logo-ge

Como falar em público mesmo sendo tímido? Especialista dá dicas

Você pode não ser muito fã de falar para uma plateia, mas é bem provável que tenha de passar por isso na faculdade e no trabalho. Veja dicas

Todos os olhares do ambiente têm um alvo: você. A sensação é pânico, terror, aflição. A garganta seca, a respiração acelera e uma incômoda gota de suor pinga da têmpora esquerda avisando que a temperatura corporal já subiu. Há pessoas introvertidas que se sentem assim quando precisam falar em público. Mas Gislene Isquierdo, psicóloga master coach e especialista em destrave emocional, garante que é possível reverter a agonia ao encarar uma plateia.

“Os tímidos podem arrasar falando em público! Lembre-se de que Steve Jobs, um tímido clássico, arrasava em suas apresentações”, diz Gislene. Ela tem dicas para mandar bem apesar do nervosismo. Confira:

“Eu odeio falar em público mas sinto que preciso ter essa competência para crescer na carreira. Como deixar essa tarefa menos penosa?”

“Se você pensar que falar em público é algo penoso, assim será! Se você pensar que é uma oportunidade, assim será”, diz Gislene. Não há como escapar: um pensamento gera um estado emocional e emoções interferem nos comportamentos.

“Assim, se você sentir medo, você provavelmente fugirá da situação de ter que se apresentar diante de um público”, diz. O problema dessa atitude, de acordo com ela, é que, no caso acima, essa competência é importante para garantir a visibilidade necessária ao crescimento na carreira.

O primeiro passo é então mudar a forma de encarar o ato de “ter que falar em público”, sugere a especialista. “O que é mais penoso: ter que falar em público ou ver alguém menos competente do que você crescer e você ficar para trás? ”, pergunta Gislene.

“Socorro! Estou em frente a uma plateia e sinto que vou travar na apresentação. O que é melhor eu fazer nesse momento?”

No instante que sentir que vai travar, mude a sua forma de respirar, indica a coach. “Muito provavelmente você está respirando muito rápido e de forma curta. O ar não está chegando onde ele precisa chegar. Respire corretamente e lentamente, inspire pelo nariz e solte o ar bem devagar pela boca”, diz.

Em seguida, altere a postura corporal. “Nada de ombros caídos, fique com uma postura ereta, como se você fosse a pessoa mais confiante do universo. Olhe para frente e sorria”, sugere.

Sabendo a relação direta entre pensamento, emoção e mentalizar afirmações como, por exemplo, “eu venço os desafios”, “eu sou forte” ou “eu posso” podem melhorar o estado emocional.

Antes da apresentação, a especialista sugere um truque para se soltar: música e movimentos de corpo.

“Fico vermelho e começo a tremer quando tenho que falar em público. É melhor tentar disfarçar? É que isso me deixa ainda mais nervoso quando acontece porque acho que todo mundo está me julgando? Já pensei até em tomar calmante.”

Vermelhidão, tremedeira, gagueira, falta de ar, transpiração e o temido “deu branco” são respostas emocionais e não dá para controlar, segundo Gislene. “São consequências de sentimentos como: ansiedade, nervosismo, insegurança, timidez e medo”, diz.

Para ela qualquer tentativa de mascarar esses sintomas é inútil. Verificar a causa é mais produtivo em longo prazo do que atacar o sintoma com calmante.“Não disfarce, encare suas emoções e desenvolva a sua inteligência emocional”, indica.

“Estou tão nervoso durante a apresentação que internamente acho que estou colocando tudo a perder. Existe um jeito de tentar salvar quando tudo vai mal?”

“Quando uma apresentação vai mal é porque o apresentador está focando ele mesmo e não o público e o resultado que quer alcançar”, diz a coach.

Mude o foco e tente atentar para o que pode criar conexão com as pessoas. Bons apresentadores transmitem emoção e dão exemplos práticos e com os quais o público se identifica.

Por isso, um dos conselhos básicos para apresentações é reunir informações sobre a sua audiência. Investigar a plateia é tão essencial para o sucesso da empreitada quanto dominar o tema que será exposto.

 

Matéria originalmente publicada no site Exame.com