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Aventuras na História

Túnel de Siloé: e a Bíblia estava certa...

Maria Fernanda Almeida | 01/02/2004 00h00

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém puseram fim às dúvidas sobre quem teria construído o túnel de Siloé, uma das mais interessantes obras de engenharia da Idade do Ferro. Confirmando o relato da Bíblia, as pesquisas dataram em 700 a.C. a construção do túnel de Jerusalém, e apontaram Ezequias, que reinou em Judá entre 727 a.C. e 698 a.C., como o empreiteiro.

Construído para transportar a água da fonte de Gioh, nos arredores de Jerusalém, para o interior das muralhas da cidade e garantir o abastecimento do canal, que tem meio quilômetro de extensão, teve um importância fundamental na defesa da cidade durante o cerco e a ameaça de invasão pelos assírios, no século 8 a.C.

De acordo com os textos bíblicos como o Segundo Livro dos Reis e o Segundo Livro das Crônicas, o rei Ezequias teria reaberto o templo de Salomão, restaurado a Páscoa e implementado uma série de reformas em Jerusalém, das quais o túnel de Siloé é uma das mais importantes.

A paternidade da obra, no entanto, sempre foi um mistério para historiadores e arqueólogos. No século 19, foi descoberta uma inscrição no interior do túnel que relatava todas as etapas de sua construção, mas não mencionava o nome de Ezequias. Desde então, uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores era de que o túnel fosse mais velho que a inscrição.

No entanto, pela tecnologia utilizada, outra linha de pesquisa defendia que Siloé havia sido escavado por volta de 200 a.C. É que os túneis da Idade do Ferro eram feitos com a ajuda de alçapões intermediários, que eram escavados separadamente da superfície e depois unidos. Siloé foi feito sem a ajuda desses alçapões. Descoberto em 1838, a obra foi construída por dois grupos de trabalhadores em lados opostos, que se encontraram em um ponto central. “Em termos de engenharia, o mais interessante dessa obra foi como os dois grupos se encontraram exatamente e como foi possível levar ar para eles debaixo da terra”, diz o geólogo Amos Frumkin, da Universidade de Jerusalém.

Agora, a controvérsia chegou ao fim. Os cientistas realizaram testes de radiometria e com carbono radioativo para datar minerais, como cal, cinzas e ossos fossilizados, e materiais orgânicos, como plantas, encontradas nas paredes, no teto e no assoalho do túnel. O resultado não deixa a menor dúvida. “O texto bíblico, nesse caso, é um registro histórico exato da construção do túnel de Siloé”, afirma Frumkin.

 

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