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Fuvest 2010: Iracema sintetiza elementos do romantismo convencional

Livro de José de Alencar narra lenda da formação do povo brasileiro a partir da mistura entre a cultura europeia e o amor indígena pela terra

Iracema, obra de José de Alencar publicada em 1865, é tipicamente romântica, classifica Fernando Marcílio Lopes Couto, professor de literatura do Sistema Anglo de Ensino. “Foi escrito para representar a origem da raça brasileira”, diz.

Ao contrário de Memórias de um Sargento de Milícias (1854) que tem um anti-herói, vagabundo e largado, Iracema possui um típico herói romântico: o europeu Martim, que mistura sentimentos e valores nobres, como amor e honra. Além disso, a heroína é a índia Iracema, “que coloca o amor acima de todas as coisas”, afirma Couto.

O filho dos protagonistas, Moacir, representa a raça brasileira, analisa o professor. Ele explica que Iracema é um romance alegórico, cheio de simbologias. Martim, o branco, significa a cultura. Iracema, a índia, significa o amor pela terra. “Essa mistura dá a raça brasileira”, interpreta Lopes Couto.

Outra união presente no texto de Alencar é a da prosa com a poesia. “Ele conseguiu agregar ao seu estilo elementos próprios da poesia. É a ‘prosa poética’, caracterizada por elementos mais próximos do poema, como ritmo e criação de imagens sugestivas, com metáforas. Alencar cria uma atmosfera mítica, desligada da realidade e próxima da mitologia”, descreve o professor.