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Passei em uma universidade longe de casa. E agora?

Não sabe por onde começar a mudança? Fique tranquilo! O GUIA preparou um pequeno manual para os calouros que irão se aventurar por novas regiões do Brasil

(Andreka/iStock)

Passar no vestibular é uma sensação incrível. Conferir o nome na lista de aprovados, comemorar com os amigos e com a família e começar a organizar a ida à universidade para fazer a matrícula. A entrada no ensino superior significa ainda, para muitos alunos, ter que deixar a cidade em que vivem para estudar em outra região, ou até em outro estado.

Se você foi aprovado em um lugar longe de casa, primeiro, parabéns! 😀 Agora é hora de começar a planejar sua vida adulta em um local diferente. Pode parecer assustador no início – especialmente para quem nunca deixou lar, pais e amigos – mas o GUIA irá te ajudar nessa missão. Preparamos um pequeno manual com os primeiros passos para estudar (e morar) fora de casa!

Conversamos com alguns universitários que já estiveram na mesma situação que você, precisaram se mudar para ir estudar, e conseguiram organizar tudo direitinho e curtir a graduação. Eles separaram algumas dicas importantes para quem está começando a dar os primeiros passos na faculdade.

Matrícula

Longe ou perto de casa, você, como qualquer estudante, terá que fazer a matrícula para garantir a vaga na universidade. Essa primeira etapa é presencial. Por isso, você deverá viajar para a região em que foi aprovado e prestar atenção em alguns pontos:

Verifique se está com todos os documentos necessários para a matrícula. O estudante do quinto ano de Engenharia Elétrica Andrew Manger, de 24, conta que quando foi se matricular na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), no interior de Minas Gerais, esqueceu a certidão de nascimento. “Foi um aperto, cheguei lá sem o papel e tive que voltar para buscar”, diz. A certidão estava em Belo Horizonte, na casa dos pais, cerca de 200 quilômetros de São João Del Rei. Andrew precisou conversar com os secretários do curso para entregar o registro depois. “Minha sorte é que eles aceitaram e me deram um novo prazo para entregar”, lembra.

Esquecer algum documento em qualquer situação já é um pouco desesperador. Mas, quando você não está perto de casa e não consegue buscar em tempo hábil, a situação é ainda mais desconfortável e pode ser evitada ao rever que é preciso levar. Aproveite a ida à cidade também para sondar o local e pensar em bairros interessantes e possíveis lugares para morar.

Mudança

Matrícula feita! Mas o trabalho só está começando. Até o início das aulas você precisará correr uma maratona para organizar a mudança. A principal dificuldade agora é escolher um lugar para morar. Caso você não tenha condições financeiras de arcar com um aluguel, não se desespere: procure a assistência à permanência estudantil de sua faculdade. As instituições públicas têm moradias universitárias destinadas justamente a alunos de baixa renda. Além disso, as universidades federais e estaduais dão bolsas e auxílios como isenção de pagamento no restaurante estudantil e vale-transporte.

Se você consegue alugar um cantinho e já conhece a cidade ou tem amigos que moram lá, pergunte a eles boas opções de bairros que te atendam. Pense em um local que tenha fácil acesso a serviços diários, como supermercados, caixas eletrônicos, padarias, farmácias e restaurantes.

Beatriz Moura, de 23 anos, estudante de Jornalismo da Universidade de São Paulo (USP) se mudou para a capital paulista em 2012. Na ocasião, ela, que morava em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e não conhecia São Paulo, optou por escolher um local perto da faculdade. “Eu queria um lugar que fosse fácil de ir para a USP e que não precisava dividir quarto. Fui morar na casa de uma mulher que alugava os cômodos do fundo para estudantes. Eram todos individuais e com banheiro”, lembra.

A casa escolhida atendia aos critérios iniciais que Beatriz tinha estipulado, mas, mais tarde, já adaptada à cidade, ela percebeu que, mesmo perto da universidade, a moradia era afastada do centro. “A localização não era tão boa, mas sempre penso que, se como eu, a pessoa não tiver condições financeiras de alugar algo melhor inicialmente, é preferível ir para uma pensão do que deixar de fazer a faculdade”, diz.   

Já o estudante de Engenharia Mecânica Caio Maia escolheu morar em um lugar sozinho e mais distante da faculdade para que os pais pudessem visitá-lo. Ele se mudou de Ilhéus, no interior da Bahia, para estudar em Salvador, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2011. Para não prejudicar os estudos, Caio decidiu por uma casa que tivesse fácil acesso a linhas de ônibus para a UFBA e para o centro. “Moro a meia hora de ônibus da faculdade, mas meus pais conseguem vir e ficar aqui em casa com frequência. Isso era importante para eles”, explica.

Se você não conhece ninguém na cidade onde irá viver, uma dica importante é participar de grupos de estudantes universitários nas redes sociais. Muitos são destinados exclusivamente ao aluguel de quartos em repúblicas. Assim, você poderá tirar suas dúvidas com pessoas que já moram no local, conhecer outros alunos em situação semelhante e encontrar um cantinho! Foi o que Andrew fez. Quando chegou a São João del Rei, o estudante não conhecia ninguém e foi morar com outros quatro alunos que também vinham fora da cidade. “É muito bom porque o preço é mais em conta, você conhece mais gente em casa e em festas nas repúblicas, e tem que aprender a conviver em grupo e respeitar outros tipos de pessoas”, conta.

(PeopleImages/iStock)

Convivência e dia a dia

Tudo certo agora: você já é um universitário! Tem casa, as aulas já começaram e sua vida parece estar entrando nos eixos. Mas ainda resta um problema: você precisa aprender a morar na cidade nova. Quais são os melhores lugares para comer? Onde sair à noite? Como fazer amigos?

Caio lembra que quando chegou a Salvador, não fazia ideia de como iria descobrir a vida na cidade. Nem por isso ele deixou de tentar. “Quando cheguei, bati papo até em ponto de ônibus! Perguntava onde tinha coisas pra fazer, o que estava rolando”, conta. É importante também conversar com veteranos e amigos da própria faculdade. Eles te acompanharão pelos próximos anos da graduação e poderão resolver tanto dúvidas acadêmicas quanto questões de rotina.

Conversar com desconhecidos também ajudou Giuliana Saragiotto, de 22 anos, a se acostumar com a vida em São João del Rei. Ela, que saiu de Campinas, no interior de São Paulo, para cursar Medicina na cidade mineira, conta que alguns vendedores de lojas locais perceberam a fala com sotaque diferente e ofereceram ajudá-la a adaptar no lugar. “Hoje em dia tenho salvo no celular um monte de número de vendedor, de flanelinha, de manicure. Todo mundo tem uma dica pra dar de apartamento pra alugar, aqui e ali”, relata.

Nas duas primeiras semanas, Giuliana ficou hospedada em uma pousada para conhecer melhor São João del Rei e lembra que as melhores dicas foram dadas pela camareira da empresa. “Ela me mostrou onde comprar móveis baratos pra minha casa, qual supermercado é bom pra comprar o que, barzinhos que mais enchem, essas coisas que só quem mora na cidade conhece”, diz. Por isso, se tiver alguma dúvida, não tenha medo de perguntar! É a melhor forma de descobrir como agir em situações inusitadas.

A faculdade também abrirá um leque de alternativas. Além dos amigos que você poderá fazer no ambiente universitário, ele também oferece algumas facilidades, como bibliotecas, museus, festas e cinema. Se a grana está curta, uma boa opção para almoçar é no restaurante da instituição, destaca Beatriz. Os preços são bem mais em conta do que em qualquer lugar na cidade. Uma refeição na USP, por exemplo, custa R$ 2. “Como eu não tinha muito dinheiro e só comia miojo em casa, acabava tomando café da manhã e almoçando no bandejão. E recomendo a todos”, diz a estudante.

Saúde

Ao se adaptar à cidade tudo é mais fácil. Você já escolheu os melhores lugares para passear, já sabe onde encontrar aquela comidinha gostosa e barata. Mas, e se algo der errado? Não dá para evitar algumas questões chatas como problemas de saúde. O que fazer e como agir nessas situações?

Giuliana chama atenção para uma questão essencial: observe o tamanho da região em que você irá morar. Ela, que sempre viveu em uma cidade grande, se deparou com alguns impasses inesperados ao se mudar para o pequeno município mineiro. “É preciso se preparar para eventualidades. Se deu azia de madrugada, por exemplo, descobri que não ia achar farmácias 24 horas para comprar remédios”, conta.

Um ponto para ficar bem atento é o plano de saúde. Se você é atendido por alguma instituição específica é bom checar se o seu plano tem (boa) cobertura na cidade em que irá morar. Observe se tem opções de médicos e laboratórios e se você conseguirá se consultar sem ter que pagar e pedir o reembolso depois. Em alguns casos (e se você tiver condições financeiras) pode ser melhor optar por um serviço local.

A aluna do segundo período de Medicina tinha um plano que era válido somente no estado de São Paulo. Na mudança para Minas Gerais a estudante ligou para a empresa para checar se não havia mesmo qualquer atendimento em território mineiro e descobriu que a instituição mantinha um convênio com outra rede de planos de saúde que atendia em São João del Rei.

E, claro, se você não tiver acesso a um plano de saúde e não conseguir contratar um regional, procure as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Outra dica é se consultar no hospital universitário. Muitas instituições públicas têm cursos de Medicina que possuem hospitais próprios. Neles, comunidade acadêmica e moradores locais são atendidos gratuitamente. Isso também é válido para outras áreas da saúde, como psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia.

(Malú Damázio/Guia do Estudante)

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Preparado para começar a aproveitar a universidade? Esperamos que as dicas do GUIA possam te ajudar a encarar esse desafio da forma mais tranquila e divertida possível. Boa sorte, bons estudos e boa adaptação!