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Assim como as previsões sobre o clima, tentar adivinhar o que vai acontecer com o mercado de trabalho daqui a quatro, cinco anos não é tarefa fácil. Por isso é sempre bom dar uma olhada no que está ocorrendo com quem já pegou o diploma e ingressou no mundo profissional – o que pode ajudar na definição de sua carreira. Atualmente, o cenário é favorável.
Na esteira dos bons resultados da economia registrados em 2007, o mercado de trabalho brasileiro caminha de vento em popa, numa expansão não vista há anos. A criação de vagas para quem fez faculdade tem aumentado desde 2004. Em 2007 foi registrado o maior crescimento. No geral, só nas áreas metropolitanas do Brasil, foram criadas 623 mil vagas ao longo de 2007, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Depois de anos de desemprego, o desempenho tem sido fantástico, tanto em quantidade, como em qualidade”, resume o economista Marcelo Neri, professor e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Os números do crescimento, somados ao que alguns economistas chamam de “apagão” de mão-de-obra, ou seja, falta de gente graduada por causa de anos de pouco investimento em formação especializada, são traduzidos, em alguns casos, na disputa por profissionais qualificados e na contratação de jovens antes mesmo da formatura. Veja a seguir quais os setores mais aquecidos.
CONSTRUÇÃO CIVIL
Uma das estrelas do mercado atualmente é o segmento da construção civil que, entre as profissões de nível superior, inclui as carreiras de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo e Tecnologia em Construção Civil. Em fevereiro de 2008, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, observou alta de 400% no número de vagas desse ramo de
atividade em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento inclui desde engenheiros e tecnólogos, que precisam de diploma de nível superior, até pedreiros e pintores. “Essa é uma das áreas que respondem mais rapidamente à aceleração da atividade econômica”, diz Carlos Henrique Corseuil, pesquisador do Ipea. “A construção civil se beneficiou de algumas ações do governo, como a desoneração de tributos sobre materiais, a redução das taxas de juros e o aumento do prazo dos financiamentos imobiliários para até 30 anos. Com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), plano de investimentos do governo federal em projetos de infra-estrutura, a tendência é que os ventos
continuem favoráveis no setor.
Não é de se espantar, portanto, que os engenheiros tenham sido os profissionais mais requisitados em 2007, de acordo com pesquisa da Manager Assessoria em Recursos Humanos, de São Paulo. A
tendência ainda se mantém no início de 2008. Em fevereiro, os engenheiros de todas as áreas foram responsáveis por 34,96% das requisições de emprego da agência, seguidos pelos administradores de empresa (20,86%) e os formados em Ciências Contábeis (11,14%). Não apenas da construção civil, porém, vem a demanda pelos engenheiros, que também costumam ser absorvidos por bancos, empresas e até pelo mercado financeiro.
Com a falta de mão-de-obra, as empresas e construtoras estão se antecipando e procurando os estudantes diretamente nas faculdades. Da turma de Engenharia Civil que se formou em 2007 na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, por exemplo, todos saíram com emprego, de
acordo com o coordenador do curso, João Virgílio Merighi. “Nossos alunos sempre tiveram boa aceitação no mercado, mas a novidade agora é a quantidade de empresas à procura de estagiários, todos os dias, já a partir do primeiro ano de faculdade.” Para um estágio de meio período, o salário oferecido gira em torno de 600 reais. Para um recém-formado, fala-se em 3,5 mil reais. “Há dois anos, 2 mil reais para o recém-formado já era considerado um bom salário”, afirma Merighi.
Diego Tannous Cordenonssi, de 24 anos, está no quinto ano de Engenharia Civil do Mackenzie. Segundo ele, da sua turma só não está empregado quem não quer. O jovem trabalha há quatro anos em um pequeno escritório de arquitetura e construção de casas de alto padrão. Só no fim do ano passado ele recebeu três ofertas de emprego. “Quem quer estagiário não acha, e até o material de construção está em falta”, diz, sobre o aquecimento do setor. Ele comemora a boa fase e afirma que o emprego o ajudou a ter certeza de que estava no caminho certo. “Tomei gosto pelo curso depois que comecei a trabalhar.”