Literatura

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"Romanceiro da Inconfidência" - Trecho comentado

Romance LXXIII ou Da Inconformada Marília 

Pungia a Marília, a bela,
negro sonho atormentado:
voava seu corpo longe,
longe por alheio prado.
Procurava o amor perdido,
a antiga fala do amado.
Mas o oráculo dos sonhos
dizia a seu corpo alado:
“Ah, volta, volta, Marília,
tira-te desse cuidado,
que teu pastor não se lembra
de nenhum tempo passado...”
E ela, dormindo, gemia:
“Só se estivesse alienado!”

Entre lágrimas se erguia
seu claro rosto acordado.
Volvia os olhos em roda,
e logo, de cada lado,
piedosas vozes discretas
davam-lhe o mesmo recado:
“Não chores tanto, Marília,
por esse amor acabado:
que esperavas que fizesse
o teu pastor desgraçado,
tão distante, tão sozinho,
em tão lamentoso estado?”
A bela, porém, gemia:
“Só se estivesse alienado!”
(...)


Comentário
Evocando Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, Cecília Meireles mantém diálogo com a poesia árcade de um dos participantes da Inconfidência, estabelecendo relações em que se cruzam a literatura e a história.



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