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Literatura

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Leia trecho do romance "Esaú e Jacó"

“– Mas o que é que há? perguntou Aires.
– A República está proclamada.
– Já há governo?
– Penso que já; mas diga-me: Vossa
Excelência ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro. Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. – ‘Confeitaria do Império’, a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? Vossa Excelência crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?
– Isso não sei.
– Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo...
– Mas pode pôr ‘Confeitaria da República’...
– Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dous meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro.
(...) Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses
–‘Confeitaria do Governo’.
– Tanto serve para um regímen como para outro.
– Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida... Há, porém, uma razão contra. Vossa Excelência sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem-me a tabuleta; entretanto, o que eu procuro é o respeito de todos.” 

Do romance Esaú e Jacó

 



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