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PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918)

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918)

Causas
O século XIX foi marcado por inúmeras rivalidades entre as potências européias. Em pleno processo de industrialização, países como a França, a Inglaterra e a Bélgica necessitavam de regiões onde pudessem investir seus capitais excedentes e, por isso, disputavam pela posse de colônias em territórios africanos e asiáticos (Imperialismo).
A Confederação Germânica e os Estados Italianos, depois de uma série de conflitos (principalmente contra a França), conseguiram concluir seus processos de unificação, e logo esses novos países, Alemanha e Itália, partiram para a conquista imperialista, ameaçando o domínio inglês e francês.
Ao mesmo tempo, o Império Russo buscava expansão territorial e comercial e por isso rivalizava com dois grandes impérios da época, ambos aliados dos alemães: o Império Turco e o Império Austro-Húngaro.

Esta situação acirrou as disputas nacionalistas, o que levou a uma corrida armamentista (a chamada “Paz Armada”) e a formação de 2 blocos de países inimigos, que prometiam se ajudar em caso de uma guerra (Política de Alianças):


Tríplice Entente

• França
• Inglaterra
• Império Russo

Tríplice Aliança
• Império Alemão
• Império Turco
• Império Austro-Húngaro

 

Estopim da guerra: a questão balcânica
No inicio do século XX, a península Balcânica estava dividida entre o Império Turco e o Império Austro-Húngaro. Porém com a decadência do Império Turco, surgiram países independentes.
O Império Russo logo se aliou a esses novos países e, dentre eles, estava a Sérvia, que tinha projetos expansionistas. Em nome do nacionalismo eslavo, os sérvios pretendiam anexar a Bósnia-Herzegovina, uma região que pertencia ao Império Austro-Húngaro.
Em junho de 1914, num cenário de agitações políticas, o arquiduque austríaco, Francisco Ferdinando, foi assassinado em Sarajevo (capital da Bósnia), por um grupo terrorista nacionalista sérvio.
Por esse episódio, a Áustria declarou guerra à Sérvia. Os russos declararam seu apoio aos sérvios e começaram a deslocar suas tropas. O Império Alemão, que desejava uma grande guerra a fim enfraquecer as potências industriais aliadas dos russos, declarou seu apoio a Áustria.
Assim a Política de Alianças foi posta em ação e se iniciou a Primeira Guerra.

 

Guerra
Depois de algumas semanas sem nenhum combate, os alemães iniciaram seus ataques à Bélgica, e chegaram a ocupar o norte da França (final de 1914).
Devido a igualdade de forças (humanas, tecnológicas e bélicas) as batalhas na frente ocidental se intensificaram, sem que nenhum dos dois lados obtivesse vitórias significativas (Guerra de Trincheira). Enquanto isso, na frente oriental a Tríplice Aliança marchava em direção à Rússia, aniquilando seus inimigos.
Os europeus imaginaram que a guerra duraria pouco tempo e investiram tudo que puderam para obter a vitória rapidamente. Entretanto, a guerra se prolongava, castigando não só os soldados, mas também as populações civis, que necessitavam produzir mais e cortar gastos, vivendo em estado de penúria (Guerra Total).
Em 1917, motins e greves estouraram por várias regiões da Europa. A situação foi particularmente difícil na Rússia, que acabou por sair da guerra (ver Revolução Russa).
Também em 1917, os EUA entraram na guerra do lado da Tríplice Entente, piorando a situação dos alemães.
Apesar do Império Alemão ainda não ter sofrido uma derrota significativa, seus recursos estavam se esgotando. Em novembro de 1918, um golpe militar proclamou a República Alemã (República de Weimar), e o novo governo assinou um armistício, pondo fim aos combates.

 

Tratados de Paz
O presidente dos EUA propôs um acordo conhecido como “Os 14 Pontos de Wilson”, que pretendia a “paz sem vencidos, nem vencedores”, o que não foi aceito pela França.

Tratado de Versalhes
A Alemanha foi culpada pela guerra e sofreu duras punições: teve que pagar uma pesada indenização, perdeu 1/7 de seu território, perdeu suas colônias, seu exército foi reduzido a 100 mil homens e foi proibida a fabricação e utilização de armamento pesado por suas tropas.

Tratado de Saint-Germand
O Império Austro – Húngaro foi desmembrado em Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia e Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (futura Iugoslávia).

 

Consequências da guerra
– Guerra total e mundial
– 12 milhões de mortos e 20 milhões de mutilados
– Fortalecimento dos nacionalismos na Europa
– Crise econômica (uma estimativa: a Europa perdeu 8 anos de crescimento e 10 milhões de dólares por hora, em 1918)
– Avanço tecnológico
– Japão: potência oriental
– EUA: centro econômico mundial
– Difusão dos ideais socialistas
– Revolução Russa

(PUC-RJ 2007) “Até aqui, era um fato elementar (…) que a Europa dominava o mundo com toda a superioridade de sua grande e antiga civilização. Sua influência e seu prestígio irradiavam, desde séculos, até as extremidades da terra (…) Quando se pensa nas conseqüências da Grande Guerra (1914 – 1918), que agora finda, pode-se perguntar se a estrela da Europa não perdeu seu brilho, e se o conflito do qual ela tanto padeceu não iniciou para ela uma crise vital que anunciava a decadência.” (Texto adaptado de A. Demangeon. “O declínio da Europa”, pp. 13-14)

Para os que viveram a Primeira Grande Guerra (1914 – 1918), tal conflito veio a representar o fim de uma época. Para alguns, iniciavam-se tempos sombrios e de decadência; para outros, era o alvorecer de mudanças há muito projetadas.
Identifique um acontecimento que expresse a idéia central do texto acima transcrito, explicando-o.

Os países beligerantes sofreram uma profunda crise econômica e financeira nos anos posteriores à Grande Guerra, levando ao desmoronamento de toda influência que tinham sobre o mundo.

 

 

(FGV 2007) O contexto europeu do final do século XIX e início do XX relaciona-se à eclosão da Primeira Guerra Mundial porque:

a) a Primeira Revolução Industrial desencadeou uma disputa, entre os países europeus, por fontes de carvão e ferro e por consumidores dos excedentes europeus.
b) a unificação da Itália rompeu o equilíbrio europeu, pois fez emergir uma nova potência industrial, rival da Grã-Bretanha e do Império Austríaco.
c) o revanchismo alemão, devido à derrota na Guerra Franco-Prussiana, fez a Alemanha desenvolver uma política militarista e expansionista
d) a difusão do socialismo, principalmente nos Bálcãs, acirrou os movimentos emancipacionistas na área, então sob domínio do Império Turco.
e) a corrida imperialista, com o estabelecimento de colônias e áreas de influência na África e na Ásia, aumentou as rivalidades entre os países europeus.

As alternativas erradas contradizem as principais causas da I Guerra, que foram: a Segunda Revolução Industrial, a formação do Império Alemão, a vitória dos alemães na Guerra Franco-Prussiana e o nacionalismo eslavo defendido pelos sérvios com apoio dos russos.
Outro fator fundamental para acirrar as rivalidades européias no pré-guerra foi a disputa por colônias entre as potências européias (“corrida imperialista”).