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Revolução Francesa: Cinema e literatura mostram diferentes visões

Livro de Charles Dickens e filme com Gérard Depardieu mostram perspectivas diferentes do evento


“A Tomada da Bastilha”, pintura de Jean-Pierre Louis Laurent Houel (1735-1813)

Ascensão do Iluminismo e decadência do Absolutismo marcaram a história ocidental do século 18. Os novos ideiais, difundidos na Europa e da América do Norte, alimentaram a eclosão das chamadas revoluções burguesas: a Industrial (1760), a Americana (1776) e a Francesa (1789).

Assunto recorrente dos vestibulares, a Revolução Francesa não pode passar batida pelos leitores do GUIA. Por isso, selecionamos três obras sobre o período: o livro Um Conto de Duas Cidades, clássico de Charles Dickens (1812 – 1870) e os filmes A Queda da Bastilha (baseado na obra de Dickens e indicado ao Oscar de melhor filme em 1937) e Danton – O processo da revolução (importante referência sobre a situação política e social em Paris, durante a Revolução).

LIVRO: UM CONTO DE DUAS CIDADES (Tale of Two Cities, 580 páginas)
Publicado por Dickens em 1859, destaca a condição dos desfavorecidos em contraponto à nobreza europeia. O autor narra desde a fase em que os camponeses começavam a se organizar para derrotar os aristocratas até a turbulenta tomada da Bastilha e os tempos da guilhotina.

Repleto de paralelos entre as sociedades francesa e londrina da época da Revolução, o livro tem seus personagens transitando entre Inglaterra e França. Os personagens principais são: Charles Darnay (aristocrata francês de ideais democratas mas que acaba vítima da Revolução por sua origem familiar), Sydney Carton (virtuoso advogado britânico que se sacrifica em nome da ética, da justiça e de seu amor por Lucie Manette, esposa de Darnay) e a própria Lucie (filha de um ex-prisioneiro da Bastilha libertado pelos camponeses).

FILME: A QUEDA DA BASTILHA (EUA, 1935)
Adaptação do romance Um Conto de Duas Cidades, o filme acompanha a trama de Dickens desde o primeiro envolvimento de Sydney Carton com a vida de Charles Darnay e de Lucie Manette até o decisivo tribunal a que se submete Carton.

Lucie Manette se muda com seu pai para Londres após resgatá-lo de uma prisão de 18 anos na Bastilha. Enquanto isso, na França, o aristocrata francês Charles Darnay é acusado pela Revolução de ser espião do Antigo Regime e é defendido pelo advogado Sydney Carton. A produção foi indicada ao Oscar de melhor filme em 1935.

FILME: DANTON – O processo da revolução (França/Polônia, 1982)
Danton (Gérard Depardieu), um dos líderes da Revolução, retorna a Paris em 1794 e constata os desmandos do comitê de segurança revolucionário. Decidido a enfrentar o governo para restabelecer os princípios originais da Revolução, entra em conflito com seu antigo aliado, Robespierre.

Dirigido pelo polonês Andrzej Wajda, o filme retrata o período conhecido como “Terror” (entre 1794 e 1795), em que as pessoas acusadas de contrarrevolucionárias eram enviadas à guilhotina sumariamente.