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Odilon Esteves fala da carreira de ator na Feira GE BH
Texto: Luiza Lages // Foto: Divulgação
O ator Odilon Esteves, que atuou no longa "Batismo de Sangue" (2006), de Helvécio Ratton, e na minissérie da Rede Globo "Queridos Amigos" (2008), compartilhou sua história no teatro e nas telas com os estudantes presentes na Arena neste sábado (08) na Feira GE Belo Horizonte.
"Da minha turma de amigos do ensino médio, eu fui o único que fez artes. Na época, era uma incógnita para mim e para minha família se essa era uma opção arriscada. Com uma certa idade, todos esses meus amigos alcançaram uma estabilidade financeira, menos eu", conta o Odilon. Ele se formou no Curso Técnico de Teatro do Cefar - Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes e, mais tarde, em Artes Cênicas na UFMG.
O ator não mentiu ou tentou disfarçar, e logo falou do teatro como uma carreira instável. "Eu tenho que me desdobrar: faço locução, comerciais, dou aula, e vez ou outra participo de alguma coisa na TV. Esse glamour que existe em torno da profissão de ator não é real, é uma construção comercial", afirma. Para ele, quem trabalha na área deve criar oportunidades: "há muitas possibilidades na nossa carreira a serem inventadas. Quando você ama, você vai buscando".
Ao lado de alguns colegas do Cefar, Odilon fundou há dez anos a Cia. Luna Lunera, que atua em BH e já realizou diversos espetáculos. "Essa é a forma que a gente encontrou de ter alguma autonomia. Podemos produzir e fazer as coisas do nosso jeito", diz. O ator também criou o Núcleo Cênico do Colégio Arnaldo, que ensina teatro para alunos da 8ª série ao 3º colegial. Ele ainda comanda outros projetos em colégios e faculdades, com o objetivo de difundir a literatura e o teatro e incluir a arte no cotidiano dos jovens.
"Eu acho que quando a gente faz uma escolha, é digno ir pelo caminho seguro, optar pela estabilidade financeira. Mas isso não garante a nossa estabilidade emocional. Quando meus amigos vieram conversar comigo naquela época, preocupados com a minha condição financeira, eu fiquei com medo e questionei a minha escolha. Mas hoje eu sei que foi o certo... Eu faço o que eu amo", explica Odilon Esteves. Ele ainda lembra que a formatura não determina a vida profissional de uma pessoa, e que outros caminhos podem ser trilhados depois: "meu projeto de vida é passar por essa travessia de uma forma bonita".


