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Sem grana para se manter na faculdade? Conheça bolsas e auxílios

Para garantir a permanência do aluno no ensino superior, as universidades oferecem diversas modalidades de auxílios; conheça as principais

(hatman12/iStock)

Realizar o sonho de entrar em uma universidade muitas vezes esbarra em um obstáculo que está além do vestibular: a falta de dinheiro para se manter depois de ingressar na faculdade. No entanto, é importante saber que existem saídas para contornar esse problema. Com o objetivo de garantir a permanência do aluno no ensino superior, as universidades hoje oferecem diversas modalidades de bolsas e auxílios.

Ajuda nas despesas

Para estudantes que passaram em uma universidade longe de casa pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou mesmo para quem mora em cidades pequenas e não tem como cursar uma faculdade no local, o jeito é morar fora. Com isso, o valor do aluguel é uma das despesas fixas que mais pesa no bolso do aluno. É por isso que quase todas as instituições públicas oferecem auxílio aluguel ou moradia estudantil para quem tem dificuldades financeiras. Esse é o caso da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), que tem diversos campi espalhados pelo estado de São Paulo.

Atualmente a instituição oferece moradia estudantil (1.240 vagas), restaurante universitário (5.470 refeições por dia), Bolsa de Apoio Acadêmico e Extensão (BAAE I) (R$ 350,00), auxílio aluguel (R$ 250,00), subsídio alimentação (R$ 75,00), bolsa para alunos com deficiência (R$ 425,00), auxílio estágio (R$ 350,00), auxílio provisório concedido emergencialmente ao estudante ingressante e auxílio transporte. Para receber qualquer um deles é preciso solicitar a ajuda à universidade e passar por uma avaliação prévia da Coordenadoria de Permanência Estudantil (COPE), chefiada por Mário Sérgio Vasconcelos. O coordenador explica que o processo seletivo existe para classificar os estudantes conforme a demanda e a oferta de bolsas e auxílios. “Nos últimos três anos conseguimos atender a todos os alunos que precisaram com pelo menos uma modalidade de auxílio”, afirma. Em 2016, a Unesp ofereceu assistência a 3.554 estudantes oriundos de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo. Em contrapartida, é preciso manter uma frequência regular às aulas e boas notas para manter os benefícios.

Planejamento é essencial

(Thaís Viana/Arquivo pessoal)

Thaís Viana, estudante de Jornalismo na Unesp, antes mesmo de passar no vestibular, já tinha pesquisado no site da universidade sobre os tipos de assistência que eram oferecidos. Para ela, esse processo foi essencial, pois foi a partir daquele momento que ela começou a se planejar para poder morar em outra cidade. Thaís precisou se mudar de São Paulo para Bauru, onde é oferecido o seu curso. Ela conta que o processo para solicitar o auxílio financeiro requer paciência e cuidado na hora de coletar os documentos exigidos pela faculdade. “Na primeira etapa eu preenchi cerca de 20 folhas sobre orçamento da minha família e meus gastos na cidade. Na segunda parte eu participei de uma entrevista com a assistente social para explicar a minha dinâmica familiar e a necessidade da bolsa”, conta a estudante.

Para dar conta das despesas de morar fora, Thaís já passou por repúblicas (moradias estudantis coletivas) e atualmente divide um apartamento com outras duas meninas. “Todo início do mês eu procuro programar os meus gastos para não ter muitas surpresas”, conta. Ela recomenda que os estudantes que estão com dificuldades financeiras tentem se organizar com antecedência: buscar saber o custo de vida das cidades onde querem morar, as bolsas que as universidades oferecerem e, principalmente, como solicitá-las. “Antes de estudar em outra cidade é importante se programar e, se possível, guardar algum dinheiro para usar até a sua situação financeira ser definida”, afirma.

Vinicius Machado, estudante do curso de Design do campus de Bauru da Unesp, conta que foi por meio de um manual entregue pela faculdade no dia da matrícula que ele descobriu os auxílios disponíveis. “Fiz minha solicitação assim que possível. Foi um processo lento e burocrático. Como eu entrei no vestibular de junho, tive que fazer o processo novamente seis meses depois”, explica Vinicius. O processo seletivo para bolsas é feito anualmente na Unesp e todos precisam pedir a renovação do benefício para continuar recebendo os auxílios.

(Vinicius Machado/Arquivo pessoal)

Como a seleção muitas vezes demora e a demanda por bolsas é alta, Vinicius recomenda que os estudantes tenham planos alternativos, como bolsas de iniciação científica, oferecidas por agências de fomento conveniadas às faculdades, ou estágios remunerados. As opções disponíveis variam conforme a instituição e podem ser consultadas diretamente com a universidade. Vinicius, que precisou se mudar de Pirassununga para Bauru, explica que aprendeu ao longo dos anos como cuidar de suas despesas. “No começo eu recebia cerca de R$600 e era o suficiente para conseguir me manter em Bauru, mas eu ainda não gerenciava meu dinheiro muito bem”, revela. O estudante precisou recorrer ao auxílio financeiro da família para complementar a renda, já que as bolsas não conseguiam suprir todas as suas necessidades. Hoje, ele já faz escolhas conscientes. “Eu controlo minhas compras e tento comprar o suficiente pagando o menor preço possível e eu mesmo faço a minha comida. Divido quarto na república para que o aluguel seja menor também”, completa Vinicius. Ele acredita que esses pequenos ajustes fazem a diferença no final do mês.

Outras universidades, além dos auxílios tradicionais, também oferecem benefícios que ajudam a cuidar da saúde e do bem-estar do estudante, como é o caso da Universidade de São Paulo (USP). Os alunos podem ser atendidos em especialidades médicas e odontológicas, gratuitamente, nos hospitais universitários disponíveis em São Paulo, Bauru, São Carlos, Piracicaba, Pirassununga e Ribeirão Preto. Todos os campi da USP também possuem centros para a prática de esportes. Outro auxílio que vale destaque é o auxílio-livros, no valor de R$ 150, para serem utilizados nas livrarias da Editora da USP (Edusp).

Auxílio nas federais e para bolsistas do ProUni

Para garantir a permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade econômica, o Ministério da Educação (MEC) atua por meio de dois programas. São eles o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e o Programa Bolsa Permanência (PBP). As verbas do PNAES são dirigidas às instituições federais e elas administram a distribuição dos recursos aos alunos (moradia estudantil, alimentação, transporte, saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche e apoio pedagógico). Já o PBP é direcionado para estudantes indígenas e quilombolas, que recebem uma bolsa de R$900, paga à parte pelo Ministério. Segundo o MEC, em 2017, foram liberados R$ 22,9 milhões para pagamento de bolsas.

Vinicius Almeida Junior, diretor de políticas e programas de graduação do MEC, acredita que é importante oferecer meios para que o estudante consiga se manter com qualidade no ensino superior. “O PNAES tem como objetivo viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes e contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico, a partir de medicas que buscam combater situações de abandono, repetência e evasão”, conta.

O MEC também oferece bolsas para estudantes vinculados ao Programa Universidade para Todos (ProUni). De acordo com o MEC, foram atendidos mais de 9,7 mil estudantes no primeiro semestre de 2016 e estima-se para 2017 o atendimento de mais de 11 mil alunos. Para conseguir uma das bolsas ou auxílios disponíveis, a recomendação é que o estudante se informe por meio dos sites das universidades ou diretamente nas secretarias para saber como solicitar os benefícios.