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Vestibular

Estudante nota mil na redação do Enem troca curso de Engenharia por Medicina

Confira a rotina de estudos de Tainá Rocha que tirou nota 819,3 na média do Enem e conquistou uma vaga no curso de Medicina da UFC

Ana Lourenço | 27/01/2016 14h 27

Imagine passar anos longe do colégio, voltar, e, com menos de oito meses de estudo, ser aprovada em Medicina em uma das universidades federais mais concorridas do país? É essa a trajetória de Tainá Rocha, agora caloura da Universidade Federal do Ceará (UFC) e dona de uma média de 819,3 pontos no Enem.

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A estudante de 23 anos desistiu do curso de Engenharia de Energias Renováveis, após quatro anos – faltando apenas um ano para se formar -, para ir atrás do sonho: ser médica. E Tainá conseguiu realizar esse sonho em grande estilo: além da aprovação, ela foi uma das 104 pessoas que tirou nota máxima na redação do Enem. Agora, resta a pergunta: como, depois de tantos anos longe do cursinho e do ensino médio, Tainá conseguiu uma aprovação tão difícil em tão pouco tempo?

A resposta está na diferença entre seu método de estudos de agora e o de anos atrás. Segundo ela, desta vez ela soube “estudar de forma inteligente”. “No terceiro ano, eu era mais nova, mais imatura. Dessa vez, me esforcei de forma pragmática, não desperdicei tempo”, explica. Tainá mapeou os conteúdos em que tinha pouca familiaridade, como filosofia e sociologia, e explorou bem os que sabia melhor, como as disciplinas de exatas.

Ela conta que, quando estava no ensino médio, achava que o vestibular era um bicho de sete cabeças e que, para ser aprovada, dependeria muito da sorte. “Desta vez, eu entrei no cursinho com uma cabeça totalmente diferente. Sabia o que eu queria e fiquei muito mais focada, sem esquentar muito com as pequenas coisas e, principalmente, sem abrir mão do meu descanso”, explica. Nesse ponto, a experiência anterior na faculdade a ajudou. “Já sabia que o vestibular não era um monstro, então fui com calma, estudando o que aguentava e focando no que era realmente importante para o Enem e para o curso que eu queria.”

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Sua rotina consistiu em aulas de manhã, no cursinho Ari de Sá, em Fortaleza (CE), e estudo à tarde, em casa. No total, aulas mais estudo individual somavam 10 horas diárias. “Foquei em resolver muitos exercícios e montar uma base de humanas, especialmente para a redação. Mantinha um caderno onde escrevia argumentos que achava interessantes e que poderia decorar para usar na redação, se fosse preciso e tivesse a ver com o tema que fosse cobrado”, conta. Ela também diz que procurou se aprofundar em temas variados de todas as disciplinas, também visando a redação, prova que considera a mais importante de todo o exame. A estratégia deu certo, já que a estudante arrebatou nota máxima.

Além dos estudos, um aspecto importante para Tainá foi o do descanso. “Mais ou menos a cada hora eu parava e descansava por alguns minutos. Levantava, andava pela casa, tomava uma água, mas sem distrações”, explica. Seus estudos eram divididos em ciclos de estudo-descanso, que a ajudavam a desafogar a cabeça e a render mais durante as horas dedicadas à resolução dos exercícios.

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Mas não pensem que foi tudo fácil na rotina da estudante. Enquanto sentia facilidade nas matérias de humanas, Tainá teve problemas para estudar as as matérias de humanas que ainda são novidade na cobrança dos exames: sociologia e filosofia. “Quando vi que tinha que estudar sociologia e filosofia, tomei um susto! Nunca tinha estudado, na minha época não caía no vestibular”, explica. Mas, sabendo disso, ela investiu nos assuntos que a deixariam para trás em comparação com os outros estudantes e, hoje, vê as disciplinas com outros olhos. “Eu gostei muito de estudar essas disciplinas. Li por horas e horas, procurei outros autores para conhecer melhor, e levo o que aprendi para a vida, muito além da prova”, diz.

Entre acertos e dificuldades, Tainá procurava seguir aquele dito básico que provavelmente todo estudante de cursinho já ouviu: aula dada é aula estudada. “Eu chegava em casa e revisava o conteúdo que os professores tinham passado naquele dia, para fixar bem. O que eu não conseguia terminar naquele dia, eu finalizava no fim de semana. Não vou dizer que deu para absorver todo o conteúdo, mas fazendo assim eu acho que estudei uns 95% do total”, explica.

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Para quem está perseguindo o sonho de cursar Medicina ou outro curso muito concorrido nas grandes universidades do país, Tainá diz que o segredo é não ficar “bitolado”. “Muita gente passa o ano se estressando e aí, na hora da prova, fica nervoso e acaba indo mal, sem conseguir resolver todas as questões. É preciso ter muito foco e pensar de forma objetiva, vendo a prova como ela é. Quem consegue pensar assim tem mais chances de ser bem sucedido.”

As dicas de Tainá para mandar bem nas provas
Faça muitos exercícios. Se errou ou não entendeu a resolução de algum, faça de novo. Tenha disciplina.
Faça pausas regulares durante os estudos. Deixe seu cérebro respirar para ter tempo de fixar o que já aprendeu e, então, absorver algum conteúdo novo.
Anote em um caderno argumentos e pensamentos, de quaisquer áreas do pensamento, que possam ser úteis na redação. Faça de uma a três redações por semana.
Foque no que é importante para o vestibular que você quer. No Enem, por exemplo, são cobradas muita interpretação de texto e interdisciplinaridade. Direcione seus estudos para isso.
Fortaleça as áreas em que tem facilidade e invista em aprender nas que tem dificuldade.
Faça simulados e tente reproduzir as condições do dia da prova (tempo para responder, cadeira desconfortável, sem possibilidade de distração). Conheça bem a prova.
Acredite em si mesmo e enxergue a prova como ela é. Nada de criar monstros ou bicho de sete cabeças.

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