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Barroco – resumo, dicas e questão comentada

No Brasil, o movimento tem como marco inicial a publicação do poema épico Prosopopéia, publicado em 1601 por Bento Teixeira – poeta português radicado em Pernambuco. Forte jogo de oposições e conflitos de natureza espiritual caracterizam o Barroco.

Gregório de Matos Guerra (1636-1695) é o principal autor do Barroco brasileiro. Considerado o primeiro grande lírico nacional, sua poesia é dividida em lírica, sacra e satírica.

Na lírica, Gregório apresenta a figura feminina numa oscilação entre o angelical e a tentação carnal. Na satírica, elege como alvo os políticos, os religiosos e as mulheres – por isso recebeu a alcunha de “Boca do Inferno”. Na sacra, o poeta tenta redimir-se de todos seus pecados e retrata a fragilidade humana diante da morte e da condenação eterna.

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Embora os autores do Barroco brasileiro tenham inovado pouco em comparação aos europeus, eles conferiram à produção um gosto nativista e pitoresco. Essa vertente desemboca no nacionalismo romântico e tem sido explorada com freqüência pelos vestibulares.

Vale atentar para a clara presunção de superioridade e o constrangedor preconceito de Gregório de Matos contra a mestiçagem. O tema pode aparecer em questões que relacionem o pensamento colonial a textos da época.

A obra de Matos pode ser lembrada não só em literatura, mas também em gramática. Seus jogos de opostos utilizam processos metafóricos que se aproximam tanto do cultismo quanto do conceptismo.

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1. (Fatec – SP) No colégio dos padres, Gregório de Matos escreveu:
“Quando desembarcaste da fragata, meu dom Braço de Prata, cuidei, que a esta cidade tonta, e fátua*, mandava a Inquisição alguma estátua, vendo tão espremida salvajola* visão de palha sobre um mariola*”.
Sorriu, e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco.
Gonçalo leu-o, gracejou, entregou-o ao vereador.
O papel passou de mão em mão.
“A difamação é o teu deus”, disseram, sorrindo.

(Ana Miranda, Boca do Inferno)

(*fátua: tola;*salvajola: variante de “selvagem”; *mariola: velhaco)

O trecho ilustra:

a) a poesia erótica de Gregório de Matos, inspirada na vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu origem à alcunha do poeta, “Boca do Inferno”.
b) a poesia lírica de Gregório de Matos, voltada para a temática filosófica, em linguagem marcada pelos recursos da estética barroca.
c) a poesia satírica de Gregório de Matos, dedicada à descrição fiel da sociedade da época, utilizando recursos expressivos característicos do barroco português.
d) a poesia erótica de Gregório de Matos, caracterizada pela crítica aos comportamentos e às autoridades baianas da época colonial.
e) a poesia satírica de Gregório de Matos, que representa, no conjunto de sua obra, uma fuga aos moldes barrocos e ataca, no linguajar baiano da época, costumes e personalidades.

GABARITO
1. Resposta correta: E
Comentário:
A produção satírica de Gregório, além da alcunha de “Boca do Inferno”, valeu-lhe o degredo por estar em desacordo com o ideário Barroco.

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