)    bem lembrado o fato de que os imigrantes vêm em busca de melhores condições de vida (2ºparágrafo). Faltou, entretanto, uma ligação(coesão) desse parágrafo com o anterior. É sempre bom ressaltar que o texto dissertativo deve ser  coeso, interligado, sequencial. Também pertinente a referência de falta de preparo brasileiro para receber imigrantes. Entretanto, essa ideia não teve desenvolvimento. Ficou isolada, sem a complementação que seria apropriada num texto dissertativo;

c)    o 3º parágrafo faz uma referência à coletânea quando aborda os imigrantes do Haiti. Embora a ideia geral sobre essa imigração seja boa, também aqui, não houve desdobramento, com análises dos dados apresentados. Poderia ter sido feita uma contextualização do caso dos haitianos: a tragédia natural que deslocou e desalojou milhares e milhares de pessoas, inclusive profissionais competentes;

d)    no último parágrafo, quando o aluno se propôs a fazer a intervenção, que é exigida pela proposta, faltou mais firmeza na elucidação das medidas que poderiam ser tomadas e a forma (política ou financeira) de se realizar isso. Sugerir que o Brasil poderia se beneficiar da imigração –via impostos ou mão de obra especializada – foi uma ideia interessante que deveria ter sido melhor explorada, até para se justificar as ações mencionadas como forma de acolher e adaptar os imigrantes.

Conclusão: é um texto que poderia ter obtido uma boa nota, se o conteúdo tivesse sido melhor explorado. No entanto, as dificuldades de escrita e a falta de estrutura correta, comprometem a qualidade da redação.

Redação regular.

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Categoria: Correção, Enem

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Análise da redação para a proposta do vestibular 2014 da UPE – protestos no Brasil

Ana Prado | 17/03/2014

Protests Against The World Cup Continue In Brazil
(Foto: Victor Moriyama/Getty Images)

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da UPE, o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre as manifestações sociais no Brasil em 2013.

Leia a íntegra do texto escolhido:

Incrivelmente o mundo está tomando um rumo positivo e inesperado com a globalização, a socialização que algumas nações começaram a adotar, inclusive o Estados Unidos da América elegendo uma liderança com vínculos populares com objetivos sociais tanto quanto capitalistas, tomando até o Brasil como exemplo de direcionamento com seus trabalhos sociais; afinal não é possível alcançar objetivos capitalistas sem olhar para a população e suas necessidades…

A primavera árabe também não está longe disso, é um rumo social, inteligente e evolutivo da sociedade moderna.

Aqui no Brasil apesar dos “esforços” do governo de avançar nas suas políticas sociais, acabou esbarrando contra seu grande entrave do progresso, a corrupção! O governo atropelou as necessidades básicas do país investindo capital pesado em um evento internacional que sabemos, retornará pouco para o que se espera em um investimentos desse porte.

O país mergulhado em dificuldades sociais e o governo esbanjando gastos milionários em construções de estádios majestosos. Os protestos e a “deixa” óbvia da FIFA com a vitória da seleção na copa das confederações… Algo até vergonhoso para nossa imagem no exterior, ou será que os estrangeiros não sabem da situação de nosso povo?

A indignação é o sentimento chave que levou a população às ruas… A indignação não se cessa sem a justiça realizada, ela se acumula, se silencia e as vezes desaba sobre os responsáveis como uma represa esgotada pelo peso das águas.

Assim como em todo o mundo, baixas em manifestações dessa magnitude já é algo esperado, a considerar que a baixa tão amplamente divulgada não pareceu homicida mas dissuasiva, que infelizmente teve um resultado negativo, e claro, cabível de punição.

As eleições estão por vir e lá poderemos ver o maior de todos os protestos de uma democracia contra seus governantes, o maior número de abstinências já registradas na história de nosso país, que exclamará no resultado das urnas: “Nenhum de vocês representam os interesses de nosso povo”.

Confira abaixo a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

Esta redação comete alguns equívocos que são perigosos num vestibular. Vou apontá-los abaixo, fazendo comentários sobre cada um deles:

1.       A proposta pede um título. O aluno não o colocou. Isso, com certeza, diminui a nota da redação. As instruções da  proposta devem ser seguidas, na íntegra. Por isso, ela está aí.

2.       O primeiro e o segundo parágrafos abordam um contexto internacional, sem nenhuma referência aos fatos ocorridos no Brasil. São palavras bonitas, mas que não têm significado para o objetivo do texto. Há, inclusive, alguns trechos incompletos de significado. Mistura termos como: globalização, socialização, capitalismo, objetivos sociais, populares… não há muita lógica neste agrupamento de palavras. No 2ºparágrafo, aparece referência à primavera árabe, também sem ligação com o tema e solto no meio do texto. Portanto, os 2 primeiros parágrafos não têm finalidade para a resolução desta proposta. Esta última referência- primavera árabe- poderia aparecer como exemplo de manifestações populares, numa analogia com os movimentos de rua no Brasil, mas não foi assim que aconteceu.

3.       Somente a partir do 3º parágrafo, o aluno se volta para o Brasil. Entretanto, faz menção a alguns fatos sem esclarecer o que são: dos “esforços” do governo, necessidades básicas do país, evento internacional ( Quais? É preciso nomear, esclarecer, citar primeiro, comentar depois.) Da forma como foram colocados, esses fatos não têm vínculo com o texto, não informam o leitor, não levam à reflexão, que é o objetivo da dissertação.

4.       Esse mesmo equívoco aparece no parágrafo seguinte. Há uma série de citações sem contexto, sem prévio esclarecimento.

5.       Quando o texto parece que vai abordar o tema, o aluno usa uma metáfora que poderia ser justificada, mas a ideia continua inconclusa. A palavra indignação que aparece no texto poderia ser o início da argumentação sobre as passeatas, se anteriormente, se tivesse relatado o que levou o povo à indignação. Mas ainda não é por aí que o texto segue.

6.       No penúltimo parágrafo, quando a argumentação deveria estar caminhando para o final, indicando a conclusão, há outra série de palavras bonitas que não “conversam” entre si. “Exemplo: baixas em manifestações dessa magnitude já é algo esperado,” o que são essas baixas? Mortes? Tumultos? Prejuízos? Não se sabe…Outro trecho confuso: “baixa tão amplamente divulgada não pareceu homicida mas dissuasiva,” pergunta-se: por que homicida e dissuasiva? “resultado negativo, e claro, cabível de punição”;  Pergunta-se: qual resultado e qual punição? Tais expressões só têm validade se discutidas, explicadas e analisadas.

7.       Finalmente, na conclusão, um alerta aos políticos-candidatos da próxima eleição. Mas onde eles apareceram no restante do texto? Por que chamá-los à briga aqui no final, onde deveria ficar registrada a conclusão de uma discussão argumentativa e explicativa realizada nos parágrafos anteriores. Esse até poderia ser o final, se anteriormente, tivesse havido alguma referência à política brasileira.

Concluindo: Este não é um texto dissertativo; não tem a estrutura da dissertação nem formal nem ideologicamente. Em nenhum momento, infelizmente, o aluno respondeu à pergunta-tema desta proposta. Portanto, fugiu do tema e do tipo de texto. Observe-se que quase não há deslizes do ponto de vista gramatical (grafia, concordância, etc). Mesmo assim receberia uma nota muito baixa e, do meu ponto de vista, zeraria em tema e tipo de texto.

Segue, apenas como sugestão, um modesto projeto de texto para esta proposta que poderia estruturar-se assim:

1º parágrafo- esclarecer o que foram as manifestações de 2013,  sua amplitude e características, apontando  causas e futuras perspectivas.

2º parágrafo- argumentar sobre as causas dando exemplos e analisando-os;

3º parágrafo- argumentar sobre as possíveis perspectivas que esse movimento pode gerar- dar exemplos e analisá-los ( é sempre bom lembrar que a argumentação, propriamente dita,está na análise que se faz dos fatos e dos dados apresentados);

4º parágrafo- conclusão:- em que se retoma a ideia inicial e a incorpora à síntese da argumentação, fechando a reflexão feita sobre o assunto.

 

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Análise da redação para a proposta do vestibular 2014 da UFSC

Mariana Nadai | 05/03/2014

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da UFSC, o estudante deveria escrever um texto relatando de que forma um ou mais perfis femininos representados nos excertos desafiam o comportamento masculino na atualidade.

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Leia a íntegra do texto escolhido:

Foi-se o tempo em que a mulher era tratada segundo os conceitos predefinidos de que deveria zelar por uma reputação de “moça pura”, livre de qualquer desejo carnal, emoções ou sentimentos que pudessem por em contestação sua “dignidade”; atender a seu marido e filhos incondicionalmente; assim como zelar por seu lar e seus dotes femininos.

Como disse Simone de Beauvoir, a mulher torna-se mulher, e com o tempo foi percebendo o seu verdadeiro papel, independente de qualquer aprovação masculina. A partir dessa consciência, já aparentes na personagem Helena, de Machado de Assis; Macabea, de Clarisse Lispector; Gabriela, de Jorge Amado; e tantas outras figuras literárias ou reais, a mulher, então chamada de sexo frágil, colocou em cheque a “ditadura masculina”.

Atualmente as mulheres entendem que podem – e devem – fazer o mesmo que os homens, sem qualquer – ou equivalente – julgamento. Personalidades corajosas e cientes de si vêm desafiando todas as “regras” machistas e ultrapassadas – mas que insistem em continuar “vigorando”-, o que traz um novo confronto na sociedade.

Trabalhar fora, estudar, assumir o comando de empresas – e por que não do próprio lar?!- , ser independente psico e financeiramente, assumir sua autoestima, entre outras inúmeras atitudes, cada vez mais femininas, vem exigindo um novo comportamento do homem, não só com relação a aceitação dessa realidade, como de esforço dos mesmos, para que não sejam eles os fragilizados da historia.

Confira abaixo a análise da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

1. Falta uma ligação entre os 2 primeiros parágrafos. O primeiro trata de listar como a mulher não precisa mais ser. No segundo, há exemplos literários de como ela deve se tornar. Mas não há nenhuma ligação formal entre as duas ideias. (exemplo, um prova disso, aparece em textos de Simone de Beauvoir…)

2. O terceiro parágrafo, aborda a mulher contemporânea- como pode e deve ser- ou seja, igual ao homem. Será que isso é o que almeja a mulher atual? Não há análise sobre esse aspecto, nem um esclarecimento do que seja : “ -fazer o mesmo que os homens, … “

3. No 4º parágrafo, há uma lista de como a mulher deve ser, e uma afirmação : “…vem exigindo um novo comportamento do homem…”. Não aparece, porém, qual seja esse novo comportamento.

Análise do texto como um todo:

Não há unidade na forma de discutir o tema. Cada parágrafo aborda um aspecto do assunto, sem que haja ligação entre eles ou aprofundamento da ideia central, como requer um texto argumentativo.

As ideias estão soltas no texto, ou seja, não aparecem as análises de cada afirmação dada. A dissertação requer dados, fatos e análises; estas últimas constituem a argurmntação, propriamente dita- essencial nesse tipo de texto.

Não há problemas de linguagem, embora faltem os conectores que fariam a interligação do texto. Se a proposta se refere ao comportamento masculino na atualidade, o texto fugiu do tema, pois ateve-se apenas a elencar atitudes femininas, sem preocupar-se com os desafio que isso pode ou deve provocar no sexo masculino.

Texto abaixo da média: de zero a 10 – nota 4,0.

 

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Análise da redação para a proposta do vestibular 2011 da Unesp

Ana Prado | 05/12/2013

Portsmouth v Oxford United - Sky Bet League Two

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2011 da Unesp, o estudante deveria escrever um texto dissertativo sobre o tema “GRAFITES: ENTRE O VANDALISMO E A ARTE”.

Leia a íntegra do texto escolhido:

 

De tijolinhos para hip-hop

Quanta mudança. O “Tate Modern”, famoso museu britânico, formado por tijolos –  um estilo totalmente conservador – se tornou uma referência do que é a arte visual do “hip-hop”: o grafite dos irmãos conhecidos por “Osgêmeos” e de “Nunca”. Enquanto colorem, os grafiteiros, museus, casas e ruas, há aqueles cuja expressão se denomina vandalismo. A arte do “hip-hop” não deve ser confundida com a barbárie que se observa nas ruas.

Enquanto alguns pedem permissão para a arte, outros invadem com suas pichações locais privados e desafiam a ordem em locais públicos – querem o vandalismo, em vez da expressão; desafiam-se em locais de difícil acesso e formam gangues que rivalizam entre si.

A arte, por sua vez, é transcendental. Ela permite o indivíduo repensar o mundo e transformá-lo em símbolos, muitas vezes contrariando os valores vigentes. No caso do grafite, os desenhos retratam os valores do mundo das favelas brasileiras, com um colorido próprio desta cultura, que alegram as ruas cobertas, anteriormente, por cinza. Por conseguinte, artista e leitor percebem a arte e se sensibilizam. Isso ocorre com a arte de “Osgêmeos”, que repensa a sexualidade. Em corpos masculinos, seios.

Dessa forma, distingue-se o vandalismo do grafite pela intenção. Se no primeiro a expressão se equivale à imposição, o desafio do segundo é a própria expressão.

Confira abaixo a análise da da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A redação, embora, trate do tema proposto, é falha em alguns aspectos importantes.

1. O título destaca o hip-hop, que é uma dança urbana, mas não há referências dela, no texto, com o grafite, que é o tema central da proposta. Portanto, o título se torna incoerente com o restante da redação. Hip-hop é dança urbana e grafite é arte visual urbana, mas são diferentes.

2. O museu não é formado por tijolos, mas sim, tem suas paredes revestidas por eles. A referência aos tijolos busca mostrar a diferença entre o tradicional e o inovador – o grafite, o que está correto, mas a forma de expressar a ideia precisa ser melhor redigida.

3. A frase “Enquanto colorem, os grafiteiros, museus, casas e ruas, há aqueles cuja expressão se denomina vandalismo” está confusa por causa da inversão dos termos da oração e daquilo que se coloca como implícito. Melhor ficaria a redação assim: Enquanto os grafiteiros colorem, com arte, museus, casas e ruas, há pichadores que praticam vandalismo rabiscando fachadas, muros, prédios históricos.

4. O segundo parágrafo inicia-se com uma referência à arte, mas faltou a ligação com o parágrafo anterior. Faltou coesão formal (através dos conectivos) e ideológica ( referente a sentido). Melhor seria ter iniciado esse parágrafo com a 3ª oração do parágrafo: No caso do grafite, os desenhos retratam os valores do mundo das favelas brasileiras… depois, sim, cairia bem a informação sobre a arte. Ainda nesse parágrafo, as orações: “ Isso ocorre com a arte de ‘Osgêmeos’, que repensa a sexualidade. Em corpos masculinos, seios”, expressam mal o pensamento do autor do texto. O ideal seria unir as duas orações e completar-lhes o sentido, em referência ao corpo masculino e feminino.

5. O último parágrafo inicia-se com uma frase dúbia: “Dessa forma, distingue-se o vandalismo do grafite pela intenção.”. Melhor seria: Vandalismo e grafite distinguem-se pela intenção dos seus autores. Se no primeiro prevalece a imposição, no segundo, é a própria arte que se revela na expressão do artista.

6. Do ponto de vista das ideias, o texto é pouco esclarecedor na comparação do grafite com a pichação, que são as duas atividades colocadas em discussão. Faltou um pouco mais de ênfase no enfoque do tema: grafite – arte ou vandalismo. Não houve, no texto, a defesa de que grafite não é vandalismo e que, por isso, não deve ser confundido com pichação- essa sim, considerada vandalismo.

7. Em relação à nota, o texto figuraria numa escala média: entre 5,0 e 6,0 – para um total de 10,0 pontos.

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Análise da redação do vestibular 2013 da UFSC: Fontes de Energia no Brasil

Carolina Vellei | 21/10/2013

Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2013 da UFSC, o estudante deveria escrever um texto dissertativo sobre as alternativas para a geração de energia elétrica no Brasil do século XXI.

Confira abaixo a íntegra do texto escolhido:

Brasil, rico em fontes de energias limpas

A maior fonte de energia elétrica do Brasil provém das usinas hidrelétricas, 75%. Estima-se que o potencial hidráulico do Brasil seja da ordem de 260 GW – segundo dados do Atlas de Energia Elétrica do Brasil, Aneel, 2008. Isso devido às grandes reservas de água doce que nosso país, e um relevo favorável, pois maior parte do território nacional encontra-se num relevo de planalto, o que facilita na geração da energia devido à força da água.

Mas também temos um grande potencial para utilizarmos recursos naturais e energias renováveis, como a eólica e a solar. O Brasil é favorecido em termos de ventos, caracterizam-se por uma presença duas vezes maior do que à média mundial, e somos privilegiados em termos de radiação solar. Mas mesmo com todas essas vantagens, ainda produzimos energia térmica através da queima de carvão, ou através das usinas nucleares de angra I e II. E, ainda, importamos uma parcela considerável de energia. Sabemos que estes tipos de energias são prejudiciais ao meio ambiente e contribuem para o aquecimento global, ou até em acidentes catastróficos, no caso das usinas nucleares. Assim como já ocorridos no mundo, como exemplos o acidente de Chernobyl e recentemente no Japão, na usina de Fukushima. 

Devemos pensar no futuro, deixarmos de lado o consumo destas energias prejudiciais ao planeta, e sim, cobrarmos investimentos das autoridades competentes no uso de energia renovável. Os dados comprovam que o Brasil pode ser uma grande potencia no uso dessas energias. Segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro de 2010, temos um potencial de geração de energia eólica de 143,5 mil MW. Isto é apenas um exemplo quão amplo é nosso potencial para gerarmos energias limpas e renováveis.

Usina hidrelétrica de Itaipu, localizada no Rio Paraná

Confira abaixo a análise da da professora de redação da Oficina do Estudante, Ednir Barboza:

A proposta de redação sugere um texto dissertativo expositivo. Deve versar sobre as alternativas para geração de energia elétrica no Brasil, a partir do gráfico apresentado. É lógico que o aluno terá que trazer informações próprias, uma vez que a coletânea é bem restrita.

Uma opção de escrita seria, primeiramente, uma apresentação do gráfico, ponderando todas as informações ali colocadas. Depois, incluiria outros dados e uma análise final sobre alternativas de outras fontes menos exploradas atualmente. Caberia, ainda, uma ponderação crítica sobre as vantagens e desvantagens dessas alternativas apresentadas.

Vejamos, agora, o texto do aluno.

Vamos por partes.  O trecho inicial do 1º parágrafo fala de energia hidráulica – aponta a porcentagem que representa no Brasil – e traz uma informação (potencial  hidráulico), entretanto não aproveita este dado para fazer uma análise. Temos muito/pouco/suficiente? É viável utilizar mais? Portanto, a informação que ele trouxe, como coletânea externa, não foi bem aproveitada.

No trecho seguinte, ele aborda outras fontes, mas, também aqui, não faz uso correto da informação. Quanto representam, percentualmente, essas outras fontes energéticas? Isso o texto não menciona, e deveria! Portanto, mais uma vez, o texto traz informações que não contribuem com a dissertação expositiva.

No segundo parágrafo, a aluno fala das fontes energéticas prejudiciais ao meio ambiente que, por isso, deveriam ser abolidas. No final do segundo e do último parágrafo, ele aponta o potencial energético do Brasil, e conclama as autoridades a investirem em energias limpas.

O texto, embora  trate do tema, não o faz de modo adequado. As informações ficam soltas , sem a devida conexão entre si  que levariam a uma análise de alternativas para fontes de energia no Brasil, como sugerido na proposta.

Além desse problema na manipulação das informações, o texto apresenta alguns deslizes de linguagem. Veja a primeira frase: a porcentagem aparece solta no final. O correto seria escrever:Setenta e cinco por cento da fonte de energia no Brasil provém das usinas hidrelétricas”.

Na sequência, há outro trecho confuso: “Isso devido às grandes reservas de água doce que nosso país, e um relevo favorável, pois maior parte do território nacional encontra-se num relevo de planalto, o que facilita na geração da energia devido à força da água.” O correto seria: Isso devido às grandes reservas de água doce que nosso país possui, além do relevo de planalto favorável à geração de energia pelas quedas de água.

Mais um trecho do mesmo parágrafo:  “O Brasil é favorecido em termos de ventos, caracterizam-se por uma presença duas vezes maior do que à média mundial, e somos privilegiados em termos de radiação solar.” Seria mais claro dizer:  O Brasil é favorecido em  ventos cuja presença é  duas vezes maior do que a média mundial; além disso, somos privilegiados em radiação solar.

O segundo parágrafo inicia-se com uma expressão inadequada a textos deste tipo: “Mas mesmo com…”. Melhor seria: “Mesmo com todas…” ou “ Apesar de todas…”

O trecho: “Devemos pensar no futuro, deixarmos de lado o consumo destas energias prejudiciais ao planeta, e sim, cobrarmos investimentos das autoridades competentes no uso de energia renovável.”  Precisaria ser menos pessoal e ter um viés mais objetivo, como: “É imprescindível olhar para o futuro, deixando de lado essas energias prejudiciais. Urge que as autoridades competentes busquem energias renováveis. O Brasil é pródigo nessas fontes naturais.”

Avaliação final: Observe que o texto traz informações úteis e interessantes para o desenvolvimento da proposta. Poderia ter sido um bom texto se um projeto de texto tivesse precedido a escrita. Faltou habilidade em explorar a língua a serviço da exposição das ideias.

 

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