logo-ge

ONG oferece monitoria online do Enem para alunos de baixa renda

O projeto "Galera da Redação" oferece aulas gratuitas e correção de redações oferecidas por universitários que tiraram nota acima de 900 no Enem

O estudante e criador do projeto, Matheus Ribeiro (Matheus Ribeiro/Arquivo pessoal)

Tirar nota mil na redação do Enem é um dos sonhos de qualquer vestibulando, já que o número pode acelerar metade do caminho ao encontro da sua vaga no ensino superior. O estudante da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Matheus Ribeiro sabe o poder de uma redação bem escrita: ele tirou a nota máxima no Enem 2016 e também lidera a ONG “Galera da Redação”, que ajuda estudantes que prestam o exame a aperfeiçoarem suas habilidades para a prova.

Todo o trabalho da ONG é voluntário, e os professores de redação são também estudantes universitários que tiraram acima de 900 no Enem. O trabalho se baseia em ensinar o vestibulando por meio de seus próprios erros, apontando as falhas e indicando pontos para melhora. Neste ano, com o fortalecimento da estrutura do projeto, ele se sofisticou: os professores de redação darão aulas uma vez por semana, preparando materiais e metodologia própria, além de continuar com as correções.

A iniciativa também passa a oferecer monitorias das outras disciplinas abordadas pelo exame. Elas serão dadas por estagiários voluntários, que façam graduação relacionada à área de conhecimento pela qual serão responsáveis. Além disso, o “Galera da Redação” também oferece apoio pedagógico e psicológico para os alunos.

Veja também

Primeiros passos

Negro, LGBT, vindo de uma família de baixa renda e tendo enfrentado problemas psicológicos, Matheus estudou em escola pública, “ainda que ela fosse de alta qualidade e oferecesse ensino técnico”, explica. Quando chegou a hora do vestibular, ele tirou 960 na redação do Enem – garantindo sete aprovações, inclusive em Relações Internacionais, que está cursando. No Enem deste ano, ele foi apenas para fazer apenas a prova de redação, conquistando a nota máxima.

Foi pensando na sua trajetória de vida que deu para o “Galera da Redação” a cara que o projeto tem agora. Tudo começou quando ele entrou em um grupo do Facebook com o mesmo nome que a ONG adotou. “O pessoal compartilhava informações nele. Eu comecei a auxiliar algumas pessoas com correção, mas não dava conta de tudo. Então pedi para amigos me ajudarem”, ele lembra. “Detesto desorganização, então fui estruturando um projeto”. O “Galera da Redação” não tem plataforma própria; em vez disso, ele faz uso de diferentes ferramentas já disponíveis — e com as quais os jovens tem contato direto — para disseminar conhecimento. Vale de tudo, de vídeo no Skype a áudio no WhatsApp. Os voluntários, de diferentes partes do país, se organizam por meio do Facebook.

Antes uma aluna da ONG, Tainara Soares Mendes agora foi convidada a ser professora do projeto. Ela prestou o Enem pela primeira vez em 2014, quando estava no primeiro ano do ensino médio. “Ao chegar na redação, eu, literalmente, empaquei! Eu não conseguia escrever”, ela conta. De baixa renda e moradora de uma pequena cidade no interior, ela queria focar na redação, mas não tinha condições estruturais e financeiras para tal. Encontrou o “Galera da Redação” por um post que Matheus havia feito em outro grupo de vestibulandos, divulgando a iniciativa. De 720 em 2014, a nota da redação do Enem de Tainara subiu para 1000.

Outra ex-estudante do projeto, Cibele Máximo, passou da pontuação de 480 no Enem 2015 para 940 no Enem 2016. Ela logo percebeu seu erro: “cometi fuga parcial do tema. Fiquei aliviada, mas depois prometi a mim mesma que iria tirar ao menos 800 na próxima”. Ela diz que reuniu todo seu material de estudo e se dedicou bastante no ano seguinte, mas que sua maior ferramenta foi ter participado do “Galera da Redação”: “Eles selecionaram alguns alunos que tiveram baixo desempenho e nos deram um programa de mentoria online, com correções dos textos, atualidades e dicas”.

Como se inscrever

As inscrições para participar da monitoria deste ano começam nesta sexta-feira (10), e vão até o dia 2 de abril. Neste ano, são 225 vagas, todas dedicadas a estudantes de baixa renda que estudaram em escolas públicas ou tiveram bolsas integrais em escolas particulares. As especificações para concorrer a uma vaga no cursinho estão no edital, que você pode acessar aqui.

Quantos aos voluntários, todos devem ser parte de alguma minoria. Eles recebem certificados pela participação no projeto. “Nós ajudamos pessoas que precisam e desenvolvemos as capacidades do voluntário”, comenta Matheus. “É uma ajuda mútua, em que todos aprendem uns com os outros”.

Para participar, é preciso atender a dois requisitos:

– Ser aluno ou ex-aluno de escola pública, ou bolsista integral em escola particular
– Ter no máximo 1 salário mínimo de renda familiar por pessoa (R$ 937)

No ato da inscrição é necessário enviar uma cópia digitalizada dos documentos listados no editalO resultado da seleção será divulgado no dia 23 de abril, com início das aulas previsto para o dia 1° de maio.