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5 curiosidades sobre o monge Gregor Mendel, cientista pai da genética

Gregor Johann Mendel nasceu em 22 de julho de 1822, em Heinzendorf, na Áustria (cidade atualmente localizada na República Checa). É conhecido como o “pai da genética”, depois de seus trabalhos na área de biologia com o cruzamento de diferentes plantas, sendo a ervilha-de-cheiro a mais conhecida pelos estudantes. Ele lançou as bases para o conhecimento em genética que temos hoje. No entanto, o reconhecimento da importância de suas descobertas só veio em 1900, 35 anos depois da publicação de suas pesquisas e seis anos depois de sua morte. Uma pena, né?

Retrato de Gregor Mendel, publicado em 1932 (Imagem: Wikimedia Commons)

Retrato de Gregor Mendel, publicado em 1932 (Imagem: Wikimedia Commons)

Veja abaixo 5 curiosidades sobre a vida do cientista:

1. Mendel teve uma infância pobre. Nasceu em uma família de uma cidadezinha rural e teve suas habilidades intelectuais descobertas por um padre, que convenceu os pais do menino a mandá-lo para a escola, com 11 anos. Depois de completar o ensino básico, Mendel foi estudar filosofia na Universidade de Olmütz, na República Checa, onde ele se apaixonou pelas áreas de física e matemática. O problema é que sua família não conseguia sustentá-lo fora de casa. Começou então a trabalhar para se sustentar, dando tutorias para outros estudantes, mas a dureza da vida fez com que ele sofresse duas crises difíceis de depressão. Mendel resolveu voltar para casa para se recuperar. Como era filho único, estava sendo pressionado para cuidar da pequena propriedade rural da família. Entre a cruz e a espada, ele literalmente escolheu a cruz e decidiu virar monge aos 21 anos na Ordem de Santo Agostinho, onde recebeu o nome de Gregor (ele nasceu apenas Johann Mendel).

2. Ele se aproximou da biologia depois de falhar em um exame para ser professor. Como religioso, Mendel precisava cumprir seus deveres em sua paróquia, como visitar doentes e pessoas à beira da morte. O estresse piorou a sua saúde e ele voltou a ter crises de depressão. O abade do monastério no qual Mendel servia encontrou para ele um trabalho como professor substituto, cargo que o monge se deu muito bem. No entanto, em 1850, Mendel foi reprovado em um exame, que tinha se tornado obrigatório para certificá-lo como professor. Por causa dessa mudança de rumo, Mendel aproveitou uma bolsa de dois anos para estudar na Universidade de Viena um novo programa de ciência. Dedicou o seu tempo aos estudos de matemática e física e foi lá que tomou contato com os estudos de anatomia e fisiologia de plantas e o uso do microscópio sob a orientação do botânico Franz Unger, um grande entusiasta no estudo da teoria celular e adepto de uma visão pré-Darwiniana de evolução.

3. As leis criadas por Mendel provavelmente não teriam sido descobertas por nenhum outro botânico anterior a ele, já que antes de Mendel os cientistas não criavam populações estatisticamente significantes, nem pesquisavam características individuais de forma separada para estabelecer relações estatísticas. Essa abordagem de Mendel em seus experimentos veio de sua vivência com a física e a matemática, em especial a análise combinatória, que possibilitou que ele representasse o resultado de suas descobertas. Usando “A” para mostrar características dominantes e “a” para as recessivas, a proporção 1:2:1 lembra os termos na expansão da equação do quadrado da soma de dois termos: (A + a)² = A² + 2Aa + a².

4. Hoje o conceito de genes recessivos e dominantes é uma das bases da genética mas, em sua época, Mendel foi ignorado, apesar de suas inúmeras tentativas de mostrar o seu trabalho. Ele escreveu até para Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies, e recebeu a resposta de que o naturalista inglês estava “ocupado para examinar suas idéias.” O monge publicou o artigo em 1865. Ninguém deu atenção, até 1900, quando numa coincidência notável, três cientistas que nem sequer se conheciam — o alemão Carl Correns (1864-1933), o austríaco Erich Tschermak (1871-1962) e o holandês Hugo de Vries (1848-1935) — obtiveram resultados similares e só então se deram conta da importância do trabalho de Mendel. Em 1909, o americano Thomas Morgan (1866-1945), com base no trabalho de Mendel, descobriu os cromossomos e mostrou que os genes, enfileirados dentro deles, são os responsáveis pelos traços hereditários.

5. Mendel não se interessou só por plantas. No tempo livre, ele curtia estudar o clima, astronomia e as teorias da evolução. Ao longo da sua vida foi membro, diretor e fundador de muitas sociedades locais: foi o fundador da Associação Meteorológica Austríaca, membro da Real e Imperial Sociedade da Morávia e Silésia para melhor agricultura, entre outras. O seu interesse por apicultura fez com ele desenvolvesse alguns experimentos de cruzamentos de abelhas – que não deram muito certo, porque as abelhas criadas eram incrivelmente violentas.

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