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Como é cursar Engenharia no exterior

Para o intercâmbio, é preciso verificar o perfil da universidade e se sua abordagem é mais generalista ou específica

Um dos primeiros passos na hora de planejar um intercâmbio – não só para o curso de engenharia no exterior – é entender qual o perfil da universidade de destino. Esses traços essenciais da instituição de ensino incluem de tudo: o número de estudantes que a universidade comporta, os anos de tradição, há quanto tempo existe o curso de interesse, o currículo dos professores, o país onde ela se localiza. É como traçar o DNA da instituição e checar se combina com o seu.

Quando o assunto é engenharia, entretanto, não basta chegar até as perguntas mais básicas. De forma geral, a experiência em uma universidade estrangeira pode ser moldada também pela abordagem generalista ou mais específica. Ainda que em alguns casos seja possível escolher matérias optativas, nem sempre o currículo ultrapassa a engenharia escolhida na candidatura inicial. Se o aluno cursa Engenharia Civil, por exemplo, suas atividades estarão restritas a disciplinas relacionadas – ou, muito raramente, chegarão à programação de um robô ou outra atividade “fora da curva”.

Este é o caso, na maioria das vezes, em universidades brasileiras e também das portuguesas. Como o tronco de formação dos alunos é bastante rígido, as disciplinas giram em torno dos temas essenciais da carreira. Mesmo que haja possibilidade de optativas, com carga horária limitada previamente, o currículo português prioriza a grade mais especializada. Como o estudante paulista João Mois destaca, outro fator essencial em nomes tradicionais como a Universidade de Coimbra se refere ao formato do curso, que soma uma graduação em três anos ao chamado mestrado integrado. “A grade em si já é bastante apertada. Como o curso tem o mestrado integrado, fica mais enxugado do que no Brasil, para que a gente consiga o título de mestre em 5 anos”, conta ele, que cursa Engenharia Civil na UC.

Já a tradição mais generalista encontra espaço em diferentes países, entre os destinos mais procurados pelos estudantes brasileiros. Faz parte dessa abordagem, por exemplo, garantir que os alunos tenham fácil acesso às matérias “menores”, que diferem do caminho tradicional na formação principal selecionada. “Majors” e “minors”, nomes corriqueiros nas universidades americanas, indicam o quão variada pode ser a trajetória de um engenheiro – ou de qualquer um que deseje diversificar o currículo acadêmico. Nessas horas, o objetivo é que também se possa conciliar paixões e interesses profissionais em uma mesma instituição.

Outro caminho dentro da abordagem generalista vem com o caráter obrigatório de um currículo diversificado. Em outras palavras, que um mesmo aluno hipotético de Engenharia Elétrica tenha conhecimentos consideráveis da Engenharia da Computação, ou da Civil – e seja avaliado por isso. Os programas franceses, por exemplo, zelam por uma abordagem mais ampla desde o início da formação. Em uma típica école francesa, que concentra carreiras em engenharia, entram no plano de aulas temáticas que vão da Civil à Mecânica. Por trás disso, está a preocupação em lançar ao mercado um profissional completo. Além das disciplinas de ramos da Engenharia variados, a formação dada em instituições de ensino francesas exige que o aluno frequente matérias extras mais amplas ainda, como cursos de idioma ou mesmo sobre psicologia.

Escolher um ou outro percurso pode afetar muito a experiência de intercâmbio, graduação ou pós em outro país. Ou seja, a melhor saída é analisar não só a universidade de destino, mas também a tradição de longa data do país e os requisitos para os alunos do curso de engenharia no exterior.

Este artigo foi originalmente publicado por Estudar Fora, portal da Fundação Estudar