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Entenda por que o apagão aconteceu, a questão energética no Brasil e as diferenças entre os blecautes de 1999 e 2009

por Paulo Gama

As causas do apagão ocorrido no dia 10 de novembro são questão de debate. De acordo com o governo, a interrupção na transmissão de energia de Itaipu ocorreu devido ao mau tempo na região de Itaberá (SP). Tempestades, chuvas e ventos teriam desligado três torres de transmissão na região. Já os especialistas são unânimes em dizer que raios não são fortes o suficiente para parar uma torre e que o problema deve ter partido de dentro da hidrelétrica.

Mesmo sem ter suas causas completamente esclarecidas, em um ponto os especialistas concordam: o país não enfrenta uma crise de geração de energia, como à época do racionamento de 2001, quando o índice de chuvas foi abaixo da média e o país não trabalhava com margens suficientes para aguentar estiagens como aquela. Resultado: os brasileiros precisaram reduzir seu consumo de eletricidade em 20% até o início do ano seguinte, trazendo prejuízos à economia do país.

O blecaute deste ano tem características muito diferentes das do apagão de 1999 e do racionamento de energia vivido no período. Uma das questões é o território brasileiro atingido: há dez anos, o apagão atingiu menos estados, mas deixou 70% do território nacional às escuras, enquanto o blecaute recente apagou 30% do Brasil.

Cerca de 76 milhões de pessoas foram afetadas pela escuridão em 1999 contra os 60 milhões de brasileiros que ficaram sem energia em 2009. Apesar de apresentar um panorama pior, o primeiro apagão durou menos tempo: foram 5 horas e 23 minutos às escuras, contra 7 horas sem luz vividas no dia 10 de novembro. Os problemas tiveram proporções bastante diferentes, mas para ambos as causas oficiais foram as mesmas: questões meteorológicas.

Hoje, as usinas hidrelétricas são responsáveis por mais de 70% da energia gerada no Brasil – o que não é padrão no cenário mundial. Cerca de 65% da energia elétrica do mundo todo é gerada pela queima de combustíveis fósseis (carvão, gás e petróleo) em usinas termelétricas, o que relaciona a questão energética, diretamente, às questões ambientais.

Às vésperas de um novo acordo climático – que pode ser formalizado em Copenhague no início do próximo mês – discussões a respeito da substituição da energia com origem em combustíveis fósseis por fontes renováveis ganham força. Hoje apenas 5% da energia elétrica brasileira tem origem em usinas eólicas ou é obtida a partir de biomassa, por exemplo. Na contracorrente, aparecem os países que apostam na energia nuclear, como a França, onde 80% da energia consumida vêm de usinas nucleares.

- Leia mais no Dossiê Itaipu e o Apagão



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