por Tiago Cordeiro
O modelo de distribuição de energia no Brasil é baseado em grandes hidrelétricas conectadas entre si por linhas de distribuição. Como todo modelo, tem vantagens e desvantagens. A grande desvantagem foi vista na terça-feira, 10 de novembro, quando o país foi atingido pelo apagão que afetou mais estados em toda a História. A relativa facilidade com que podem acontecer cortes na transmissão em efeito cascata pôde ser vista em 1999 e 2002, quando Itaipu parou totalmente pela última vez.
Pelo sistema de transmissão de eletricidade brasileiro, a energia que sai de Itaipu, por exemplo, chega ao Sudeste, de onde é retransmitida para o Nordeste. O Rio de Janeiro tem potencial para produzir 110% da energia de que precisa, mas, enquanto boa parte disso vai para São Paulo, os fluminenses são dependentes de Itaipu. Outro problema das grandes usinas é que o sistema de distribuição não é adequado para regiões de baixa demanda. Resultado: a usina de Tucuruí, no Pará, não fornece energia para o próprio Pará, mas para a região Nordeste.
Outro problema, no caso do Brasil, é que, se as subestações já estão informatizadas, as linhas de transmissão ainda operam de forma analógica. Como não é inteligente, ela obedece a comandos básicos. Ao menor sinal de intereferência ou sobrecargas, elas são simplesmente desligadas e precisam ser ressincronizadas - e é a demora na ressincronização que explica por que o apagão demorou tanto para acabar.
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O GUIA DO ESTUDANTE listou três ações que poderiam ser implementadas para evitar um novo apagão:
1) TRANSMISSÃO INTELIGENTE
Mais sério do que o problema da rede interligada é a falta de inteligência dela. Se a nossa telefonia fosse tão antiga e imóvel como a rede elétrica, ainda estaríamos pedindo para a telefonista fazer interurbanos. Os europeus e os americanos estão investindo em sistemas inteligentes, que não só avaliam os riscos e redistribuem a transmissão de energia antes de serem totalmente desconectados como também permitem que, por exemplo, uma pessoa que tomar banho depois das 22h (fora do horário de pico) pague menos pela energia que usa. O Brasil investe em energia, mas seguindo o modelo dos anos 50, sem se atualizar tecnologicamente.
2) A solução mais clara para os especialistas é DIVERSIFICAR AS MATRIZES ENERGÉTICAS. O sistema integrado funciona bem num país do tamanho e com a quantidade de rios do Brasil, mas pequenos sistemas secundários (eólicos, solares etc.) minimizariam a dependência das grandes hidrelétricas. Nos Estados Unidos, um prédio que investe em energia solar pode revender o excesso de energia para os prédios vizinhos e com isso reduzir seu gasto com energia.
3) Para completar, existe uma forma de melhorar o modelo de venda de energia: nós no Brasil compramos direto das distribuidoras, que têm monopólio nos estados. Nos EUA e em alguns países da Europa, o consumidor compra de empresas revendedoras, que por sua vez compram das distribuidoras. EXISTE CONCORRÊNCIA E O PREÇO CAI.
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