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“A loucura da paixão de Omar, suas atitudes desmesuradas contra tudo e todos neste mundo não foram menos danosas do que os projetos de Yaqub: o perigo e a sordidez de sua ambição calculada. Meus sentimentos de perda pertencem aos mortos. Halim, minha mãe. Hoje, penso: sou e não sou filho de Yaqub, e talvez ele tenha compartilhado comigo essa dúvida. O que Halim havia desejado com tanto ardor, os dois irmãos realizaram: nenhum teve filhos. Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos.”
Comentário
Esse trecho é uma digressão, ou seja, um comentário de Nael sobre os acontecimentos, que até certo ponto difere do estilo geral do romance, em que o narrador cumpre o papel objetivo de contar as ações dos personagens. Ao sintetizar os principais traços de personalidade dos dois irmãos, tão diferentes entre si, Nael chega à conclusão de que ambos foram perniciosos. De outro lado, o próprio narrador está intimamente ligado a esse universo (“sou e não sou filho de Yaqub”), mas sente que seu vínculo familiar mais forte está na mãe, que o criara e protegera, e no avô, que tivera inúmeras conversas com ele. A citação de Halim, o avô que contara tanto sobre seu passado a Nael, remete também a uma herança narrativa que diz respeito à transmissão de sabedoria por meio de conselhos, típica da tradição oral.
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