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Homens-computadores: conheça três feras da memória

Um campeão de concursos públicos, o melhor "atleta da memorização" da América Latina e o comentarista-enciclopédia PVC contam como lembram de tudo

“Se a minha memória não falha…”. A deles, pelo jeito, nunca falhou. Que o diga o comentarista esportivo da ESPN Paulo Vinícius Coelho, 40 anos. Dono de uma memória invejável, é capaz de dizer, sem titubear, a escalação do time do Guarani Futebol Clube, que foi campeão brasileiro em 1978, quando tinha apenas 9 anos. Detalhe: Paulo não torce, sequer, pelo time de Campinas.

– Aprenda a turbinar o seu cérebro

“Não me obrigo a guardar todas as informações de cabeça. Eu me obrigo, sim, a passar a informação correta para o telespectador. Por isso, de vez em quando, consulto os meus arquivos no computador. Afinal, para lembrar, você precisa saber. Ninguém lembra do que não sabe”, diz PVC, que, no colégio, era um dos melhores da turma em história, geografia e português.

A exemplo de Paulo Vinícius, William Douglas, 42, também se considerava um bom aluno. Ele já foi aprovado em seis concursos públicos, três deles em primeiro lugar: para juiz de Direito, defensor público e delegado de polícia.

“Não existem técnicas infalíveis de memorização. O que existe é a capacidade de aprendizado (inclusive com os erros) e a disposição para persistir até atingir os resultados desejados”, garante William. “Todos nascemos com alguma capacidade de memorização. Uns, mais; outros, menos. Independentemente de qual seja a sua capacidade ‘de fábrica’, é sempre possível aumentá-la”, afirma.

Se fosse depender de sua capacidade “de fábrica”, Alberto Dell’Isola, 30, é o primeiro a admitir que estaria perdido. Ele chega a afirmar que já teve “a pior memória do mundo”. “Cansei de parar o carro no estacionamento do shopping e, depois, não conseguir encontrá-lo de jeito nenhum. A solução era entrar no cinema, assistir ao filme e esperar o estacionamento esvaziar”, recorda.

Hoje, Dell’Isola é o 1° lugar no ranking dos “mentatletas” latino-americanos. Em 2007, ele conseguiu a façanha de memorizar 289 cartas de baralho, recém-embaralhadas, em apenas 1 hora. O segredo de Dell’Isola é combinar o maior número possível de técnicas de memorização: “Podemos utilizar diversos ‘gatilhos’ para evocar uma mesma lembrança. Quanto mais estratégias você utilizar, menores serão as chances de ter um ‘branco’ na hora da prova”.

Oito dicas para aprimorar a memorização
Seja disciplinado Estabeleça uma rotina de estudo e procure segui-la. Não acumule matéria. Pelo contrário. Revise-a constantemente. Evite estudar apenas na véspera da prova.
Durma bem Não pense que passar a noite em claro vai ajudá-lo a memorizar mais. Uma boa noite de sono ajuda a armazenar na memória o que foi aprendido ao longo do dia.
Estabeleça prioridades Na hora de estudar, procure grifar com uma caneta do tipo fosforescente os pontos mais importantes da matéria. Isso ajudará a fixá-los na memória.
Sintetize a matéria estudada Quando terminar a aula, faça um resumo do que aprendeu. Na aula seguinte, antes de retomar a matéria, releia a síntese da aula anterior.
Leia em voz alta Ao estudar, leia em voz alta a matéria. Se possível, grave o que está sendo lido e ouça depois, quantas vezes forem necessárias, para fixá-la na memória.
Combine várias técnicas de memorização Uns preferem grifar os trechos mais importantes. Outros, fazer uma síntese da matéria. Procure variar os “truques” na hora de estudar.
Estimule a sua memória Se não for correta e adequadamente estimulado, o cérebro perde a capacidade de memorização. Leia bastante. E, principalmente, reflita sobre o que está sendo lido.
Procure relaxar É impossível memorizar seja lá o que for se você estiver tenso. Antes de estudar, respire fundo, prenda a respiração por alguns segundos e solte-a lentamente.