Guia do Estudante

Literatura

"O Largo da Palma" - Resumo da obra de Adonias Filho

16/09/2012 23h 16

- Leia a análise de O Largo da Palma

1a Narrativa: “A moça dos pãezinhos de queijo”
Em um certo dia, Gustavo vai à mando da avó comprar meio quilo de pãezinhos de queijo na tão bem afamada loja que ficava no Largo da Palma. Quem comandava a loja era a viúva Joana, que fazia os pãezinhos no segundo andar da casa, e sua filha Célia, moça bela e de voz musical, que os vendia na loja no andar de baixo. Gustavo, que era mudo, ficou encantado com a voz de Joana e volta para casa a sonhar com a menina.

Assim, no dia seguinte o moço vai em direção ao Largo da Palma com a intenção de ouvir mais uma vez a voz da moça dos pãezinhos de queijo. Gustavo lamenta ser mudo, mas avança mesmo assim. Estando à sós com ela, Gustavo pede os pãezinhos escrevendo em um papel, mas a moça diz que eles acabaram. Célia percebe que ele não foi ali pelos pães, mas sim com intenção de encontra-la.

Apesar de ser hora de fechar, a moça fica paralisada a admirar a beleza de Gustavo, com seus cabelos negros e olhos de avelã. Ao ser perguntada se ele pode voltar no dia seguinte, Célia responde que sim e marca hora e local para se encontrarem. Joana percebe que a filha está distante, mas nada pergunta. Assim, Célia dorme pensando no encontro que terá no dia seguinte e se o sentimento que invadiu seu coração era mesmo amor.

Gustavo, após andar muito pela cidade, volta para casa e conversa com sua irmã, Márcia, sobre sua namorada. Márcia fica mais preocupada do que feliz, pois uma moça que aceita como namorado um surdo só pode ser uma criatura extraordinária ou então uma vigarista que está de olho no dinheiro do rapaz. A irmã, por fim, forçou um sorriso para tentar animar Gustavo.

Após esse primeiro encontro, Célia e Gustavo passaram a se encontrar todos os dias por semanas. Enquanto isso, os pais de ambos se preocupavam com o futuro dos dois. Até que um dia, Célia falou que Gustavo não deveria mais escrever para se comunicar, mas sim falar. A partir de então, ele abandonou o caderninho e passou a gesticular, num esforço descomunal para tentar falar. Um dia, ela entendeu que Gustavo queria os pãezinhos de queijo.

Então, Célia acordou bem cedo e fez os pãezinhos com todo o amor do mundo. Até criou inconscientemente uma canção enquanto cozinhava: “é preciso querer e querer muito para alcançar”. Os dois passaram o dia inteiro inquietos pensando no encontro que teriam naquele dia. Até que ao se encontrarem, numa rua escura pela falta de iluminação, Célia entregou a cesta de pãezinhos. Ao dar a primeira mordida, ela diz que agora ele poderia falar. Em um misto de angústia, dor e suor, quase como um parto, Gustavo diz em uma voz trêmula a palavra “amor”.

2a Narrativa: “O Largo de Branco”
Após trinta anos sem terem contato, um dia Eliane recebe uma carta de Odilon pedindo um encontro. Ela havia sido deixada por seu amante, Geraldo, e estava pobre, morando em um quartinho e tendo que vender suas últimas joias para pagar o aluguel. Ela atendeu prontamente e foi ao local de encontro com um saco de farelo de milhos para alimentar os pombos enquanto esperava. Ela se perguntava porque não era um pombo. Seria tão mais fácil viver.

Eliane e sua irmã foram criadas por seus pais sob muito custo. O pai, homem humilde que tinha dois empregos para poder sustentar a família, não entendia as mulheres da casa e nem procurava entende-las, ficando sempre fumando a um canto. Até que começou a chegar tarde do trabalho, depois a beber uma vez ou outra, até que por fim chegava todos os dias bêbado. Um certo dia o pai de Eliane tem um derrame e é levado ao hospital. Lá, eles conhecem Odilon, um aluno de medicina feio, baixinho e gordo.

Odilon passa a cuidar do pai de Eliana e se não fosse por ele tudo faltaria ali na casa, de dinheiro à comida. Mesmo após a morte do pai, Odilon, já formado médico, continuou a frequentar a casa de Eliana todos os dias. Os dois casaram apenas no cartório e não teve nem bolo. Ela percebeu com o tempo que Odilon vivia apenas para seus pacientes e não ligava para nada que acontecia a seu redor. Porém, ele a tratava com carinho e a colocava acima até mesmo dos doentes.

Um dia Eliana descobriu pelo marido que não poderia ter filhos e os dois foram passar três dias fora. Nesse período, ela percebeu que apesar do imenso amor que Odilon sentia por ela, Eliana se sentia cada vez mais distante dele. Até que no terceiro dia, durante uma briga, ele que nunca reagia aos insultos de sua esposa, bateu a porta com força na cara dela e a deixou para fora. Eliana foi até a praia e ficou encantada com um belo homem que ali estava, completamente o oposto de seu marido. Esse homem era Geraldo.

Eliane encontra-se no Largo da Palma e ainda faltam trinta minutos para se encontrar com Odilon. Ela tem fome e se pergunta se “A Casa dos Pãezinhos de Queijo” não estaria aberta. Fica pensando o que Odilon queria com ela depois de trinta anos. Até que ela o avista, velho e com a roupa desarrumada, com um buquê na mão, parecendo um palhaço. Estava velho, mas continuava o mesmo homem. Ao se encontrarem, ele apenas diz “vamos, Eliane, vamos para casa”. Ela ainda com o coração a bater muito forte, tem certeza que o Largo está vestido de branco naquele dia tão ensolarado.

3a Narrativa: “Um avô muito velho”
O velho negro Loio sempre viveu em volta do Largo da Palma. Seu pai tinha uma venda no Mercado Modelo e tinha total confiança no filho. Tanto que ele não ligou quando Loio começou a ter um caso com uma prostituta chamada Aparecida. Ela era uma moça linda, que trabalhava como prostituta apenas aos sábados e nos demais dias tocava sanfona ou tirava a sorte de quem passava pela rua. Aliás, foi a sanfona que os ligou. Loio aprendera desde criança a tocar o instrumento.

Um certo dia, Loio pediu que Aparecida tirasse sua sorte. Ela, com o rosto sério de sempre, disse que ele “tinha uma morte em suas mãos”. Aparecida não conseguia viver sem os bares, a noite, as festas, e acabou voltando a se prostituir e se afastar de Loio. Até que um dia acharam seu corpo esfaqueado numa rua. Loio acabou se fechando em seu mundo, sempre a trabalhar na venda do pai e a tocar sanfona. Até que um dia seu pai morreu e deixou, junto com um dinheiro e um terreno, a venda como herança. Com o dinheiro ele comprou a loja ao lado da sua e conseguiu fazer com que a venda prosperasse, um dos únicos no Mercado Modelo a conseguir isso.

Algum tempo depois, Loio conheceu Verinha em um espetáculo de circo. Não demorou muito para que casassem e ele fosse morar com ela. Pouco tempo depois tiveram uma filha, Maria Eponina, e viveram todos juntos uns dez anos ali. Até que um dia Verinha acabou falecendo devido ao tifo. Algum tempo depois, sem que Loio nem reparasse, a mãe de Verinha faleceu e Maria Eponina já era uma moça e uma grande dona-de-casa.

Sem conseguir levar a venda sozinho, Loio contratou um ajudante. Chico Timóteo era um rapaz e tanto, que em pouco tempo já cuidava de tudo como se fosse sócio. Quando a mãe do moço faleceu, ele passou a comer na casa de Loio e, como era de se esperar, em pouco tempo já estava casado com Maria Eponina. Os dois tiveram uma filha, Pintinha, que se tornou o segundo amor do velho Loio. O outro era a sanfona.

Pintinha e Loio estavam sempre juntos a conversar e a tocar sanfona. Ele a levava e a buscava da escola. Mesmo quando Pintinha passou a ir com as amigas para a escola, quando ela voltava para a casa era com o avô que ficava. E quando o avô adoecia, ela era que cuidava dele. Loio fazia o mesmo se o contrário ocorresse. E assim Pintinha foi crescendo até que se tornou professora.

Sendo professora nova, colocaram-na para trabalhar em uma escola bem afastada. Pintinha nascera para a profissão e logo havia conquistado todos os alunos e professores, voltando para casa tarde da noite muitas vezes com presentes que ganhava deles. Porém, um dia ao invés de Pintinha veio um policial informando que a moça tinha sido violentada e espancada, por um milagre não morreu. Após duas cirurgias e algum tempo no hospital, Pintinha voltou para casa. Mas ela já não reconhecia ninguém e passava o dia sofrendo de dores.

Loio resolveu ir ter uma conversa franca com o médico, que lhe contou que Pintinha não tinha como se salvar. As cirurgias apenas prolongaram sua vida, mas ela estaria condenada a passar os dias sofrendo com dor até morrer. Então, ele resolve ir até a venda de um farmacêutico amigo seu no Mercado Modelo e lhe pede o veneno mais forte que tiver, dizendo que era para seu cachorro doente. Como ninguém ousaria duvidar de Loio, ele lhe entregou o veneno e lhe explicou como usar.

Chegando em casa, Loio foi deixado sozinho com a neta Pintinha, pois Maria Eponina iria sair. Sem hesitar, Loio mistura veneno com água em um copo e dá para neta beber. Ficou sentado na sala esperando a filha chegar e que viessem os gritos desesperados dela. Porém, Maria Eponina ao ver a filha morta apenas pediu que o pai trouxesse uma vela, sem nenhuma lágrima e quase sem voz.

4a Narrativa: “Um corpo sem nome”
O narrador, “eu”, vai andando pelo Largo da Palma e avista uma mulher vindo em sua direção tropeçando muito, talvez bêbada ou uma epilética. Próximo à escadaria da igreja, ela tropeça e cai. Mal o narrador se debruça para acudi-la, já sabe que a mulher está morta ali em seus braços. Ele a coloca de volta no chão com todo o cuidado, quando percebe que do nada toda a multidão que estava dentro da igreja, inclusive o padre, está ali para saber o que aconteceu.

Enquanto esperam a polícia, ao olhar aquela pobre moça, magra, com a roupa tão suja que mal dá para distinguir a cor e com sinais de quem passou por muita fome e dor, o narrador se lembra de quando foi levado a um bordel por uns amigos para ele perder a virgindade. Quando eles estavam na mesa acompanhados por belas moças, chega uma mulher velha e feia, pobre como aquela outra mulher que se encontrava morta ali no chão do Largo da Palma.

A cafetã grita para a pobre mulher que se ela não conseguir nenhum homem para dormir, era para ela ir embora que ali não ficaria mais. A cafetã segue a gritar ofensas e ameaças para a mulher e pergunta aos homens do local se existe alguém que deseja aquela pobre criatura. Ao que o narrador, nesse momento com apenas dezoito anos, se levanta e diz, para o espanto de todos, que a quer. Então, ele sai de lá com a mulher não em direção ao quarto, mas ao Terreiro de Jesus. Lá, a mulher diz que seria melhor morrer, pois morta não passaria fome e nem medo.

A polícia já chegara e estava levando o corpo da mulher para o necrotério e o narrador se apresenta como testemunha. O policial pede para que o narrador o acompanhe até a delegacia e ao necrotério, mas desiste ao saber quem era o narrador. Porém, este insiste dizendo que viu a mulher morrendo ali na frente e agora estava curioso para saber o que havia acontecido e quem era essa mulher.

No necrotério o médico faz a autópsia e decreta se tratar de uso de tóxico. Ao revistar a bolsa da mulher, o policial encontra apenas alguns objetos pessoais, uma caixinha de fósforos contendo cocaína e uma saboneteira de plásticos com alguns dentes humanos dentro. Não havia nenhum documento que pudesse identificar a mulher, que permaneceu no necrotério para o reconhecimento dentro dos prazos da lei.

Dois meses após a morte da mulher, o Largo da Palma já havia se esquecido do fato, pois já era muito velho e não tinha memória para todos os acontecimentos. O narrador sente o cheiro do trigo vindo de “A Casa dos Pãezinhos de Queijo” misturado com o do incenso da igreja e cogita se não foi isso o que atraiu aquela mulher para morrer ali no Largo da Palma.

Então, o narrador encontra o inspetor de polícia na Rua Chile e esse informa que a morte da mulher havia sido realmente causada por tóxico. Além disso, o inspetor diz que os dentes dentro da saboneteira eram da própria mulher, mas não se sabe porque ela os carregava consigo. Ao caminhar pelo Largo da Palma, o narrador pensa que a mulher não havia morrido ali, mas sim que ela morreu em delírio, fora do corpo em um mundo que não o nosso.

5a Narrativa: “Os enforcados”
O ceguinho da Palma, como todos os chamavam, era um home que de tão magro e pequeno era quase um anão. Morava em umas estrebarias abandonadas junto com índios, negros libertos, ladrões e mendigos. Nas noites quentes dormia pela rua mesmo, mas quando chovia abrigava-se dentro da igreja. Estava sempre ali no Largo da Palma a pedir esmolas.

Diziam que ele havia ficado cego por ter falado mal da Santa da Palma e agora estava ali cumprindo castigo há anos, certo de que um dia a Santa o perdoaria e ele voltaria a enxergar. Talvez isso fosse mesmo verdade, já que ele se salvava de todas as pestes, tais como tifo e a varíola, que assombravam a Bahia às vezes, como se a Santa o quisesse vivo para pagar a penitência.

Em um certo dia, quando João-o-Manco, vigia da região, veio acordá-lo logo cedo, disse que aquele seria o dia em que iriam enforcar uns condenados no Campo da Piedade. A missa daquele dia tinha apenas umas dez pessoas, e ninguém negou esmola ao ceguinho como se todos temessem alguma coisa. O ceguinho da Palma sentia uma dor no coração, não de sua tristeza, mas de uma tristeza que nascia da cidade a esperar as mortes.

O ceguinho da Palma juntou-se ao povo que caminhava em direção ao Campo da Piedade. Parecia que naquele dia a Bahia havia parado para acompanhar os enforcamentos. Perto do Convento das Freiras, ele parou na birosca do Valentim e pediu uma bebida. Valentim era um filho de escrava liberta e pai desconhecido, que havia conseguido juntar dinheiro sabe-se lá como e comprado casa, terreno e montado essa bodega. Apesar das muitas especulações que haviam em torno dele, o certo é que Valentim tinha amigos na cidade de Salvador inteira.

Então os dois seguiram juntos rumo ao Campo da Piedade para acompanhar os enforcamentos. Para o cego a cidade parecia triste, mas para Valentim a Bahia nunca fora alegre, pois uma cidade que tem escravos não pode ser alegre. Aqueles enforcamentos serviriam para que o povo aprendesse a lição, pois D. Fernando José de Portugal e Castro, governador da Bahia, poderia perdoar ladrões e assassinos, mas não os inimigos do Rei.

Já se encontravam no Campo da Piedade, frente à grande forca de madeira da lei, grande o suficiente para que nem mesmo um anão deixasse de ver o espetáculo. E assim, os condenados foram chegando e sendo enforcados rapidamente um a um: Manuel foi o primeiro, depois Lucas, Luís e, por fim, João.

O ceguinho da Palma não sabe que fim levou Valentim perdido no meio da multidão. Foi retornando devagar, passo a passo em direção ao Largo da Palma, que reconheceu com os pés descalços ao pisar nas pedras ásperas e a grama macia. Sentiu o cheiro do incenso e imaginou que naquele momento já estariam a cortar as cabeças e mãos dos enforcados para deixar em exposição no Cruzeiro de São Francisco ou na Rua Direita do Palácio. Então o ceguinho ajoelhou-se com as mãos na porta da igreja e essa foi a única vez em toda a vida que agradeceu à Santa da Palma por ter ficado cego.

6a Narrativa: “A Pedra”
A igreja, mais velha do que as árvores dali, acompanhou o que era um capinzal no topo da ladeira se transformar em Largo da Palma ao longo dos anos. Apesar de muita coisa ter mudado, um terreno sempre ficou abandonado e o fizeram de depósito de lixo. Após a praga invadir a cidade e a caça aos ratos começar, tacaram fogo ao lixo e então proibiram que se deixasse terreno baldio. Como a construção de casas havia ficado mais cara por conta da libertação dos escravos, quem não tivesse dinheiro para construir que vendesse suas terras. E foi então que um especulador português construiu uma casinha ali no terreno para vender. Quem comprou a casa foi Cícero Amaro e sua esposa, Zefa.

Cícero era um garimpeiro de Jacobina que não fazia nada e de vez em quando gostava de tomar uma pinga. Sua mulher, porém, era uma negra dura que trabalhava muito e, sabendo do marido que tinha, tratava de economizar um dinheiro para construir uma quitanda. Apesar de gritar com o marido dizendo que um dia o abandonaria por ser tão preguiçoso, no fundo ela acreditava nas desculpas dele de que vida de garimpeiro era assim e sabia que um dia chegaria a hora em que ele apareceria com um diamante.

Até que um dia, em uma das raras garimpadas dele, Cícero topou com uma pedra do tamanho de uma azeitona. Falou-se disso o dia inteiro em Jacobina e todos perguntavam o que ele iria fazer com tanto dinheiro que conseguiria com a venda da pedra. Depois de muita discussão, fechou negócio com Salviano e, com o dinheiro no bolso, fez o que todo homem faria e entrou no primeiro botequim e já começou a gastar. No caminho de volta, nem pensou duas vezes e já comprou roupas novas para ele e para a mulher. Ao chegar em casa, Zefa fez um café bem forte para Cícero e só depois que a bebedeira passou ela falou de comprar uma quitanda em Salvador.

Foram os dois de trem para a Capital e em coisa de dez dias compraram a casa já mobiliada, pois não eram mais gente para ficar em casa de aluguel. A quitanda, que era mais um pequeno armazém do que uma quitanda, ficava logo ali na própria Ladeira da Palma, perto da casa. Tudo foi pago à vista e posto no nome de Zefa.

Enquanto Zefa cuidava da quitanda e de sua vida, Cícero passava as tardes a queimar seu dinheiro. Já era popular nos botecos e no fim da tarde pagava bebida para todos. Até que um dia a consciência apertou e ele resolveu ver quanto de dinheiro que havia sobrado. Cícero só tinha cerca da metade do dinheiro que conseguiu com a venda do diamante.

No dia seguinte, todo bem vestido saiu para andar e foi para a Rua Chile sonhando com as belas moças da Bahia. Entrou em uma das casas atraído pelo som da valsa tocada no piano desafinado e mal sentou na mesa e pediu uma bebida, veio uma bela moça de nome Flor se juntar a ele. E de riso em riso, palavra em palavra, Cícero acabou se apaixonando por Flor. Ele se perguntava como poderia ter ficado tanto tempo com a negra Zefa. Porém, essa paixão não durou nem sete dias. No primeiro ela exigiu uma pulseira de ouro, no segundo nada pediu, no terceiro foi um par de brincos e dinheiro. No quarto, sem nem que Flor pedisse, ela ganhou três belos vestidos de seda. No quinto ela pediu um anel. No sexto, como já tinha o que queria, pediu mais dinheiro e assim ela descobriu que Cícero já quase não tinha mais dinheiro algum. Então ela o mandou embora.

Chegando em casa foi recebido por Zefa de cara amarrada. Ela já iria mais tolerar as mentiras e a folga dele, e muito menos que ele comesse todo o lucro da quitanda. Cheia de tanta mentira e malandragem, Zefa o mandou embora.

Assim, Cícero deixou a mulher falando sozinha e foi-se embora com a roupa já toda suja e gasta. Foi andando pela rua pensando na ingratidão de Zefa e no desprezo de Flor, pensava que todos iriam pagar por tremenda maldade. E aí pensou em como conseguir dinheiro. Não muito, apenas o suficiente para voltar a Jacobina e voltar à vida de garimpeiro.

Lista de personagens
1a. Narrativa: “A moça dos pãezinhos de queijo”
Joana: viúva que herdou a casa dos pãezinhos de queijo do marido.
Roberto Militão: marido de Joana e pai de Célia.
Célia: moça de 18 anos, muito alegre e bela. Vende os pãezinhos de queijo que a mãe faz.
Gustavo: jovem mudo, mas de audição boa. Gosta de ouvir o mar, os ventos e o canto dos pássaros.
Márcia: irmã mais velha de Gustavo, estudante de engenharia. Nunca perdeu a fé de que seu irmão um dia recuperaria a voz.

2a Narrativa: “O Largo de branco”
Eliane: mulher de origem muito humilde, casa-se com Odilon, mas depois o deixa para viver com Geraldo.
Geraldo: homem que abandona Eliane.
Odilon: médico, sempre muito atencioso, calmo e com boa vontade. É o primeiro marido de Eliane.
Joana: nome da mãe e da irmã mais nova de Eliane.

3a Narrativa: “Um avô muito velho”
Loio: personagem principal, tem dois amores em sua vida: a sanfona e a neta Pintinha.
Pintinha: filha de Chico e Maria, é uma moça doce, bela e amável. Tem um grande amor por seu avô, Loio, com quem sempre esteve junto.
Chico Timóteo: homem muito bom e honesto, marido de Maria.
Maria Eponina: filha de Loio e Verinha.
Aparecida: mulher que trabalhava como tocadora de sanfona nas ruas, vidente e prostituta. Foi o amor de Loio na juventude.
Verinha: esposa de Loio, era a bondade em pessoa.

4a Narrativa: “Um corpo sem nome”
As personagens não têm nome.
“Eu”: narrador em primeira pessoa.

5a Narrativa: “Os enforcados”
Ceguinho da Palma: homem cego que vive no Largo da Palma pedindo esmolas. Dizem que ele ficou cego por ter falado mal da Santa da Palma.
João-o-Manco: vigia que trabalha na região.
Valentim: filho de escrava liberta e pai desconhecido, conseguiu juntar dinheiro e comprar diversos bens, inclusive montar uma bodega.

6a Narrativa: “A pedra”
Cícero Amaro: garimpeiro de Jacobina, é preguiçoso e gosta de frequentar bordéis e beber pinga às vezes.
Zefa: negra esposa de Cícero, é muito trabalhadora e sonha em montar uma quitanda.
Flor: prostituta muito bela que tem um caso amoroso baseado em interesses com Cícero.

Sobre Adonias Filho
Adonias Aguiar Filho nasceu em Itajuípe, Bahia, em 27 de novembro de 1915. Após concluir seus estudos secundários em Salvador, Adonias Filho mudou-se em 1936 para o Rio de Janeiro, ainda capital do Brasil na época. Lá retomou suma carreira jornalística iniciada em Salvador, colaborando para jornais tais como o Correio da Manhã. Alcançando grande notoriedade como jornalista, ocupou o cargo de vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (1966) e de presidente da mesma associação em 1972. Além disso, foi presidente do Conselho Nacional de Cultura de 1977 a 1990.

Iniciou sua carreira literária em 1946 com a publicação de "Os servos da morte". Tendo nascido na zona do cacau no sul da Bahia, Adonias Filho, assim como Jorge de Amado, tirou desse ambiente o material para sua obra. Pertencendo ao grupo de escritores da terceira fase do Modernismo, voltou-se para a literatura regionalista de forma a ampliar seu sentido para o universal. Foi eleito em 14 de janeiro de 1965 para a Cadeira n. 21 da Academia Brasileira de Letras.

Adonias Filho faleceu em sua fazenda no distrito de Inema, em Ilhéus, em 2 de agosto de 1990.

Suas principais obras são: "Servos da morte" (1946), "Memórias de Lázaro" (1952), "Corpo vivo" (1962), "O forte" (1965), "A nação grapiúna" (1965), "Léguas da promissão" (1968), "Luanda Beira Bahia" (1971), "Sul da Bahia chão de cacau" (1976) e "A noite sem madrugada" (1983).

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